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9 Mitos sem fundamento sobre o HIV, o vírus causador da AIDS

Recentemente, um blogueiro russo realizou um experimento social. Ele passou a se aproximar de pessoas desconhecidas na rua, dizendo: “Olá, eu tenho HIV e não sei o que fazer”. Em geral, a reação das pessoas foi bastante adequada, mas algumas pessoas se recusaram a dar a mão. Além disso, os participantes do experimento admitiram que cuidariam de uma pessoa com HIV, fosse ela uma amiga ou não.

Uma reação bem diferente daquela que seria esperada especialmente nos anos 80 e 90, quando ser diagnosticado com a doença era o equivalente a receber uma sentença de morte e tempo em que a AIDS matou famosos como o ator Rock Hudson, o cantor Freddie Mercury e Cazuza.

O Incrível.club sabe que hoje em dia existem muitos mitos pseudocientíficos, principalmente quando o assunto em questão é tão sério quanto este. Portanto, hoje queremos falar sobre algumas crenças que deveriam acabar de uma vez por todas.

Mito № 1: o HIV é detectado imediatamente após a infecção

Os métodos de diagnóstico avançaram muito nos últimos anos, mas ainda existe alguma margem de erro, principalmente nos primeiros exames. Não se trata de um erro médico, mas de uma peculiaridade do método do diagnóstico: um falso positivo em HIV pode aparecer em caso de herpes, por exemplo. Por isso é sempre fundamental realizar um segundo exame confirmatório.

Paradoxalmente, um exame negativo nem sempre significa ausência do vírus. A infecção por HIV tem um longo período de incubação: de três semanas a um ano. Nesse momento, é difícil detectar a infecção, porque há poucos anticorpos no sangue e o teste simplesmente não percebe o vírus. Essa é uma das razões que levam os médicos a recomendarem um teste de HIV por ano. Essa maneira preventiva de se comportar permite identificar o vírus em seu estado inicial e começar o tratamento assim que possível, o que aumenta as probabilidade de que a pessoa tenha uma vida mais saudável.

Mito № 2: uma mulher que testa positivo para o vírus HIV dará à luz uma criança soropositiva

Atualmente, a planificação familiar em um casal soropositivo não é rara. O período de gestação e o processo do nascimento apresentam algumas dificuldades: é necessário tomar os medicamentos antirretrovirais, dizer ’adeus’ ao parto natural e renunciar à amamentação. Ao cumprir todas essas medidas de segurança e prevenção, o risco de infecção é inferior a 1%.

Contudo, excluir completamente a possibilidade de contágio ainda é impossível. De qualquer maneira, se as medidas não forem seguidas, a criança ainda pode nascer sem o vírus, mas a probabilidade de contágio aumenta em 50%. É possível verificar se o bebê é soropositivo a partir de um ano e meio de vida; no começo de sua vida, os anticorpos da mãe ainda estão no sangue dele, e o teste de HIV sempre dá positivo.

Mito № 3: se um mosquito picar uma pessoa com HIV e depois picar outra pessoa, ela é infectada com o vírus

Desde o descobrimento do vírus HIV nunca houve um caso sequer de infecção através de uma picada de inseto. Existem várias razões que explicam e confirmam essa informação. Em primeiro lugar, no ferrão do mosquito há uma válvula que permite que o sangue passe em apenas uma direção (para dentro do inseto). No momento da picada, o mosquito injeta na pele da pessoa não o sangue da vítima anterior, mas uma espécie de líquido anestésico. Em segundo lugar, no organismo do mosquito o vírus não pode sobreviver, o que significa que eles não são portadores da doença.

Este mito é semelhante às crenças sobre a infecção por meio de beijos, toalhas compartilhadas, escovas de dente e outros artigos pessoais. Através do tato, da saliva e da picada de insetos o HIV não pode ser transmitido.

Mito № 4: as pessoas infectadas com HIV contagiam todas as pessoas com quem mantêm relações sexuais

Mais ou menos 80% das pessoas infectadas com HIV tomam a medicação corretamente e aproximadamente a metade delas vive com o vírus indetectável, segundo as estatísticas. O vírus indetectável significa que a quantidade de HIV no sangue é tão baixa que nem mesmo um teste é capaz de detectar. Isso não é uma vitória em relação à doença, já que a partir do momento em que a medicação é interrompida, o número de células infectadas volta a subir.

As pessoas soropositivas e com carga viral indetectável não podem contagiar outras pessoas, nem mesmo aquelas com quem mantêm relação sexual. Contudo, mesmo nesses casos os médicos recomendam proteção. A razão é simples: a quantidade de vírus pode aumentar e o paciente pode saber apenas após os exames, que faz frequentemente.

Mito № 5: HIV e AIDS são a mesma coisa

AIDS significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. É o estágio final da doença provocada pelo HIV, um vírus que causa graves danos ao sistema imunológico. O HIV é o vírus que infecta as células do sistema imunológico. Se há muitas células infectadas, a pessoa é diagosticada com AIDS. Isso acontece após vários anos de doença em uma pessoa que não toma a medicação. É, portanto, o estágio final.

Muitas pessoas vivem com o vírus, mas não têm AIDS. Um caso emblemático é do ex-jogador de basquete da NBA Magic Johnson, que foi diagnosticado com o vírus em 1991 e continua na ativa, hoje como dirigente do Los Angeles Lakers, time pelo qual jogou.

Infelizmente, ainda é impossível eliminar a doença (no final do post mostraremos os avanços recentes sobre este tema), mas com a ajuda dos medicamentos é possível manter a infecção controlada, evitando que a pessoa tenha AIDS. A pessoa precisa seguir as recomendações médicas, tomar a medicação todos os dias e fazer exames periodicamente para comprovar que tudo está sob controle.

Mito № 6: quem se contagia com HIV tem pouco tempo de vida

Este é Charlie Sheen, um dos atores mais bem pagos de Hollywood. Em 2015 ele reconheceu publicamente que era soropositivo há quatro anos. Em 2019, ele continua igual. Outro caso famoso, como já mencionamos, é o de Magic Johnson, que convive com o vírus há 27 anos!

Existe uma grande quantidade de doenças crônicas que não causam a morte, entre elas a diabetes e a hipertensão. Elas não podem ser curadas, diminuem em alguma medida a qualidade de vida de uma pessoa, mas não significam a morte. A infecção por HIV também é uma doença crônica.

É necessário que uma pessoa infectada tome os remédios, faça exames e cuide da saúde (coma bem e pratique esportes). Se a pessoa fizer isso, tem a mesma expectativa de vida que uma pessoa sem a doença. Muitas pessoas soropositivas vivem com o vírus duante muitos anos e levam uma vida plena e feliz. O importante é detectar o vírus no começo para começar o tratamento o quanto antes.

Mito № 7: tatuagens e piercings são absolutamente seguros

Uma das maneiras menos óbvias de se contaminar é fazendo uma tatuagem ou um pierging com uma pessoa sem experiência. Se o preço for baixo demais, é melhor tomar cuidado. Infelizmente, alguns tatuadores novatos nem sempre seguem as normas básicas de segurança e higienização. As agulhas devem ser descartáveis e as outras ferramentas devem ser desinfetadas após cada procedimento. Isso deve ser feito com um esterilizador especial.

Hoje em dia os médicos não recomendam fazer tatuagens ou piercings em estúdios sem higiene, nem mesmo com aquele amigo que decidiu virar um artista. Existem muitos casos de contaminação, e não apenas de HIV. Vá apenas a lugares especializados e recomendados por pessoas conhecidas.

Mito № 8: todas as pessoas soropositivas devem informar a todos sobre seu estado

Existe um termo chamado ’segredo profissional’, relacionado também com a medicina. Mesmo se a pessoa fizer um exame e não assinar um termo por escrito, nenhum médico tem o direito de contar para ninguém o diagnóstico.

A única obrigação de uma pessoa soropositiva é contar ao seu parceiro sexual e aos seus superiores no trabalho se houver algum tipo de risco. Também é importante avisar o seu dentista. Em todos os outros casos a decisão de contar ou não contar é da pessoa, e ninguém tem nada a ver com isso.

Mito № 9: o governo proporciona toda a medicação necessária

Esse é um sério problema hoje em dia. Infelizmente, nem todos os países têm métodos eficientes na luta contra o HIV e a AIDS. Em postos de saúde são entregues os medicamentos antirretrovirais. Contudo, em alguns países são oferecidos fármacos antigos, menos eficientes e com muitos efeitos colaterais. Mais detalhes sobre isso você pode ver no ótimo filme Clube de Compas Dalla, que deu o Oscar de Melhor Ator a Matthew McConaughey.

É possível encontrar muita informação sobre a doença em foruns especiais, onde pessoas soropositivas compartilham experiências sobre diagnóstico, medicação e muitos outros detalhes relacionados com HIV.

Aqui no Brasil, felizmente, o sistema de proteção governamental é bastante avançado, com a distribuição de medicamentos.

Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas em um site especificamente criado pelo governo com informações sobre o vírus, o aids.gov.br.

Bônus № 1: estatísticas sobre o HIV

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), o país com o maior número de pessoas com HIV na Europa é a Rússia. Em 2017, foram detectadas 70 novas infecções por cada 100 mil habitantes. Apenas como comparação, na Ucrânia foram 40 casos. Já na Bielorrússia foram apenas 26 (sempre por cada 100 mil habitantes).

Aqui no Brasil o índice é de 18,3 casos para cara 100 mil habitantes.

Bônus № 2: cura do HIV

Essa é uma célula de HIV (pontos verdes) vista pelas lentes de um microscópio eletrônico.

Em março de 2019, na Grã Bretanha, o mundo viu o segundo caso de cura em uma pessoa soropositiva. Apenas dois dias depois, foi anunciado o terceiro. O vírus foi derrotado durante um tratamento oncológico feito com um transplante de medula óssea. Os doadores dos três casos tinham uma mutação genética que os fazia completamente imunes ao vírus HIV.

Este é um tema complicado e muito polêmico. O mais importante é se cuidar, fazer exames periódicos e manter um estilo de vida saudável. E sobretudo ajudar as pessoas soropositivas na luta contra todo tipo de preconceito.

Ilustrador Marat Nugumanov exclusivo para Incrível.club