Por que todos nós precisamos pensar duas vezes antes de definir o pronome de tratamento de outra pessoa

Gente
há 4 anos
Por que todos nós precisamos pensar duas vezes antes de definir o pronome de tratamento de outra pessoa

No ano passado, o ator Elliot Page revelou ser transgênero, afirmando que desejava ser tratado pelos pronomes “he/they”, em inglês, “ele/eles”. Já mais recentemente, a cantora e atriz Demi Lovato anunciou ser não-binária, desejando o tratamento por meio dos pronomes “they/them”, ambos na terceira pessoa do plural e usados com a finalidade de se referir aos dois sexos. Além dos pronomes de terceira pessoa, os termos “ze/zir” também costumam ser usados nos países anglófonos por pessoas que não se identificam apenas com um determinado gênero. Já no Brasil, as letras “e” e “x” têm sido as escolhidas para deixar determinada palavra apta para ser usada tanto em relação a pessoas cisgênero, trans ou não-binárias. Pode parecer confuso, não é?

Nós, do Incrível.club, decidimos nos aprofundar sobre o uso desses recursos linguísticos para mostrar por que precisamos ter cuidado na hora de fazer referência ao gênero de determinadas pessoas.

Desde o século XVIII, as pessoas buscam por pronomes de gênero neutro

Para conhecer os motivos pelos quais as pessoas têm procurado usar pronomes de gênero neutro, precisamos, antes, entender por que os pronomes são importantes. Em muitas situações, a tendência é a aplicação de pronomes masculinos, como “ele/dele” na hora de fazer referência a pessoas de ambos os gêneros. O costume tem origem no século XVIII e continua sendo amplamente usado. Entretanto, a professora de linguística Emma Moore afirma que as pessoas não encaram o “ele/dele” como pronomes de gênero neutro: “elas sempre pensam nos homens”, diz. Consequentemente, acabamos ignorando no nosso discurso outras variações de gênero existentes na sociedade, incluindo o feminino.

Nas últimas décadas, com o desenvolvimento da consciência a respeito de pessoas não-binárias e transgênero, a questão dos pronomes neutros vem sendo cada vez mais debatida.

Para pessoas não-binárias, é crucial que sejam tratadas por um pronome específico

Pessoas não-binárias, ou seja, aquelas que não se identificam como homem nem como mulher, sentem a necessidade de ser tratadas por determinado pronome neutro. Em países de fala inglesa, o termo escolhido costuma ser um pronome da terceira pessoa, como “eles/deles”. Há ainda outras variações amplamente utilizadas, como ze/zir/zirs. No Brasil, muitos usam as expressões “elx/delx”, optando ainda por colocar a letra “e” ao fim de palavras que teriam terminações específicas para o masculino e o feminino, apesar de não existir previsão para tanto na norma culta. Um exemplo: “hoje estou cansade”.

Ao se expressar sobre a importância dos pronomes, Jamie Windust, pessoa não-binária que trabalha como modelo, escritora e palestrante, afirmou: “Alguns têm dificuldade para entender por que os pronomes são tão importantes. Uma ótima forma de pensar no assunto é se você passasse muito tempo com alguém que, repetidamente, errasse o seu nome”. Demi Lovato, atriz e cantora que há pouco tempo fez um anúncio envolvendo sua identidade, disse: “Tenho orgulho de anunciar que me identifico como uma pessoa não binária e que oficialmente mudarei meus pronomes para ’eles/deles’ (they/them)”.

O uso dos pronomes corretos é importante para a saúde mental das pessoas trans

O uso dos pronomes corretos é importante para o bem-estar mental de pessoas transgênero e não-binárias. Estudiosos costumam identificar altos índices de depressão, baixa autoestima e outras questões psicológicas entre mulheres transgênero em decorrência de todo o ódio e opressão de que são vítimas. O apoio a todas as expressões de gênero, o que inclui a aceitação do pronome correto, tende a fazer frente aos efeitos negativos da discriminação.

Além disso, adotar corretamente os pronomes causa mudanças positivas em termos de inclusão. Pesquisas apontam que o uso de pronomes neutros reduz o preconceito contra mulheres e membros da comunidade LGBTQ+.

É possível demonstrar apoio a pessoas trans/não-binárias simplesmente perguntando como elas querem ser chamadas

É importante respeitar o direito que cada indivíduo tem de definir o gênero com que quer ser tratado. Uma das formas de demonstrar apoio a pessoas não-binárias é passando a adotar o pronome adequado segundo cada uma delas. Ainda que você seja cisgênero, ou seja, alguém que se identifica com o gênero ao qual foi designado ao nascer, mencionar nas redes sociais o seu pronome no formato ela/dela ou ele/dele demonstra à comunidade não-binária que você não irá presumir o gênero de alguém meramente com base na aparência.

E durante uma conversa, não há problema em perguntar com que pronome a pessoa se sente mais confortável. “Eu prefiro ser perguntadx educadamente sobre os pronomes que uso do que ver alguém deduzindo os meus pronomes e utilizando o errado continuamente,” afirma Windust.

Ao conversar com alguém, você tem o hábito de perguntar com que pronome a pessoa quer ser tratada? Costuma deixar claros os seus próprios pronomes nas redes sociais ou em e-mails? Deixe seu comentário!

Comentários

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Um verdadeiro absurdo! Por que a maioria tem que obrigatoriamente curvar-se aos anseios de uma minoria? Não está certo! E ainda deturpam a gramática!

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sei lá, já vi muita coisa nessa minha vida, mas essa mudança nao está certa nao, é o que eu acho

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esse papo ainda? ja deu! a gramatica nao mente, assim como os livros de biologia

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