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Por que os aviões comerciais não têm paraquedas

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Você já se perguntou por que os aviões comerciais não possuem paraquedas sob os assentos para que os passageiros possam escapar de acidentes — da mesma forma que os barcos têm coletes salva-vidas? Bem, se você é uma das milhões de pessoas que já tiveram essa ideia, saiba que alguns engenheiros também já pensaram nisso. E concluíram que não vale a pena porque, diferentemente do que somos levados a pensar pelo senso comum, uma medida como essa não ajudaria a salvar milhares de vidas.

Incrível.club adora fatos curiosos, então quer compartilhar com você as razões pelas quais não há paraquedas em aviões comerciais.

Saltar de paraquedas não é algo que se aprende na hora

O paraquedismo não é uma atividade simples. Não se trata de saltar, pressionar um botão para o paraquedas abrir e esperar em silêncio até chegar ao chão. A verdade é que os iniciantes geralmente precisam de um assessoramento intensivo para serem instruídos em questões básicas como:

  • A forma de manobrar seu corpo quando está caindo.

  • Preparar-se para sair da porta do avião

  • Manter o corpo estável quando ele se encontra exposto a uma grande altitude e a um vento forte.

Para se ter uma ideia de como as coisas não são simples, apenas a parte teórica de um curso de paraquedismo — sem contar os treinamentos práticos — leva cerca de 10 horas.

Os paraquedas são pesados e caros

Por razões óbvias, com o tempo necessário para a preparação de um voo, arrumar as malas, o translado e a documentação para a viagem, nem todo mundo estaria disposto a fazer um curso de paraquedismo várias horas antes do voo. E mesmo que as instruções fossem dadas durante a viagem, um grande número de passageiros não prestaria atenção. Além disso, todo equipamento de paraquedismo pode pesar até sete quilos e não é barato.

Portanto, se um avião puder transportar 200 pessoas, serão necessários 200 paraquedas. Isso acrescentaria um peso extra de 1.360 kg no total, o que faria a aeronave gastar mais combustível, tornando o voo mais caro. Outro detalhe: vamos combinar que o espaço interno dos aviões já não é algo muito animador. Todo mundo que viaja com alguma frequência tem alguma história sobre o aperto e a falta de conforto nos voos. Então, imagine como seriam as coisas se mais 200 paraquedas fossem colocados lá dentro. Não haveria espaço nem para as pernas. Além disso, em caso de emergência, o tempo que alguém levaria para colocar o equipamento de paraquedismo seria muito longo; portanto, o mais seguro seria que, por protocolo, os passageiros o usassem durante toda a viagem, o que sem dúvida seria muito desconfortável.

Não seriam úteis em caso de emergência

Apenas os paraquedistas treinados saltam de altitudes acima de 4 500 metros e ainda assim com oxigênio suplementar. Os alunos e em dupla saltam a aproximadamente 3.000 metros, enquanto a um amador é recomendado fazê-lo a 1 000 metros. Agora imagine um passageiro inexperiente saltando da altitude de um voo de cruzeiro, mais de 10.000 metros — ou mais alto que o topo do Everest. Com uma temperatura do ar abaixo de −60 ° C, o golpe de vento frio poderia congelar imediatamente o nariz, a boca e até os olhos; portanto, seria necessária uma máscara especial, um cilindro de oxigênio, uma roupa de voo e um altímetro, que a pessoa deveria saber como usar para sobreviver.

Para saltar de paraquedas, o avião deve estar em pleno voo, mas apenas 9% dos acidentes fatais ocorrem nessas circunstâncias. A maioria deles acontece durante o pouso ou a decolagem, ou seja, a uma altitude muito baixa, que faria com que o paraquedas não tivesse tempo suficiente para abrir.

Mas mesmo estando à altitude necessária para abrir, os paraquedas não seriam úteis. Normalmente, os problemas que causam acidentes aéreos em grandes altitudes são tempestades ou ventos fortes, que descartam completamente o paraquedas, algo que, nessas circunstâncias, seria extremamente perigoso. Sem mencionar que o avião se moveria muito rápido porque as portas de emergência não foram projetadas para “quedas livres”, tornando impossível para os passageiros evitar batidas fortes na porta e nas paredes e fazendo com que muitos fossem jogados para longe antes de tomar o impulso para saltar.

As pessoas geralmente não reagem bem sob pressão

Apesar de tudo o que foi dito, suponha por um momento que paraquedas individuais fossem colocados sob os assentos dos passageiros — e que não fossem enormes como hoje. Se o avião estivesse com problemas sérios, certamente todos entrariam em pânico. E embora essa reação seja compreensível, a verdade é que, nessas situações, é necessário manter a calma. Os passageiros deveriam tirar o paraquedas e colocá-lo com uma máscara de oxigênio (que seria ligada a um cilindro) no rosto, sem soltar os cintos de segurança.

Agora, imagine todo esse processo em uma situação de emergência numa altitude de mais de 10.000 metros, em poltronas estreitas e com o avião chacoalhando — situação mais comum num acidente. E tudo isso sob a pressão de conseguir se arrumar a tempo ou morrer. Especialistas garantem que muitos nem conseguiriam pegar o paraquedas.

E, se milagrosamente todos (ou quase todos) os passageiros ouvissem as instruções e conseguissem colocar o paraquedas corretamente, eles teriam, ainda, de saltar respeitando um tempo mínimo entre um passageiro-paraquedista e outro para que não houvesse colisões no ar ou emaranhados dos fios dos paraquedas. Ou seja, é impossível que todos saltem de uma só vez! Você acha que os passageiros em pânico esperariam pacientemente sua vez de deixar o avião?

Que tal um paraquedas para o avião inteiro?

Se os paraquedas individuais não funcionarem, o que aconteceria com um para todo o avião? Infelizmente, também não é uma boa ideia. Na verdade, existem paraquedas que podem sustentar pequenos aviões no ar com um máximo de 5 passageiros. Quando surge uma emergência, o piloto pode puxar uma alça que está no teto para abrir o paraquedas. Mas, mesmo nesse caso, o impacto equivaleria a um salto de uma altura de 4 metros para os passageiros, o que deve ser muito doloroso.

Mas, no caso dos jatos comerciais, para 100, 200 passageiros, a situação é ainda mais complicada. Para começar, a aeronave deve estar a uma altitude elevada para poder abrir o equipamento e, como dissemos, a maioria dos acidentes ocorre durante a decolagem ou aterrissagem, o que não daria tempo ao piloto.

Outro fator contra é que, considerando que uma aeronave de grande porte possui até 300 toneladas (esse é o peso de decolagem de um Boeing 777 carregado), o paraquedas deve ser incrivelmente forte e grande, o que deixaria muito pesado, envolvendo custos de combustível mais altos e aumentos dos preços das passagens. Além disso, um paraquedas não seria suficiente. Seriam necessários muitos deles, localizados em diferentes partes do avião e cada um deveria ser do tamanho de um campo de futebol. Não parece muito realista, não é mesmo?

A alternativa mais viável

O que não falta às grandes mentes é imaginação. Uma ideia seria a de, no momento da queda, o avião dispensar algumas de suas partes mais pesadas, mantendo apenas a cabine de passageiros. Essa ideia foi sugerida por Gleb Kotelnikov em 1920, que propôs um mecanismo com o qual, em caso de acidente, as asas seriam cortadas com lâminas grandes e a cabine seria separada em várias partes, o que reduziria a velocidade da queda. E, embora seja um plano antigo, a verdade é que é um dos mais viáveis ​​que temos até hoje. A questão é que, se fosse algo verdadeiramente executável, provavelmente já teria sido adotado pelos fabricantes.

Você já saltou de paraquedas? Se não, se atreveria a fazê-lo? Gostaria de ter um como medida de segurança obrigatória em voos? Compartilhe seus pensamentos conosco na seção de comentários.

Imagem de capa Genial / youtube
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