Decidi realizar um experimento e elogiar meu filho por tudo, inclusive quando ele se comportava como um monstrinho

Há alguns dias, fui ao supermercado com meu filho. Como de costume, ele correu para a seção de brinquedos e começou a gritar e espernear. Já um pouco irritada, eu disse que não levaria nada porque fomos comprar comida. E, na verdade, ele já não é mais tão pequeno. Então, ao meu lado, vi um garoto agarrado num carrinho de brinquedo, gritando no volume máximo e batendo o pé no chão. A mãe dele estava calma como uma rocha. Ela apenas sorriu e disse algo a ele calmamente. O menino se acalmou e eles foram embora. Sem levar o brinquedo. Foi como mágica... Como ela fez aquilo?

Meu nome é Maria e, como muitos pais, me parecia ser impossível educar os filhos sem discussões ou brigas. A verdade é que esse ritual de repreensões, gritarias, reprovação sobre os estudos, sobre a falta de limpeza na casa e coisas do tipo, já me deixou bastante exausta. Por isso, especialmente para o Incrível.club, decidi fazer um pequeno experimento familiar.

Eu não diria que eu e meu filho brigamos. Na verdade, muitos momentos — desde a ida à escola até o passeio pelo museu — são acompanhados de manhas repetitivas e cansativas. Faço perguntas significativas, mas sem sentido, do tipo: “Como pode gritar tanto? Quem faz birra assim?”, enquanto a criança se joga no chão desesperada.

O principal é que isso não gera qualquer efeito. As tarefas de casa não são feitas mais rapidamente, a sala não é limpa e todos terminam igualmente cansados e insatisfeitos. Não tenho forças para apenas ignorar a criança, por isso decidi mudar a abordagem. E se, em vez de repreender meu filho, eu o elogiar?

Preciso dizer que o encorajamento verbal na educação de crianças é avaliado por psicólogos de formas diferentes. Alguns especialistas dizem que a falta de incentivos por parte dos pais leva à baixa autoestima. Outros argumentam que o excesso de elogios recompensa a criança com a motivação errada.

Psicólogos afirmam que o mais importante não é avaliar positivamente a criança ou suas qualidades inatas, mas suas atitudes. E mesmo isso deve ser feito em situações excepcionais. Caso contrário, o pequeno se acostumará a melhorar o comportamento apenas para ouvir palavras bonitas, não para alcançar determinado objetivo construtivo.

Mas o que eu fiz foi diferente: tentei oferecer elogios por tudo, inclusive pelas coisas que geralmente não são dignas de aprovação. Estabeleci que o prazo seria de uma semana e comecei pelo mais simples. Em vez de se preparar para dormir, meu filho pulava de um lado para o outro no quintal, atirando em alienígenas imaginários. Minha cabeça já estava tonta de tanto “Piu-piu” e “Bang-bang”. Minha vontade era gritar: “Para a cama, agora!”

Eu não podia gritar, mas não conseguia pensar em nada positivo para dizer sobre essas batalhas espaciais. Pus minha imaginação para funcionar e soltei: “Muito bem! Fazendo exercício antes de dormir, isso é ótimo!” A criança até se assustou, ficou me olhando confusa e logo me informou que não queria dormir. “Que bom”, respondi com confiança e engolindo o orgulho, pois acharia muito melhor que ele lesse um livro antes de dormir em vez de ficar correndo loucamente no quintal.

A manhã seguinte começou surpreendentemente tranquila. Sem que eu o lembrasse, ele se lavou, tomou café e se arrumou para a escola. Tudo isso levou apenas 10 minutos a mais do que o comum, quando preciso insistir, me desgastar e brigar. Pelo menos, todos estavam felizes e satisfeitos.

Com a comida, tivemos problemas: “A carne está estranha, tem tomate no meu macarrão, este pimentão é verde, só gosto do vermelho...” É realmente ofensivo escutar uma criança de 9 anos falando sobre o fracasso dos seus talentos culinários. Não consegui pensar em nada positivo como resposta. Por isso, engolindo seco, disse: “É bom que você está sendo honesto sobre o que gosta e o que não gosta. Quando eu era pequena, tinha vergonha de dizer e, sabe, não ajudava em nada”. Meu filho ficou até bem interessado em saber mais. Por isso, durante o resto da refeição, contei histórias dramáticas da minha infância, de quando me forçavam a comer bifes de cenoura e berinjelas recheadas.

Meu único erro: me esqueci de avisar meu marido sobre o experimento. E o tiro saiu pela culatra. Passei de reprovações a elogios e meu marido continuou mantendo a disciplina. O pequeno levou pouco tempo para perceber a confusão: a mãe o elogiava, o pai o repreendia. Depois de receber mais uma bronca do pai, meu filho correu para o meu lado, reclamando do pai “malvado”. Precisei explicar ao meu marido o que estava acontecendo.

O conflito foi inevitável: ele achou a ideia totalmente louca. Meu esposo sabe que a criança só obedece quando sob controle, e eu pensei em algo totalmente contrário a isso. Sem contar que não conversei com ele antes. Bem, não pensei em nenhuma justificativa boa e só o convenci a esperar uma semana e ver os resultados — se daria certo ou não. Mas meu marido não quis participar do experimento. Senti que estava no caminho errado naquele momento.

As lições de casa eram outro tormento diário. Primeiro, era preciso forçar a criança a pelo menos se sentar à mesa para estudar. Depois, precisávamos ouvir as intermináveis reclamações de que tudo aquilo era besteira, os exercícios não serviam de nada e os livros eram extensos demais. No trigésimo quinto pedido para pegar o livro e o caderno (sem qualquer movimento da parte dele), achava que logo perderia a cabeça ou começaria a chorar desesperadamente. E meu filho só dizia: “Mais cinco minutinhos...” Então, dessa vez, fiz diferente e disse: “Muito bem, você mesmo sabe como alocar seu tempo da melhor forma”. Ele ficou muito confuso e, então, olhou para mim e exclamou: “Mãe, isso é sarcasmo?” Pensei por um momento e confessei: “Não, é um experimento, filho”.

Contei a ele sobre minha ideia: que eu estava farta de brigar o tempo todo e que eu iria elogiá-lo. E, assim, saberíamos se surtiria algum efeito. Minha sogra não aceitava e brigava comigo por eu elogiar a criança. “Por quê? O quarto está uma bagunça, as lições não foram feitas. O que vai ser dele no futuro?”, ela repetia. Eu apenas respondia que os nervos, do meu filho e os meus, eram mais importantes; e ele poderia aprender a limpar e a estudar. No seu tempo.

Uma vez, meu filho me traiu. A professora o repreendeu por ele ter feito uma bagunça no caderno — estava manchado de tinta e sujeira. Ele respondeu que a mãe (eu) o havia elogiado por isso. À noite, recebi uma mensagem dela no WhatsApp e preferi responder que seria melhor ele aprender a identificar e corrigir os próprios erros do que ter medo de cometê-los.

Nem sempre eu conseguia manter os elogios. Certa vez, meu filho e eu estávamos em um ônibus lotado. Ele ficou sentado, mexendo no celular. Ao lado, uma senhora de uns 60 anos estava em pé. Sussurrei para ele: “Levante-se, não está vendo a tia mais velha?” Ele respondeu: “Ela não é tão velha assim”. Fiquei sem graça. Então, a senhora disse: “Muito obrigada, menino, pelo elogio, realmente não estou tão velha”. Meu filho sorriu para ela e respondeu: “Se quiser, te dou um espacinho ou seguro sua bolsa”. Descemos no ponto, não aguentei e gritei com ele. Os olhos se esbugalharam e, chateado, ele disse: “Mãe, você prometeu não brigar comigo”.

Eu estava tremendo de tanta raiva. Afinal, ele já era grandinho: como podia se portar daquele jeito? Mais tarde, me acalmei e me senti um pouco envergonhada. O problema não estava na frase “grosseira” dele, mas na quebra da minha promessa. Abracei meu pequeno e disse: “Desculpe, alguns maus hábitos são difíceis de se livrar. Mas não havia muitas formas de te elogiar naquele momento, concorda?”

Não achei o experimento fácil. Decidi perguntar ao meu filho quais foram as impressões dele. É claro que disse que gostou de tudo, só achou cansativo ter de me lembrar, em diversos momentos, que eu o deveria elogiar, pois eu me esquecia. Fiquei bastante desencorajada com essas palavras.

Eu estava tão acostumada a gritar com a criança em qualquer ocasião, que não pude seguir as regras do experimento por uma semana? Que tipo de mãe sou eu? Meu marido também não ficou contente com minhas experiências pedagógicas. Na opinião dele, o comportamento do nosso filho não mudou muito. No entanto, ele notou que eu passei a reclamar menos, o que era excelente. Pensando em tudo aquilo, decidi que não vou seguir com os elogios constantes. Mas vou me concentrar em brigar menos. Com meu filho e com meu marido. Primeiro, vou pensar em algo positivo para dizer e só depois de ponderar bem, escolherei as palavras certas para dizer em voz alta.

Como conclusão, não posso dizer que não temos mais problemas com disciplina e lições de casa feitas a tempo, mas a casa se tornou mais calma. Elogiar a criança por absolutamente tudo, inclusive pelas besteiras que ela faz, não faz sentido. O processo ou se tornará um jogo, ou começará a parecer uma brincadeira de mau gosto. O que posso afirmar é que me desabituei das tediosas reprovações, punições e sermões diários. Todos ficaram mais calmos. Agora, meu filho diz de peito aberto que repreensões não são a melhor maneira de se conseguir o que quer.

Que abordagem você usa na educação dos seus filhos? Prefere fazer mais elogios ou acha importante implementar punições? Comente!

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