Como seria uma viagem ao núcleo da Terra?

Curiosidades
há 1 ano

Qual é o lugar mais exótico onde você já esteve? Havaí? Austrália? Hoboken, em Nova Jersey? Bem, hoje estou partindo para uma jornada muito mais incomum do que isso — até o âmago da Terra. E estou convidando você para se juntar a mim. Está pronto? Ah, vamos lá, vai ser divertido. Vem!

O centro da Terra fica a cerca de 6.370km abaixo da superfície, portanto será uma longa viagem. A camada pela qual estou me embrenhando agora é a crosta. É algo como a casca de uma maçã (só que você não pode morder um pedaço) quando comparada com as outras camadas que compõem o planeta.

Ei, olhe lá, um coelho — esses animaizinhos fofos cavam túneis de até 70 cm de profundidade, então não é uma surpresa encontrá-lo por aqui.


E que nojo, aquilo era uma minhoca? Algumas espécies de minhoca de penetração mais profunda, também conhecidas como minhocas geófagas, ficam grandes e podem viver 3 metros abaixo da superfície.


Seguindo em frente — você ouviu aquele som de bipe? Deve ser um daqueles garimpeiros — um bom detector de metais ainda funciona nessa profundidade. Só que você provavelmente não encontrará ouro, mas talvez um pedaço grande de metal, como um carro ou algo assim.

E essa deve ser a toca do homem-toupeira! Sério, havia um cara em Londres que cavou por 40 anos embaixo de sua casa e chegou a 8 metros. O que ele estava procurando?

Lembra como eu disse que a crosta não era tão grossa? Ela tem cerca de 35 km de espessura e é composta de rochas basálticas, que ficam no fundo do mar, e por rochas graníticas, que compõem os continentes. Então, há a crosta oceânica e a crosta continental.

Uau, isso era um crocodilo? Os crocodilos-do-nilo cavam as tocas mais profundas entre todos os animais, portanto você pode encontrá-los a 12 metros de profundidade.

Aparentemente, não apenas os crocodilos sentem o desejo de se esconder do resto do mundo — existem cidades subterrâneas inteiras com abrigos e catacumbas em diferentes países.
A mais profunda delas fica a 85 metros de profundidade sob a Capadócia, na Turquia. Seus 18 níveis poderiam abrigar 20.000 pessoas! E como todas elas chegaram lá? Hoje, poderiam pegar um trem na estação de metrô mais profunda do mundo, em Kiev, na Ucrânia, a 106 metros de profundidade.

Embora atualmente tenhamos tecnologias que possibilitem cavar fundo, as árvores crescem naturalmente dessa maneira: na África do Sul, existem espécies cujas raízes atingem até 120 m abaixo da superfície!

No momento, estou penetrando na crosta continental e é preciso destacar duas coisas importantes: ela tem cerca de 2 bilhões de anos (embora a rocha mais antiga tenha 4 bilhões e foi encontrada na costa da Baía de Hudson, no Canadá) e cobre cerca de 40% da Terra (sim, o resto é crosta oceânica).
As rochas graníticas das quais é feita têm mais silício, alumínio e ainda mais oxigênio do que as basálticas, porque estão expostas ao ar livre na superfície. A crosta é a fonte de todos os metais e minerais que os seres humanos já usaram, exceto os diamantes, que são muito mais profundos. Acho que vamos vê-los mais tarde... você tem bolsos?

O que foi isso? Pessoas em seus equipamentos de corrida? Por mais louco que pareça, em 2004 uma meia-maratona foi organizada na Mina de Sal Bochnia, na Polônia. Foi a meia-maratona mais profunda de todos os tempos — você não vê muitas pessoas correndo a uma profundidade de 212 metros.

Nada mais pode me surpreender depois de ter visto isso, exceto talvez... morcegos! O que vocês estão fazendo aqui? 1.000 morcegos marrons passam todo inverno em uma mina de zinco de Nova York — que aconchegante!

Brrrr.... está esfriando — esse é o ponto mais profundo em que você pode encontrar o pergelissolo, também chamado de permafrost, que é a camada de solo permanentemente congelada.

Por falar em gelo, a crosta terrestre serve como um cobertor elétrico que cobre o manto. É rico em elementos radioativos, como urânio, tório e potássio, que produzem calor!
Seguindo em frente — isso aqui parece um bom esconderijo — a caverna mais profunda do mundo é a Veryovkina, na Geórgia (o país europeu) a cerca de 2,2 km abaixo do solo.

E isso... será que foi um trem que ouvi — espere, como? Um trem por aqui? Sim, é possível. Em 2016, a ferrovia subterrânea mais longa e profunda, o túnel de Base de São Gotardo, foi inaugurado na Suíça!

Bem quando você pensa que não poderia encontrar outros seres vivos aqui embaixo, vem o verme da mina TauTona na África do Sul, o organismo multicelular que vive em ambiente mais profundo.

Por falar em minas, a mais profunda delas é uma de ouro, a 4 km, também na África do Sul.

Enquanto estou passando pela crosta continental, a oceânica nunca está muito longe e sua profundidade média é 60% da superfície do nosso planeta. Ela cobre cerca de 60% da superfície terrestre e é mais fina (cerca de 20 km), mais densa e mais jovem (não tem mais de 180 milhões de anos) que a crosta continental. Se origina constantemente nas cordilheiras do meio do oceano, e é isso que faz os continentes se moverem.

Com 11 quilômetros de profundidade, é a sua última chance de ver o oceano nesta viagem — acabamos de chegar à Fossa das Marianas, o ponto mais profundo do Oceano Pacífico.

Viajar pela crosta foi divertido, mas isso teria que terminar em algum momento. Aí vem uma fronteira onde o seu passaporte não é carimbado — a fronteira entre a crosta e o manto.

Trata-se da maior camada da Terra, com 2.980 km de largura. É feita de rocha magma e é pesada, representando 65% da massa do planeta. Ela armazena muitos segredos arqueológicos e é composta por 4 elementos: oxigênio, silício, magnésio e ferro. Embora seja basicamente uma rocha sólida, o manto está lenta e constantemente em movimento.

Que brilho é aquele? Devem ser os restos de diamantes que se formaram aqui, a 150 km de profundidade, um bilhão de anos atrás. Então, como rocha derretida, eles se deslocaram para a superfície.

A pressão está ficando cada vez mais extrema e está esfriando muito aqui embaixo.
Esse é o ponto mais profundo em que os terremotos nascem — os que vêm daqui são raros e ficam muito fracos depois de viajar 700 km até a superfície.

Mais 48 km abaixo nesta jornada e encontramos o manto mais baixo. Você pode agradecer a ele por todos os movimentos das placas tectônicas.

Por que está ficando tão quente? Uau, tivemos uma grande mudança de cenário! A 2.920 km de profundidade o manto termina e o núcleo externo começa. É um mar sem sol de metal líquido superquente do tamanho de Marte. E possui correntes de movimento lento e campos magnéticos e elétricos que produzem tempestades e ciclones. A propósito, a Terra deve seu campo magnético ao núcleo externo. Sem ele, a vida em nosso planeta seria simplesmente impossível!

Uma vez a cada milhares de anos algo acontece nessa camada: os polos magnéticos se invertem e o norte e o sul mudam de lugar. Não é provável que aconteça novamente em breve.

A 4.140 km, o núcleo interno lhe dá as boas-vindas! É a parte mais quente e interior do planeta. É uma bola sólida extremamente densa feita de 80% de ferro e 20% de níquel, que aquece até 6 mil graus Celsius! É praticamente o mesmo que a superfície do sol.

O núcleo interno é quase do tamanho da Lua e compõe 2% da massa da Terra. Se você pegasse toda a água em todos os oceanos e a multiplicasse por cinco, obteria aproximadamente o mesmo volume do núcleo interno. Ele permanece sólido graças à pressão super alta, que é um milhão de vezes maior do que na superfície do planeta.

Como ninguém chegou até essa profundidade, os cientistas ainda têm muita pesquisa a fazer nessa área. Alguns deles acreditam que pequenos cristais de ferro nascem nas partes externas do núcleo que se fundem em cristais gigantes do tamanho de uma cidade nas proximidades do centro. É por isso que o núcleo interno também é chamado de núcleo de cristal.

Há pouco tempo, os cientistas britânicos descobriram que o núcleo interno é relativamente jovem — provavelmente entre 500 milhões e 1 bilhão de anos, e isso não é nada em termos da ciência da Terra.
É difícil dizer exatamente onde fica o centro da Terra, mas parece que eu posso colocar minha bandeira aqui a 6.370 km. Ufa! Foi uma jornada e tanto!

Agora, para quem estiver pensando em fazer as malas para ver o núcleo do planeta, tenho algumas notícias não muito boas: tecnicamente ainda não é possível, porque não há como sobreviver à pressão e ao calor extremo que estão esperando lá em baixo. No entanto, se alguém construísse um túnel que oferecesse toda a proteção necessária, necessitaríamos apenas de 18 minutos de queda livre para chegar lá. Já estou na fila!

Você gostaria de viajar para o núcleo da Terra se isso se tornar possível em um futuro próximo? Deixe sua opinião nos comentários!

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