13 Filmes cujo figurino pode nos contar muito sobre os seus personagens

Os figurinistas são verdadeiros gênios dos bastidores, que enviam mensagens ao telespectador através de sua arte. Em outras palavras, eles nos ajudam a compreender um personagem e o seu estado psicológico usando pequenos detalhes e combinações em suas vestimentas, de forma a complementar a história e a deixar a imagem da cena a mais bela possível. É graças a eles também que podemos ver a transformação de um personagem em realidade — as roupas, chapéus, luvas, e todos os adereços responsáveis por trazer os heróis do mundo cinematográfico à vida.

Nós, do Incrível.club, adoramos descobrir novos detalhes e segredos nos filmes, e estamos prontos para compartilhar todas as nossas descobertas com você. Confira!

Magnatas do Crime, 2019

Figurinista — Michael Wilkinson.

O personagem de Colin Farrell é um treinador de boxe que se tornou uma espécie de guru para um grupo de jovens desordeiros. Para produzir os trajes esportivos xadrez característicos dos personagens, a equipe responsável pelo figurino pegou um modelo de tecido inglês clássico, realçou um pouco a estampa para deixá-la mais chamativa e fixaram-na sobre um tecido mais moderno parecido com o fleece. O resultado foi uma mistura de visual esportivo com streetwear.

Além disso, podemos saber também que o treinador tem um senso de estilo nato. Michael Wilkinson nos mostrou isso através dos óculos estilo anos 80 usados pelo personagem, que é um expert em armações vintage.

Coringa, 2019

Figurinista — Mark Bridges.

Mark Bridges construiu todo o guarda-roupa do personagem baseado em seu figurino final. Quanto mais Arthur Fleck ficava próximo de se transformar completamente no Coringa, mais escura ficava a paleta das cores de seu figurino. E isso deu maior autenticidade ao seu visual, pois o Coringa usou vestimentas baseadas nas peças que Arthur usava anteriormente. O colete amarelo-alaranjado, por exemplo, que fazia parte do traje do palhaço malsucedido, tornou-se uma peça brilhante e chamativa no estilo do vilão. Ao desenvolver o visual, o figurinista se baseou na descrição do roteiro: “Um terno marrom-avermelhado, que Arthur já tinha há muitos anos”.

Judy: Muito Além do Arco-Íris, 2019

Figurinista — Jany Temime.

A atriz Renée Zellweger teve de transformar seu corpo até atingir uma silhueta muito específica para poder atuar no filme. Sua Judy Garland tinha duas características corporais muito específicas: costas arredondadas e uma barriga bastante contraída, típica de uma pessoa bastante magra. Todo o seu figurino foi feito para se adequar a essa silhueta, e é por isso que ninguém conseguiu usar as roupas de Renée depois dela.

O Retorno de Mary Poppins, 2018

Figurinista — Sandy Powell.


O detalhe preferido de Sandy Powell nesse projeto é o tordo no chapéu da personagem, que é uma homenagem a versão antiga do filme. No entanto, Powell não queria usar margaridas como a personagem de Julie Andrews no longa de 1969 — ela acredita que esse detalhe não combina com a nova Mary Poppins. A protagonista moderna é muito mais elegante. Mas isso não quer dizer que ela não precisava de adereços. A inspiração para o pássaro no chapéu veio da cena na qual Julie Andrews canta para um tordo.

Suprema, 2018

Figurinista — Isis Mussenden.

A figurinista Isis Mussenden vestiu a personagem principal de forma que ela ficasse em harmonia com o ambiente e ao mesmo se destacasse no meio de seus colegas masculinos nos seus primeiros dias em Harvard. No entanto, naquela época ainda não havia ternos femininos, portanto Isis criou um vestido mais justo de cor centáurea Azul (que é a cor favorita de Ruth, a propósito) e acrescentou um broche ao visual — que era uma cópia perfeita do que foi presenteado à juíza pela sua mãe na vida real.

Dessa forma, desde as primeiras cenas é possível ver a futura juíza Ruth Ginsburg não só como uma pessoa forte, mas também feminina.

Duas Rainhas, 2018

Figurinista — Alexandra Byrne.

Alexandra Byrne decidiu usar tecido jeans para a confecção do figurino, e isso foi uma escolha estética. Segundo a figurinista, na época de Elizabeth I as pessoas praticamente viviam em suas roupas, e como não havia os recursos de lavagem a seco ou de secagem que temos hoje em dia, quando elas se molhavam acabavam secando ao Sol, o que fazia com que as roupas aparentassem mais justas e moldadas ao corpo. Assim como ocorre com o jeans, que quanto mais usado, mais modelado aparenta. No mais, ele combina bem com as paisagens chuvosas e lamacentas da Escócia.

Assassinato no Expresso do Oriente, 2017

Figurinista — Alexandra Byrne.

Em Assassinato no Expresso do Oriente, muitos figurinos foram preparados para a viúva Caroline Hubbard (Michelle Pfeiffer) — muito mais do que para os outros personagens, na verdade. “Caroline é uma atriz da Broadway que se passa por uma turista destruidora de corações, e suas roupas contam tudo — onde esteve e para onde irá”, contou Alexandra. Podemos perceber, por exemplo, que quando o Expresso do Oriente deixou Istambul, Caroline estava usando um vestido com bordados sírios. Já na cena nas montanhas, ela está com trajes de esqui, pois “independentemente de onde esteja, sempre aparentará um pouco extravagante”.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, 2017

Figurinistas — Olivier Bériot, Laurent Couline, Norbert Crispo.

Para ilustrar um mundo do futuro, os figurinos no filme são feitos a partir de um conjunto de materiais sólidos como plástico, metal e neoprene.

Seguindo essa lógica, os uniformes militares de Valerian e Laureline foram feitos de poliuretano. Inicialmente, Laurent Couline pegou manequins 3D dos atores e os desmontou para fazer moldes de argila de cada parte. Essas partes, por sua vez, serviram para produzir moldes de silicone em seguida, os quais foram preenchidos com poliuretano. E foi assim que foram criados os trajes espaciais do século XXVIII no universo do longa.

A Colina Escarlate, 2015

Figurinista — Kate Hawley.

O diretor Guillermo del Toro adora acrescentar simbolismos em suas obras, especialmente através das cores, o que fica bastante evidente no figurino de A Colina Escarlate. Nele, a protagonista Edith Cushing (Mia Wasikowska) é frequentemente retratada vestindo roupas douradas, o que remete à riqueza. Como diz a própria personagem, ela é “um canário em uma mina de carvão”.

Além disso, suas vestimentas estão sempre acompanhadas de acessórios curiosos: um cinto feito com os cabelos de sua falecida mãe, uma fivela feita à imagem de suas próprias mãos, e um broche de caveira em uma de suas gravatas. Vale lembrar, no entanto, que a Era Vitoriana na Inglaterra ficou conhecida como época da moda funerária.

A título de curiosidade, o cinto usado no filme era realmente feito com cabelo humano — “Nós utilizamos todos os métodos vitorianos”, disse Kate Hawley.

Estrelas Além do Tempo, 2016

Figurinista — Renee Ehrlich Kalfus.

A figurinista Renee Kalfus pediu às atrizes principais que usassem cintas para incorporar o estilo das mulheres de antigamente, que desejavam parecer sempre elegantes e impecáveis. “Essa foi uma época na história dos Estados Unidos na qual todas as mulheres usavam cintas”, comentou a figurinista. “Percebi como a postura das pessoas mudava quando mulheres passavam próximas usando saltos altos, meias-calças e cinta. Não estou dizendo que você vai querer usar cinta dez horas por dia, mas que isso de fato ajuda a voltar no tempo e permite que as atrizes se imaginem vivendo em uma outra época”, concluiu.

Depois da Terra, 2013

Figurinista — Amy Westcott.

Ao criar o traje de proteção para o protagonista, a figurinista se inspirou na natureza. Depois de algumas pesquisas, ela descobriu que alguns besouros mudam de cor em uma situação de perigo, adquirindo uma tonalidade escura, e que quando estão em perigo eminente de morte tendem a ficar amarelados. Amy propôs essa ideia ao diretor, que decidiu incorporá-la na trama.

Jogos Vorazes, 2012

Figurinista — Judianna Makovsky.

Através dos trajes da elite no filme, podemos perceber o poder econômico da Capital. Isso fica claro, por exemplo, na cena onde a aparência frágil e polida de Effie (Elizabeth Banks), vestida em um traje exuberante de cor magenta, ofusca a protagonista Katniss, que usava um vestido simples de algodão. No entanto, apesar da opulência, a acompanhante dos tributos também era uma prisioneira, só que ela recebia sua punição através dos seus trajes: ninguém se sentiria confortável em usar um espartilho apertado, uma camada espessa de pó compacto e ainda vestir um salto alto o dia inteiro. Nesse figurino, Effie certamente mal conseguia se mover livremente e tinha de andar a passos curtos.

Alice no País das Maravilhas, 2010

Figurinista — Colleen Atwood.

O traje da Rainha Vermelha desempenha duas funções ao mesmo tempo: muda visualmente as proporções da personagem (os detalhes pretos na cintura tornam a silhueta mais estreita e o colarinho branco e alto estica o pescoço) e demonstra que a rainha tem um mau gosto para a moda (a peça é de um tecido barato e decorada por corações presentes em todos os lugares). Sobre isso, Colleen comentou: “Eu quis que ela aparentasse brincalhona e um pouco maltrapilha, até porque a Rainha Vermelha é, de fato, um pouco brega. E seus sapatos com corações na sola são uma verdadeira piada”.

Você costuma reparar no figurino dos personagens em longas? Se pudesse escolher, que look de filme gostaria de vestir na vida real? Conte para a gente na seção de comentários.

Imagem de capa Judy / Pathé
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