Por que a ideia do corpo perfeito continua mudando (e qual será o ideal de beleza no futuro)

Mulheres do mundo todo ficam preocupadas toda vez que sobem na balança. E uma das razões para essa preocupação é resultado dos padrões ditados pelo mundo da moda e pelos índices corporais considerados saudáveis. O chamado Índice de Massa Corporal (IMC), uma medida que deveria ser usada com o nobre objetivo de evitar problemas de saúde (como, por exemplo, doenças cardiovasculares) passou a ser adotado até pelo mundo da moda e do fitness, se tornando uma espécie de referência de paranoia para aqueles e aquelas que buscam o corpo perfeito. O resultado são, por exemplo, dietas mirabolantes e nada saudáveis que surgem todos os dias.

Incrível.club busca entender por que a ideia do corpo humano perfeito continua mudando e como será essa imagem no futuro. Talvez seja hora de pararmos de contar as calorias e abrirmos mais espaço para aquele bolo delicioso (desde que sem exageros), não?

As mulheres mais robustas são consideradas mais belas em locais em que ainda há escassez de alimentos

Existem muitos fatores que afetam a ideia do formato perfeito do corpo e um deles é a sensação de fome. Pesquisas mostram que mesmo os homens modernos acham as mulheres cheinhas mais atraentes quando estão com fome. No mundo antigo os quadris largos, a barriga grande e os seios fartos eram associados à sensualidade e à fertilidade. Naquele tempo, quando havia alimento disponível, as pessoas geralmente comiam demais, de modo que mulheres com maior quantidade de gordura tinham mais chances de dar à luz e alimentar o bebê. Por isso os homens as consideravam mais atraentes.

As mulheres robustas ainda são consideradas ideal de beleza, por exemplo, na Mauritânia e em uma tribo em Uganda, na África, onde os estoques de alimentos são limitados. Além disso, nesses locais tentam engordar as mulheres em determinadas situações. Todos os dias, antes do casamento, as noivas de Uganda tomam várias jarras de leite com cerca de 5 mil calorias cada, para se tornarem mais atraentes.

É a sociedade quem determina o ideal de beleza

A ideia de uma forma corporal ideal também é afetada pela cultura e pela sociedade. Na Grécia antiga, as estátuas femininas não eram muito esbeltas e tinham um corpo atraente. Os seios não eram muito grandes, porque as esculturas costumavam ser um símbolo da perfeição do corpo humano, e não de sua sexualidade.

Nos tempos Medievais, o cristianismo ditava os cânones da beleza. Os rostos pálidos e macilentos, os corpos magros, que remetiam a pessoas que jejuavam e faziam abstinência, se tornaram o padrão de beleza da época.

Na época do Renascimento, as formas do corpo das mulheres continuaram esbeltas, mas a maioria delas apresentava uma barriga visível. Tudo porque se despertou o interesse pela personalidade e pelo corpo humano, então a gravidez era demonstrada abertamente.

Uma mulher com o corpo no formato de ampulheta indicava fertilidade

O século XVI as mulheres começaram usar espartilhos, modismo que durou até o início do século XX. Esses acessórios eram usados ​​para marcar a cintura e fazer o corpo parecer uma ampulheta. E, embora esse belo contraste entre os quadris e a cintura tenha sido ditado principalmente pela moda da época, as preferências dos homens — determinadas pelo instinto de sobrevivência — também ajudaram a manter no auge esse tipo de padrão de beleza.

Pesquisas mostram que mulheres com seios grandes e cintura fina têm um nível mais elevado de estradiol, enquanto aquelas com um forte contraste entre a cintura e os quadris têm um nível mais alto de progesterona. Ambos os hormônios contribuem para uma concepção bem-sucedida. Portanto, as mulheres com uma silhueta no formato de ampulheta são mais férteis e têm maior capacidade para engravidar.

Nos anos 50, depois da fome e da guerra, esse padrão do corpo feminino ficou novamente no auge da popularidade. Belezas como as de Marilyn Monroe, Betty Brosmer e Jayne Mansfield despertavam a imaginação dos homens com suas formas perfeitas.

A propósito, apesar do formato de corpo da Barbie ser considerado um ideal de fertilidade, na realidade, uma garota com esse tipo de corpo seria infértil. Além disso, seria anoréxica e só conseguiria se movimentar rastejando. Uma estudante do Hamilton College, nos EUA, mostrou como seria uma imagem em tamanho real desse padrão de beleza.

O padrão de beleza andrógino

A era da liberdade para as mulheres começou (aos poucos) na década de 1920. As garotas pararam de tentar agradar os homens, começaram a cortar os cabelos e passaram a dar menos atenção às curvas de seu corpo. A partir dos anos 60, as formas esbeltas assumiram uma posição firme na moda. Foi quando Twiggy, uma adolescente, se tornou uma referência para os jovens (e as jovens) da época. Ela foi uma das primeiras modelos com feições andróginas, combinando o corpo de menino e cabelos curtos com cílios longos e olhos enormes.

Mas, mesmo deixando os espartilhos de lado, as mulheres começaram a adotar dietas e a praticar esportes. O auge do fascínio por um corpo magro e musculoso ocorreu durante os anos 80, com as modelos Cindy Crawford e Naomi Campbell, por exemplo.

A partir dos anos 90, a magreza voltou à moda e o padrão de beleza ideal da época era Kate Moss. A mídia começou a espalhar amplamente informações sobre os perigos para a saúde de estar acima do peso e a gordura começou a ser ridicularizada e associada à falta de vontade. Desde então, os estilistas continuam preferindo as modelos magras — aquelas que se encaixariam facilmente em um tamanho PP.

Diversidade moderna

Na década de 2010, devido à crescente difusão da informação pela Internet e pelas mídias sociais, várias formas corporais começaram a ganhar popularidade — desde as de curvas proeminentes, como Kim Kardashian — até os corpos amorfos de modelos andróginas.

No entanto, os pesquisadores descrevem que, nos últimos 50 anos, os homens se tornaram muito exigentes. Eles preferem não apenas mulheres com um nítido contraste entre quadris, seios e cintura, mas também com um baixo Índice de Massa Corporal. O que significa que gostam de garotas magras e andróginas.

Como será o formato perfeito do corpo no futuro?

É provável que, num futuro próximo, o corpo de uma mulher perfeita continue esbelto. E há várias razões para isso:

1. Globalização

A televisão e a Internet se espalharam pelo mundo todo. As sociedades tradicionais de Porto Rico, Samoa e Tanzânia, por exemplo, sempre apreciaram mulheres mais cheinhas. No entanto, a partir da década de 1990, começaram a perceber as mulheres de corpo volumoso como feias, isso por causa da influência dos meios de comunicação.

Nas áreas rurais, onde o trabalho físico ainda é importante, as silhuetas de mulheres fortes e mais cheinhas continuam a ser valorizadas. Mas os homens que se mudaram dos vilarejos para as cidades começaram a preferir também as garotas mais esbeltas.

2. Relativa fartura da população

Como descobrimos, se não houver guerra ou fome, os homens preferem as mulheres mais esbeltas. E como a maioria dos países do mundo civilizado tem comida suficiente para todos, as silhuetas rechonchudas passaram a ser associadas à obesidade.

3. Preferência por mulheres com o corpo no formato de “ampulheta”

É provável que uma cintura fina e os quadris largos continuem sendo os preferidos. Mas a tendência das garotas magras continuará na moda, devido à influência da indústria fashion.

4. As propagandas e a indústria da moda são feitas para garotas magras

Os estilistas costumam preferir as garotas magras (muitas vezes, com uma aparência de menino) porque qualquer roupa fica bem nelas. Como trabalham com programas de computador, suas criações cada vez mais extrapolam os corpos simplesmente esbeltos, sendo direcionadas para formas corporais que simplesmente não existem.

Ao mesmo tempo, segundo as estatísticas, uma adolescente recebe 180 minutos de informações de várias mídias diariamente, enquanto gasta apenas 10 minutos se comunicando com os pais. Assim, padrões irreais de beleza estão sendo cada vez mais introduzidos em nossa consciência e na consciência de nossos filhos.

É claro que algumas mulheres e modelos plus size afetaram a moda até certo ponto, mas é improvável que o efeito seja duradouro. Além disso, os estilistas continuam criando roupas para o corpo “ampulheta”, ignorando outros tipos de formas femininas. Mas a quantidade de mulheres que representa a beleza com os formatos corporais preferidos dos estilistas não abrange mais do que 8% da população.

5. Removendo as fronteiras entre os sexos

Mais e mais garotas, incluindo celebridades, estão assumindo um visual andrógino, influenciadas pela ideia do feminismo. Elas acreditam que não deve haver diferença entre homens e mulheres, então começaram a usar penteados e roupas masculinos. Cabe a você decidir se isso é bom ou ruim, mas é provável que o padrão de beleza feminino em um futuro próximo não possua indicadores de gênero.

Também é possível que, graças ao Photoshop, tornemos popular um formato de corpo feminino extremamente esbelto, que só se adequaria a uma senhora da Era vitoriana doente e com tuberculose. Assim, ainda não é o momento certo para liberar espaço na geladeira para o bolo. Por outro lado, seguir o ideal da boneca Barbie também não é a coisa certa a fazer, caso contrário, podemos acabar recebendo um diagnóstico de “anorexia nervosa”, em vez de apreciar a bela forma do nosso corpo.

Você concorda com a nossa previsão sobre o padrão de beleza do futuro ou tem uma opinião diferente sobre isso? Teremos o maior prazer em ler seus comentários!

Compartilhar este artigo