A história da mulher de 27 anos que adotou idosa e é chamada por ela de mãe

Gente
há 6 meses

Você já imaginou adotar uma pessoa adulta que viveu a vida inteira no hospital e não tinha nenhuma família ou lar para ir? Pois foi isso que uma cuidadora fez e, hoje, as duas vivem juntas como uma família, e a mulher diz que ganhou uma filha, que a chama de mãe. Neste artigo, contamos como essa história comovente começou e como foi essa jornada que consegue deixar qualquer um emocionado. Confira!

Toda boa história tem um começo

Em 2010, Glaucia Andressa Santos Gomes, tinha 27 anos quando conseguiu um emprego como copeira em um hospital de Araraquara, no estado de São Paulo, onde mora com a filha, Emilly. E foi lá que uma história emocionante teve início, já que ela conheceu a Cota, apelidada carinhosamente de Dona Cotinha, que morava no hospital há mais de 50 anos.

A idosa, que teria cerca de 60 anos, chegou ao hospital ainda criança, após sofrer um acidente em uma estrada. Porém, ela não tinha documentos e nenhum familiar apareceu para ir buscá-la e até hoje não se sabe ao certo quais são as origens dela. Com o passar dos anos, ela passou a viver e ser cuidada pelos funcionários da unidade, que deram a ela o nome de Cota, ou Dona Cotinha, pois esse seria o apelido que mulheres chamadas “Maria” ganhavam anos atrás.

O início de uma grande amizade

Com o passar dos anos, Dona Cotinha se tornou personagem frequente nas histórias do hospital e diversos funcionários a conheciam, uma vez que ela passou a ajudar com algumas atividades da unidade. No começo, ela trabalhava na lavanderia, mas os próprios colaboradores pediram para que ela fosse transferida, porque podia ser maçante. Daí, ela foi para a cozinha, onde conheceu a Glaucia. “Eu vi ela limpando mesas e achei que fosse mais uma funcionária”, disse Glaucia em uma entrevista.

Alguns funcionários tentaram regularizar a situação de Dona Cotinha que, por não ter documentos, era como se não existisse. Porém, não conseguiram na época e todos seguiam uma rotina, que incluía levar a idosa para passear. No entanto, tudo mudou em 2016, quando o hospital faliu, deixando todos sem emprego e Cotinha, sem um lar.

A descoberta triste

Após o fechamento do hospital, a situação de Dona Cotinha veio à tona e ela foi levada para um abrigo. E quando Glaucia, que nutria um carinho especial por ela, soube disso, logo se dispôs a ajudar: “Eu fui atrás para ver como ela estava. Pegaram ela na quinta-feira à tarde e eu fui na sexta-feira de tardezinha”, conta, e completa dizendo que “ela chorava sem parar e repetia que queria ir embora. Eu prometi que em três dias tirava ela de lá, mas eu falei da boca para fora, só para confortar, não acreditava que ia conseguir”.

Depois disso, ela conseguiu entrar em contato com uma assistente social e, na segunda-feira, ela foi capaz de levar Cotinha para casa. “Quando eu peguei ela, achei que teria meu emprego de volta e ela teria o cantinho dela de volta, aí eu fui vendo que não, era o contrário. O hospital fechou, ninguém quis saber dela e eu vi que realmente ela só tinha eu”, relatou Glaucia. “Eu fui mais na emoção, não pensei no dia de amanhã”, disse em outra entrevista.

A bondade supera todas as dificuldades

Desde então, Dona Cotinha vive com Glaucia e sua filha Emilly e, juntas, elas compartilham muitos momentos felizes. Porém, nem tudo foram flores, já que ela estava desempregada e Cotinha precisava dos documentos para viver com dignidade. Para isso, Glaucia contou com o apoio de várias pessoas, inclusive advogadas, que a ajudaram a fazer com que a idosa existisse legalmente. E no meio de tudo isso, a mulher relata não ter nenhum arrependimento. “Se não é para voltar para o hospital, onde ela foi criada, ela vai ficar comigo”, disse ela.

Ela também disse que Cota se emocionou quando viu o quarto que foi montado para ela. “Ali, eu vi que realmente ela tinha medo de eu me desfazer dela, dela não voltar. Na hora que ela viu o quarto montado, ela viu que eu não faria isso”. Cotinha, que se comunica apenas por gestos e fala poucas palavras, chama Glaucia de mãe e adora brincar de bonecas.

“Eu ganhei uma filha. Já tinha uma filha e ganhei uma filha mais velha”, comentou ela e também disse que Emilly gosta muito de Cotinha, “não tem como você não gostar dela”. “Se você pergunta, o que a Cota é sua, ela responde: é minha irmã”, revelou ela sobre o relacionamento.

Um futuro juntas

Três meses depois do fechamento do hospital, Glaucia foi contatada por sócias de uma casa de repouso, que lhe ofereceram um emprego como cuidadora. Inclusive, ela consegue levar as duas filhas (Emilly e Cotinha) para ficar com ela no trabalho. Hoje, Glaucia usa suas redes sociais para compartilhar os momentos felizes vividos pela família. Sobre o ocorrido, ela chegou a comentar que “qualquer pessoa com sentimento faria a mesma coisa, porque quem tem bom coração não deixaria ela lá” e “eu não vou abandonar ela”.

Essa é uma daquelas histórias que deixam o coração quentinho. Inclusive, há muitos outros relatos de adoções emocionantes, como a do cantor Milton Nascimento, que conheceu seu filho quando ele tinha 13 anos, por meio de amigos em comum. Venha conosco saber mais sobre esse fato emocionante da vida do cantor!

Imagem de capa EPTV/ Globo Play

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