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O abismo entre ricos e pobres na China pelas lentes de um dos melhores fotógrafos do mundo

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O fotógrafo sul-coreano da agência Reuters Kim Kyung-Hoon e um dos fotojornalistas mais experientes do mundo. Ele já trabalhou em zonas de conflito, países pobres da África e em outras situações perigosas e estressantes.

Kyung-Hoon ama a adrenalina do trabalho e busca sempre retratar, por meio de suas lentes, a realidade de locais para onde a maioria das pessoas não teria coragem de ir.

O Incrivel.club preparou para você 36 imagens nas quais o artista tem mostrado o quão diferente é a vida dos ricos em relação aos pobres na China.

"Ao longo de anos de trabalho como foto jornalista, tenho visto vidas de pessoas extremamente diferentes, desde aqueles que dormiam nas ruas até Presidentes e primeiros ministros, estrelas glamorosas de Hollywood caminhando pelo tapete vermelho e aquelas em territórios contaminados pela radiação", afirma ele.

Um exemplo dos riscos de seu trabalho: nesta imagem, Kyung-Hoon utiliza roupa de proteção enquanto trabalha na área de Minamisoma, devastada por um terremoto e um tsunami, localizada apenas a 18 quilômetros da central danificada de Fukushima, no Japão.

A seguir, as fotos da China:

1. Convidados tomam champanhe enquanto esperam o início de um desfile de moda em Pequim

Os habitantes locais se divertem com jogos de azar sob as luzes em um beco em uma zona residencial para trabalhadores imigrantes

A China é um país que cresce em ritmo vertiginoso. Sua economia é, hoje, a segunda maior do Planeta, perdendo apenas para a dos Estados Unidos e já tendo ultrapassado Alemanha e Japão. De suas províncias e zonas de baixo desenvolvimento partem multidões de pessoas em direção às grandes cidades, num êxodo rural sem precedentes. A disparidade entre ricos e pobres vivendo nas mesmas cidades, às vezes num mesmo bairro, mostram contrastes que impressionam mesmo para nós, brasileiros.

2. Famosos e outros convidados assistem a uma recepção antes do início de um desfile de moda realizado no Parque das Ruinas da Dinastia Ming, na capital, Pequim

Moradores da área para imigrantes em Pequim assistem a um espetáculo de circo de rua

O crescimento do país vem tirando muitos chineses da chamada 'linha de pobreza' - que o Banco Mundial considera como pessoas que vivem com menos de 5,5 dólares por dia.

Desde 1978, cerca de 500 milhões de chineses deixaram de pertencer a esse grupo. Mas, em números absolutos, a China ainda é o segundo país com maior número de pobres do mundo, perdendo somente para a vizinha Índia. Em 2005, segundo o próprio Banco Mundial, 254 milhões de pessoas (mais que toda a população do Brasil) viviam com menos de 1,25 dólares por dia.

O governo busca alocar em cada aldeia ou cidadezinha uma empresa de escala industrial para proporcionar a seus habitantes novos empregos. Na imagem, os trabalhadores colhem cogumelos comestíveis no povoado de Chenla, na província de Jiangxi.

Em 2014, a população pobre da cidade de Jinggangshan, também na província de Jiangxi, alcançava quase os 17%.

Agora esses números foram reduzidos para 1,4%. As políticas do governo chinês vêm contribuindo para reduzir o número de pobres. O governo de Pequim também tem ajudado as pessoas a empreender.

3. Convidados observam antigos Rolls-Royce numa das exposições de veículos mais prestigiadas do mundo

Um homem leva a sua família em uma bicicleta elétrica de três rodas em Pequim

"Quando eu era apenas uma menina, vivíamos em uma pequena casinha que construímos com nossas próprias mãos nas colinas de montanha. Meu pai me levava de bicicleta para a escola e, na volta, às vezes eu ia ver os livros na livraria, mas não poderíamos comprá-los", lembra a administradora de um escritório, Yang Tanlin.

Devido ao seu baixo preço e acima de tudo por causa dos congestionamentos nas grandes cidades, a bicicleta se transformou no meio de transporte mais popular do país.

A maioria dos prédios públicos na China possui bicicletário.

4. A infância feliz e despreocupada de um garoto de uma família abastada em Pequim

Filhos de uma família pobre no pequeno quarto de um apartamento compartilhado, sem nenhum tipo de conforto

Os jornalistas chineses calculam que o custo de criar um filho na China até a idade em que passe a trabalhar seria de 300 mil dólares. Para conseguir tais valores, uma família da China, precisaria deixar de comer e guardar esse dinheiro durante 23 anos.

E mesmo que a lei "Uma família, um filho" tenha sido abolida em 2015, a maioria das famílias jovens não tem pressa de ter filhos.

5. Mulheres com saltos altos, durante uma sessão de fotos em Pequim

Os pés descalços de uma agricultora cobertos de barro, a apenas 80 quilômetros da capital chinesa

A produtividade da agricultura chinesa tem evoluido significativamente nos últimos anos, com a atividade se modernizando. Mesmo nessas circunstâncias, uma parcela significativa de seus agricultores vive na pobrea extrema. Essa situação, como se pode imaginar, tem ajudado a acelarar o êxodo rural.

Em 1999, a agricultura ocupava 55%. Hoje, cerca de 1/3 dos chineses (33%) atua na agricultura, índice que tende a baixar ainda mais nos próximos anos, atingindo cerca de 1/4 da população, ou 25%, de acordo com o jornal ​​"International Business Times".

6. Pessoas tomando um café em um hotel de cinco estrelas em Pequim

Famílias almoçando nas áreas residenciais para os trabalhadores imigrantes em Pequim

Utilizando muitas verduras e legumes, a cozinha chinesa é bastante saudável, mesmo quando se trata de refeições mais populares e baratas, o que faz do país uma nação com relativamente poucos casos de problemas cardíacos, obesidade e diabetes. Mesmo o sal costuma ser substituído por molho de soja (shoyu).

No lugar do açúcar, os chineses costumam consumir raízes doces e frutas, que são adicionados às receitas tradicionais. Ao invés de pão, os chineses costumam dar preferência a arroz sem sal - embora o macarrão estilo lámen seja também bastante popular em algumas regiões.

Mesmo as populações com mais alto poder aquisitivo - cada vez mais afeitas aos costumes alimentares ocidentais - ainda possuem, em média, uma boa saúde.

7. Mulher pagando suas compras em uma loja de roupas de uma marca estrangeira de luxo

Família passa diante de uma vendedora ambulante que vende roupas femininas no mercado para trabalhadores imigrantes

Na China, o empreendedorismo é bastante estimulado e as vendas de rua costumam ser bastante tradicionais, passando de pai para filho.

O comércio de rua (com produtos sendo vendidos nas calçadas), seja de roupas, calçados ou outros produtos, como mencionamos, é comum, por vários motivos: primeiro, o aluguel de espaços costuma ser caro, dificultando a atividade. Segundo, na rua, os produtos estão mais à mostra para a clientela, atraindo compradores de todos os tipos o tempo todo.

8. Mulher com um casaco de peles segurando em seus braços a seu cachorrinho em uma livraria de aeroporto

Cachorro procurando comida em uma lata de lixo em uma área residencial para trabalhadores imigrantes

Da mesma forma que ocorre com as pessoas, também há uma espécie de habismo social entre os animais de estimação de diversas classes sociais. Os das classes mais ricas vivem uma vida cheia de mimos. Já aqueles que não têm dono não costumam vagar muito tempo pelas ruas, já que costumam ser assassinados sem piedade e, em algumas regiões do país, consumidos como almoço.

Por isso, recomendamos a gravidas, crianças e pessoas sensíveis que evitem pesquisar sobre o tema no Google. As imagens são fortes.

9. Garoto utilizando um banheiro dentro de um grande shopping center

Banheiro público em um bairro que foi demolido na cidade, para dar lugar a novos arranha-céus

Para as pessoas que vivem nas regiões mais ricas, ir ao trabalho e viver a vida social é algo simples e, muitas vezes, sem contato com os miseráveis. Mas basta, por exemplo, desviar do caminho para o trabalho passando por um bairro mais pobre para conhecer os banheiros públicos e seu cheiro quase insuportável.

Em boa parte das casas chinesas, o vaso sanitário conhecido por nós, ocidentais, ainda é um luxo e as necessidades são feitas em latrinas, buracos no chão.

10. Marcas de grifes famosas em um grande shopping center chinês

Loja local em um bairro residencial para trabalhadores imigrantes

A fome de gastos dos chineses mais ricos é algo que, hoje em dia, não encontra paralelo em qualquer outro país do mundo. Lojas gigantescas de grifes conhecidíssimas como Dior, Chanel, Paco Rabane, Nike, Adidas e outras pipocam pelas grandes cidades e vivem abarrotadas de gente.

Essas grandes marcas convivem, nos centros das grandes cidades, com um comércio de rua para todos os gostos e bolsos.

11. Funcionário de salão de beleza mostra como são a massagem curativa e os tratamentos de cuidado corporal em um spa

A seguir, o contraste em relação à imagem anterior: funcionária esgotada de uma fazenda no interior do país se deita para descansar sem qualquer tipo de estrutura. Abaixo, garoto de rua lavando os cabelos em uma bacia entre as montanhas de lixo

A dedicação ao trabalho dos empregados chineses é mundialmente conhecida e um dos motivos pelos quais o país asiático atrai tantas empresas do mundo todo. Mas, para alguns, boa parte dessa dedicação se deve à simples dificuldade de ganhar a vida para sustentar a si próprio e à família.

12. Um novo residencial arranha-céus em Pequim

Condomínio construído no início dos anos 90 nos subúrbios da capital chinesa

Nas grandes cidades, como Pequim e Shanghai, o aluguel de um apartamento sai por cerca de 450 dólares por mês. Isso sem contar despesas como água e luz, cobradas à parte e que saem por cerca de 30 dólares mensais.

Outros exemplos dos custos dos imóveis na China:

  • Um quarto em um apartamento compartilhado no centro da cidade: 456 dólares mensais.
  • Um apartamento de 3 quartos no centro da cidade: cerca de 1.490 dólares mensais.
  • Um apartamento de 3 dormitórios em uma área residencial da cidade: cerca de 845 dólares mensais.
  • Um escritório em uma área residencial da cidade: cerca de 915 dólares mensais.
  • Um quarto em um apartamento compartilhado em uma área residencial da cidade: carca de 287 US$.

13. Cozinheiros preparando a comida em um restaurante de um distinto bairro de Pequim. Um jantar custaria aproximadamente de 60 a 80 dólares.

Vendedor ambulante prepara o macarrão em seu "restaurante" improvisado em um bairro da periferia, quase em ruínas. Os homens, almoçando na rua, pagam em média 1,50 dólares pela refeição.

  • Uma porção para o almoço em uma cafeteria para os habitantes locais custa entre 1 e 2,5 dólares.
  • Menu do dia com carne em uma cafeteria: cerca de 7,41 dólares.
  • Salsichas fritas na rua: aproximadamente 0,37 dólares.
  • Raviólis chineses com carne bovina ou suína em uma cafeteria, 12 unidades: cerca de 0,75 dólares.
  • Macarrões com verduras refogadas, na rua: por volta de 0,99 dólares.

Para economizar dinheiro, a maioria dos trabalhadores imigrantes se veem obrigados a recorrer à comida rápida fornecidas pelos vendedores ambulantes, fazendo vistas grossas para a ausência de cumprimento das normas sanitárias. Sem nem mesmo banquetas, geralmente comem agachados na rua, visto que já se acostumaram a isso.

14. Mulher passeia com o seu cãozinho em uma área residencial e comercial diferenciada da cidade

Um homem caminha por um beco em um velho bairro residencial quase em ruínas

Enquanto os preços das casas estão gradualmente diminuindo na Inglaterra e Estados Unidos, na China eles aumentam em um ritmo mais alto que em outros países. A evolução atrai e investidores e compradores estrangeiros, por isso a atividade imobiliária está em ascensão nas cidades.

Mas até mesmo para os chineses, a compra de uma casa, mesmo que seja de segunda mão, às vezes é algo inalcançável.

15. Representante do Instituto de Proteção Social de Lares para Idosos de Pequim em seu quarto, em uma casa de repouso

Um idoso em cadeira de rodas, em frente à sua casa, em uma área residencial para trabalhadores imigrantes

Os chineses têm um grande respeito por seus idosos. Uma pessoa entre 60 e 70 anos de idade não é considerada velha, mas sim, um sábio ancião. No entanto, nem todos podem ter a segurança de gozar de uma velhice digna.

Mais de 35 milhões de pessoas idosas não são capazes de cuidar de si mesmas. Algumas empresas estão investindo agora na promoção de casas de luxo para idosos, e já se contabilizam mais de 40 mil delas.

Entretanto, muitas pessoas com baixos recursos não podem pagar por esse tipo de serviço e se veem obrigados a viver em condições precárias.

É claro que, a China não é o único país do mundo afligido pelos enormes contrastes.

E, como país mais populoso e segunda nação mais rica do mundo, é evidente que qualquer comentário sobre esse gigante asiático tem de ser feito levando em conta a sua enorme diversidade e complexidade cultural e econômica.

E você, o que sabe sobre a China? Conte para a gente nos comentários.

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