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O que acontece com o movimento “body positive” no século XXI?

O movimento body positive entrou com tudo em nossas vidas: as modelos plus size aparecem cada vez mais em capas de revistas, as grifes organizam desfiles inclusivos com a participação de modelos com personalidades “fora do padrão” e a palavra “diversidade” não desaparece das páginas da mídia. Parece que tudo aquilo que envolve essa postura é uma boa notícia. No entanto, as coisas não são tão claras quanto parecem.

Incrível.club decidiu descobrir o que é o movimento body positive no século 21 e por que esse fenômeno causa tantas discussões e divide as pessoas em lados completamente opostos.

O que é o body positive e como surgiu?

O body positive é um movimento feminista cujo principal objetivo é convencer as pessoas a se aceitarem como são. Seu lema é: “Meu corpo, minhas regras”. O objetivo é lutar contra os padrões de beleza impostos pela sociedade, livrar as pessoas de complexos e começar a falar sem medo sobre cada um deles.

A ideia principal do movimento é que todos tenham o direito de ser respeitados, independentemente da aparência, algo muito humano e correto. Uma pessoa pode não atender aos padrões de beleza que a sociedade exige, mas merece a mesma aceitação daquelas que “não se encaixam”.

criação do body positive começou em 1967, com uma campanha contra a discriminação pública de pessoas obesas e a luta por seus direitos. Mais tarde, ativistas começaram a exigir respeito não apenas para pessoas com obesidade, mas também para aquelas com deficiências, cicatrizes, queimaduras, transgêneros, etc. O que parece muito lógico, já que neste caso estamos falando de características que não podem ser mudadas. Assim, o body positive ajuda as pessoas a superar seus conflitos com a aparência, para que possam viver uma vida plena e feliz.

O que acontece com o body positive moderno?

Os padrões de beleza tendem a variar de acordo com os requisitos socioculturais. A década de 1990 foi a idade de ouro das supermodelos magras e do padrão heroin chic de Kate Moss, e tal estética não pôde permanecer sem resposta. As mulheres se cansaram das famosas de pernas longas que apareciam em fotos publicadas nas revistas, de ideais inalcançáveis ​​de beleza e de cirurgias plásticas caras e bastante polêmicas.

Algum tempo depois o body positive entrou em cena, com sua rejeição aos padrões prejudiciais de beleza. Mas, infelizmente, não foi possível encontrar um meio-termo. A sociedade percebeu que a anorexia, por exemplo, é uma doença que ameaça a vida, e, por alguma razão, passou-se de um extremo ao outro.

Em vez de lutar pelos direitos das pessoas com um corpo ou aparência fora do padrão, desencadeou-se uma luta contra corpos esbeltos.

do body positive. A ideia de aceitar a pessoa, bem como a atitude tolerante em relação à sua aparência, foi substituída pelo desprezo do físico e, especialmente, do peso. A relutância em cuidar do corpo tornou-se uma ideologia. O excesso de comida e a falta de atividade física não são condenados, mas aclamados, e lembretes sobre um estilo de vida saudável são vistos com hostilidade. Sites populares dedicados ao body positive inclusive proíbem os usuários de mencionar os efeitos negativos que a obesidade causa à saúde.

Além disso, apresenta-se como norma. Como resultado, por algum motivo, parece que se tornou humilhante ser atraente. Embora inicialmente declarado o princípio de “ser feio não é vergonhoso”, agora a frase mudou para “é vergonhoso ser bonito”. Kate Moss, pesando 52 kg, foi substituída por Tess Holliday, com 155 kg. O problema não é o peso e sim a saúde de cada um, tanto física quanto mental. O novo body positive exerce o mesmo controle sobre o corpo feminino e o estabelecimento de padrões de beleza como antes, mas de uma maneira diferente.

A popular revista Sports Illustrated tornou-se famosa em todo o mundo por suas fotografias de modelos magras, mas atualmente colabora ativamente com personalidades plus size.

Por que o novo body positive pode ser perigoso?

Vamos esquecer a aparência. Estamos falando sobre o excesso de peso ser um grande fator de risco para a saúde. Esta é uma declaração médica que não pode ser ignorada. Uma pessoa que está muito abaixo do peso, assim como uma pessoa que está muito acima, coloca sua saúde em risco.

É necessário reconhecer o fato de que a obesidade pode ser uma escolha, mas não pode ser tratada apenas como uma questão de gosto: ela é também uma condição patológica, que tem seu próprio código na Classificação Internacional de Doenças — E66. Se a obesidade fosse simplesmente um detalhe estético, não seria um problema. No entanto, segundo a OMS, hoje em dia ela se tornou uma epidemia mundial, que traz riscos à saúde.

Os órgãos internos das pessoas com excesso de peso são cobertos por uma camada de gordura e aumentam consideravelmente de tamanho, pois sofrem uma sobrecarga. O sistema endócrino também funciona no limite de sua capacidade, e os ossos e articulações sofrem, pois são forçados a suportar o excesso de peso. Além disso, as pessoas com sobrepeso têm maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2.

É verdade que algumas pessoas que estão acima do peso não são responsáveis ​​por sua condição corporal, mas na maioria dos casos, infelizmente, tudo tem a ver com a ingestão calórica além do necessário e o consumo de alimentos pouco saudáveis.

O excesso de peso não deve nunca ser motivo de vergonha, mas também não é preciso promover a obesidade, pois com ela, surgem inúmeros riscos à saúde. Estamos falando de uma doença que precisa de acompanhamento médico.

Este é o verdadeiro valor do body positive: identificar um problema, mas, ao mesmo tempo, garantir que a pessoa não se sinta humilhada ou discriminada.

O movimento body positive moderno

Além do fato de que este body positive moderno pode ser prejudicial à saúde, há outro ponto negativo. Os ativistas do movimento frequentemente reprovam as mulheres famosas que perderam peso, mudaram sua aparência de alguma forma ou simplesmente saíram em uma revista por serem consideradas atraentes fisicamente. Por exemplo, quando Emma Watson, ex-partidária do feminismo, participou de uma sessão de fotos para a capa da revista Vanity Fair com o peito seminu, ela foi imediatamente acusada de hipocrisia e traição.

Outra defensora do body positive, a atriz e diretora Lena Dunham, foi fortemente criticada por perder peso. Neste caso, a artista ressaltou que seu objetivo não era parecer mais magra, mas melhorar sua saúde. “As pessoas começaram a dizer: você é uma hipócrita e nós pensamos que você era uma mulher body positive. Eu sou, mas percebi que meu corpo estava mudando, é algo que às vezes acontece”, disse Dunham em uma entrevista.

Atualmente, Dunham diz que perdeu peso devido a uma doença. Ela recuperou alguns quilos e afirma que se sente confortável e feliz com isso. Acontece que alguns defensores do body positive parecem querer privar as mulheres do direito de dispor de seus corpos como desejarem. Por alguma razão, a liberdade de cuidar do físico e perder peso não entra no princípio básico “Meu corpo, minhas regras”.

O que fazemos com tudo isso?

body positive é um movimento maravilhoso, só que é preciso lembrar que o objetivo dele é “gostar de você e de seu corpo, independentemente da sua aparência”, isto é, evitar preconceitos de qualquer natureza. As ideias de um estilo de vida saudável ou de body positive não precisam ser opostas, apenas requerem uma combinação.

O mesmo se aplica ao desejo das mulheres de parecerem atraentes. Elas podem se maquiar porque gostam? Claro que sim. Uma garota pode seguir os princípios do body positive, mas, ao mesmo tempo, se exercitar e comer adequadamente? Sem sombra de dúvidas!

É importante aprender a entender os sinais de seu corpo para que você se sinta confortável com ele. Neste caso, não são os números que importam, mas o estado de saúde. Além disso, lembre-se de ir ao médico e fazer exames com frequência. O body positive não é uma proibição de vaidade e beleza, é a capacidade de cuidar da aparência e ser responsável pela saúde, independentemente dos padrões.

O que você acha do movimento body positive e seus valores?