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14 Figurinos de filmes que foram tão cuidadosamente pensados quanto os diálogos dos personagens

Em média, de nove a 20 mil dólares são alocados para os figurinos de um filme. No entanto, muitas vezes, essa quantia não é suficiente para as necessidades dos figurinistas, que precisam recorrer a alguns truques para criar os trajes que irão transmitir a personalidade dos protagonistas e ficarão na memória do público.

Nós, do Incrível.club, sempre observamos com muito interesse as roupas dos heróis nos filmes. Às vezes são tão impressionantes que incitam nossa curiosidade em saber como essas maravilhas foram criadas. E hoje revelaremos os segredos da criação dos figurinos de 14 produções famosas.

Instinto Selvagem, 1992

  • Figurinistas: Nino Cerruti e Ellen Mirojnick.

Catherine Tramell, interpretada por Sharon Stone, é uma verdadeira mulher fatal (femme fatale). Mas ela não se parece com uma vamp, e sim com uma loira clássica dos filmes de Alfred Hitchcock. Os figurinistas optaram por tons neutros nas roupas e não vestiram a heroína com trajes reveladores. No início do filme Catherine até usa um cardigan bege de lã.

Preste atenção no vestido da cena do interrogatório: devido à cor clara e à gola alta, o vestido não tem um visual provocante, o espectador já entende que a Miss Tramell só parece ser boazinha, mas é uma manipuladora que consegue se disfarçar bem com suas roupas.

Atômica, 2017

  • Figurinista: Cindy Evans.

Esse filme de ação e espionagem está imbuído da atmosfera da Alemanha do final dos anos 80, e as roupas da heroína foram bem importantes na contextualização. Cindy Evans estudou fotografias antigas e tentou preservar a estética “noir” preto e branco da história, na qual o filme foi inspirado.

Por isso, a protagonista prefere roupas em tons preto e branco. Ela personifica a moda atemporal e se destaca das demais personagens. A propósito, ela usa roupas, ainda que apropriadas, muito caras: Max Mara, Dior, Yves Saint Laurent, John Galliano.

Charlize Theron, que atuou no papel principal e brilhou com esses looks retrôs, também realizou acrobacias complexas. Felizmente, um casaco com ombro baixo não atrapalhou os movimentos da atriz, mas os suéteres precisaram ser presos às saias para que as roupas não caíssem nas cenas de luta.

O Turista, 2010

  • Figurinista: Colleen Atwood.

Colleen combinou as modas vintage e moderna para criar um mundo de elegância atemporal. Portanto, no filme não há roupas pretensiosas ou de cores intensas e predominam os tons neutros e a simplicidade elegante.

É assim que a heroína Elise se veste: de forma elegante e chique. O fato de guardar muitos segredos, não é sugerido pelos looks, mas por detalhes como luvas, batom vermelho ou fita na cintura. Pormenores como esses revelam ao espectador que Elise é, além de uma mulher linda com um gosto impecável, detentora de uma personalidade misteriosa.

O Conto dos Contos, 2015

  • Figurinista: Massimo Parrini.

designer fez um trabalho incrível, criando roupas para todos os personagens, desde os camponeses, que apareceram por alguns segundos, até os monarcas, que vemos na tela o tempo todo. E a tarefa foi difícil, pois os trajes deveriam parecer históricos e, simultaneamente, fantasiosos.

As roupas da Rainha, interpretada por Salma Hayek, merecem uma atenção especial. No início do filme ela usa vestidos escuros que expressam seus pensamentos pesados, mas ao dar à luz o seu filho tão esperado, ela aparece com um vestido preto, com detalhes em vermelho. Segundo a ideia do figurinista, o traje deveria mostrar aos espectadores a felicidade da Rainha. A propósito, nesse vestido foram usadas rendas, bordados e botões originais do século XVIII​​.

A Família Addams, 1991

  • Figurinista: Ruth Myers.

Ruth refletiu e decidiu: os Addams deveriam parecer aristocratas de verdade. Assim, a mãe da família, Mortícia, troca de roupa três vezes ao dia: de manhã está com um vestido discreto, na hora do almoço — um pouco mais exótico, no fim do dia — o mais extravagante. O traje da noite é decorado com rendas e pedras semipreciosas pretas. O figurino mais chique é uma capa com capuz, inspirada no manto real da era Eduardiana.

Ruth também queria que Mortícia se movesse como uma criatura de outro mundo. Os espartilhos ajudaram a conseguir um efeito semelhante e alongaram a silhueta da personagem.

Uma Linda Mulher, 1990

  • Figurinista: Marilyn Vance.

Para perceber a evolução da personalidade Vivian, é preciso ver seus primeiros quatro looks: um macacão com botas altas, um vestido coquetel preto, um de bolinhas e um elegante traje branco. A heroína durante o filme começa a entender que o princípio “menos é mais” é válido para um guarda-roupa de bom gosto.

Ao criar o primeiro look da protagonista, Vance se inspirou nos maiôs com anel de metal, populares nos anos 70. Esse figurino ajudou a formar um corpo curvilíneo que Julia Roberts não tem, mas que sua heroína precisava. As botas para esse traje foram encontradas em uma boutique punk de Londres, e a famosa boina veio do acervo da figurinista.

Cassino, 1995

  • Figurinistas: John Dunn e Rita Ryack.

Em um dos melhores filmes de Martin Scorsese, as roupas são importantes, e temos de admitir que não se gastou um milhão de dólares em vão nelas. O mais trabalhoso foi a criação do guarda-roupa de Sharon Stone, que interpreta Ginger, uma mulher ávida por luxo e glamour. Ao longo do filme, ela exibe 40 looks diferentes que contam a evolução social da heroína.

No início do filme, os looks de Ginger são uma mistura de joias, vestidos brilhantes e casacos de pele caros. Não surpreende que, no primeiro encontro, ela literalmente conquiste o gângster interpretado por Robert De Niro.

E o Vento Levou, 1939

  • Figurinista: Walter Plunkett.

O filme engloba um período bastante longo de 15 anos, por isso foi realizado um grande trabalho nos figurinos. Plunkett estudava materiais históricos, envelhecia tecidos e até fez uma viagem para conseguir espinhos, usados como agulhas na época de Scarlett O’Hara.

Para o lendário vestido de Scarlett feito de cortinas, o figurinista teve de comprar dois tipos de veludo verde e mantê-los ao sol por muito tempo para o tecido desbotar. Plunkett trabalhou bastante no corte, e até deixou de lado suas habilidades de costura para que o público acreditasse que o traje foi feito em uma noite.

A propósito, o fato de a heroína costurar um vestido usando cortinas é historicamente correto, pois, na época, era praticamente impossível comprar tecido, levando as mulheres a recorrer a vários truques para atualizar o guarda-roupa.

Caça aos Gângsteres, 2013

  • Figurinista: Mary Zophres.

Os homens nesse filme usam blazers de ombros largos, camisas de seda, gravatas curtas e chapéus de abas largas — era assim que os bandidos se vestiam nos anos 40. Para criar essas roupas historicamente verdadeiras, Mary Zophres fez muitas pesquisas.

Entre os homens severos, destaca-se Emma Stone, que em uma das cenas aparece usando um maravilhoso vestido vermelho. Seu look, inspirado no icônico vestido de Rita Hayworth, deveria representar o glamour dos anos 40, mas a figura de Emma não correspondia aos cânones da beleza feminina da época. Por isso, o traje foi costurado em várias camadas, a cintura estreita da atriz foi “moldada” com a ajuda de um cinto, e o destaque foi deslocado para a fenda do vestido.

Pôster do filme com Emma Stone.

007 — O Mundo Não é o Bastante, 1999

  • Figurinista: Lindy Hemming.

Os figurinistas que trabalharam nos filmes de James Bond primeiramente liam o roteiro, depois estudavam as tendências da moda e discutiam as roupas com o diretor. Como resultado, no filme os figurinos não só parecem relevantes, como revelam as múltiplas personalidades dos heróis.

O deslumbrante vestido vermelho de Elektra King representa sua raiva, enquanto a capa de seda mostra seu alto status social. Ao mesmo tempo, essa cor distrai a atenção e cria a ilusão de que Elektra é, sobretudo, uma mulher linda e não uma oponente perigosa para Bond.

A propósito, esse vestido com espartilho e bordados intrincados foi totalmente feito à mão. A roupa ainda participou da exposição Designing 007: 50 Years of Bond Style.

Amor à Flor da Pele, 2000

  • Figurinista: William Chang.

O diretor do filme decidiu focar nos sentimentos dos personagens e não mostrar como o mundo ao redor deles estava mudando. Portanto, todas as mudanças que vemos na tela são reveladas apenas nos figurinos de Su e Chow.

Os trajes dos protagonistas mostram como eles desejam parecer para as outras pessoas. Mas, gradualmente, os vestidos de Su começam a transmitir seu humor, e Chow “se ajusta” ao estilo de sua amada. Há uma verdadeira química entre Su e seus vestidos, e os looks da heroína até inspiraram estilistas famosos, como Roberto Cavalli.

Coco Antes de Chanel, 2009

  • Figurinista: Catherine Leterrier.

Para recriar o estilo da célebre Coco, Leterrier estudou arquivos de fotos, foi a museus e procurou os tecidos certos nos mercados de antiguidade. A figurinista alterou as roupas masculinas antigas e fez vestidos com tudo que estivesse ao seu alcance. Assim, os espectadores viram como era a jovem Coco: brilhante, talentosa, pretensiosa e muito pobre.

O inconformismo da heroína também se manifesta em suas roupas. Quando outras estilistas parecem femininas, Coco se veste em um estilo masculino e usa roupas largas. Se as mulheres usam cores vivas, Coco escolhe roupas escuras. Graças aos trajes e ao desempenho brilhante de Audrey Tautou, a protagonista consegue o impossível — se vestir como um palhaço e ficar deslumbrante.

Dirty Dancing — Ritmo Quente, 1987

  • Figurinista: Hilary Rosenfeld.

Retratar o amadurecimento de Baby é importante no filme, e a transformação da heroína, de adolescente despreocupada em uma jovem confiante, é mostrada através da dança e das roupas, que ficam cada vez mais abertas, embora nada reveladoras. A figurinista precisou trabalhar muito para criar o figurino, no estilo dos anos 60.

Johnny tem um papel decisivo na vida de Baby. Na icônica cena de sua dança, as personalidades dos protagonistas são visíveis: Johnny, em uma jaqueta de couro e camisa preta, é definitivamente um “cara mau” e Baby, em um vestido rosa, com que muitas garotas sonhavam depois de assistir ao filme, é o retrato da verdadeira pureza.

Matrix, 1999

  • Figurinista: Kim Barrett.

As roupas dos heróis não só enfeitaram o filme, como fortaleceram sua mensagem ideológica. Pense na aparência dos personagens no mundo real: eles andam em trapos rasgados. Mas na realidade simulada têm a oportunidade de experimentar quaisquer looks.

Os diretores tinham uma exigência especial para a aparência de Trinity — eles queriam que a garota parecesse uma mancha de óleo. Ela desafia a gravidade, aparece do nada e desaparece rapidamente. Kim Barrett encontrou a solução perfeita — roupas de PVC que se encaixaram no estilo do filme e não são caras, portanto, não pesaram no orçamento.

As roupas da heroína são justas e fechadas, por isso não parecem reveladoras. Isso enfatiza o papel importante de Trinity — ela não é uma namorada típica do protagonista, mas uma lutadora em uma missão séria.

E você presta atenção em como se vestem os heróis dos filmes? Quais são as suas roupas favoritas do cinema?

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