Incrível
NovoPopular
Inspiração
Criatividade
Admiração
Incrível

A história de como é difícil encontrar o homem ideal, mas é possível criar seu filho para se tornar um

Não é fácil sobreviver à traição de uma pessoa amada, não cair no desânimo e ainda se manter a melhor mãe para seus filhos. Tatiana Grishina, autora do canal “Notes of the evil one” (“Notas da malvada”) do site “Yandex”, traz provas convincentes de que essa etapa ruim é apenas passageira. No final, a vida colocará tudo de volta no seu lugar para aqueles que passarem pelo teste.

Depois de ler essa história, o Incrível.club se perguntou: “Quem são os homens de hoje? Como educá-los desde crianças?”

Meu mundo relativamente pequeno, mas tão familiar e aconchegante, desmoronou quando eu fiz 34 anos. Antes tudo estava bem: tinha uma casa própria e uma linda família. Hoje, no entanto, tudo se transformou em mentira e frustrações.

Meu próprio marido deu entrada nos documentos para o divórcio sem avisar e continuou a morar comigo na mesma casa, sorrindo para mim e para as crianças durante o jantar. Mais tarde recebemos os documentos do divórcio pelo correio, com uma intimação e data marcada.

— Eu queria te dizer isso há muito tempo — disse a pessoa mais importante do mundo para mim até aquele momento — vai ser melhor assim. Eu não aguento mais mentir.

— E o que você vai fazer agora? — perguntava minha mãe desesperada quando soube do nosso divórcio. — Como você vai fazer agora, com dois filhos, sem emprego e sem casa? Seu avô e sua irmã mais nova estão morando comigo.

Os lamentos da minha mãe sobre essa amargura da minha vida foram dirigidos diretamente ao meu ex-marido e a mim e fizeram eu me sentir mais culpada: “você não conseguiu”, “você foi fraca”, “tinha de ter lutado pela família”.

Mas lutar pelo quê? Contra quem? Tudo estava ótimo entre nós até hoje à noite. Até eu encontrar a carta no correio.

— Se ainda tivesse algum motivo para brigar! — disse o meu avô na cadeira de rodas. — Não era uma batalha, linda! Não fique chateada, vai dar tudo certo. Meus netos vão crescer e não vão desaparecer.

Mas eu ainda não estava pronta para escutar que as coisas ficariam bem.

— Você não precisa trabalhar, — disse meu marido, 3 anos antes, quando estávamos saindo do hospital com nosso filho de 4 anos, — nosso filho precisa de você, fique em casa cuidando e educando ele. Pelo menos até o início da escola.

E eu fiquei em casa. Cuidei e eduquei nosso filho e também levava nossa filha, Nika, ao conservatório de música. Logo, nosso filho havia começado a escola, nossa filha tinha quase 15 anos, mas eu não tinha emprego e o apartamento, que estava no nome do meu marido antes do casamento, teria de ser desocupado até o final da semana.

— Você tem aquela nossa casa velha de campo, — disse meu ex- marido, Kolya, — eu posso ajudar a levar suas coisas e você pode levar os pratos, talheres, máquina de lavar, geladeira etc.

— Nossa, muito obrigada, meu querido marido. Claro que eu vou levar. A geladeira e a máquina de lavar. Numa casa velha que não tem tubulação de água e nem espaço para uma geladeira.

Quando recebi essa casa, depois que meus avós faleceram, ele se recusou a fazer qualquer obra dizendo que nós já tínhamos um bom apartamento e que essa casa seria apenas uma casa de campo para visitarmos de vez em quando. Bom, essa casa seria, a partir de então, o lugar em que eu teria de viver. Com meus filhos.

— Ai, cheira a umidade, — disse Nika ao entrar na casa. — Eu não quero morar aqui, mãe. Quero voltar para casa.

Kolya foi embora rapidamente para não ter de explicar à filha que esse seria seu lar a partir de então. Depois de uma semana, ao chegar da escola, Nika começou a arrumar uma mala com suas coisas.

— Eu tenho direito de escolher, — exclamou ela, — vou viver com meu pai. Não quero ficar aqui catando lenha e sem água quente. Você não conseguiu manter o papai, então por que eu seria obrigada a sofrer?

Eu não segurei minha filha. Meu pequeno Misha, meu filho, se agarrou a mim como um urso e apenas me abraçou com suas mãos ainda miúdas.

Como eu e meu filho sobrevivemos ao nosso primeiro inverno na casa velha? Não sei como contar que eu acordava às 2 da manhã para catar lenha e manter o fogo para não estar frio quando meu filho acordasse. Depois da escola, Misha juntava madeira cuidadosamente em uma pilha para pudéssemos colocá-las no forno à noite novamente para aquecer a casa.

Não sei também como contar sobre os baldes que tínhamos de carregar juntos para tomar o banho do dia. Não sei como dizer sobre a pensão que não recebia e como não pagávamos ao caixa do mercado o que realmente devíamos. E havia ainda as repreensões da minha mãe:

— Sua filha fugiu para morar com o pai e uma mulher estranha, e você fica aí sentada sem fazer nada. Que mãe é essa? Fique de olhos abertos, você vai perder seu filho também.

— Ninguém vai me levar para lugar nenhum, — disse meu filho, sério, franzindo as sobrancelhas, — eu não saio daqui. Muito menos para ir morar com ELE. E eu já vejo a Nika na escola.

Depois de um ano aconteceu um milagre! Minha casa entrou na zona de reassentamento por causa da escola construída nas proximidades. Por isso, o poder público nos forneceu um apartamento novo, com um enorme parquinho e um centro esportivo. Não era muito grande, mas tinha espaço suficiente para nós dois.

— Mãe, — ligou minha filha, — posso ir morar com você?

— Claro! Venha, meu amor. ­­— eu respondi.

E novamente, minha mãe e amigos reprovaram minha atitude “leve” demais:

— Escolheu morar com o pai, então que fique com o pai. O que será que deve ter acontecido? Agora o apartamento da mamãe é novo e ela decide morar com você.

Nika chegou com as malas, sem graça e com a cabeça baixa. Depois começou a chorar na entrada. Chorava e sussurrava incoerentemente:

— Eu pensei que... ele disse que...mas o traidor foi ele... por que eles são todos assim? Eles brigavam todos os dias. E eu era a culpada. E a irmã mais nova chorava o dia todo. Aquela mulher contava quantas vezes já tínhamos lavado a louça. E reclamava depois que eu comia demais. E meu pai... que homem é esse?

— Ele nunca me defendeu... e dizia para eu chamá-la de mãe. Que mãe é essa?

Então, confortei minha filha, que pela primeira vez teve de lidar com a traição da pessoa mais próxima a ela naquele momento. Apenas acariciei seus cabelos enquanto enxugava suas lágrimas.

Nos sentamos no chão, no corredor, entre as bolsas que meu ex-marido tinha trazido à minha porta — sendo que sequer quis entrar para ver o próprio filho.

— Mãe, — minha filha levantou os olhos inchados e com um rosto ainda infantil, — eles são todos assim? Não há nenhum bom?

Nessa hora, Misha saiu do banheiro depois de instalar uma lâmpada, dizendo que falaria com todos do prédio caso não funcionasse e nos abraçou com aqueles seus pequenos bracinhos de um menino de 8 anos.

— Não há homens bons, foi o que você disse? — perguntei à minha filha. — Bom, eu conheço pelo menos um!

Nosso único homem, então, tentou pegar a bolsa pesada da irmã, fazendo barulho como se fosse um leão forte e perigoso, tentando enxugar as lágrimas estampadas no nosso rosto e ganhar um sorriso:

— Vamos acabar com a tristeza aqui! Não tem motivo para chorar, vai ficar tudo bem!

Compartilhar este artigo