12 Lendas sobre deuses nórdicos (incluindo a do roubo do martelo do Thor)

Curiosidades
há 4 anos

A mitologia nórdica é uma das mais ricas do mundo em termos de lendas, personagens e relatos de aventuras. Contudo, muitas dessas histórias têm se perdido com o passar do tempo, apesar das várias tentativas de resgatá-las sempre que possível. Diferentemente de outras culturas, como a grega ou a romana, o panteão dos deuses nórdicos não conta com a total imortalidade: de acordo com as lendas, existe um Dia do Juízo Final para as divindades, e elas apresentam algumas fraquezas inerentemente humanas. E é justamente tudo isso que faz a mitologia nórdica tão fascinante.

Nós, do Incrível.club, mergulhamos no universo das lendas nórdicas e selecionamos algumas das melhores para compartilhar com você, leitor. Os fãs de Thor ou do sempre trapaceiro Loki vão adorar!

1. A origem do homem

Como todas as culturas, a nórdica também tem sua versão para a origem do mundo. A lenda conta que, no início, existia um reino de gelo chamado Niflheim, e outro de fogo de nome Muspelheim. Entre um e outro, existia um vazio, sem forma ou conteúdo, chamado Ginnungagap. Em Niflheim, havia um caldeirão que borbulhava e despejava seu conteúdo em Ginnungagap; a cada vez em que este entrava em contato com o vazio abismal, transformava-se em gelo, que por sua vez era tocado pelas chamas de Muspelheim, o que converteu o vazio em um lugar agradável. Ainda segundo a lenda, foi nesse local onde surgiu a vida, na forma do gigante Ímer, pai de todos os gigantes.

Mas Ímer não foi o único. Também da união entre gelo e fogo, nasceu uma vaca gigante chamada Audhumla, que fornecia leite para Ímer beber. O animal lambeu o gelo, criando assim o primeiro deus: Búri, o antepassado de todos os deuses.

Durante o sono de Ímer, surgem mais gigantes. Búri toma uma gigante como esposa, tendo com ela um filho chamado Borr. Este se casou com outra filha de gigante, chamada Bestla, com quem teve três filhos: Odin, Vili , os primeiros aesir.

Como não havia nada neste mundo, nem terra, areia, mares nem firmamento, os irmãos Odin, Vili e Vé tomaram a decisão de criar algo. Porém, para isso, era necessário assassinar o gigante Ímer, pois todas as coisas tinham surgido dele. E foi o que eles fizeram. Do corpo do gigante, surgiram mares, montanhas e penhascos.

Com os cílios do gigante, os três irmãos criaram uma muralha, que circundava a cidade de Midgard. Era um local lindo, porém também vazio. Até que um dia, surgiram à beira da praia dois troncos: um de freixo e outro de olmo. Os deuses colocaram ambos em posição vertical, e Odin lhes soprou vida; Vili deu a eles vontade; enquanto Vé os entalhou na forma humana. Do freixo, nasceu Ask, o primeiro homem. Já do olmo nasceu a primeira mulher, Embla.

Em Midgard, Embla e Ask construíram seu lar, a salvo dos gigantes e dos monstros.

2. A lenda de Sleipnir

Sleipnir​ era um cavalo cinza, com oito patas, que pertencia a Odin. Ele era o melhor entre os animais, símbolo dos ventos, com runas gravadas nos dentes, e o único capaz de chegar ao reino da morte. As circunstâncias do nascimento de Sleipnir são muito curiosas, pois é filho do deus Loki (quando este se transformou em égua) e do cavalo Svadilfari.

A lenda conta que, quando a fortificação para os deuses estava sendo construída em Valhala, um construtor se ofereceu para o trabalho em troca de se casar com a deusa Freia, que simbolizava o Sol e a Lua. Os deuses aceitaram a proposta, mas impuseram várias condições: o construtor teria de fazer seu trabalho em um prazo de três estações, sem contar com a ajuda de ninguém mais. Ele aceitou o desafio, e só pediu para ter à disposição o cavalo Svadilfari.

Para surpresa dos deuses, o cavalo tinha uma força descomunal, e era capaz de arrastar as rochas de forma mais eficiente que dois homens ao mesmo tempo. Assim, três dias antes do fim do verão, o construtor já estava prestes a terminar sua missão.

Atordoados, os deuses se reuniram e chegaram à conclusão de que havia um possível suspeito por aquela artimanha: Loki, o deus da fraude. Em seguida, Loki foi condenado à morte caso não conseguisse resolver o problema, encontrando uma maneira de evitar que o construtor recebesse sua parte do trato.

Naquela mesma noite, como fazia sempre, o construtor levou Svadilfari para buscar mais pedras. De repente, surgiu uma égua (o próprio Loki transformado), que logo atraiu a atenção do cavalo. Svadilfari saiu correndo em direção a ela, perdendo-se na mata.

Diante disso, o construtor acabou não conseguindo cumprir o prazo estabelecido. Furioso, ele revela que, na verdade, não é humano, e sim um gigante chamado Hrimthurs, levando os deuses a desfazer o trato e a convocar Thor para enfrentá-lo. Pouco tempo depois, Loki retornou com um potro de oito patas, Sleipnir, entregue a Odin como um presente.

3. Os nove mundos

Yggdrasil é um frondoso freixo conhecido como “a árvore da vida”. Por meio de suas raízes, ele conecta os nove mundos, que são:

  • Helheim, o mundo para onde vão aqueles que morrem fora do campo de batalha;

  • Nidavellir, onde os anões e os elfos escuros produzem suas invenções;

  • Niflheim, o mundo da escuridão;

  • Jötunheim, onde vivem os gigantes de gelo e das montanhas;

  • Midgard, o mundo das mulheres e dos homens;

  • Vanaheim, reino dos Vanir (deuses da natureza e da fertilidade);

  • Álfheim, onde vivem os elfos da luz;

  • Asgard, onde fica o reino dos deuses (aesir);

  • Muspelheim, onde habita o fogo.

4. Odin e Mímir

Mímir é um gigante, tio de Odin pelo lado materno. Ele cuida das fontes de sabedoria situadas nas raízes da árvore Yggdrasil. Odin saiu em viagem de Asgard até aquele local para pedir ao tio permissão para beber água das fontes, mas não recebeu autorização, já que Mímir era o único que podia fazer aquilo. Contudo, Odin insistiu, oferecendo qualquer coisa em troca. Mímir, então, pediu que ele entregasse um olho, e Odin aceitou. Assim, o sobrinho de Mímir ficou com uma deficiência física, mas infinitamente sábio.

5. O martelo de Thor

Nas lendas nórdicas, o martelo de Thor é chamado de Mjölnir. Trata-se de uma poderosa arma com características mágicas. De acordo com a história, um belo dia Loki cortou o cabelo de Sif, esposa de Thor. Este, furioso, desafiou Loki e o fez jurar que traria as madeixas de volta.

Loki se encontrou com os anões, filhos de Ivaldi, e os incita a fazer três grandiosos presentes para os deuses, frisando que eles não conseguiriam criar tesouros tão poderosos quanto os irmãos anões BrokkEitri. Os filhos de Ivaldi caíram na armadilha e logo começaram a fabricar três presentes perfeitos: uma lança para Odin, cabelos dourados para Sif e um lenço de seda que, quando desdobrado, se transformava no Skidbladnir, uma embarcação para o deus Frey.

Ardiloso, Loki procurou os irmãos Brokk e Eitri e fez a eles a mesma proposta, mas não contava com o fato de que ambos queriam sua cabeça em troca. Assim, eles começaram a trabalhar arduamente, e Loki, totalmente surpreso com o talento e com as características dos presentes que eles estavam desenvolvendo, assumiu a forma de um mosquito, tentando atrapalhar o trabalho de ambos. Aliás, ele quase conseguiu, picando Brokk na pálpebra, fazendo-o perder sangue enquanto concluía o último dos trabalhos.

Quando os filhos de Ivaldi apresentaram seus presentes aos deuses, não restaram dúvidas de que se tratavam de objetos extraordinários, e foi como Sif voltou a exibir uma lindíssima cabeleira. Contudo, o último objeto presenteado pelos irmãos Brokk e Eitri, aquele que Brokk quase não conseguiu terminar por estar com a pálpebra inchada, era o martelo para Thor. Era nada mais nada menos que um “produtor de relâmpagos” que deixou o deus totalmente fascinado, apesar de ter o cabo muito curto (pois Brokk não teve condições de continuar forjando-o). Assim, os irmãos Brokk e Eitri foram sagrados vencedores.

Por fim, Loki conseguiu escapar, com sua cabeça intacta, da aposta feita com os irmãos, isso graças aos seus truques de sempre.

6. Por que o ouro é chamado de “farinha de Frodo”

Nas lendas nórdicas, Frodo foi um rei poderoso, descendente de Odin, que tinha obtido a paz nas terras do norte, onde hoje é a Dinamarca. Ao visitar a Suécia, ele comprou duas gigantes chamadas FêniaMênia, para que elas ajudassem em seus afazeres: mover duas colossais pedras de moinho. Mas havia um detalhe: se fossem removidas, as pedras tinham a capacidade de conceder desejos. Assim, Fênia e Mênia se amarraram ao moinho seguindo as instruções de Frodo, que pediu que elas moessem ouro, paz e felicidade. Contudo, Frodo só permitia que as gigantes descansassem pelo tempo de duração de uma canção.

Irritadas, as gigantes se vingaram, e começaram a cantar a “Canção de Grótti”, reunindo assim uma multidão liderada por um rei do mar chamado Mysing. Durante a noite, Mysing atacou Frodo, fugindo com todo o tesouro.

O ouro se chamava “farinha de Frodo”, pois se as gigantes tivessem realizado sua missão, teriam moído ouro como se fosse farinha.

7. As maçãs da imortalidade

Na mitologia nórdica, as maçãs douradas dão aos deuses o dom da imortalidade. Sempre que eles se sentiam cansados, velhos, e viam que seus cabelos começavam a perder a cor, recorriam à deusa Iduna, que guardava tais maçãs em um cofre de madeira, e comiam do fruto até recuperarem juventude e vitalidade.

Um dia, enquanto Thor, Loki e Hœnir passeavam pelo campo, viram uma gigantesca águia repousando na copa de uma árvore. Os deuses estavam preparando uma suculenta carne assada, bem quando ventos muito fortes começaram a soprar, atrapalhando os planos. E então, a pedido de Loki, a águia foi socorrê-los, agitando suas enormes asas com força, fazendo com que o fogo reavivasse. Com isso, os deuses puderam comer até se satisfazerem. A águia quis participar do banquete, mas Loki tentou impedi-la, dando início a uma luta entre eles. A ave estava vencendo quando Loki suplicou por clemência. O animal desistiu de continuar atacando, mas com uma condição: queria as maçãs da deusa Iduna.

Loki aceitou, mesmo sem saber quais seriam as consequências. Enganando a deusa, fez com que ela caísse nas garras da águia. Quando os deuses se deram conta do que tinha acontecido, ficaram furiosos com Loki, pois estavam começando a tornar-se anciãos. Assim, eles obrigaram Loki a resgatar Iduna e, com ela, seu cofre de maçãs. Loki precisou se converter em águia para recuperar a deusa e ludibriar a inimiga, que na verdade se tratava de um gigante disfarçado.

8. A serpente de Midgard

Conhecida como a enorme serpente que ronda Midgard até o dia do Ragnarok. Trata-se de um monstro cujo pai é o deus Loki, e cuja mãe é a gigante Angerboda. Quando os deuses se deram conta das coisas horríveis que o monstro faria através de adivinhações, resolveram eliminá-lo. Odin lançou a serpente no mar que rodeava Midgard, para que ela ficasse lá até o Ragnarok, o dia da destruição. O monstro cresceu tanto que, se mordesse a própria cauda, conseguiria dar a volta em toda a Terra.

9. O roubo do martelo de Thor

O rei Þrymr, rei dos gigantes de gelo, roubou o martelo de Thor como forma de extorquir os deuses, pois queria se casar com a deusa Freia. Para recuperar o objeto, Heimdall teve a ideia de disfarçar Thor usando as roupas da deusa, enviando-o com Þrymr para enganá-lo. Apesar de não estar totalmente de acordo, Thor acabou aceitando, vestindo-se de noiva e levando Loki disfarçado de dama de companhia.

Quando Þrymr os viu chegar, organizou um banquete com sua família, feliz da vida, celebrando sua vitória. Quando Thor viu toda aquela comida à sua frente, quase revela a verdadeira identidade, pois começou a comer vorazmente. O gigante suspeitou de que havia algo errado, mas Loki rapidamente interveio, dizendo que Freia estava tomada por uma fome provocada pela emoção de estar casando com o rei dos gigantes.

Þrymr acreditou, mas quando quis tirar o véu da noiva para beijá-la, Thor derrubou o gigante com o intenso brilho de seus olhos. Diante disso, Loki se apressou para dizer que aquilo também tinha acontecido motivado pela emoção e felicidade.

Em seguida, Þrymr anunciou “que o martelo de Thor selaria o compromisso”, exibindo o Mjölnir e deixando-o próximo a Thor. Esperto, Thor agarrou rapidamente o martelo, arrancou as roupas de noiva e tornou-se o verdadeiro deus do trovão. Todo o ambiente, então, foi tomado por relâmpagos, já que Thor havia recuperado sua preciosa arma.

10. A ponte do arco-íris

Segundo as lendas nórdicas, Bifrost é uma ponte de arco-íris que une Midgard e Asgard. Resumindo, é o equilíbrio entre o mundo dos homens e o dos deuses. Trata-se de um caminho que acaba na abóbada celestial onde fica Heimdall, o deus guardião, que vigia os gigantes. Nas profecias nórdicas, diz-se que, quando o Ragnarok chegar, a ponte será destruída, dando início ao fim de tudo.

11. A história de amor de Gerda e Frey

Frey é o deus da chuva, do sol nascente e da fertilidade, irmão da deusa Freia. Trata-se de um deus de muita beleza e prosperidade, mas que ainda assim se sentia muito vazio. Certo dia, quando Odin não estava sentado em seu trono, Frey se aventurou a ocupar o lugar para observar os nove mundos. Dali, ele viu o que estava faltando em sua vida: uma bela mulher, mais especificamente uma gigante chamada Gerda.

Frey voltou para casa completamente abatido, e trancou-se em seus aposentos, ficando dias sem comer nada. Vendo o que acontecia, seu pai, Njord, revelou a Skírnir, mensageiro de Frey, sua preocupação, pedindo que este investigasse o que estava ocorrendo com seu filho. Assim Skírnir se encontrou com o deus Frey para perguntar qual era o problema, e ele respondeu que tinha sido castigado ao ver que a mulher mais bela não estava ao seu lado. Naquele momento, o deus deu a ideia de Skírnir procurar Gerda para pedi-la em casamento em seu nome.

Skírnir aceitou a proposta, com a condição de receber em troca o cavalo e a lendária espada de Frey. O objeto era de extrema importância para o deus, mas seu desespero era tanto que ele acabou abrindo mão da própria espada. O mensageiro fez uma longa viagem, chegando finalmente às terras onde a gigante vivia, e revelando a ela que o deus Frey queria tê-la como esposa. Gerda recusou várias vezes a proposta, apesar de todos os tesouros prometidos por Skírnir em nome do deus. Até que, finalmente, o mensageiro conseguiu elaborar um feitiço para convencer a gigante, fazendo com que Gerda concordasse. Ela disse que dali a nove dias, encontraria com Frey na ilha de Bur, onde se casariam.

E assim aconteceu. Apesar de Frey ter sofrido durante a espera, os nove dias se passaram e ele se uniu à gigante. Frey renunciou de sua espada para sempre, apesar de ela ser crucial, já que na profecia do Ragnarok consta que a arma poderia salvar o deus da destruição.

12. O Ragnarok

Para os nórdicos, o Ragnarok é o fim do mundo. É quando acontecerá uma batalha entre os deuses, os aesir, os gigantes de fogo e os jotun. Quando deuses, monstros e gigantes se enfrentarem, tudo acabará. O Ragnarok virá depois de três invernos, e não haverá nada que possa ser feito a respeito.

Curiosamente, na mitologia nórdica, os deuses são finitos, e todos eles têm consciência disso, já que nenhum é capaz de interromper o processo. Assim, o Ragnarok é a história apocalíptica sobre o que acontecerá no futuro, ocasião em que todos terão o mesmo destino.

Bônus: livros que resgatam lendas nórdicas

Se você quiser saber mais sobre o assunto, recomendamos que leia o livro Mitologia Nórdica, de Neil Gaiman; O Livro da Mitologia Nórdica, de Jonh Lindow; e Deuses e mitos do norte da Europa: Uma mitologia e o comentário de uma era ou civilização específica sobre os mistérios da existência e da mente humanas, de Hilda Roderick Ellis Davidson.

O que achou das lendas nórdicas apresentadas nesse post? Acha que elas lembram os mitos de outras culturas? Conhece histórias lendárias oriundas de outras partes do planeta? Comente!

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