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14 Fatos mostram que Madagascar é um universo à parte (lá, até os ratos saltam a um metro de altura)

Às vezes, chamam Madagascar de terra dos lêmures. Aliás, aos primeiros europeus que vieram para a ilha, esses animais com olhos luminosos pareciam aterrorizantes. Ao observar sua vida noturna e seus movimentos lentos, o cientista Carlos Linneo recordou as lendas da antiga Roma sobre as almas sem paz de mortos e nomeou os animais em sua honra: lêmures. Hoje queremos falar sobre outras coisas misteriosas que existem em Madagascar.

Incrível.club está convencido de que esta ilha, ainda não totalmente explorada, é um verdadeiro tesouro para os buscadores de milagres. Aqui, as aranhas tecem uma rede dourada da qual um tecido pode ser feito, os feiticeiros controlam os destinos das pessoas e as surpresas da natureza apresentam incrível contraste e variedade.

Fato 1: Madagascar separou-se da Índia, não da África

Há 135 milhões de anos, o supercontinente de Gondwana foi dividido, separando da América do Sul e da África uma parte que inclui a Índia, Madagascar e a Antártida. E cerca de 88 milhões de anos atrás, Madagascar se separou da Índia. Graças ao longo isolamento, a flora e a fauna desta ilha são completamente únicas.

Fato 2: na cultura de Madagascar há um pouco da França e um pouco do Oriente Médio

O povoamento da ilha começou aproximadamente entre os anos de 200 a.C. e 500 d.C. As pessoas chegavam a Madagascar em caiaques das Ilhas da Grande Sonda e particularmente da Ilha de Bornéu. Os novos habitantes cortaram e queimaram grandes áreas de florestas tropicais para o cultivo de plantas comestíveis.

Entre os séculos VII e IX, os comerciantes árabes apareceram na ilha. Parte da população adotou o islamismo, a escrita e outros elementos de sua cultura. Algumas tribos não comem carne de porco, como os muçulmanos.

Entre os séculos X e XI, migrantes da África, que falavam línguas bantas, e mercadores da Índia chegaram ao território de Madagascar. Foi graças a este último grupo que as vacas locais (zebu) e o arroz apareceram na ilha.

Mais tarde, os austronésios chegaram à região, que também chamou a atenção dos piratas europeus, e os franceses transformaram-na em colônia. Destes últimos, a população local herdou o amor por baguetes e baunilha.

Fato 3: aqui, as baratas assobiam, os ratos saltam quase um metro de altura e até os ouriços são diferentes

Cerca de 90% de todas as espécies de plantas e animais de Madagascar são encontrados apenas nesta ilha. Por causa disso, alguns ambientalistas chamam o local de oitavo continente. Alguns animais realmente se parecem com criaturas de outro planeta. Aqui há bichos tão estranhos quanto os tenrecs e criaturas assustadoras como o aie-aie, que com seu longo dedo médio arranca insetos da casca das árvores e, com ele mesmo, arruma a pelagem.

Daubentonia madagascariensis (aie-aie)

Aqui, não são apenas as cobras que silvam, mas também as enormes baratas. E ratos gigantes, com até 33 cm de comprimento, podem saltar a uma altura de 91 cm.

Há ainda aranhas de seda dourada, cujas fêmeas atingem cerca de 12 cm com as pernas estendidas. A existência desta espécie não era conhecida até o ano 2000. As fêmeas das aranhas de seda dourada tecem uma rede de teias douradas com mais de 1 m de comprimento. Esta estrutura é bastante forte, por isso até foi possível produzir um tecido dourado de 3 m de comprimento, que está guardado num museu.

Fato 4: em vez de usar cremes e máscaras, as mulheres pintam os rostos

Algumas das moradoras de Madagascar colocam em seus rostos alguns desenhos coloridos com tinta branca e amarela. Esta pintura é feita a partir da casca esmagada de árvores e não tem apenas fins decorativos. Sua finalidade é proteger a pele do sol e de insetos, principalmente mosquitos. Acredita-se também que esta tinta melhora a condição da pele, servindo como um análogo das máscaras ou cremes para o rosto.

Fato 5: na ilha não há hipopótamos, tigres nem girafas

Aqui há corujas vermelhas, iguanas, jiboias, muitos tipos de camaleões e lêmures e outros animais raros. Mas não há pinguins, leões, hipopótamos, zebras ou girafas. Você também não encontrará elefantes, hienas, antílopes, rinocerontes, búfalos, macacos ou camelos.

A ausência destes animais é explicada da mesma forma que a presença das espécies únicas: os séculos de isolamento da ilha. Os hipopótamos foram os únicos grandes mamíferos que chegaram ao local. Várias espécies foram derivadas deles, mas se tornaram extintas há muito tempo.

Sifaka, uma das espécies de lêmures que vivem em Madagascar.

Fato 6: os habitantes de Madagascar dançam com os mortos

Algumas das tribos dos malgaxes (a principal população de Madagascar) têm uma estranha tradição. Uma vez a cada 5 ou 7 anos, eles tiram seus parentes mortos das criptas, colocam uma nova mortalha e dançam com eles. A tradição, chamada Famadihana, ou o retorno da morte”, baseia-se na crença de que os espíritos dos ancestrais se unirão ao mundo deles após a completa decomposição do corpo e das cerimônias correspondentes.

Para realizar o rito, os membros da família de todo o país se reúnem. Durante o tempo da Famadihana, os malgaxes se divertem e fazem oferendas aos mortos: álcool ou dinheiro.

Fato 7: todas as decisões são tomadas apenas depois da aprovação dos feiticeiros

Para a escolha do dia do casamento, o início da construção de uma casa e qualquer outro evento vital, os malgaxes recorrem a um feiticeiro: o ombiasy. Também é ele quem ajuda a determinar se um casal é compatível e se a situação pode mudar, realizando o ritual necessário. Os ombiasy também são curandeiros, conhecem as propriedades das plantas e sabem como cuidar dos doentes.

Para o ritual de adivinhação, os feiticeiros usam grãos de milho ou sementes de frutas. Eles também vendem talismãs de vegetais secos, dentes de animais ou contas de vidro.

Fato 8: a ilha tem um lago morto e um bosque de pedra

As paisagens de Madagascar são diversas e mudam a cada passo. Ali você pode andar pela selva e ver baobás de troncos enormes. Em alguns lugares, devido à presença de laterita, o solo adquire um tom vermelho. Por essa razão, Madagascar também é chamada de Grande Ilha Vermelha.

Na ilha também se encontra o Lago Tritriva. Dizem que ele está “morto”, já que nenhum ser vivo o habita. Acredita-se que não se pode atravessá-lo. Mas, na realidade, tudo é bastante prosaico: o lago contém enxofre, cujos vapores são perigosos para os seres humanos.

E na ilha vizinha, Nosy Be, às margens do Oceano Índico, tem-se uma vista verdadeiramente celestial: uma praia de areia branca e palmeiras.

Um dos lugares mais impressionantes em Madagascar é a floresta de pedras de Tsingy de Bemaraha. A maior parte é intransponível para uma pessoa sem equipamento especial, portanto essas rochas ainda não foram totalmente exploradas. Tsingy de Bemaraha é um lugar habitado: há muita vegetação e animais únicos.

Fato 9: o nascimento de gêmeos é considerado uma desgraça e um ato de bruxaria

Os habitantes de Madagascar usam a palavra “fady” para indicar um tabu sobre alguma ação, comportamento ou coisa (animal, objeto natural, etc.) que é considerado sagrado. Os malgaxes não se lembram a que se deve o surgimento de muitos “fadys”, mas honram a tradição.

Curiosamente, o “fady” é diferente nas várias tribos de Madagascar. Inclusive uma mesma família pode ter seus próprios e diferentes “fady”. Entre eles há alguns razoáveis, como não nadar num lago com crocodilos, e outros estranhos, como o “fady” para receber ajuda médica.

E no sudeste da ilha vivem algumas tribos em que as mulheres não podem ficar com seus gêmeos recém-nascidos. Os habitantes veem neles algo como um ato de feitiçaria e um presságio de má sorte. Portanto, os bebês deviam ser abandonados na floresta. Se uma mulher não se livrasse das crianças, ela era expulsa da aldeia. Hoje, essa prática é proibida, embora algumas comunidades tradicionais ainda não cumpram a interdição.

Há também alguns “fady” que os viajantes devem respeitar. Por exemplo, não é recomendado apontar o dedo para as sepulturas dos antepassados. Eles só podem ser apontados com um punho ou com a palma da mão.

Fato 10: algumas tribos têm um sistema de castas

O povo antemoro produz papel da mesma forma que muitos séculos atrás.

A população de Madagascar é muito heterogênea. Existem 18 grupos étnicos na ilha. Todos têm seu próprio dialeto e suas próprias tradições, vestimentas nacionais e crenças.

O ritual de Famadihana, descrito acima, é característico das tribos Merina e Betsileo, enquanto outras têm seus próprios rituais. Por exemplo, o grupo étnico Antandroy tem uma tradição muito menos sombria, mas ao mesmo tempo radical: após a morte de uma pessoa, os habitantes comem todo o seu gado e queimam a sua casa. É assim que eles protegem sua tribo da perseguição dos espíritos de seus ancestrais.

No grupo étnico antemoro, que é muçulmano de origem árabe, existe um sistema de castas. As pessoas antemoro ainda se dedicam à produção de papel feito à mão com a casca das amoreiras. Uma fábrica pode ser visitada gratuitamente e é permitida a participação no processo de produção das folhas.

Fato 11: muitos não têm dinheiro nem para comprar um jornal

Madagascar está entre os países mais pobres do mundo. Em média, os malgaxes ganham cerca de 1 dólar por dia. Aproximadamente 70% das pessoas sofrem de desnutrição. É claro que, com esse nível de renda, até comprar um jornal é um luxo inatingível. Ao mesmo tempo, muitas vezes as pessoas gastam mais dinheiro nos túmulos do que em suas próprias casas, construindo-os de pedra e adicionando ornamentos. Isto se deve ao fato do povo malgaxe ter um forte culto aos ancestrais.

Fato 12: Madagascar tem seu próprio rodeio

Para a maioria dos habitantes da ilha, o boi zebu é um animal sagrado. Não é usado apenas na vida cotidiana, mas também em muitos rituais e celebrações importantes. Os jovens da tribo Bara, antes de pedir uma jovem em casamento, tradicionalmente demonstram sua habilidade e coragem roubando um zebu. Agora, isso geralmente se torna uma séria fonte de conflito.

Porém, uma versão muito mais efetiva de coragem, destreza e força dos jovens é a do rodeio de Madagascar: o savika. Agarrando as mãos à corcunda do zebu, o jovem tenta ficar o maior tempo possível montado no animal enfurecido.

Fato 13: em Madagascar come-se mais arroz que na China

Um malgaxe separa os grãos da planta.

A piada “Vivemos bem até os chineses se darem conta de que o arroz é apenas uma guarnição” não é um verdadeiro reflexo da realidade. A verdade é que os malgaxes consomem muito mais arroz do que os chineses: 120 kg por ano contra 77.

Na ilha, este produto é consumido em todas as refeições. Para o malgaxe, equivalente ao pão. E mesmo que o arroz esteja muito queimado, é usado para fazer ranovola: água de arroz, que é bebida durante o almoço ou jantar.

O valor deste alimento também se reflete na linguagem: “convidar para jantar” na língua malgaxe soa como “convidar para comer arroz”.

Os malgaxes socam o arroz para separar a casca.

Fato 14: na ilha a permuta foi preservada

A tribo Mikea, que vive no sudoeste da ilha, ainda tem um estilo de vida nômade. Devido ao fato de seus representantes evitarem estrangeiros e outros malgaxes, muitos duvidam da existência da tribo. Parte dela está misturada com outras tribos locais com um estilo de vida mais fixo. Eles colocam ao longo do caminho potes de mel e outros bens para trocar. Se você viaja por Madagascar e quer levar alguma coisa consigo, pode pegar o que gostou e, em troca, deixar algo de sua preferência, por exemplo, arroz, tabaco, ferramentas ou rum.

Estas tranças, tecidas de uma planta local, são usadas no país no lugar do tabaco.

Bônus

Em 1998, safiras foram encontradas na ilha pela primeira vez. Desde então, os moradores têm procurado por elas em minas e rios. Para alguns, a busca por pedras é a única fonte de renda.

O que você achou mais surpreendente ou chocante? Que outros ritos populares e estranhos você já ouviu? Compartilhe suas impressões com a gente.

Imagem de capa We travel in / Youtube