20+ Pormenores em “Shrek”, um filme que ousou desafiar as técnicas clássicas da animação

há 3 anos

Desde o início, Shrek foi criado para desafiar as tradições da Disney: o novo formato e a preocupação se o longa seria bem-recebido ou não, o humor extravagante e a trilha sonora diferente. E, enquanto assistíamos ao filme, nem pensávamos em investigar a história por trás da criação dele.

Nós, do Incrível.club, decidimos investigar e descobrimos fatos interessantíssimos, alguns que até mudaram a nossa visão em relação a essa obra-prima do estúdio DreamWorks. Confira!

Como começou e qual foi o resultado

  • O fundador da DreamWorks, Jeffrey Katzenberg, trabalhava na Disney, mas por não ser promovido, resolveu sair de lá e fundar seu próprio estúdio.

  • Shrek recebeu o primeiro Oscar de Melhor Filme de Animação. Esse prêmio foi dado pela primeira vez em 2002 para os filmes de 2001.

  • Shrek foi o primeiro filme do gênero que não pertencia à Disney a entrar na lista do National Film Registry (Registro Nacional de Filmes) dos Estados Unidos.

Como o filme foi criado

  • O longa não foi uma ideia original dos criadores. Ele foi inspirado no livro Shrek!, escrito por William Steig. Os direitos desse livro ilustrado foram originalmente comprados por Steven Spielberg em 1991, que não chegou a fazer uma produção. Mas 4 anos depois, ele levou o roteiro do filme para a DreamWorks. O diretor pensou em fazer um longa tradicionalmente animado no estilo Disney. Mas Jeffrey Katzenberg insistiu em criar algo radicalmente diferente ao invés de competir com o outro estúdio.

  • O pântano do Shrek foi inspirado em uma plantação de magnólia em Charleston, Carolina do Sul.

  • O enredo do filme não é igual ao do livro. Por exemplo, no livro Fiona era uma princesa, mas não se transformava em ogra durante a noite, porque essa já era a sua aparência. E o protagonista, além de ter uma fisionomia assustadora, também sabe cuspir fogo.

  • Nicolas Cage foi convidado para interpretar o papel de Shrek, mas recusou porque não queria ser associado a um personagem como esse.

  • A produção de Shrek demorou 6 anos: começou em 1995, e o filme foi lançado somente em 2001.

  • Os animadores que falhavam em outros projetos eram “convidados” a trabalhar em Shrek, como castigo. O ponto é que os criadores do filme usavam a técnica de captura de movimento: gravação de movimento de atores e a transposição dele em um modelo digital. Naquela época esse processo trabalhoso era usado apenas na produção de filmes, e nunca em animações.

  • A equipe trabalhou detalhadamente com todas as texturas: cabelos, pelos, grama, musgo, folhas. Todos os detalhes foram executados com precisão. Os pelos do Burro se movem suavemente ao vento, mas não se parecem com o movimento, por exemplo, do cabelo da Fiona. E Shrek tem até um “queixo duplo” quando fala.

Desafiando as técnicas clássicas

  • Logo na primeira cena do filme, os produtores mostram explicitamente sua opinião sobre o que acham das histórias de princesas típicas da Disney: Shrek usa uma página de um livro como papel higiênico. E isso já permite que os espectadores entrem no clima do longa.

  • Nenhuma música foi escrita exclusivamente para o filme (como era normal para as histórias da Disney), mas foram escolhidas músicas já existentes. Graças a trilha sonora popular usada no longa, Shrek não é apenas mais um conto de fadas, mas sim uma produção que faz parte da cultura pop. Ao mesmo tempo, a trilha sonora reflete o humor de cada personagem.

  • Katzenberg queria que todos os espectadores gostassem do longa: crianças — dos personagens interessantes e das imagens brilhantes, adolescentes — do enredo, e adultos — das piadas atípicas de um filme animado.

  • O humor do filme é criado com a destruição das expectativas baseadas nos contos de fadas tradicionais. Quando Shrek se aproxima da princesa, esperamos um beijo, mas ele a balança gritando: “Levante!” Esperamos que o príncipe encantado cuide dos bandidos na floresta, mas é Fiona que lida com deles. E assim por diante.

Inúmeras referências

  • Em Shrek há muitas referências a outros filmes animados. O primeiro longa tem muitos personagens de contos de fadas: a Branca de Neve e os sete anões, o lobo de Chapeuzinho Vermelho, as três fadas de A Bela Adormecida, Pinóquio, dentre outros. O burro voando sob o efeito de um pó mágico é uma alusão a Peter Pan. E o capitão Gancho na segunda produção também. Pelo enredo, Fiona está adormecida por causa da maldição que pode ser quebrada apenas com o beijo de amor verdadeiro, do mesmo jeito como a Bela Adormecida. Fiona cantando com um pássaro na floresta refere-se a uma cena do longa A Branca de Neve e os Sete Anões de 1937.

  • Há alusões a alguns filmes. Pinóquio com a ajuda do Burro, no segundo longa, que desce em uma masmorra para libertar Shrek e o Gato, refere-se à Missão: Impossível. A luta de Fiona na primeira produção imita a de Trinity em Matrix. O momento com o anel no início do segundo filme é uma cópia exata de uma cena de O Senhor dos Anéis. Há também um beijo do mesmo jeito como acontece em Homem-Aranha de 2002, e o Gato de Botas imita claramente o Zorro.

  • Na entrada do Reino Tão Tão Distante os personagens veem o letreiro “Far Far Away” que, obviamente, refere-se à Hollywood. E o castelo do Lorde Farquaad parece muito com a Disneylândia.

  • Em Shrek 2, quando Fiona conhece a Fada Madrinha, há uma cena que copia o famoso episódio de Marilyn Monroe com o vestido sendo levantado pelo vento no longa O Pecado Mora ao Lado. Há também imagens do príncipe Charles, quando a Fada Madrinha mostra para Fiona os pretendentes a marido, e de Justin Timberlake em um pôster em cima da cama em seu quarto no castelo de seus pais.

  • Tem uma curiosa referência “invertida”. Fiona é uma princesa que, na realidade, é um monstro assustador. Em A Bela e a Fera é o contrário: o príncipe charmoso virou a fera. A transformação de Fiona no fim do primeiro filme imita a cena da transformação da fera: ela se levanta no ar iluminada por uma luz dourada e desce transformada ao chão. Mas o final é diferente: ela continua como uma ogra.

Personagens atípicos

  • A personagem de Fiona destrói todos os estereótipos. Primeiramente, ela não é uma princesa charmosa, mas assustadora. Em segundo lugar, ela não é indefesa e não espera alguém para ser salva. Pode bater em um falso Robin Hood ou conseguir um café de manhã sem muito esforço.

  • Shrek é um personagem atípico porque a sua história não tem conflito no início. Ao contrário, as primeiras cenas do filme mostram a sua vida ideal. O conflito do personagem é provocado pela chegada dos personagens encantados ao pântano, em outras palavras, com a chegada dos personagens típicos do próprio conto de fadas. Resumindo, Shrek debate com todos os contos clássicos da Disney em todos os níveis.

  • O longa não começa com a história da princesa, mas com a do “príncipe”, Shrek.

  • Shrek não parece como um cavaleiro nobre que ajudou na criação de um personagem diferente. Se víssemos a Branca de Neve saindo do banheiro ou a Cinderela fazendo uma vela da cera de seu ouvido, seria, no mínimo, esquisito. Mas é muito possível e até natural no caso de Shrek.

Shrek não seria um filme tão relevante e significante se não fosse o primeiro a falar sobre uma ideia importante: “É uma história bonita sobre a importância de se aceitar do jeito que você é!” — disse Mike Myers, ator que interpretou Shrek. É difícil argumentar contra isso.

Qual fato achou mais surpreendente? Talvez, agora você assista a esse filme com um olhar totalmente diferente, o que acha? Compartilhe sua opinião conosco nos comentários.

Comentários

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Eu amo o desenho e sua proposta de desconstrução dos padrões de beleza dos contos de fadas

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Achei interessante saber que ele foi tão bem, feito e planejado, a gente nem consegue ter a dimensão só assistindo

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EU SAI DE MOSTRO NO CARNAVAL DE 2020 E ERA VERDE TAMBÉM MAS PARECIA MAIS UMA, HULK

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