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Pequenas atitudes para aproveitar as vantagens da vida solitária e evitar a solidão

É praticamente um consenso a ideia de que o ser humano tem a necessidade de viver em sociedade. Ou seja, a vida, para pessoas completamente isoladas, é inviável. Precisamos uns dos outros para satisfazer as nossas necessidades, ajudar e ser ajudados, mas principalmente dar e receber afeto.

Dessa forma, criou-se uma cultura traduzida nas palavras de Tom Jobim, de que “é impossível ser feliz sozinho”. Mas e se dissermos que essa não é a única cultura existente ou válida? Ou que ficar só pode trazer algumas vantagens para você, inclusive para viver melhor em sociedade?

Pois então, o Incrível.club compilou uma série de estudos que mostram as diferenças entre solidão e solitude, e os benefícios que o estar sozinho pode trazer às nossas vidas.

O que é solidão e o que é solitude?

A solidão vem sendo vista e tratada como um problema nas nossas vidas, algo a ser corrigido em nome da nossa felicidade. E isso desde crianças, já que nos recreios escolares, por exemplo, a criança deve brincar e interagir com outras e só. Muitas vezes não tem a liberdade de apenas observar as outras crianças brincando, ou uma formiga passando. Nós, adultos, no fundo achamos anormal uma criança solitária ou um filho único, e logo perguntamos aos pais: “E aí, quando ele vai ganhar um irmãozinho?”

Em seu livro Ensaio Sobre A Solidão Positiva, Katz não entende a solidão como uma doença, um problema a ser resolvido ou evitado, mas sim como uma conquista que nem todos atingem. É uma oportunidade de autoconhecimento, na qual tomamos consciência de que cada um de nós é único em relação aos outros. Somos diferentes inclusive na forma de lidar com as nossas emoções. solitude é essa visão positiva do estar sozinho.

Por que nós devemos passar um tempo quietos e sozinhos?

Para o físico e escritor Alan Lightman em In Praise of Wasting Time, precisamos reservar alguns minutos, ou mesmo horas, para estar sem distrações. Do contrário, corremos o risco de perder a habilidade de saber quem somos e o que é importante para nós. Sabemos que isso é difícil, já que vivemos uma era em que a informação e os avanços tecnológicos avançam sem freios. Por outro lado, é necessário readquirir esse hábito de fazer as coisas lentamente, de refletir, ficar parado e em silêncio.

Fazer nada não é perda de tempo

Uma tradução para o livro de Alan Lightman seria “louvando a perda de tempo”, mas o próprio autor defende que ficar sem fazer nada não é desperdício. Ele sugere que nós dediquemos os momentos de solidão e silêncio a repensar nossa identidade e nossos valores. Dessa forma, podemos promover o nosso crescimento como humanos e proteger a nossa sanidade. Isso não é, de forma alguma, algo ruim, que possa nos envergonhar. Na verdade, é a hora mais importante do seu dia!

A solitude aumenta as emoções positivas em adolescentes

Reed Larson, um pesquisador e professor de desenvolvimento humano, observou estudantes durante os anos 90 e pediu para que escrevessem sobre o que faziam, com quem e o que sentiam. E ele se surpreendeu ao notar que os estudantes relatavam emoções mais positivas nos momentos em que estavam sozinhos em seus quartos. De fato, eles buscavam por esse tempo de isolamento social, voluntariamente, para fugir do ruído de estar com outras pessoas.

E pode também melhorar os resultados nos estudos

Pode parecer que os adolescentes que passam um tempo solitários são mais tristes que quando estão com amigos. Realmente, essa é uma fase difícil para eles, e ter amigos é essencial. No entanto, estar sozinho é como um remédio amargo, mas necessário. As pesquisas de Larson indicaram que jovens que passam de 25% a 45% do tempo fora da escola sozinhos, apresentam melhores resultados na escola e mais emoções positivas ao longo dos estudos, além de estar menos propensos à depressão.

Como a solitude pode estimular a criatividade

Muitas empresas entenderam que a criatividade pode florescer no trabalho em equipe. Não estão erradas, mas você já notou que as maiores obras primas da humanidade foram feitas por artistas solitários? Para provar esse ponto, o professor de psicologia David Strayer conduziu um estudo com pessoas que ficaram isoladas e desconectadas por quatro dias. Após esse período, elas apresentaram resultados em testes-padrão de criatividade 50% melhores que as pessoas que não se isolaram.

Ajuda a construir melhores relações interpessoais

Quer dizer que estarmos sozinhos nos ajuda a sermos melhores do que quando não estamos sozinhos, como assim? É isso mesmo. A professora do MIT Sherry Turkle explica como esse tempo de solitude e intimidade pode melhorar o modo como enxergamos nossas relações com outras pessoas. Pessoas que não administram bem o seu tempo sozinhas tendem a procurar as companhias de outros para se sentirem mais vivas e menos ansiosas.

Isso faz da sua companhia meras ferramentas para alcançar o seu próprio bem-estar, e não pessoas reais. Ao contrário, quando você usa o seu tempo consigo para pensar sobre suas emoções e seus projetos, e se acalmar, saberá aproveitar melhor o seu tempo com as suas companhias. Você se tornará melhor em ouvir as outras pessoas e a compreender as emoções delas tão bem quanto compreendeu as suas próprias. E isso, sim, constrói laços afetivos mais fortes.

Como estudantes têm aumentado a concentração

Edward O. Wilson, um pesquisador de Harvard, relatou que uma amiga e professora do Ensino Médio de Arlington, Massachusetts, trouxe uma novidade para os seus alunos. Ela propôs começar todas as suas aulas com quatro minutos de silêncio. Dessa forma os alunos, que viviam em meio a barulho e de cabeça cheia, poderiam limpar a mente e recomeçar do zero com calmaria externa e interna. Ela registrou resultados milagrosos: tanto ela quanto os alunos se mostraram mais calmos e focados.

Outras escolas de Ensino Fundamental e organizações educativas seguiram o exemplo com métodos diferentes: 10 minutos de silêncio nos quais os alunos podiam escrever seus pensamentos em um caderno; quatro minutos ouvindo música clássica; em faculdades, foram criadas disciplinas com carga horária menor, nas quais o aluno é encorajado a usar o tempo livre para refletir sobre o que aprendeu e como pode usar isso na sua vida.

Até mesmo em ambientes de trabalho essa filosofia de “fazer nada” tem sido adotada. Algumas empresas criaram salas de tranquilidade, onde os funcionários são estimulados a passar até meia hora por dia, meditando, refletindo ou apenas em completo silêncio. Nessas salas, não são permitidos smartphones ou laptops, e o tempo passado lá não é descontado do horário de almoço.

Como preparar uma criança para a solitude

Como dissemos antes, muitos adultos não se conformam com crianças solitárias e logo já querem arrumar outra criança, ou mesmo adulto, para brincar junto. No entanto, essa atitude retarda a maturidade para a criança enfrentar os momentos de solidão, inevitáveis na fase adulta.

Para prepará-las é muito simples: basta proporcionar momentos de quietude e solidão para a criança, na presença da mãe ou do pai. Dessa forma, ela convive com os próprios pensamentos e emoções, sem abandonar a sensação de segurança de que ela precisa e enxerga na disponibilidade da mãe ou pai. A confiança que a mãe demonstra para a criança nesses momentos fortalece a autoconfiança de que ela necessitará no futuro para estar, de fato, sozinha.

Agora que nós compreendemos melhor como melhorar e até buscar mais tempo conosco, poderemos desfrutar das auto descobertas e crescimento pessoal. Conte para nós, como você planeja passar os seus momentos de solitude daqui para frente?

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