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11 Falhas comuns dos pais na hora de alimentar seus filhos e como isso pode impactá-los a curto ou longo prazo

introdução alimentar é um período bastante especial e também muito delicado para as famílias. Muitos questionamentos e incertezas podem surgir durante essa fase e, algumas vezes, as pessoas que genuinamente mais querem ajudar os pais podem ser as que mais atrapalham.

Esse tipo de situação pode ocorrer porque, quando o assunto é a alimentação, a Medicina evolui muito rapidamente e as recomendações que serviam há pouco ou muito tempo, podem ser equivocadas agora.

Nós, do Incrível.club, sabemos que a alimentação das crianças é muito importante para seu desenvolvimento integral, por isso preparamos uma pequena lista de comportamentos que eram considerados normais no passado, mas não são mais incentivados. Confira!

1. Começar a introdução alimentar precocemente

Vamos começar com uma informação que pode deixar muitas pessoas surpresas: em 1976, 60% das crianças norte-americanas com apenas 1 mês de vida já tinham recebido alimentos sólidos. Há menos tempo, muitas famílias tinham o costume de iniciar a introdução alimentar aos 4 meses de idade, com a oferta de alimentos liquidificados ou bem amassados. Essa é apenas uma das recomendações que evoluíram. Portanto, as orientações mais atuais dizem que a introdução alimentar deve ser iniciada somente a partir dos 6 meses de idade em bebês que apresentam os sinais de prontidão, que são:

  • Ter pelo menos 6 meses completos;
  • Conseguir ficar sentado sozinho ou com mínimo apoio;
  • Diminuição do reflexo de protrusão, que é o movimento que os bebês fazem com a língua para empurrar tudo que tem consistência diferente de leite para fora da boca;
  • Demonstrar interesse pela comida;
  • Demonstrar que consegue mastigar, mesmo que ainda não tenha dentes;
  • Conseguir fazer a preensão palmar, isto é, quando consegue usar a mão e os dedos para segurar objetos e alimentos;
  • Conseguir levar objetos e alimentos à boca de maneira coordenada;

2. Não respeitar a saciedade da criança

O período de introdução alimentar é uma fase de muitas expectativas, em sua maior parte, criadas pelos pais. Alguns podem ficar ansiosos com a quantidade de comida ingerida pelo bebê, seja porque ele come demais ou, pelo contrário, alimenta-se muito pouco. Nesses casos, tentar empurrar só “mais uma colherada” parece ser a coisa certa a se fazer, mas a verdade é que o corpo dos pequenos sabe exatamente a quantidade de comida que precisa para funcionar. Além disso, até o primeiro ano de vida do bebê, a amamentação continua sendo a principal fonte de energia — os alimentos sólidos são apenas um complemento.

O pediatra espanhol Carlos González, autor dos livros Bésame Mucho: Como criar seus filhos com amorMeu filho não come!, publicados no Brasil pela Editora Timo, diz: “Forçar a comer é inútil, porque as crianças comem sem que seja necessário obrigá-las. Além disso, a conduta é contraproducente, porque a única coisa que os pais conseguem é que os filhos odeiem a comida e mais ainda ’aquela’ comida, que insistem em servir e que geralmente é a mais saudável. Também é perigoso quando a estratégia funciona, porque temos uma grave epidemia de obesidade infantil. Acima de tudo, esse comportamento é uma falta de respeito com a criança”.

3. Não limitar o uso de eletrônicos durante as refeições

Em 2020, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou um manual de orientação informando sobre as desvantagens do uso indiscriminado de telas para crianças e adolescentes. Segundo a publicação, crianças com até 2 anos de idade não deveriam ser expostas às telas, nem de forma passiva. Outra recomendação apresentada pelo manual sugere, para todas as idades, o não uso de telas durante as refeições e no período de 1 a 2 horas antes de dormir.

Outro estudo sobre o uso de telas sugeriu que crianças entre 9 e 10 anos que passam muito tempo expostas a elas têm maior risco de desenvolver algum tipo de compulsão alimentar em um período de um ano. O hábito também está relacionado à escolha de alimentos ultraprocessados e ao desenvolvimento de obesidade. A alimentação deve ser um ato consciente e as telas distraem os bebês e crianças, aumentam o risco de engasgos e fazem com que percam a noção de saciedade.

4. Não dar “o exemplo”

A alimentação da criança fica ainda mais divertida e prazerosa quando compartilhada por toda a família. O hábito de comer com o bebê incentiva que o pequeno experimente novos sabores, desde que os familiares deem “o exemplo” e também se alimentem de forma saudável e variada. A introdução alimentar pode conter todos os grupos nutricionais considerados saudáveis desde a primeira refeição. De acordo com o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, isso inclui os alimentos in natura e alguns dos alimentos minimamente processados, como: frutas, leguminosas, cereais, raízes e tubérculos, legumes e verduras, carnes e ovos, entre outros.

5. Oferecer suco, chá, refrigerante e outras bebidas precocemente

Tanto a Organização Mundial da Saúde quanto o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomendam que a oferta de leite materno seja exclusiva até os 6 meses de idade e que continue até os 2 anos ou mais, sem tempo máximo estipulado. A amamentação exclusiva previne a obesidade infantil, aumenta a imunidade dos bebês, protege contra infecções e doenças, diminui o risco de cólicas e diarreias, entre outros benefícios. Durante a introdução alimentar, deve-se oferecer água filtrada e, esporadicamente, alguns chás (sem açúcar) são permitidos. Os refrigerantes estão na categoria dos ultraprocessados e não devem ser oferecidos.

Antigamente, a transição entre a amamentação e os alimentos sólidos era marcada pela oferta de sucos. Mas esse é outro costume que ficou ultrapassado. Nesse caso, é melhor oferecer a fruta, que contém mais fibras e vitaminas e ainda incentiva a mastigação e deglutição. Além disso, os sucos são mais calóricos e podem atrapalhar o hábito de beber água.

6. Criticar excessivamente — mesmo que de brincadeira — o corpo da criança

Se você convive com uma criança que está na fase de negar tudo, pode até se surpreender, mas tanto os bebês quanto as crianças maiores têm o impulso de querer agradar aos seus cuidadores próximos. Alguns estudos sugerem que as crianças são capazes de regular seu comportamento em situações que exigem autocontrole para deixar as pessoas mais velhas felizes.

Nesse sentido, quanto mais os cuidadores criticarem seus corpos, fazendo comentários desagradáveis, mesmo que de brincadeira, maiores podem ser as chances de as crianças desenvolverem algum tipo de transtorno alimentar para tentar agradar e se enquadrar no que os pais consideram como o ideal. A influência da mídia e do ambiente social também podem ser fatores de risco para o aparecimento desses distúrbios.

7. Incentivar hábitos ruins achando que são bons

Utilizar a comida, mesmo que seja saudável, como chantagem pode até ser tentador em algum momento já que, provavelmente, vai funcionar e fazer com que a criança obedeça a uma vontade dos pais. Mas, segundo especialistas, esse é um péssimo hábito para se cultivar, que pode ter repercussões na idade adulta e em todo o relacionamento com a alimentação, uma vez que a comida passa a ser vista como uma moeda de troca. Veja outros exemplos que não são recomendados na hora das refeições:

  • Punir: “Se não comer tudo, não vai fazer tal coisa”;
  • Premiar: “Muito bem, já que você comeu tudo vamos em tal lugar”;
  • Comparar: “Na sua idade eu comia tudo e deixava minha mãe feliz”;
  • Rotular: “Você é muito guloso”; “Ela não come nada”;
  • Distrair: “Ela come mais quando está mexendo no celular”; “Ele só come na frente da TV”;
  • Substituir: “Já que você não comeu o almoço, coma este bolo”.

8. Liquidificar e peneirar tudo

Vamos pensar juntos: se a introdução alimentar serve para que os bebês conheçam novos sabores, texturas e temperaturas, não faz sentido liquidificar e peneirar tudo, não é mesmo? Pois no tempo das nossas avós, era isso que acontecia recorrentemente, certo? A comida dos bebês — não importa qual — era frequentemente misturada, liquidificada, peneirada e só então oferecida. Esse processo não é mais recomendado, por algumas razões. Veja:

  • Quando as comidas são misturadas, o bebê perde a capacidade de reconhecer o sabor individual dos alimentos. Além disso, caso o bebê apresente alguma alergia alimentar, vai ser difícil descobrir o que a provocou;
  • Quando elas são liquidificadas, a textura dos alimentos também se perde, pois tudo vira uma espécie de caldo;
  • Quando a comida é peneirada, perde-se parte de sua capacidade nutricional, como vitaminas, fibras, entre outros.

9. Oferecer comidas insossas, muito salgadas ou muito doces

Apesar de haver restrições no uso de sal (até o primeiro ano de vida) e de açúcar (até o segundo ano), o uso de temperos frescos como salsinha, cebolinha, manjericão, tomilho, orégano, sálvia e alecrim; especiarias como cominho, páprica, canela, gengibre; além de cebola, alho e limão, entre outros, é bastante bem-vindo, engana-se quem acredita que eles fariam mal. Pelo contrário, isso pode ajudar a enriquecer os sabores das refeições e a deixá-las mais apetitosas para os bebês e crianças — melhorando assim a sua relação com a comida, inclusive.

10. Não permitir que o bebê explore a comida

Se você nasceu nos anos 90 ou antes, provavelmente, em algum momento da sua vida, deve ter ouvido que era feio “brincar” com a comida, certo? Pois essa recomendação também mudou! Agora os bebês são encorajados a manipular, brincar, cheirar e experimentar os alimentos. Existe até uma abordagem de introdução alimentar que preconiza isso, o Baby Led Weaning ou BLW.

Assim, eles aprendem inclusive a comer em seu próprio ritmo. Mas, alguns cuidados são necessários, como evitar alimentos específicos que aumentem o risco de asfixia, como nozes, uvas, ou elementos cortados em rodelas; além disso, os especialistas aconselham oferecer alimentos ricos em ferro em cada refeição, para bebês com idade igual ou superior a 6 meses.

11. Oferecer alimentos “proibidos”

Há pouco tempo, a oferta de alguns alimentos controversos, como pirulitos, balas, etc., era bastante frequente e tão comum que existem até ditados populares, indicativos de facilidade para fazer algo, baseados nesses hábitos, como “mais fácil que tirar doce de criança”, “melzinho na chupeta” e “mamão com açúcar”.

Contudo, as novas recomendações sugerem que o açúcar deve ser evitado, pelo menos, até os 2 anos de idade. Como os doces são alimentos hiperpalatáveis, quando oferecidos muito precocemente, podem aumentar o risco de diabetes e obesidade. O mel ainda tem um agravante: ele pode estar contaminado com uma bactéria que causa o botulismo infantil, por isso não deve ser oferecido para crianças menores de 2 anos — muito menos na chupeta!

Caso você tenha filhos, conte-nos se faz alguma coisa diferente de como foi na sua infância ou mantém os mesmos hábitos relacionados à alimentação? Estamos curiosos para conhecer seu ponto de vista!

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