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20+ Hábitos de higiene estranhos da Idade Média (ou a falta deles) que podem nos deixar de queixo caído

No Egito, por volta de 3000 a.C., a higiene era muito importante e o banho acontecia até três vezes por dia, em um ritual ligado aos deuses e à ideia de purificação da alma. Na Grécia e no Império Romano, a prática do banho público também era bastante comum. Na Idade Média, no entanto, os povos do ocidente abandonaram de vez esse ritual de limpeza e começaram a se habituar à sujeira extrema. O banho nu (de corpo inteiro) era considerado um ato de luxúria.

Incrível.club adora te mostrar coisas interessantes e, por isso, trouxe alguns dados sobre o asseio pessoal na Idade Média de que poucos fazem ideia. Confira conosco esses costumes e não se esqueça de nos contar se já sabia de alguns deles e qual considerou mais surreal.

  • Na edição do século XVII do Dictionnaire de l’Académie Française, e na Enciclopédia de Diderot e d’Alembert, os termos “limpo” e “limpeza” referiam-se mais às roupas (claras e bem arranjadas) e à arrumação da casa do que às pessoas. Um homem era considerado limpo se sua roupa e seus móveis parecessem organizados e limpos.
  • O livro de Odontologia chamado Zene Artzney (Medicamentos para os Dentes), de 1530, tinha uma orientação para “salvar os dentes”, que recomendava lavar a boca com alume, vinagre ou mirra fervida em vinho.
  • De acordo com um estudo do Institut Supérieur de Pédagogie — Faculté d’éducation, a limpeza do corpo era feita sem água e acreditava-se que trocar as roupas, que absorviam suor e sujeira, era a única forma de se manter limpo e saudável.
  • Rainer Gonçalves Sousa, mestre em História, conta que no mundo greco-romano o ato de tomar banho era algo coletivo como nas piscinas de hoje. Eles retiravam a crosta de sujeira acumulada passando óleo no corpo e raspando com um tipo de espátula de 30 cm chamada strigil ou Estrígil.
  • No século XVI, acreditava-se que a água dilatava os poros e isso poderia deixar doenças entrarem no corpo, por essa razão, especialistas de saúde proibiam a prática.
  • Já no século XVIII, os historiadores entendem que as partes visíveis do corpo (mãos, unhas, olhos, boca, orelhas e cabeça) tinham de estar ou de “parecer” limpas; o resto do corpo não importava, nem mesmo as partes íntimas.
  • As pessoas evitavam tomar banho de corpo inteiro para se proteger de doenças, mas também por causa do frio e por pudor de ficar com o corpo despido.
  • Pelas regras de etiqueta, e não de higiene, a limpeza das mãos devia acontecer somente ao acordar e antes de cada refeição.
  • O estudo de Stuart Fischman, da Hebrew University of Jerusalem, explica que muitos ricos tinham uma espécie de kit de higiene pessoal, que continha uma pinça, um palito de dentes e uma colher usada para retirar cera do ouvido. O primeiro “kit” foi encontrado na tumba de um rei da Mesopotâmia 3000 a.C.
  • Na maioria dos mosteiros, havia regras de higiene instauradas por Gregório Magno, o primeiro monge a ser papa. Ele permitiu o banho aos domingos como rotina, conforme explica o livro de Lawrence Wright, Clean and Decent.
  • No livro Erasme’s Traité de Civilité puérile havia a indicação de que antes das refeições as crianças deviam fazer suas necessidades para receber melhor o que se come e eliminar fluidos ruins do corpo.
  • Lavar as mãos era uma questão de status social. Em um jantar, as pessoas lavavam as mãos na mesma água, começando pelo convidado mais importante. Em casa, quem lavava as mãos primeiro era o chefe de família e as crianças ficavam por último.
  • Nos séculos XVII e XVIII, a lavagem dos pés era indicada para evitar calos, inflamações e outras doenças no local, não necessariamente para deixá-los limpos.
  • Os franceses deram o pontapé inicial e foram os primeiros a usar a cadeira de limpeza (bidê), e era tão chique quanto uma bolsa de grife hoje.
  • Somente no século XIX, o banho completo começou a ficar popular na Europa, afirma o jornal britânico Daily Mail.
  • A jornalista Lorraine Vilela, do site Brasil Escola, conta que as tradições do casamento que conhecemos hoje tiveram início na Idade Média, e os motivos não são tão românticos quanto imaginamos: maio é o mês das noivas, porque o primeiro banho do ano era nesse mês, já que era o começo do verão em alguns países.
  • Alguns se arriscavam a se casar em junho, e contam que a tradição do buquê era para disfarçar certos odores desagradáveis.
  • Com a revolução médica do Iluminismo, o banho corporal passou a ser acessível só aos mais abastados; os mais humildes só se banhavam para curar alguma doença.

  • Foi apenas no final do século XVIII que alguns médicos, entre eles o doutor Tourtelle, começaram a indicar banhos regulares com água para preservar a saúde.

  • Em 1861, Dr. Austin Harriet escreveu um artigo chamado “Banhos e como tomá-los” — o manual ensinava o novo hábito para iniciantes.

  • Na Idade Média, não existiam escovas de dente, perfumes, desodorantes, muito menos papel higiênico. O estudioso Mark Cartwright, formado em Filosofia Política e Diretor de Publicação do Ancient History Encyclopedia, conta que esses itens eram improvisados com folhas, pedaços de madeira com lã, gesso e outros materiais estranhos.
  • Hipócrates aconselhou um tipo de “pasta de dente”, que era preparada queimando a cabeça de uma lebre e de três ratos. Acreditava-se que usar restos de roedores, que possuem dentes fortes, seria bom para os dentes humanos.
  • O “enxágue terapêutico”, que chamamos hoje de enxaguante bucal, era uma técnica muito popular na Europa do século XVIII, e o uso da urina foi considerado auxiliar na cura de doenças por seu teor salino.
  • Para mau cheiro na boca e problemas de gengiva, a farmacoterapia dentária indicava o uso de um comprimido de arsênico, que pode ser uma substância altamente tóxica.
  • Os mais abastados tinham pratos e copos feitos de estanho. Mas esse material é bastante tóxico, e as pessoas se envenenavam com o uso, já que algumas bebidas se misturavam ao estanho do copo e faziam as pessoas desmaiarem, algo semelhante à narcolepsia.
  • Na hora do banho, a água era uma só para todos os moradores da casa, explica a jornalista Giselle Hirata do site da Superinteressante. Boatos contam que o homem, que era o chefe da casa, tinha direito de tomar banho primeiro, depois os outros homens e em seguida as mulheres, por ordem de idade, mas isso não foi comprovado.
  • A tradição conta que por último banhavam-se as crianças e os bebês. A essa altura, a água já estava tão escura que muitos atribuem a esse evento o surgimento da expressão: “Não jogue fora o bebê junto com a água do banho” (Don’t throw the baby out with the bathwater). Mas isso é pura lenda, a ideia da frase é outra.
  • No campo, as pessoas tinham um tipo de fossa para fazer suas necessidades. Acredita-se que os dejetos eram derramados no campo para fertilizar a terra. A maioria dos castelos tinha o esgoto canalizado para um buraco perto da muralha ou para um riacho.

Gostou de saber de todas essas curiosidades? Sabe de mais alguma singularidade bizarra dessa ou de outra época? Conte para nós nos comentários.

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