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“O MasterChef salvou minha vida!” A história de Erick Jacquin, de empresário falido a apresentador de sucesso

Quem vê o chef de cozinha, empresário e apresentador Erick Jacquin fazendo o maior sucesso hoje em dia pode até não imaginar que o francês já passou por alguns perrengues na vida. Bastante popular entre a audiência do MasterChef Brasil, Jacquin caiu nas graças do público brasileiro com suas caras e bocas, jeito irreverente e, é claro, o sotaque francês mais imitado em terras tupiniquins. Contudo, a vida do chef nem sempre foi um mar de rosas e hoje você descobre como ele conseguiu se recuperar de um grande fracasso e chegar ao sucesso. Confira!

As origens francesas

Erick Jacquin nasceu na França, no Vale do Loire, e vem de uma família tradicional, na qual alguns valores considerados essenciais foram passados dos pais para os filhos: “Meus pais nasceram em uma família super normal, tradicional, de artesãos. Eles eram gentis e consideravam o respeito e o trabalho como coisas muito importantes, então eu fui acostumado a trabalhar, respeitar e amar”, diz ele.

A mudança para o Brasil

O chef chegou ao Brasil em fevereiro de 1995, a convite de Vincenzo Ondei, fundador do Le Coq Hardy, que prometeu riqueza e uma vida extraordinária ao francês. “Ele mudou a minha vida de uma forma maravilhosa, mas eu não fiquei rico. Ele cumpriu a metade da promessa, porque eu sou rico de outra maneira: sou muito rico de felicidade, de prazer. Então, acho que foi isso que ele falou para mim”, conta.

No Brasil, o primeiro trabalho de Jacquin foi comandar a cozinha do extinto restaurante do amigo, que era um dos mais prestigiados do país. Inclusive, foi como chef do Le Coq Hardy que Jacquin acumulou várias premiações de Chef do Ano e, em dezembro de 1998, ganhou a maior honraria que um chef especializado em alta gastronomia francesa pode receber: o título de Maître Cuisinier de France.

O início do pesadelo

Apaixonado pela cozinha, Jacquin decidiu abrir o seu próprio restaurante, em 2004. Era o início do que, mais tarde, seria o seu pesadelo. O La Brasserie Erick Jacquin foi um sucesso logo de cara, chegando a faturar mais de R$ 550 mil por mês, mas todo esse sucesso não foi suficiente para manter o lugar de portas abertas.

É que, ao longo o tempo, o chef foi acumulando dívidas e processos trabalhistas, por falta de pagamento dos funcionários. Junte a isso o aluguel em uma das áreas mais nobres de São Paulo e fornecedores que só recebiam à vista e, pronto, a receita para a falência estava consolidada.

Além de perder o restaurante, que era o sonho da sua vida, Jacquin estava devendo para diversas pessoas, entre aluguel, empregados, fornecedores e bancos. O chef conta que a publicação de reportagens com a sua história era frequente na imprensa: “A maioria das reportagens que saía falava que eu estava quebrado, ‘o chef que deve R$ 3 milhões’. A cada telefone que tocava era um cara para quem eu devia. Oficial de Justiça indo em casa. Aprendi a lidar com isso”.

Foram diversos os fatores que levaram o La Brasserie a fechar em 2013, mas, entre eles, se encontrava um péssimo hábito do chef: ser muito amigo dos amigos. “Tenho um defeito que sou muito generoso. A gente não pode oferecer a única coisa que a gente sabe fazer. E a única coisa que eu sei fazer é cozinhar”, pondera.

Devo, não nego. Pago quando puder

Após chegar ao fundo do poço, Jacquin decidiu, certamente influenciado pelo ambiente onde foi criado e pelos valores morais que herdou dos pais, que não fugiria das consequências e daria um jeito de pagar as dívidas: “Eu poderia fugir, ir embora sem pagar ninguém. Mas não fiz isso, escolhi o contrário. Eu fiquei, paguei e reergui a cabeça”, conta.

E para se recuperar, ele contou com a ajuda fundamental da sua esposa, a empresária Rosangela Menezes, com quem está há 18 anos. Ela conta que acompanhou a saga do então namorado e esteve ao seu lado em todos os momentos: “Passamos por essa fase ruim juntos e foi bem difícil. Eu vi o Erick no chão, mal mesmo. Era o sonho da vida dele esse restaurante. Quando nos conhecemos, ele tinha acabado de inaugurá-lo”.

A empresária decidiu trabalhar com Jacquin, a fim de tentar uma solução para o problema: “Eu ficava no salão, na parte do atendimento, no caixa e ajudava em tudo. No fim, não teve solução e precisamos fechar. Foi aí que ele ficou muito mal. Foram dias bem tristes. Ele chorava e não conseguia achar solução”, relembra. A ajuda da companheira, nesse segundo momento, veio no acolhimento e no incentivo ao amado: “Eu falava que ele ia conseguir e que precisávamos olhar para a frente. Erick é um homem de muita sorte, além de ser bom no que faz”, diz ela.

O retorno do chef

Sem perspectivas de como arrumaria dinheiro para pagar suas dívidas, Jacquin começou a imaginar outras formas de trabalho. Foi então que a televisão apareceu como uma verdadeira salvação na vida financeira do chef, que chegou a negociar, sem sucesso, um programa de culinária com o SBT.

O sotaque francês carregado, uma de suas marcas pessoais mais relevantes, acabou sendo um problema na emissora de Sílvio Santos. “Um diretor queria fazer, mas me falou: ’Você não fala português, então não dá’. Ele não me aceitou. Ainda bem, porque o meu negócio é o meu sotaque. Isso é o que fez o sucesso do meu personagem. É o ’tompêrro’ que todo mundo fala”, relata.

Um tempo depois, Jacquin se reuniu com alguns empresários da Band e fez um teste para um novo programa, que se chamaria Pesadelo na Cozinha: “Tudo estava certo, mas na hora de concretizar, a produção disse: ‘Jacquin, infelizmente não vai dar’. Eu falei que aquilo era a única coisa que poderia me salvar”, relembra. Felizmente, passado mais algum tempo, os executivos da Band retomaram o contato com o chef, dessa vez, para convidá-lo a integrar a bancada de jurados de outro programa, o MasterChef Brasil.

A gente conversou e eles falaram que não tinha teste e que já estava certo, porque tinham visto o teste do Pesadelo na Cozinha. Falei que eu faria e não precisava de dinheiro, e olha que era o que eu mais precisava“, conta. Foi a partir do reality que o chef retomou a própria vida e iniciou a volta triunfal: “O MasterChef salvou a minha vida! Ele mudou a vida do brasileiro, abraçou o país. Eu sabia que se eu fizesse parte disso, no futuro, salvaria minha vida. Pensei: ‘Vou me reinventar’. A TV aberta é um sucesso enorme. Eu me considero muito privilegiado”, diz.

Uma promessa para o sucesso

Após a consolidação do MasterChef Brasil, desde 2017, o chef comanda o Pesadelo na Cozinha, que saiu do papel e ganhou as telas. No programa, Jacquin usa a experiência que adquiriu com a falência do próprio negócio para ajudar restaurantes a permanecerem de portas abertas, faturando e, é claro, prezando pela mais alta qualidade de instalações, produtos, serviços e atendimento.

“Eu já não quis saber de restaurante, falei que nunca mais ia abrir um restaurante, mas abri. Porque acho que é a coisa mais linda do mundo, que eu amo, que gosto de fazer. Eu fiz, abri e não me arrependo de nada”, declara.

O chef não se deixou abalar pela má experiência e retomou o sonho de estar à frente de seu restaurante, após fazer uma promessa especial a Rosangela: “Ela disse ’você vai me jurar que todo mundo vai pagar a conta’”, revela. A companheira estava preocupada e não queria ver Jacquin passar pelos mesmos problemas.

“O Erick é um artista, não pode administrar nada, o negócio dele é cozinhar. Ele adora conversar, ficar no bar com os amigos. E tem amigos e amigos, né? Amigo de verdade ajuda e não atrapalha. Negócios, negócios, amigos à parte. Precisa ser certo desde o começo, porque ele já teve uma experiência ruim no primeiro restaurante”, justifica.

Ao que parece, Jacquin não só superou a falência, acertou a vida financeira e retomou o sucesso, como também diversificou os negócios e se apaixonou ainda mais pelo ofício. Desde 2019, retomou o próprio sonho e, hoje, é sócio de cinco restaurantes e presta consultoria para outros dois, além dos programas na Band e em seu canal no YouTube. “Não dá para desistir. Eu me reergui, busquei ajuda e recomecei. Hoje, tenho o que tenho porque recomecei. Então, a dica é essa: o empresário não pode desistir”, finaliza.

Você acompanha algum programa com Jacquin? Acha que o chef é bravo ou engraçado? Na sua opinião, qual é a maior qualidade que um empreendedor deve ter? Deixe seu relato nos comentários.

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