A história de Milton Nascimento com a adoção mostra que nunca é cedo ou tarde demais para o amor entre pais e filhos florescer

Crianças
há 11 meses

Que Milton Nascimento é um dos maiores cantores da Música Popular Brasileira, não é segredo para ninguém, já que ele acumula mais de 60 anos de carreira. O que muitos podem não saber é a história da sua vida pessoal, que começa e termina com um ato de puro amor: a adoção!

Incrível.club relembra a história do Milton Nascimento, um dos nossos tesouros musicais, e como ele adotou um jovem e provou que o amor paterno não tem idade para começar — nem para acabar.

Milton Nascimento brilha como cantor e compositor desde os anos 1960, e já impressionou até artistas do exterior

primeira gravação profissional de Milton Nascimento foi Barulho de Trem, em 1962, quando ele tinha por volta de 20 anos de idade. Ele participou de alguns grupos musicais, inclusive o Clube da Esquina, e até competiu em festivais de música. Mas só foi conseguir notoriedade nacional quando compôs Canção Do Sal e gravou com Elis Regina. A cantora era conhecida por gravar músicas de compositores desconhecidos e, com isso, lançá-los ao estrelato. Foi o que aconteceu com Milton.

Depois disso, foram vários sucessos gravados por ele, além de parcerias com o Clube da Esquina, Beto Guedes, Lô Borges e até um saxofonista dos EUA, Wayne Shorter, no disco Native Dancer. Esse disco abriu as portas internacionais para o cantor brasileiro, o que possibilitou gravar com nomes como Peter Gabriel e Duran Duran, e ganhar fãs como Björk e o grupo Earth, Wind and Fire. Sem falar em nós, brasileiros. Quem nunca se emocionou com Canção da América ou Coração de Estudante?

A sua infância começa com uma perda, mas logo já tem uma virada que marcaria para sempre a sua vida

Muitos brasileiros têm as músicas do Milton Nascimento na ponta da língua, mas talvez não conheçam as origens do cantor. Ele nasceu em uma comunidade na Tijuca, Rio de Janeiro, e foi criado pela avó, já que sua mãe faleceu quando ele ainda tinha 2 anos. Uma amiga da avó, a Lilia, não conseguia engravidar e se apegou muito ao Milton — que tinha o apelido de Bituca. Ela pediu para adotar o pequeno e a avó concordou, então Bituca foi morar com a Lília e seu marido Josino, em Minas Gerais.

Por influência da mãe, que aprendeu música com o maestro Villa-Lobos, e do pai, que era dono de uma estação de rádio, Bituca cresceu rodeado de instrumentos. Mas, para Milton, ele deve aos pais muito mais que o amor pela música. “Lilia. Esse é o maior nome da minha vida. Eu comecei a tomar um novo rumo”, como ele falou no Fantástico. Em sua homenagem, Milton compôs a música Lilia, que não tem letra porque “não existe no mundo uma só palavra que possa definir a beleza dessa mulher”.

Milton cresceu como pessoa e como profissional, mas ainda tinha um grande sonho a realizar: o de ser pai

Bituca teve alguns casamentos que não deram certo e até um “filho simbólico”, Pablo, de quem se afastou depois de se separar da sua mãe, Cáritas. Na verdade, Milton sempre teve o sonho da paternidade, como ele mesmo relatou em entrevista ao Pedro Bial, em 2018. Segundo ele, tentou várias vezes e nunca deu certo. Até que deu.

De forma despretensiosa, Milton conheceu um garoto por meio de amigos, que ele não imaginava que se tornaria uma importante figura na sua vida

Augusto e Milton se conheceram em 2005 através de amigos em comum. Augusto tinha 13 anos, foi abandonado pelo pai e vivia com sua mãe, Sandra, que nunca teve relações com Milton. Ele se aproximou do cantor, que já tinha 63 anos, começaram uma forte amizade, e passavam os dias juntos em Juiz de Fora e Rio de Janeiro. Ele sabia que Milton sempre quis ter um filho e os laços entre os dois foram se estreitando cada vez mais.

Milton, que sempre gostou de trabalhar com uma equipe pequena de pessoas queridas para ele, chamou Augusto para cuidar dos direitos autorais das suas canções. Augusto, que estudou Direito, topou e fez muito mais. Passou a cuidar da saúde e do bem-estar do Bituca, inclusive sugerindo que ele passasse mais tempo em Juiz de Fora, cidade mais tranquila.

Depois de anos de convivência, a consolidação do amor entre Milton e seu filho Augusto aconteceu oficialmente

Depois de um tempo, Augusto soube que Milton, então com 75 anos, estava muito mal no hospital e foi correndo visitá-lo. Quando chegou, o cantor abriu um sorriso e disse: “Você veio”. Segundo Augusto, “Foi o momento em que me senti mais amado na vida. Parecia que tudo estava resolvido”. Naquele dia, Milton tomou coragem e fez uma proposta: “Ele chegou para mim e perguntou se eu aceitava ser filho dele”. A adoção oficial veio em 2018, quando Augusto pôde assinar com o sobrenome do pai.

Milton e Augusto Nascimento são a prova que o amor constrói, transforma e até salva vidas

Milton lança olhares cheios de ternura para o seu filho Augusto. “É um sonho que finalmente agora eu realizei”, ele afirma, “a vida me deu muito mais do que eu poderia esperar”. Augusto revela: “As pessoas acham e falam que nossa relação salvou a vida dele”. Ele também afirma que sofreu com comentários maldosos, mas aprendeu a ignorá-los e focar na transformação positiva que essa relação lhe trouxe: “Milton me ensinou ser uma pessoa afetuosa como eu nunca tinha sido. É inacreditável a pureza dele”.

Para Augusto, ter um pai significa mais do que apenas ter alguém para cuidar dele. “É uma vontade mútua de cuidar e ser cuidado”, ele afirmou no Conversa com Bial. Milton expressou seus sentimentos a respeito do filho através de uma música composta especialmente para ele, chamada Além de Tudo. Além disso, Bituca também fez uma música em parceria com o canal Mundo Bita, chamada O Amor da Adoção.

Milton Nascimento está muito próximo de alcançar o seu “feliz para sempre”, agora que tem um filho para chamar de seu

A gratidão de Milton por ter sido adotado por Lilia e Josino é eterna: “Se não fossem eles acho que nem estaria aqui”, tanto que fez o mesmo, também se tornando um pai adotivo. Augusto também é grato: “Milton me presenteou com o amor da paternidade”. Augusto segue do lado pai, inclusive na direção da sua turnê de despedida dos palcos que começou com uma apresentação no Rio de Janeiro. Aos 80 anos de idade, e com o seu maior sonho já realizado, Bituca decidiu se aposentar.

A história do Milton vai além das excelentes músicas e nos faz pensar em como nunca é tarde para realizar os nossos sonhos. Você conhece alguém que teve um sonho realizado depois de muitos anos?

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