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O que é economia emocional e por que ela nos faz torcer pelos mais fracos

Não é incomum nos pegarmos torcendo pelo mais fraco. Seja qual for a situação, se não tivermos um favorito, acabamos preferindo aquele com menos chance de ganhar. Pode ser uma competição, um jogo ou qualquer coisa do tipo. Contudo, o que pode parecer algo pessoal é, na verdade, um comportamento estudado por cientistas, que ficou conhecido como economia emocional.

A economia emocional e o prazer que ela nos traz

As competições, em geral, trazem adrenalina ao espectador, e se você tem uma equipe ou um participante do coração, acaba torcendo por ele, como nos jogos ou reality shows. Todavia, às vezes ocorre da sua equipe ser eliminada ou da pessoa que você tanto torce sair. É aí que entram os azarões, aqueles indivíduos com a chance mínima de conseguir o prêmio, mas que, de alguma maneira, nos cativam suficientemente para torcemos por eles.

Celebrar a vitória do campeonato continua sendo o maior desejo do público, afinal, nada melhor que a sensação do primeiro lugar. Entretanto, outros sentimentos acabam tomando conta de nós, torcedores. Entre eles, o de observar o oponente mais fraco ganhar do mais forte. Esse apoio social dado pelo público ajuda a manter o interesse emocional pela competição.

Para Jimmi Frazier e Eldon Snyder, economistas que estudaram esse comportamento, isso acontece graças a uma conduta humana que está sempre em busca do prazer. Com isso, se o seu favorito não está na competição, sua mente faz um cálculo inconsciente em busca de saber quem vai promover maior adrenalina.

Big Brother Brasil e a nossa sina de torcer pelo mais fraco

Nos reality shows, às vezes, podemos notar essa tendência. Em programas como Big Brother Brasil, costumamos selecionar nossos favoritos logo pela chamada, mas é na hora que o programa começa que a decisão final começa a ser tomada. Algo assim aconteceu na 21ª edição do BBB, a participante tida como chata dentro da casa acabou ganhando força e favoritismo do lado de fora.

Juliette foi preterida pelos colegas de confinamento e, enquanto se tornava um peso para aqueles na casa, do lado de fora acontecia um movimento inverso; os telespectadores começavam a ver um favoritismo nela. Entretanto, o caminho era árduo, enquanto o público decidia quem ficaria, eram os confinados que ditavam quais participantes iriam ao paredão.

A pressão interna era tanta que ela pensou várias vezes em desistir. Juliette viu não só os rivais indo contra ela, mas também alguns amigos próximos. Enquanto isso, cada vez mais, se formava um cenário positivo para ela fora do programa. Não à toa, o discurso final pontuou isso: “Mas a verdade também, Ju, é que você nunca esteve sozinha em nenhum momento. E você nunca mais vai se sentir sozinha na sua vida. Isso quem tá dizendo não sou eu, são os quase 24 milhões de seguidores que você tem nas redes sociais”.

Reality diferente, situação parecida

Dayse Paparoto não precisou ir ao Big Brother para sentir na pele o peso da competição. No primeiro MasterChef Profissionais, ela sofreu bastante com os outros participantes, principalmente os homens. A cada episódio, duvidavam da capacidade dela, em uma das provas falaram para a competidora varrer o chão, duvidando da capacidade de Dayse como cozinheira.

Entretanto, se ela era subestimada pelos participantes, em contrapartida, ganhava o favoritismo do público, causando um burburinho nas redes sociais e aumentando a sua torcida. A audiência não tinha como salvar Dayse, já que todas as decisões eram tomadas pelos jurados, mas, ainda assim, garantiram o incentivo para aquela que era considerada a zebra do programa pelos participantes.

Nos campos e nas quadras

Outro cenário no qual o azarão é constantemente escolhido pelo público é nos esportes, ainda mais se o time do coração já estiver fora da disputa. Em 1994, na final da Liga dos Campeões, todos estavam tão confiantes na vitória do Barcelona sobre o Milan que um jogador do Barça chegou a tirar uma foto com a taça antes mesmo da bola rolar. A certeza era tanta que o time entrou “no salto alto” e, com uma menor preparação, o resultado foi contra o que todos achavam: Milan levou a taça, após fazer quatro gols contra zero do time favorito.

Em um cenário mais recente, algo semelhante aconteceu na Copa do Mundo de 2022. O Marrocos era um dos times subestimados, cotado para ser eliminado logo na primeira fase. Todavia, enfrentou os favoritos e já campeões do mundo, desbancando quase todos. O time só foi parado na semifinal, mas nessa altura já tinha eliminado equipes como: Bélgica, Espanha e Portugal.

De azarão a campeão, ao menos no coração do público

Para alguns, a situação pode parecer descabida, afinal, como assim torcer para aquele que tem mais chances de perder? Isso acontece porque o azarão dá mais importância à vitória, deixando o processo mais eletrizante. A sensação de ver o candidato improvável conquistar o topo é outra, sendo mais significativa.

E o que pode parecer banal, realmente aumenta nossa alegria. Nosso cérebro registra a vitória do azarão de forma diferente, ele estimula o centro de recompensa da área, liberando neurotransmissores para nos deixar mais felizes. Ou seja, ver os ditos perdedores triunfarem, realmente nos deixa em êxtase.

Você também se pega constantemente torcendo pelo mais fraco? Quais foram as situações em que você acabou torcendo por um competidor que tinha a mínima chance de ganhar? Compartilhe com a gente nos comentários!

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