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10 Características sobre Londres e os ingleses, que podem fazer o seu “queixo cair”

Olá a todos! Meu nome é Pavel e consegui me conter no controle do passaporte no aeroporto de Heathrow para não dizer ao oficial da alfândega a notória frase “London is the capital of Great Britain” (Londres é a capital da Grã-Bretanha). Repetíamos bastante essa frase nas aulas de inglês, e imagino que muitos leitores tenham passado pelo mesmo.

Especialmente para o Incrível.club, vou contar o que mais me surpreendeu em Londres e o que me fez amar essa cidade à primeira vista. No bônus, vou mostrar um dos lugares menos “ingleses” que encontrei na minha viagem.

1. É preciso ter cuidado ao abordar alguns pedestres

Havia uma garota chorando na calçada da Catedral de São Paulo, e uma dúzia de pessoas em volta, olhando para ela em silêncio. Quis me aproximar para saber o que havia acontecido, mas puxaram minha mão e me explicaram que ela estava bem, e que aquilo fazia parte de uma apresentação.

O público ouvia a narração com fones de ouvidos e podia, também, participar: começavam a dançar ou cantar, caso a voz nos fones os dissesse para fazer isso. O processo todo estava sendo fiscalizado por uma garota de mochila branca, para evitar que pedestres, como eu, não interferissem no inusitado espetáculo.

Mais tarde, no mesmo dia, vi uma apresentação similar à beira do Tâmisa, mas a atriz reagia de forma tão visceral e escandalosa que eu não quis ficar lá por muito tempo.

2. Aqui você pode se tornar uma estrela de TV por acaso

No dia seguinte, eu estava na Trafalgar Square e observava, quieto e sem incomodar ninguém, como gravavam algo para um programa de TV. De repente, a câmera se virou para mim e começou a me filmar. Uma garota correu na minha direção com um microfone e perguntou se eu poderia participar de um novo show.

Ela me entregou esse papel e pediu para eu ler o texto na câmera: “No momento, a Lion TV está filmando um programa chamado The Date para uma grande emissora. Você concorda em participar do programa e que a rede terá os direitos autorais da sua imagem e poderá usá-la e publicá-la em qualquer lugar do mundo, por qualquer mídia, por um período ilimitado, sem restrições, interferências ou qualquer referência a você. Se concordar com tudo acima, por favor diga ‘Eu concordo’”.

Foi assim que apareci acidentalmente na televisão britânica, embora, naquele momento, estivesse apenas procurando pelo banheiro público mais próximo.

3. Em banheiros públicos, é preciso estar alerta

Felizmente, os banheiros que encontrei em Londres eram gratuitos, ou as catracas não estavam funcionando nos lugares em que fui. Somente depois, porém, me dei conta de que os mictórios eram bastante incomuns: tinham um formato circular, parecido com uma fonte, que ligava automaticamente e continha um secador embutido para as mãos.

Além disso, em praticamente todos os banheiros públicos masculinos havia uma área reservada para trocar fralda de bebê. Na verdade, vi muitos homens passeando com suas crianças pela cidade — às vezes mais do que mulheres com carrinhos de bebê. Apesar disso, fiquei sabendo que há trocadores nos banheiros femininos também.

Em cada banheiro tipicamente inglês há a famosa pia de duas torneiras separadas, que não são tão simples de usar. Deve-se pressionar a torneira para despejar ou lava de vulcão ou água congelada do Ártico. Ou seja, não dá para acioná-las ao mesmo tempo para, pelo menos, equilibrar a temperatura.

Lembre-se: caso precise fazer suas necessidades durante um passeio, você poderá encontrar banheiros em grandes lojas de roupas, assim como no último andar de shoppings e em bibliotecas públicas.

4. Economizar em Londres é bem mais fácil do que parece

Se gosta de ler livros em inglês ou quer comprá-los como presentes aos amigos, tente não recorrer às novidades das grandes livrarias. Em vez disso, encontre uma biblioteca, onde, frequentemente, há prateleiras especiais com livros que podem ser comprados por preços muito baixos. Na biblioteca de Paddington, por exemplo, foi possível escolher três livros quaisquer e pagar apenas uma libra por todos (cerca de sete reais). Não resisti e comprei uns 20. Todos estavam em excelentes condições e com o belo selo “Bibliotecas de Westminster”.

Há o estereótipo de que Londres é uma cidade muito cara para turistas, mas essa não foi a minha experiência. Uma grande parte dos museus mais famosos é gratuita e é possível economizar muito em transporte, pois as principais atrações estão próximas umas das outras. Nos mercados da rede Tesco, que estão localizados em quase cada esquina, são vendidas porções grandes de salada (há umas 10 opções diferentes para qualquer gosto), suco ou smoothie, assim como salada de frutas ou combinado de sushi, por apenas 3 libras (cerca de 21 reais).

Todo turista que for a Londres, provavelmente visitará Greenwich, nem que seja apenas para tirar uma foto na linha do meridiano, ou marco zero, a partir do qual são contados os fusos horários do mundo. Se não quiser pagar 16 libras (mais de 115 reais) de entrada para tirar a foto, você pode chegar lá por este portão (na foto) de graça.

Logo atrás do portão há um pequeno pedaço do meridiano no chão e na parede de tijolos. O espaço é mais do que suficiente para tirar diversas fotos legais entre o Leste e o Oeste, e assim você poderá usar o dinheiro economizado para fazer a viagem de volta.

5. Vale a pena dar uma voltinha no Uber marítimo

É neste barco que você pode ir de Greenwich até a ponte Westminster por cerca de 7 libras (cerca de 50 reais). O barco segue horários estritamente programados, e é possível comprar a passagem pelo aplicativo do celular.

6. Não há necessidade de andar com muito dinheiro em espécie

Você pagar pelas viagens de metrô e táxi com cartão bancário comum. É possível, até, fazer doações por meio de um terminal eletrônico de pagamentos, que pode estar acompanhando uma propaganda, como na foto acima.

Até mesmo músicos e pedintes, geralmente nas áreas do metrô, têm dispositivos semelhantes, por isso a prática de jogar dinheiro no chapéu é pouco difundida: um pedestre pode apenas aproximar o cartão da máquina e, automaticamente, o dinheiro é deduzido.

Mas fique atento: pagamentos por cartão nos terminais não requerem a inserção da senha se a compra for inferior a 45 libras (cerca de 325 reais).

Apesar disso, guardar as moedas (pence) como lembrança pode ser uma boa ideia: se reunidas em um posicionamento específico, formam o escudo do emblema do Reino Unido.

7. Nem todos podem encontrar o caminho para Hogwarts

Muitos dos que leram os livros ou assistiram aos filmes do pequeno bruxinho vão querer uma foto na icônica plataforma 9 ¾. Teoricamente, ela deveria estar próxima à plataforma 9, como diz no livro, mas criaram um lugar especial para os turistas tirarem fotos: ao lado de uma loja de souvenirs e longe dos trilhos.

Todas as manhãs, a administração da loja coloca um carrinho e, por volta das 19h, ele é retirado. Por isso, não vi nada quando cheguei tarde da noite à estação. Um dos zeladores me disse que as cenas do filme foram gravadas, na verdade, entre as plataformas 4 e 5.

8. Faça uma “excursão” pelos mercados

Nos mercados mais comuns encontrei diversas vezes muitos produtos e itens que via na infância ou em filmes.

Não sabia que esta barra realmente existia. Infelizmente, não encontrei o bilhete de ouro para ir à fantástica fábrica de chocolate.

É uma pena eu nunca ter recebido esse tipo de “spam” no meu e-mail. Aliás, a palavra SPAM surgiu em 1937 como um acrônimo, que é lido como SPiced hAM — “presunto apimentado” — e no início dos anos 90 tornou-se sinônimo de correspondências irritantes de propagandas.

Não é coincidência que o logotipo das batatas chips locais nos lembre uma marca completamente diferente: a Walkers surgiu há cerca de 70 anos e é amada pelos ingleses até hoje. Em 1989, a empresa PepsiCo a renomeou para Lay’s e lançou produtos com esse nome pelo mundo inteiro, exceto na Inglaterra, onde foi mantido o nome Walkers.

Outra característica interessante dos mercados ingleses é a numeração dos queijos. Diferentes variedades são marcadas com números de 1 a 4. Muito provavelmente, isso diz respeito à dureza do laticínio.

Vale notar o amor especial dos ingleses em vender mercadorias em potes de vidro, o que é feito para prolongar a vida útil dos produtos. Um exemplo: ovos marinados em uma solução de vinagre de malte destilado ou salsichas “reais” para cachorro-quente.

Outra curiosidade: quando vemos os produtos de cocção rápida, que só precisam ser esquentados ou misturados, percebemos que os londrinos não devem gostar de gastar muito tempo na cozinha. Por exemplo, é possível comprar claras de ovos em tais embalagens, caso você não queira separá-las das gemas com as mãos.

Essas latinhas com caldo de carne, de frango e de legumes me deixaram bastante intrigado. Imaginei que seria uma sopa incomum, pois as latas foram, claramente, projetadas para que o cliente pudesse beber rapidamente o conteúdo. Infelizmente, o gosto era de cubo Knorr dissolvido em água. Depois descobri que era uma mistura para preparar sopas e que não deveria ser consumida diretamente.

9. Há muitos projetos inusitados nas ruas da cidade

Os semáforos da cidade parecem sugerir que o amor reina em Londres. Se estiver na Trafalgar Square, preste atenção no sinal verde irreverente, presente em todos os semáforos da área.

Os pontos de ônibus frequentemente estão “de costas” para os prédios. Talvez fizeram isso para evitar que os carros passassem por poças e espirrassem nos pedestres. Os assentos são estreitos assim para que os sem-teto não durmam neles.

Nos cruzamentos, vi diversas vezes tais placas com os nomes das ruas e o CEP, que geralmente consiste em letras e números. Com o CEP, é possível encontrar, em um site especial, as pessoas que moram na área, e até mesmo descobrir o status social e a composição étnica dos residentes.

Na maioria dos prédios em Londres há um andar residencial no subsolo, e a área embaixo das calçadas é muitas vezes usada para lavanderias ou armazenamento. Por isso, é comum caminhar pela rua de manhã e sentir cheiro de sabão em pó e amaciante para roupas.

Para combater vazamentos e poças, muitas vezes são usadas essas “salsichas”, capazes de absorver a umidade.

Em prédios em reforma, frequentemente as fachadas são pintadas em cores agradáveis e decoradas com vasos de plantas para que a área de construção fique mais bonita. Além disso, colocam-se as fotos e os nomes dos responsáveis para que os residentes possam entrar em contato com eles caso tenham alguma reclamação ou dúvida sobre as obras.

Em uma das regiões mais caras da cidade, Chelsea, onde se veem estacionados muitos carros Maybach, Ferrari e Lamborghini, nos peitoris das janelas encontram-se muitas vezes vasos de plantas feitos à mão com garrafas comuns, como os da foto. Londres é definitivamente uma cidade de contrastes.

Só aqui você pode encontrar, por exemplo, alguns dos grafites mais caros do mundo em uma ruela quase imperceptível. Muitas obras do famoso Banksy são cortadas junto da parede do edifício para serem vendidas depois em leilões. Esse grafite surgiu em um prédio comercial abandonado em 2011 e se chama “Shop Until You Drop” (“Compre Até Cair”). Há projetos para a demolição da construção em breve, por isso a criação do artista pode desaparecer a qualquer momento.

10. A resistência ao frio é de dar inveja

Até o final de outubro, quando a temperatura está por volta dos 10 ºC, as crianças podem estar passeando nas ruas usando shorts tranquilamente.

Mas, dado que são vendidos cartões de aniversário até para pessoas de 100 anos, imagino que esse estilo de vida tenha um impacto significativo na longevidade dos moradores daqui.

Bônus: acho que encontrei uma esquina londrina onde duas cidades russas se cruzam

Você já foi para Londres? Se você tivesse a oportunidade de visitar a cidade, qual ponto turístico mais gostaria de visitar? Comente!

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