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19 Histórias da infância que explicam melhor do que psicólogos de onde surgiram nossos complexos

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Como disse o escritor francês Antoine Saint-Exupéry, “as crianças têm de ter muita tolerância com os adultos”. Do que você se lembra de quando era pequeno? De total liberdade e brincadeiras ou de um regime estrito de educação? De uma forma ou outra, as marcas do passado podem ficar na nossa cabeça — e no coração — por anos a fio. Algumas vezes, a escolha de determinadas palavras ou a falta de apoio no momento certo podem ser o motivo de muitos traumas da infância.

Nós, do Incrível.club, encontramos alguns usuários que contaram quais foram as atitudes de seus pais que mais deixaram uma lembrança negativa na memória deles. Vamos compartilhar abaixo os depoimentos. Confira!

Punições injustas

1. Como você se chama?
2. Seu apelido
3. Quantos anos?
4. Quem quer ser quando crescer?
5. Banda favorita
6. Filme favorito
7. Qual o Pokémon mais legal?
8. Comida preferida
9. O que levaria para uma ilha deserta?
10. O que mais quer da vida?
11. Cor preferida
12. Faça um desenho de si mesmo

1. Misha Ivanov
2. Avelã
3. 11
4. DJ
5. Discoteca Avaria
6. De Volta pro Futuro
7. Drowzee
8. Pizza
9. Banquete
10. Yana e Playstation
11. Preto, branco

Eu era a única canhota da minha sala e não conseguia escrever rápido. Uma vez tivemos de fazer separação silábica das palavras. Depois de algum tempo, meu cérebro decidiu que não podia mais acompanhar o ritmo. Por isso, resolvi escrever o resto das palavras em outro lugar para rever depois em casa. Peguei um outro caderno — que continha algumas perguntas bobas para meus colegas de classe — e comecei a escrever nele. Quando notou, a professora se aproximou da minha carteira e me deu a primeira nota insatisfatória da minha vida. Na frente de todos. O motivo? Achava que eu não estava prestando atenção na aula.

Fiquei tão chateada com aquela injustiça que comecei a chorar como uma cachoeira. Após o término da aula, corri para casa esperando que meus pais fossem me apoiar. Quando minha mãe viu o caderno, no entanto, começou a rasgá-lo em pedaços na minha frente. Cada folha. Junto das folhas, foi embora o desejo de compartilhar meus sentimentos e emoções com ela. © aleksa80711 / Pikabu

Chacota desnecessária

Amor sufocante

Minha mãe largou tudo para cuidar de mim e do meu irmão. Sempre muito devota e amorosa, abandonou o trabalho para ficar em casa desde o momento que eu nasci até o dia em que me mudei — aos 20 anos. Ela sentia todas as minhas tristezas e frustrações como se fizessem parte dela, pois não tinha outros interesses na vida além dos filhos. A pressão e superproteção excessivos faziam eu me sentir deprimido e encurralado. E, consequentemente, meu estado psicológico a deixava ainda pior. Tudo terminava em lágrimas após cada conversa. Isso aconteceu por cinco anos, até eu entrar para o exército. Hoje, sinto que sou uma pessoa ruim, alguém que não deu valor ao amor — incondicional — que a minha mãe tinha por mim. © DBianco87 / Reddit

Quebra de expectativas

Meus pais se divorciaram quando eu era pequena e, cada um, depois, criou a própria família. Fiquei com meu pai, mas via minha mãe de vez em quando. Por conta da situação, minha infância foi marcada por infinitas promessas, que minha mãe não cumpria. Dizia que me buscaria no dia seguinte e me ignorava depois. Lembro-me de uma história mais vividamente. Tinha cinco anos e meu pai me acordou mais cedo naquele dia: me colocou em um lindo vestido e fez um penteado bonito para uma pequena sessão de fotos com minha nova boneca da pequena sereia.

Estava ainda mais animada ao saber que minha mãe viria me ver. Fiquei na janela esperando o carro dela chegar. Minha madrasta disse que eu precisava descansar, mas respondi que só sairia dali depois que a minha mãe chegasse. Depois de muito tempo, me disseram que provavelmente ela não viria mais. E realmente não apareceu. Meu coração se partiu depois daquele dia e nunca mais foi o mesmo. Sempre tentem manter as promessas que fazem aos seus filhos. © HolidayArmadilluhoh / Reddit

Não levar a sério

Interferir na vida privada

Quando eu era pequena, mantinha um diário pessoal. Meu pai tinha uma terrível mania: abrir meu diário e ler em voz alta o que estava escrito. Para todos em volta. Eu tentava pegar de volta, mas ele o levantava o mais alto possível para que eu não conseguisse alcançá-lo nem pulando. Também tinha um outro caderno que ficava fechado no cadeado. Ele adorava entrar no meu quarto para procurar a chave. Achava engraçado. Eu, por outro lado, me sentia constantemente desconfortável. Por fim, deixei de manter diários. Depois de anos, quando disse isso ao meu pai, a resposta dele foi: não me lembro. Aparentemente, para ele era algo sem importância. © Airaniel / Reddit

Não estar ao lado quando mais se precisa

Tinha 10-12 anos e estudava à tarde. Havia um grupo de ciganos morando perto da minha escola. Um belo dia, eles se aglomeraram na entrada nos esperando sair. Ficamos todos muito assustados. Eu e minha amiga permanecemos dentro até que saíssem de lá.

Lembrei que minha mãe estaria de folga naquele dia e liguei para ela ir me buscar. Duas horas depois, nada. Quando escureceu, os ciganos resolveram ir embora, e pude sair. Assim que entrei em casa, vi minha mãe sentada na mesa tomando café e conversando com meu irmão mais velho como se nada tivesse acontecido. Ela nem deve ter considerado ir me buscar. Talvez, por isso, hoje eu tenha tanta dificuldade de confiar nos outros. © Anviko / Pikabu

Não respeitar os segredos infantis

Adultos deviam ser mais prudentes

Minha tia costumava me dar “recompensas” — doces e balas — sempre que ia ao mercado fazer compras para ela. Os presentes não eram tão importantes, mas sim o fato de que ela confiava em mim o suficiente. Uma vez, no entanto, me pediram para ir comprar um quilo de balas de chocolate — bastante caras, por sinal. Meu tio me convenceu de comer algumas pelo caminho, pois, depois, seria recompensado de qualquer forma. E fiz isso. Apenas três ou quatro.

Quando cheguei em casa, meu tio comentou: “Vamos dar uma olhada nessa sacola para saber se ele foi olho grande”. Minha tia ficou intrigada e foi olhar. Me acusaram de “comer escondido” e, mesmo explicando que havia sido ideia do meu tio, continuaram me culpando e me chamando de mentiroso. Tinha 10 anos na época. Hoje, tenho 45. Até agora me sinto mal lembrando desse episódio. © Duba1972 / Pikabu

Quando os pais têm um preferido

Meu pai se divorciou da minha mãe e se casou com outra mulher. Depois, tiveram dois filhos. Por isso, tenho dois meios-irmãos. Quando tinha 14 anos, eu e minha irmã fomos convidadas para passar o Natal com a família do meu pai. Havia uma árvore enorme e muitos presentes no chão. Passamos a noite vendo como meu pai, a mulher dele e os dois filhos abriam os maiores e melhores presentes. Eu e minha irmã ganhamos um suéter cada e um cartão de felicitações.

Aquele momento não me incomodou pelos presentes. Foi mais a falta de esforço e zelo para que nos sentíssemos parte daquela família. Minha irmã e eu — até hoje — lembramos da sensação que é quando seu pai não dá tanta importância ao seu crescimento e foca toda a atenção dele nos outros filhos. © TonkaButt / Reddit

Liberdade condicional

Responsabilidade por atitudes alheias

Fomos coletar frutas na floresta: eu, que devia ter uns cinco anos, meus pais e meu primo. Este comia as frutinhas assim que as pegava. Eu as guardava num pote para comer depois em casa. E o tempo todo meu primo tentava pegar as frutas do meu pote, mas eu não deixava.

Bom, terminamos o passeio e entramos no carro para ir embora. Novamente, ele tentou pegar as frutas do meu pote e não aguentei — dei um tapa na cabeça dele. Meu pai, então, pegou meu pote e disse que eu não iria comer mais nada. Até hoje não sei quem comeu aquelas frutas. Já se passaram 20 anos, mas lembro dessa situação como se fosse ontem. O sentimento de injustiça ainda remói na minha cabeça vividamente. © Korellian / Pikabu

Os outros precisam mais

Em 2001, eu e minha irmã fomos a uma colônia de férias. Passei a maior parte do tempo na biblioteca, pois adorava ler. Depois, a bibliotecária resolveu presentear o “melhor leitor”. E, assim, meu sonho se tornou realidade — ganhei um telefone de brinquedo, que sempre quis ter. Estava me sentindo a estrela do grupo e, depois de voltar pra casa, me sentia a criança mais especial do bairro. Certa vez fui passear com minha amiga e deixei o meu tesouro em casa, ao lado da caixa de música.

Mal podia esperar voltar pra casa para brincar mais com meu telefone novo. Ele era especial para mim porque não era apenas um presente — foi mérito meu ganhá-lo. Bom, quando voltei, o brinquedo não estava mais lá. Corri para perguntar a minha mãe o que havia acontecido, e ela respondeu: “Ah, sua tia veio aqui hoje com seu priminho e ele adorou o seu brinquedo, por isso deixei eles o levarem”.

Nunca levantei a voz para meus pais. Até aquele momento. Fiquei tão chateada e arrasada que meus pais se assustaram. Depois fui à casa da minha tia, mas meu priminho já tinha quebrado o telefone. Nem recebi um pedido de desculpas. Essa foi minha primeira decepção com as pessoas. © Lozbenidze / Pikabu

Incentivar desconfiança

Quando a grama do vizinho é sempre mais verde

Eu era muito pequena. Sempre que passava um determinado comercial na TV, minha mãe começava a falar de como aquela atriz tinha uma “beleza estonteante”. Cada vez elogiava a aparência daquela estrela de Hollywood. Uma vez, não aguentei mais e disse tudo o que pensava: que aquela artista não era assim tão bonita e ainda tinha um rosto um pouco estranho.

Foi aí que minha mãe respondeu: “Ela é mais bonita do que você jamais será”. Até hoje lembro daquele tom frio e desagradável das palavras que saíram da boca dela. Ela queria me magoar e conseguiu ir fundo. Aquela frase nunca mais saiu da minha memória. Não tínhamos uma boa relação na época, mas não consigo imaginar dizer tal coisa para um filho — que ele nunca será bonito como algum ator qualquer da TV. © La_Vikinga / Reddit

Sonhos arruinados

Quando estava no 2º ano da escola, tive vontade de aprender a tocar violino. Minha professora de música disse que eu tinha muito potencial, mas meu pai não achou necessário comprar um instrumento. No dia seguinte, falei para a professora que não faria mais as aulas e ela foi totalmente contra. Tentou convencer minha mãe a me dar uma chance. Por fim, a professora me deu um violino e um arco — de graça — e disse aos meus pais que só faltava comprar um case para ter onde guardá-lo. Não compraram. Eu ia às aulas enrolando o instrumento em um pano e o colocava dentro de uma sacola de mercado. Terrível, eu sei...

Ninguém acreditou em mim, apesar dos esforços da professora. Meu pai, então, resolveu avaliar o que eu estava aprendendo e pediu para fazermos um “concerto” em casa. Não gostou do resultado e disse que eu não tinha qualquer talento. Chorei muito. Tinha apenas 8 anos. Depois, no entanto, aconteceu algo pelo que nunca vou perdoar meus pais. Fomos ao aniversário da minha tia, que não parava de elogiar a filha, 9 anos, pelas conquistas obtidas nas aulas de piano. Minha mãe mencionou a minha experiência com música, e minha tia respondeu: “Violino para quê? Sabemos que ela vai se tornar no máximo uma empregada!” Tenho ódio dessa mulher. Desde então, deixei a música de lado. © Екатерина / “Яндекс. Дзен”

Meninos grandes não choram

Baixa autoestima

Meus pais sempre foram muito bonitos: genética e estilo de vida saudável. Meu pai fazia esportes, gostava de turismo e sempre viajava por conta da profissão — ele é geólogo. Minha mãe é uma daquelas feiticeiras que comem sempre, mas não engordam. E eu? Sempre fui a “cheinha” da sala de aula. Quando tive uma úlcera no estômago, ganhei ainda mais peso. Foi aí que o inferno começou. Minha mãe dizia que eu estava gorda demais, e meu pai concordava. Cada quilo que perdia — com muito suor — vinha acompanhado de comentários da minha mãe, como: “falta muito ainda pela frente”.

A escolha da roupa era sempre uma humilhação. Também comentavam sobre minha aparência: “Você não pode usar franja, seu rosto é igual ao de um hamster”. Hoje tenho bulimia. Tenho vergonha de cada colherada de comida que ponho na boca, mas isso não me impede de sentir fome. Na verdade, nunca me sinto satisfeita e como até colocar tudo pra fora depois. Tenho certeza que minha vida seria diferente se meus pais tivessem me apoiado. © berenfang / Pikabu

Emoções reprimidas

Meu pai me dizia que lágrimas eram sinônimo de fraqueza. Quando me chateava com alguma coisa e chorava, ele ficava enfurecido, o que me fazia chorar ainda mais. No Ensino Médio, comecei a ter problemas com ansiedade e fui me consultar com o psicólogo da escola. Quando meu pai descobriu, me chamou de “rainha do drama”. Hoje, aos 21 anos, não consigo demonstrar minhas emoções por conta da forma como ele agia comigo. © potatobug25 / Reddit

Você tem lembranças da infância que ainda não saíram da sua cabeça? Comente!

Imagem de capa berenfang / Pikabu
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