O que é a positividade tóxica e por que nem sempre deveríamos dizer a frase “Vai ficar tudo bem”

Muitas pessoas já devem ter ouvido conselhos encorajadores, que só as fizeram se sentir pior: “Não fique nervosa, vai ficar tudo bem!”, “Não se cobre demais, vai ficar tudo bem!”, “Não faça tempestade em um copo d’água, isso só piora as coisas”. Frases do tipo, aparentemente positivas e inofensivas, podem acabar suprimindo os verdadeiros sentimentos em vez de ajudar a lidar com o problema.

Nós, do Incrível.club, decidimos descobrir por que pode ser perigoso ter uma visão exageradamente otimista em relação à vida e por que é tão importante se permitir experimentar todo o espectro de emoções, incluindo as “negativas”. Acompanhe!

O que é a positividade tóxica

positividade tóxica é entendida na Psicologia como uma abordagem de vida, na qual uma pessoa mantém sempre uma atitude positiva e não cede às emoções negativas. Esse tipo de pensamento, muitas vezes, é levado ao extremo. Ao tentar encontrar o “lado positivo” de tudo, acaba-se reprimindo alguns sentimentos, em vez de aceitar e lidar com eles — o que tende apenas a piorar a própria condição.

Na tentativa de prestar solidariedade e apoio a um amigo, por exemplo, tais pessoas podem acabar exibindo um comportamento mais prejudicial do que benéfico. Elas, às vezes, não conseguem entender por que o outro fica cada vez mais incomodado e chateado ao ouvir certos conselhos motivadores, como “não fique chateado” ou “levante a cabeça”.

Evitar os problemas

Um exemplo de positividade tóxica é quando uma pessoa não só esconde seus verdadeiros sentimentos por trás de frases batidas (“Não era pra ser”, “Felicidade é uma escolha”, “Sorria para o mundo, e o mundo sorrirá pra você”), como também envergonha os outros por não serem otimistas o suficiente: “E daí que você foi demitido? O importante é que está com saúde”, “Por que tanto estresse por conta do seu divórcio? Amanhã você achará outra pessoa”.

Em vez de buscar uma solução para uma situação difícil, cai-se no autoengano. Da mesma forma que fazem crianças pequenas, quando cobrem o rosto com as mãos, pensando que ninguém conseguirá vê-las: se eu ignorar e fingir que não vejo o problema, então é como se ele não existisse.

Inibir as emoções negativas — tanto as próprias como as dos outros

Ao negar e silenciar as emoções “negativas”, acabamos, na verdade, intensificando-as. Pode parecer que a capacidade de manter os sentimentos “ruins” dentro de si — tais como raiva, tristeza, frustração — é um traço de personalidade resiliente. No entanto, mentir para si mesmo constantemente de que tudo está sempre bem, quando não está, reverbera inevitavelmente na nossa saúde mental.

Pessoas extremamente positivas, geralmente, não conseguem aceitar tanto os seus próprios sentimentos negativos, quanto os dos outros. Quando confrontadas com pessoas que estejam passando por ansiedade, solidão ou depressão, elas buscam reduzir a experiência negativa do outro e, ao mesmo tempo, se distanciar dessa “negatividade” para evitar o próprio desconforto.

Desvalorizar os sentimentos alheios

A linha entre o apoio e o menosprezo dos sentimentos alheios é muito tênue. Muitas pessoas se sentem incomodadas de ficar ao lado daqueles que estão passando por problemas e dores emocionais. A fim de esconder o próprio desconforto, elas começam a exigir do comportamento alheio reações das quais elas mesmas não são capazes de ter: “Controle-se! Seja forte!”, “Ah, dê um sorriso. Me conte algo engraçado!” Tais conselhos, normalmente, apenas contribuem para aumentar os sentimentos de culpa e vergonha.

Culpar-se por emoções negativas

Com o avanço das redes sociais, a positividade tóxica se tornou ainda mais comum. Muitas pessoas tendem a compartilhar apenas o lado bom de suas vidas na internet. Cada vez mais, o otimismo se estabelece como a norma a seguir, e o pessimismo é criticado. Frequentemente, no entanto, por trás da “imagem perfeita”, esconde-se um profundo descontentamento interior.

Ao mostrar uma alegria constante, cai-se em uma armadilha: tais pessoas escondem o que realmente estão sentindo, acumulando as insatisfações, que estão apenas esperando a hora de “explodir”. Isso cria uma dissonância interna: “Por que me sinto tão mal quando parece que está tudo indo tão bem?” Inibir os sentimentos genuínos, muitas vezes, leva à depressão e à autorejeição.

Qual é a diferença entre a positividade tóxica e o apoio saudável?

Psicólogos aconselham parar de categorizar as emoções primitivas em preto e branco. A verdade é que os sentimentos não são nem positivos, nem negativos — são apenas sinais que nos ajudam a compreender melhor certos aspectos importantes da própria vida; e servem, também, como fonte de informação para aqueles que nos rodeiam. Aceitar e viver honestamente com emoções “difíceis” e “desconfortáveis” só contribui para que elas sejam superadas mais rapidamente.

O otimismo saudável, ao contrário do tóxico, permite que a pessoa não reprima as emoções “ruins”, mas as trate com atenção e empatia. Para apoiar alguém nessa posição, da maneira mais adequada, é suficiente não julgar e dar a ele tempo para o momento ruim passar. É como um trabalho em conjunto a fim de encontrar a melhor saída para uma determinada situação.

Não há nada de errado em encorajar alguém, nem em reforçar afirmações positivas para si mesmo. O mais importante é não simplificar as experiências difíceis, pelas quais todos nós passamos, uma hora ou outra, e não suprimir os sentimentos dolorosos, como se eles nem existissem.

Há alguém que você conheça que está sempre “positivo” demais? Quais as frases mais encorajadoras que mais te incomodam de ouvir? Comente!

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