A fenda mais profunda no sistema solar: o Grand Cânion de Marte

Curiosidades
há 6 meses

Ele está olhando para você, e você está olhando para ele. Um olho gigante que parece estar puxando para um abismo. Você está pairando sobre ele no seu helicóptero espacial. Mas por mais assustado que esteja, você ainda precisa fazer o seu trabalho. Então, envia seu helicóptero para a superfície do Planeta Vermelho. Sim, é onde você está — em Marte. Mas vamos do princípio: você para um pouco para se lembrar de tudo o que sabe sobre o quarto planeta do Sistema Solar. É o último dos planetas internos, que são os planetas que estão dentro do cinturão de asteroides. Eles também são chamados de telúricos ou sólidos e são feitos de rochas e metais. A atmosfera de Marte é muito mais fina do que a da Terra. Contém 95% de dióxido de carbono e apenas 1% de oxigênio. Em outras palavras, nem pense em tirar o capacete!

De qualquer forma, não há tempo a perder. Você pousa na superfície do planeta e se vê em um mundo vermelho acastanhado. Que bom que você está usando um traje espacial — está muito frio! O termômetro costurado na manga do seu traje registra −62 ˚C! Hora de dar o seu primeiro passo na superfície marciana! O planeta parece bastante colorido, e a tonalidade de uma área específica depende dos minerais que compõem o solo. O chão sob seus pés está coberto de uma fina poeira. Parece ferrugem. A mesma poeira laranja está no ar. Ainda bem que você tem seu próprio suprimento de oxigênio e não depende do ar marciano. A camada desta poeira que cobre a superfície do planeta pode ter de 2 a 12 metros de espessura. Você espera não ser engolido por alguma “areia movediça” marciana!

Então, começa a andar, sentindo-se muito leve. Marte tem apenas 15% do volume do nosso planeta e apenas 11% da massa da Terra. Isso significa que a gravidade aqui é muito mais fraca — tem 38% da força de atração existente na superfície terrestre. Você pula para cima e para baixo, depois tenta correr várias centenas de metros — ha! Você nem começa a suar! O que torna mais difícil para explorar o lugar a pé é que a superfície do planeta é rochosa, coberta de crateras e vulcões, leitos de lagos secos antigos e cânions.
Você vê algo enorme e imponente no horizonte — mas tenta conter a curiosidade. Haverá tempo suficiente para descobrir o que é mais tarde. De repente, uma nuvem enorme surge à distância. Parece que um enorme rebanho de cavalos está se aproximando de você. Na realidade, é melhor voltar para o seu helicóptero e voar o mais rápido que puder. Essa é uma das famosas tempestades de poeira de Marte. Elas ocorrem principalmente durante o verão no Hemisfério Sul do Planeta Vermelho. Às vezes, podem cobrir o planeta inteiro. E, as maiores, podem ser vistas da Terra!

Você pula no seu helicóptero e define um curso para o “olho” que tanto te assustou. Canais de vento que se parecem com veias passam pela “olho”. Mas quanto mais você se aproxima, menos parece um olho de verdade. Logo percebe que é... uma cratera! É gigante — quase 30 quilômetros de diâmetro! Ao redor da cratera — que parece ter uma pupila — há outras crateras ainda maiores. Elas provavelmente se formaram há bilhões de anos, quando Marte foi atingido por várias rochas espaciais.
Mas por que a “cratera-olho” é mais escura do que a paisagem ao seu redor? Os cientistas acreditam que em algum momento, havia água marciana na enorme abertura. Lembra daqueles canais? Provavelmente carregavam essa água. E como a cratera estava cheia de água, impedia que algumas substâncias e minerais se corroessem.
Agora, lembra daquela coisa imponente no horizonte? É hora de ir até lá e explorar! Quando você se aproxima, percebe que é o maior vulcão em todo o Sistema Solar — o Monte Olimpo!

Ele tem mais de 590 quilômetros de diâmetro, que é quase do mesmo tamanho do estado do Arizona! Você inclina a cabeça. Uau. O vulcão tem 25 quilômetros de altura. E também é cercado por penhascos de 6 quilômetros de altura. Para imaginar o tamanho do vulcão, vamos fazer algumas comparações. O maior vulcão da Terra é o Mauna Loa — com cerca de 10 quilômetros acima do nível do mar e se estendendo por 120 quilômetros. Parece impressionante! Mas o volume do Monte Olimpo é cerca de 100 vezes maior do que o do Mauna Loa! O gigante marciano poderia engolir toda a cadeia de ilhas havaianas de Kauai ao Havaí!

Mas, por que esse vulcão é tão grande? Pode ser o resultado da menor gravidade superficial e maiores taxas de erupção. Ou a razão pode ser a crosta do Planeta Vermelho, que é muito diferente da terrestre — é estática. Em nosso planeta, a crosta é composta por 15 a 20 placas tectônicas em movimento. À medida que elas se movem sobre os pontos quentes produzindo lava, novos vulcões se formam e os já existentes são extintos. É por isso que a lava pode chegar à superfície através de muitas aberturas. Mas em Marte, a crosta não é quebrada em placas tectônicas como as da Terra. E a lava acaba se acumulando em um vulcão muito, muito grande.
Então, que tal se aproximar dessa montanha enorme? Mas, assim que você sai do seu helicóptero no solo marciano, o chão sob os seus pés começa a tremer! É um terremoto! Mas como isso pode acontecer se Marte não tem placas tectônicas em constante movimento?! Especialistas da NASA têm certeza de que os terremotos ocorrem quando a energia no interior do planeta é liberada de maneira repentina, levando a fraturas de rochas e rachaduras na crosta do planeta.

Outra tremida poderosa, e uma dessas rachaduras se abre bem ao seu lado! Você cai no chão, com medo de se mover. Mas logo, tudo se acalma. Você espera por alguns minutos — só para ter certeza — e se levanta. Ah, olhe! Aqui está uma oportunidade perfeita para explorar o interior do Planeta Vermelho! A rachadura é grande o suficiente para enviar um robô de varredura especial! A crosta do planeta é fina e consiste em rocha basalto vulcânica. O manto que envolve o núcleo marciano é composto de silicatos grossos, oxigênio e alguns outros minerais. Você provavelmente pode compará-lo com pasta de dente abrasiva, macia e rochosa. O manto de Marte também é muito mais fino do que o da Terra. Tem apenas de 1.300 a 1.770 quilômetros de espessura. Quanto ao núcleo do planeta, é feito principalmente de ferro, níquel e enxofre e tem entre 1.450 a 1.930 quilômetros de largura. Este núcleo não se move. É por isso que Marte não tem um campo magnético em todo o planeta.

Infelizmente, o seu robô de varredura agora está perdido nas profundezas do Planeta Vermelho. Você o deixa para trás e continua a sua exploração. Seu próximo destino é Valles Marineris, o que parece mais o nome de um molho vermelho italiano, mas é, na verdade, um enorme cânion — ou melhor, um sistema de cânions — que corre ao longo do equador de Marte. É tão inspirador quanto o Monte Olimpo — mais de 4.200 quilômetros de comprimento e mais de 6 quilômetros de profundidade! A coisa é tão grande que pode abranger todos os Estados Unidos continentais, do Pacífico ao Oceano Atlântico!
Vamos fazer outra comparação. Um dos cânions mais famosos da Terra é o Grand Canyon, no Arizona. Mas é 10 vezes mais curto e cerca de 4 vezes menos profundo do que o cânion em Marte. Alguns cientistas acham que Valles Marineris é a borda de uma enorme placa tectônica. Ela se move tão lentamente que quase nada acontece naquela região há milhões de anos. E o movimento desta placa provavelmente começou há 3,5 bilhões de anos.

Enfim, a única coisa que resta na sua lista de tarefas de hoje é visitar as luas de Marte. Elas estão entre as menores do Sistema Solar. Fobos é a maior das duas. Orbita apenas 6.000 quilômetros acima da superfície marciana. Não há outra lua conhecida que viaje mais perto de seu planeta-mãe. Ela gira ao redor do Planeta Vermelho três vezes por dia, enquanto a segunda lua — Deimos — precisa de 30 horas para fazer uma órbita completa. Fobos está se aproximando cada vez mais de Marte — cerca de 2 metros a cada 100 anos. Nos próximos 50 milhões de anos, ela cairá no planeta ou se quebrará em vários pedaços, formando um anel. Feliz, mas cansado, você retorna à sua nave espacial. Amanhã, continuará explorando o magnífico Planeta Vermelho. E quem sabe que outras descobertas estão esperando por você?

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