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13 Histórias dos bastidores de “Jurassic Park” que justificam o fato do filme ser memorável, mesmo após décadas

Depois de 29 anos, o elenco principal de Jurassic Park se reúne novamente, dessa vez para uma participação no novo filme da franquia, Jurassic World: Domínio. O reencontro acende nos fãs da série um sentimento gostoso de nostalgia pelo primeiro filme. E nos lembra de como Steven Spielberg nos espantou com efeitos especiais que pareciam inexplicáveis. Pareciam.

Incrível.club relembra como foi possível trazer às telas dinossauros tão reais e assustadores, e também conta alguns segredos dos bastidores de Jurassic Park, o filme original de 1993, que encantou tantas pessoas! Confira só!

1. Sem saber como os dinossauros vocalizavam, os produtores do filme precisaram ser criativos

As descobertas dos paleontólogos nos permitiram saber muito sobre os organismos dos dinossauros, mas, infelizmente, não tínhamos como saber que sons eles faziam. De acordo com o livro The Making of Jurassic Park: An Adventure 65 Million Years in the Making, uma mistura de sons de animais foi feita para criar a vocalização do Tiranossauro Rex. No caso, um mix de cachorro, ‎pinguim, rosnado de tigres, gorgolejo de jacarés, e guinchado de bebê elefantes. Se você não se lembra do resultado, ouça aqui.

As informações foram dadas pelo engenheiro de som Gary Rydstrom para o livro, assim como em entrevistas ao longo do tempo. Ele também revelou que para a vocalização Dilofossauro, assim que ele surge aparentemente inofensivo, foram usados trinados de cisne. Fofo, né? Até que ele abre uma espécie de capuz e lança um veneno sobre Dennis Nedry. Dessa vez os sons são de cascavel e a sua voz muda para a de um falcão. Relembre os sons neste vídeo.

Saber como os sons são gravados é divertido e pode ser muito curioso, já que às vezes eles vêm de lugares inimagináveis. Os perigosos Velociraptors, por exemplo, têm um som inusitado quando parecem conversar entre si. Gary explicou que o som veio de tartarugas acasalando, que ele gravou numa visita a um parque aquático. O som da sua respiração é o de cavalos e outro barulho que eles fazem veio de gansos. Se tiver coragem, relembre os sons aqui.

Em uma cena memorável, os protagonistas encontram um Triceratops doente. Gary contou que usou o som da respiração das vacas do Rancho Skywalker — a fazenda do diretor Steven Spielberg. Não é o som puro das vaquinhas, mas sim a sua respiração passando por um tubo de papelão, que deu a reverberação única que o engenheiro de som procurava. A cena é de dar dó do bichinho, mesmo sabendo que ele não existe, mas vale a pena relembrá-la.

2. Um trabalho minucioso foi feito para reproduzir um ovo de dinossauro chocando

Muito do trabalho de sons de um filme é feito por profissionais que se chamam foleys ou sonoplastas. Eles introduzem ruídos de fundo, como passos, ventos e outros sons que os microfones dos atores não pegam ou que não são possíveis de serem feitos no estúdio de gravação. Sem o trabalho dos sonoplastas, ouviríamos apenas as vozes dos atores, sem som ambiente.

Um exemplo do Jurassic Park é na cena em que um ovo de dinossauro é chocado: uma casquinha de sorvete para imitar a casca do ovo se quebrando e a polpa de um melão para o som do animalzinho saindo. Para o som da textura das escamas do bebê dinossauro, a sonoplasta passou a mão em uma casca de abacaxi. Criativo e simples, porém genial, não é mesmo?

3. Para ajudar na atuação, Steven Spielberg fazia ele mesmo os sons de dinossauro durante as gravações, mas isso não foi muito útil

Ainda falando de sons, eles foram adicionados ao filme por Gary e sua equipe somente depois que os filmes foram gravados. Mas, durante as gravações, os atores precisavam interagir com telas verdes, bonecos animatrônicos ou apenas usar a imaginação. Isso é normal hoje, mas em 1993 era novidade. Para ajudar, Steven Spielberg fazia sons de dinossauros com a boca, o que era engraçado e fazia a equipe atrás das câmeras rir à beça. Mas os atores, coitados, precisavam segurar o riso.

4. Steven Spielberg queria usar stop motion para animar os dinossauros, mas foi convencido a mudar para Computação Gráfica

Sobre o diretor, quando se comprometeu a fazer o filme, Spielberg planejava usar a técnica de stop motion para animar os dinossauros. Porém, de acordo com um vídeo divulgado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas — a mesma que faz a premiação do Oscar — dois artistas trabalhavam em segredo para fazer o diretor mudar de ideia. Os artistas eram funcionários da Industrial Light And Magic, a empresa de efeitos especiais do próprio Steven Spielberg.

Eles fizeram um modelo de T-Rex em CGI, ou seja, imagens de computação gráfica em inglês, tecnologia que ainda dava seus primeiros passos em 1993. Com o modelo em 3D feito, os artistas montaram um vídeo e apresentaram ao diretor e à produtora Kathleen Kennedy, durante uma visita aos estúdios. Depois de ver o vídeo, eles se convenceram que o CGI seria muito mais convincente e com movimentos bem mais realistas, então desistiram do stop motion.

5. Em algumas cenas, foram usados animatrônicos para os dinossauros

Porém, nem só de CGI foi feito Jurassic Park. Muitas cenas, a maior parte, na verdade, foram feitas com o uso de animatrônicos. Ou seja, bonecos em tamanho real que eram programados para fazer certos movimentos. Os animatrônicos trouxeram mais veracidade ao filme, e alguns afirmam até que os efeitos de 1993 são mais convincentes que os da nova franquia, Jurassic World. Não é à toa, já que os bonecos da época eram capazes de piscar, respirar, até chorar, o que gerava reações mais autênticas dos atores.

6. Os produtores demoraram para descobrir como criar o efeito da água vibrando

Se lembra da cena onde o T-Rex aparece pela primeira vez? As crianças são as primeiras a notar, por causa das ondas num copo d’água causadas pela vibração dos passos do dinossauro. Spielberg teve essa ideia ao notar o mesmo efeito no retrovisor do seu carro, quando ouvia Earth, Wind & Fire (provavelmente no volume máximo), e pediu para reproduzirem no seu filme.

Acontece que a equipe não sabia como fazer isso e perdeu um bom tempo quebrando a cabeça para encontrar um jeito. Até que Michael Lantieri percebeu que podia fazer isso ao tocar uma nota específica em sua guitarra. Então, para fazer o mesmo truque no filme, colocou os copos sobre uma plataforma especial conectada a uma corda de guitarra.

7. A aparência e os movimentos dos Velociraptors foram exigências do diretor e não são cientificamente acurados

Quem manja de dinossauros deve ter notado que, em Jurassic Park, os Velociraptors são bem maiores que as descobertas dos paleontólogos indicavam. Eles tinham em média meio metro de altura, ao passo que no filme tinham cerca de 1,80 metro — quase quatro vezes maior. Alterar a altura do temível dino foi decisão do Steven Spielberg, que queria que eles parecessem mais assustadores. Também foi por sugestão do diretor que ele virasse a cabeça como uma galinha, de forma ameaçadora.

8. A cena de perseguição entre os velociraptors e as crianças na cozinha foi supercomplicada de ser gravada

Falando em Velociraptors, a tensa cena de perseguição dentro de uma cozinha entre os dinos e as crianças demorou duas semanas para ficar pronta. Foram usados animatrônicos para algumas partes e homens curvados em posição de esqui e vestindo uma fantasia para outras. As fantasias eram tão pesadas que os atores precisavam ser suspensos por cabos. O CGI foi usado apenas para remover os reflexos da equipe de filmagem nas superfícies metálicas. O resultado ficou excelente, não acha?

9. Para dar movimento aos dinos, a produção se inspirou em alguns animais, como o avestruz

O mundo animal trouxe diversas inspirações para trazer de volta “à vida” os dinossauros do filme, como exemplificamos acima com os seus sons. Mas também inspiraram o modo como os répteis pré-históricos se movimentavam. O Dilofossauro, por exemplo, teve seus movimentos reproduzidos do avestruz, após uma análise quadro a quadro de um documentário. Os movimentos foram replicados por mecanismos de animatrônicos na gravação.

10. A pilha de esterco de Triceratops precisou de ser incrementada para conseguir atrair moscas de verdade

Talvez você se lembre da cena em que os personagens do filme se deparam com uma pilha de esterco de Triceratops. A reação dos atores é tão crível que nós quase podemos sentir o cheiro através da tela. Mas o cheiro que os atores sentiram não era nada desagradável. O monte de esterco foi feito com uma mistura de argila, lama e palha. Para atrair moscas, a produção cobriu tudo com uma mistura de mel e mamão. Deu certo!

11. O animatrônico do T-Rex era considerado perigoso a ponto de se exigir cuidados para sua manipulação

Fale a verdade: você ficou com medo do T-Rex quando assistiu ao filme? Pois saiba que não somos os únicos: o animatrônico dele pesava cerca de cinco toneladas, ou seja, cinco mil quilos. A produção ficou com receio de que ele caísse sobre os trabalhadores e causasse um acidente sério, por isso convocou reuniões especificamente para discutir normas de segurança ao manipulá-lo. Quando ele se aproximava, por exemplo, havia um sistema de luzes piscando, para que todos ficassem mais alerta.

12. James Cameron (de Avatar e Titanic) quase dirigiu, mas queria que fosse mais violento

Jurassic Park foi adaptado de um livro de mesmo nome, escrito por Michael Crichton. James Cameron, o diretor famoso por TitanicAvatar, pretendia dirigir o filme mas Steven Spielberg conseguiu os direitos apenas algumas horas antes. James, no entanto, não ficou chateado e, depois de ver o filme pronto, afirmou que Spielberg era a pessoa certa para o trabalho. Em sua concepção, o filme seria bem mais violento, como em Aliens, e mais apropriado para adultos.

13. Harrison Ford recusou um papel no filme, e Spielberg cogitou outros nomes para o elenco

Spielberg queria o elenco perfeito para Jurassic Park, e até atrasou o início das filmagens para que o ator Sir Richard Attenborough, que gravava o filme Chaplin, pudesse participar. Mas o diretor pensou primeiro em Harrison Ford para viver Alan Grant, e chegou a oferecer o papel, mas o ator recusou. No fim, o papel acabou ficando com Sam Neill.

Outra atriz que quase entrou para o elenco foi Robin Wright, no papel de Ellie Sattler. Ela vinha fazendo sucesso em várias produções, principalmente interpretando Tara Maguire em Romance Proibido. Assim como Harrison Ford, Robin recusou educadamente o papel quando Spielberg o ofereceu. Um ano depois, ela surgiu em Forrest Gump, no papel da Jenny Curran. Quanto a Jurassic Park, o diretor escolheu Laura Dern para o papel.

Depois de ver todo o trabalho por trás das câmeras, passamos a compreender melhor por que Jurassic Park desperta tantas emoções, inclusive o medo. Aliás, qual dinossauro do filme mais te assustava?

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