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10 Histórias provando que perder a confiança do filho é um caminho sem volta — e duas lições para todos nós

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É bem sabido que levar a sério todo o processo de criação de um filho e ser responsável por suas atitudes é essencial para quem quer ser um bom pai ou mãe. No final das contas, a criança é mais sensível do que o adulto, e magoá-la com uma palavra ou um gesto é fácil. Infelizmente, ela pode passar a guardar rancor pelo resto da vida, embora os pais não deem muita importância ao que foi dito ou feito. Os relatos de internautas a seguir comprovam que o comportamento dos pais afeta muito os vínculos com seus filhos e pode resultar na perda da confiança deles.

A equipe do Incrível.club gostaria que todos os pais, após ler este post, começassem a prestar mais atenção nos sentimentos de seus filhos, a confiar neles e a levar a sua opinião a sério. Os bônus no final da publicação ressaltam a importância disso.

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Quando eu tinha uns 9-10 anos, minha mãe me presenteou com um “diário secreto”. Ela disse que eu poderia escrever nele tudo o que quisesse, já que ele estaria a salvo dos outros. Em geral, não gostei muito da ideia, mas me deu muita vontade de descrever em uma das páginas a minha experiência de viagem a uma cidade vizinha (note-se que foi a minha primeira viagem a 400 km da cidade natal).

Então, coloquei meus pensamentos no papel e deixei o diário em uma das prateleiras. Uns dias depois, quando eu e minha mãe estávamos tomando café da manhã, ela me elogiou dizendo que, apesar da minha idade, tinha escrito uma história bem interessante no diário... Desde então, não deixei escrito mais nada pessoal e agora costumo fazer anotações apenas em um aplicativo de celular. © fenderovna / pikabu

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Minha mãe é uma escritora bem-sucedida e autora de livros cujas vendas vêm crescendo. Lembro de como ela costumava passar todo o tempo no quarto dela trabalhando e como, eventualmente, conseguiu lançar muitos livros em mais de 10 anos. Enquanto isso, eu me divertia sozinha no meu quarto, sentindo saudades dela...

Recentemente, resolvi ler um dos seus livros e me deparei com uma epígrafe: “Em homenagem à minha filha. Perdoe-me pela ausência em sua vida”. Fiquei comovida, mas o meu coração já estava endurecido. © Palata № 6 / vk

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Eu tinha um diário em que costumava escrever histórias curtas voltadas para assuntos típicos que normalmente preocupam meninas adolescentes: meninos, relacionamentos, amor, etc. Pode parecer primitivo, mas era mais um passo para me tornar uma grande escritora. Eu pensava que o diário estava disponível apenas para uma amiga minha, mas então descobri que a minha mãe também tinha acesso aos meus textos e depois começou a tirar onda com minha cara: “Hahaha, que engraçada é a história que você escreveu, só pode ser...”

Foi com ela que senti vergonha ardente e ódio feroz pela primeira vez. © Pushkanaizzer / pikabu

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Certa vez, quando eu tinha 8 anos, o relógio de ouro da minha avó desapareceu. Ela ficou extremamente preocupada, já que ele custava uma fortuna. Meus tios e minha mãe decidiram me interrogar e eu, sentado na cadeira da cozinha, tive que responder às suas perguntas sem tirar os olhos dos “policiais”. Eu estava me afogando em lágrimas de desespero, tentando me justificar diante de três pessoas me pressionando durante 4 horas.

Consequentemente, todas as acusações, ameaças e, por incrível que pareça, a piedade da parte da minha família se misturaram em minha cabeça (“pense bem, é provável que tenha esquecido de algum detalhe!”), e eu passei a me sentir terrivelmente envergonhado e perdido.

De repente, senti um vazio dentro de mim... Eles nem tentaram acreditar nas minhas palavras! Eu estava dizendo a verdade, mas eles não queriam me ouvir. O vazio ficou tão insuportável que fez com que a autoconfiança desaparecesse de mim. Enfim, fiquei tão assustado e chateado, além de passar muito mal sob a pressão psicológica, que resolvi mentir dizendo que tinha dado o relógio para um colega, a fim de acabar com aquela tortura.

Imediatamente meu tio pegou a bicicleta e foi até o meu amigo, que, claro, não sabia nada do assunto. No dia seguinte, envergonhado e enfurecido comigo mesmo, fui para a escola sem coragem de levantar a cabeça para conversar com o colega. Pedindo desculpas, senti o meu corpo ardendo por dentro, e mal consegui esperar as aulas acabarem. Relutante, angustiado, culpado e humilhado, voltei para casa, onde a minha própria mãe me traiu desconfiando de mim.

Depois de uma semana, minha avó encontrou o relógio, mas ninguém me pediu desculpas. Acredito que eles achavam que pedir desculpas para uma criança era uma bobagem. Desde então, parei de confiar na minha família. © Hottabov / pikabu

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Quando criança, eu adorava desenhar e frequentava uma escola de arte, mas não me dava bem nas aulas. Por isso costumava praticar em casa desenhando para a minha mãe. Isso era muito importante para mim, então passava horas desenhando, muitas vezes recomeçando, mas sempre entregando um presente para ela a cada 3-4 semanas. Sorrindo, ela deixava os meus desenhos em algum lugar afirmando que guardava todos, e eu acreditava.

Mas um dia a encontrei rasgando os meus presentes e jogando-os no lixo... O meu mundo virou de cabeça para baixo. Passei algumas semanas chorando escondida, sem contar para ninguém, e então larguei a escola de arte e a arte em si parou de ser minha paixão.

Até hoje fico me perguntando por que ela fez aquilo. Embora eu tivesse apenas 12 anos, os meus desenhos não eram rabiscos quaisquer (tenho alguns guardados). Mas o que eu vi foi o suficiente para largar a arte. De vez em quando, quero começar tudo de novo, mas não consigo... A imagem da minha mãe rasgando os meus trabalhos surge imediatamente na cabeça. Receio que passe a vida inteira guardando esse rancor. © Palata № 6 / vk

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Quando eu tinha aproximadamente 8-9 anos, frequentava aulas de canto para crianças. Na minha turma havia um menino bochechudo e mimado, chamado Michael. Eu não gostava dele, porque ele adorava zoar as meninas e era impossível confrontá-lo — fazia birra e corria reclamando até a sua mãe, que o amava mais que tudo e o protegia de todos os “agressores”. Eventualmente, minha mãe fez amizade com ela, e aí que começou a minha triste história.

Certa noite, após um concerto, eu, o Michael e as nossas mães fomos passear pela cidade. Quando chegamos ao parque de diversões, entre vários brinquedos havia uma montanha russa para crianças que passava dentro de um túnel. Nossas mães compraram dois ingressos para cada um! Eu estava extremamente feliz até entrar no brinquedo: tanto eu quanto o Michael queríamos nos sentar no lugar de motorista. Durante uma breve discussão, a mãe do Michael disse: “Vamos fazer o seguinte: agora ele vai se sentar aqui e depois você”. Concordamos, nos sentamos, fizemos a primeira volta, saí do trem para trocar de lugar, mas... O Michael ficou parado — ele não queria ceder o lugar.

Comecei a reclamar: ele já tinha feito uma volta e era a vez dele de ficar no lugar de passageiro. Mas o menino começou a gritar alto, e sua mãe exclamou: “Ele é menino, esse lugar é mais importante para ele do que para você!” Em seguida, pela minha surpresa, quando me virei para minha mãe aguardando apoio, a ouvi gritando zangada: “Ou você se senta perto dele ou nós voltamos para casa agora mesmo! Entendeu!?”

Fiquei quieta e apavorada de tanta injustiça. Não consegui acreditar que a pessoa mais próxima e amada, minha mãe, se recusou a me defender. Pode parecer bobo, mas o ressentimento continua vivendo no meu coração (e eu já vou completar 22 anos!). Essa história sempre me faz chorar.

Quem me dera ter desistido do brinquedo naquela noite, apenas para que minha mãe tivesse ficado do meu lado. © Ofigela / pikabu

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Quando eu tinha cerca de 12 anos, era viciado em videogames. Nos feriados passava madrugadas inteiras jogando e depois dormia até as 2h da tarde. Minha mãe tentava me distrair, mas não dava certo.

Então ela resolveu apostar comigo para me motivar: tive que passar o verão inteiro sem computador e, em troca, receberia 500 reais (e eu poderia gastá-los com o que quisesse). Combinamos. Desse jeito, passei o verão vagueando pelas ruas e planejando o meu futuro com 500 reais no bolso.

Claro que a minha mãe não me deu um centavo sequer. Ela tinha bastante dinheiro, mas “já tinha gastado muito comigo: uma roupa e calçados novos, além de uma escrivaninha”. De acordo com ela, eu “só sabia consumir”.

Como resposta aos meus argumentos (afinal, tínhamos feito um acordo), fui chamado de ingrato. Não, foi assim: “FILHO INGRATO, FAÇO TANTO PARA VOCÊ, MAS VOCÊ CONTINUA PEDINDO!”

Desde então, deixei de acreditar nas palavras dela. © PaulBoimer / pikabu

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Certa vez, quando eu tinha 5 anos, fui para a floresta com os meus pais e o meu primo, da minha idade, para colher amoras. Ele roubava minhas frutinhas, por isso eu tentava afastá-lo da minha cesta, mantendo toda a paciência do mundo. Eu estava muito ansioso para comer a minha colheita em casa...

Quando todos entramos no carro para ir embora, meu primo fez mais uma tentativa bem-sucedida de roubar algumas das minhas frutas. Não aguentei a ousadia e lhe dei um tapa na nuca. Meu pai imediatamente pegou a minha cesta e disse que eu não iria comer uma fruta sequer. O que aconteceu com elas só Deus sabe...

Já se passaram mais de 20 anos, mas não consigo me esquecer dessa história e do sentimento de injustiça. © Korellian / pikabu

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O meu passatempo era coletar moedas raras (que custavam mais de 100 reais), mas, um dia, minha mãe acabou com a minha coleção... gastando tudo no mercado. Quando eu lhe disse que as moedas eram minhas, ela respondeu que o dinheiro era da família, não havia nenhum esconderijo em casa e então acrescentou que os produtos eram mais importantes do que uma coleção boba. Infelizmente, fracassei na hora de explicar que ela poderia ter ganho muito mais dinheiro com aquelas moedas, piorando o humor dela mais ainda.

Minha coleção tinha aproximadamente 6 anos. Algumas moedas eram tão raras que não podiam ser encontradas em nenhum lugar, outras tinham alguns defeitos que aumentavam o seu valor. Mas, aparentemente, só eu pensei nisso... Fiquei muito chateado, uma vez que minha mãe não sabia sobre o valor das moedas. Nunca esperei uma traição daquelas. © Palata № 6 / vk

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No início dos anos 2000, quando eu tinha cerca de 8-10 anos, o meu sonho era comprar uma figura de ação Bionicle, da LEGO. Como uma boa criança, passei a juntar uma parte da minha mesada e guardá-la em um lugar muito seguro (em minha opinião). Porém, no início do ano letivo, descobri que o meu esconderijo estava vazio (havia apenas 50 reais).

Acontece que a minha mãe tinha gastado o meu dinheiro com os cadernos para a escola. Portanto ela não pretendia pedir desculpas ou devolver o valor gasto.

Foi então que a criança feliz e inocente perdeu a confiança. © Manyamirok / pikabu

Bônus: duas histórias sobre pais que ganharam a confiança de seus filhos por terem acreditado neles em momentos difíceis

Quando eu tinha 12 anos, morava em uma cidade pequena junto com meu irmão, de 9 anos, meu pai, que era militar, e minha mãe, dona de casa. Ou seja, era o meu pai que sustentava a família inteira. Apesar de termos algum dinheiro, não tínhamos o suficiente para casos de emergência. No nosso condomínio morava um coronel, cuja esposa também era dona de casa, mas não tinha filhos. Então ela começou a passar na nossa casa e almoçar de vez em quando.

No dia de receber o salário, meu pai entregava todo o valor para a minha mãe, que escolhia a forma mais inteligente de gastá-lo para não passarmos fome até o mês seguinte. Então, certa vez, meu pai voltou para casa seguindo a rotina: entregou o salário para a mãe, que o guardou em uma prateleira na cozinha, e voltou ao quartel.

Chegou a hora de almoço e a vizinha veio novamente. Depois de almoçar, fui para a escola, mas quando voltei todos estavam sentados na sala em silêncio. Acontece que o esconderijo estava vazio e o dinheiro não estava em lugar algum. Então começou a investigação militar: meu pai perguntou se fui eu que tinha roubado o dinheiro. Eu disse a verdade — sabia onde estava guardado, mas não tinha pego nem um centavo. Depois, com toda a inocência do mundo, perguntei: “Será que foi a nossa vizinha que roubou?” Meu pai ficou calado por um tempo, e minha mãe perdeu o fôlego aguardando pelo veredito dele, já que ela é que estava em casa quando o dinheiro foi roubado. Suspirando, meu pai disse: “Certo”. E assim a vida seguiu em frente.

Não sei como conseguimos sobreviver até o mês seguinte. Meu pai sabia que o dinheiro tinha sido pego por alguém de fora da nossa família, uma vez que ninguém de nós apareceu com novos brinquedos nem embalagens de doces em casa. Mas o importante é que ele confiou em nós e principalmente em mim, que era o filho mais velho. Agora tenho minha própria família e entendo perfeitamente quão difícil foi tomar uma decisão naquele dia. © gama.delta / Pikabu

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Certa vez, quando eu tinha 13-14 anos, chegou a hora de mais uma conversa séria de “quem fez isso?”, ou seja, mais uma tentativa do meu pai de me fazer admitir a culpa ignorando minhas justificativas. Ele estava insistindo firmemente e até ficou me pressionando psicologicamente: “Fui eu que te ensinei a mentir? Responda! Fui eu que te ensinei!?”

Exausta, eu estava prestes a aceitar a culpa, mas de repente, disse o seguinte: “Tem a verdade e tem o que você quer ouvir”. Meu pai ficou quieto, suspirou e encerrou o assunto. Desde então, nunca desconfiou de mim.

P.S. Desejo familiares compreensivos a todos. © FoxInPandoraSBox / Pikabu

Sua infância também foi afetada pelo comportamento impulsivo dos seus pais ou eles confiavam incondicionalmente em você? Conte para outros leitores a sua história de superação ou compartilhe como o apoio dos seus pais o ajudou em momentos insuportáveis.

Imagem de capa Hottabov / pikabu
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