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11+ Ótimas razões pelas quais os turistas ficam desapontados com Paris

A famosa frase “To See Paris and Die” (Ver Paris e Morrer) é ideal para as pessoas que se desiludiram com a cidade. A euforia causada não é, infelizmente, de felicidade, mas sim de decepção. Para muitos a cidade não representa a mesma imagem pitoresca e romântica dos filmes, livros e panfletos em lojas de viagens. Apesar de suas possíveis expectativas, não são todos os turistas que podem chamar esse lugar de “cidade do amor”.

Nós, do Incrível.club, ficamos surpresos (e um pouco chateados) quando descobrimos que existe até uma síndrome parisiense, que é um distúrbio mental entre os turistas que ficaram frustrados com a capital francesa. Vamos falar mais sobre ela no final do artigo. Confira!

1. Longas filas para o mirante da Torre Eiffel e para o campo gramado

Antes de ir a Paris, muitos têm o sonho de ver a Torre Eiffel, a principal atração da cidade, e depois subir até o mirante. A primeira má impressão surge quando você encontra uma enorme fila de turistas querendo o mesmo. A segunda é quando você é revistado na entrada mais do que na própria segurança do aeroporto. Depois disso, você precisa esperar algumas horas para então chegar ao mirante.

Depois dessas “pequenas” frustrações, você naturalmente vai querer relaxar e talvez fazer um piquenique no campo gramado abaixo da torre. Mas, calma. Ainda há outros obstáculos que precisam ser ultrapassados para chegar lá. Por exemplo, o perímetro do gramado pode estar fechado por causa de algum evento, ou pior, alguma demonstração ou protesto. Pode ser que você tenha sorte e consiga chegar no gramado, mas pode ter certeza de que ele estará todo pisoteado, e provavelemente não tão bonito como você imaginava.

  • A Torre Eiffel é melhor admirada de longe. Por isso, recomendamos que se dirija ao bairro de Montmartre para as escadas da Catedral Sacré-Coeur. É de lá que você terá uma vista deslumbrante da cidade!

2. Multidões na entrada do Louvre

Outra rota de peregrinação é, naturalmente, para o museu do Louvre. Muitos viajantes que não compraram ingressos com antecedência, são advertidos de que devem entrar na fila antes mesmo da abertura se quiserem alguma chance de entrar. É evidente que faz sentido, mas isso ainda significa que você ficará em pé por horas em uma fila interminável. A fila vai te deixar cansado e exausto de tal forma que a beleza e maestria das obras no museu podem acabar ficando em segundo plano.

  • É melhor comprar um ingresso online com antecedência para ocupar a fila dos visitantes com ingressos. Outra opção também é comprar com antecedência, mas em quiosques pela cidade, dos que vendem tabaco, por exemplo, e estão localizados pela cidade inteira. Em tais quiosques são vendidos ingressos para muitos museus de Paris. Caso você não tenha feito nada disso, temos uma dica mágica. Você pode conseguir uma entrada para o museu pelo shopping Carrousel du Louvre. Em La Civette Du Carrousel você pode comprar ingressos para o Louvre (e outros museus) muito mais rápido do que pela fila da entrada principal. Depois de adquiri-los você só precisa seguir as direções mostradas e será levado até a pirâmide de cabeça para baixo, em frente da qual está a entrada do Louvre. Você será dirigido, então, até uma sala subterrânea, onde estão localizados os caixas do museu. Lá você também pode comprar bilhetes, caso não tenha conseguido comprar de nenhuma outra forma.

3. Muitas pessoas tirando foto da Mona Lisa e do vidro brilhante

Depois de conseguir (finalmente) entrar no Louvre, grupos infinitos de pessoas se aglomeram para tirar uma foto da mulher com o sorriso misterioso, a Mona Lisa. Naturalmente, todos que visitam o museu querem vê-la de perto. Mas essa não é uma tarefa fácil quando há multidões de pessoas com o mesmo objetivo. E quando você consegue chegar perto da obra da arte, sua contemplação será prejudicada pelo brilho do vidro que protege a imagem. É quase impossível encontrar o ângulo certo. Além de tudo, o quadro é consideravelmente pequeno e, mesmo que você se aproxime o máximo possível, ainda estará a uma certa distância (onde começam as barreiras de segurança), o que não permitirá que você desfrute dessa obra-prima da melhor forma.

  • Um quadro não faz um museu. O Louvre tem uma grande coleção de obras de arte mundiais, que podem ser observadas e admiradas por horas. Muitas delas não atraem grande audiência e, por isso, você pode desfrutar da imagem com calma. Além disso, não vamos esquecer que o próprio museu é digno de admiração: o interior, o teto e a vista das janelas são simplesmente deslumbrantes. Outra dica legal é sentar em um dos banquinhos que ficam ao lado de certas janelas para descansar um pouco e apreciar a linda paisagem.

4. Os franceses não se parecem tanto com os atores franceses de cinema que conhecemos

Filmes que tenham a participação de atrizes francesas criam uma imagem (normalmente) de uma garota misteriosa e cheia de charme. Ela sempre está muito bem vestida (certamente de boina), muito bem cuidada e é independente. Muitas garotas querem se parecer com as francesas, absorver alguma coisa desse estilo tão singular. Turistas, no entanto, que decidem ir a Paris, podem encontrar mulheres um pouco “diferentes” dessa ideia um tanto quanto romantizada dos filmes. Não que isto seja um problema, mas é perfeitamente comum ver mulheres de roupas muito largas, sem qualquer maquiagem ou manicure.

  • Na vida, elas são mulheres comuns, que em geral não se preocupam muito com a aparência. Mas há um “porém” importante. As jovens francesas são, em sua maioria, descuidadas com a aparência, mas quando chegam aos 50 anos de idade, se transformam. Elas passam a se vestir com muito mais elegância, a usar maquiagem e separar um tempo para a manicure. Nessa época, realmente vale a pena pegar algumas ideias do estilo da mulher francesa, que ainda é uma grande referência de moda nos dias de hoje.

5. Muitas atrações foram desmontadas ou estão em obra

A magnífica Pont des Arts (Ponte das Artes) serve como um imã não só de turistas, mas também dos apaixonados que criaram a tradição de pendurar na ponte “cadeados de amor”. Gradualmente, a ponte foi coberta com cadeados de diferentes cores e tamanhos, que foi exatamente o que criou essa imagem tão peculiar e característica do lugar. Os cadeados, no entanto, adicionaram um peso de 45 toneladas à ponte, o que poderia causar um possível colapso da estrutura. Por isso, em 2015, as autoridades municipais decidiram retirar quase todos os cadeados. Restaram apenas alguns poucos, somente para lembrar como era a ponte antigamente. O problema é que muitas pessoas não sabem disso, e quando vão visitar o local, se decepcionam pela frustração da expectativa não alcançada.

  • Antes da viagem, você deve fazer uma lista do que quer ver, e pesquisar com antecedência se existem pontos turísticos em reconstrução, ou até se eles ainda existem. Apesar dos últimos acontecimentos, a ponte é ainda somente para pedestres, com muitos banquinhos que oferecem outra linda vista da cidade e dão lugar para um ótimo passeio.

6. Poucos lugares onde se fala inglês

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Os franceses falam bem a língua inglesa, mas por alguma razão desconhecida, nem sempre querem mostrar suas habilidades linguísticas. É possível que funcionários de lojas e restaurantes não saibam falar inglês ou que falem com um sotaque bem forte, tornando difícil o seu entendimento. É perfeitamente recorrente, também, que os menus em diversos cafés e restaurantes estejam apenas em francês, e que não exista uma versão em inglês. Se você não fala a língua local, será como jogar um jogo de adivinhação, no qual você tenta entender o que é o quê. Pelo menos assim você não ficará entediado.

  • Você precisa, primeiramente, tentar se explicar em inglês. Se não entenderem nada, recomendamos instalar um aplicativo de tradução no seu telefone para salvar você de algumas situações. Melhor ainda seria aprender algumas frases e palavras em francês antes de ir para o país, pois isso permitirá que você entenda o contexto de algumas conversas, além de surpreender os habitantes locais. Aliás, se um garçom notar que você está tentando falar em francês, ele ou ela irá te atender com a maior simpatia possível.

7. Nos restaurantes as porções são pequenas e o preço é alto

“Melhor comer menos do que comer em excesso”, uma frase que descreve perfeitamente as porções nos restaurantes de Paris. Elas são normalmente pequenas e, muitas vezes, não são baratas.

  • Se você está com fome e não quer gastar todas as suas economias, há várias maneiras de resolver esse problema. Desde um piquenique simples com vinho, queijo e baguetes até as “malandragens”. Os restaurantes têm sempre um prato do dia, que é geralmente mais barato do que os pratos fixos do menu. Também vale notar que é melhor ir a um café ou restaurante não no centro da cidade, mas com certa distância das atrações e dos locais mais turísticos. Por exemplo, um café com sobremesa sob os arcos do Louvre (primeiro distrito) vai custar cerca de 18 euros (81 reais). E na área do Pantheon (quinto distrito), você pagará 7 euros (32 reais) por um café e uma sobremesa. Mas você também pode encontrar opções ainda mais baratas, pois há muitas universidades nessa área, incluindo a Sorbonne. Por ser uma região com muitos estudantes, os cafés e restaurantes cabem no bolso de qualquer viajante.

8. Fotos somente de paisagens é uma desilusão

Todos os cantos da cidade, principalmente em épocas de alta temporada e pelo centro, estarão com multidões de turistas. A praça Trocadero, de onde se tem uma das melhores vistas da Torre Eiffel, está sempre lotada de pessoas. O mesmo acontece na Catedral da Nossa Senhora de Paris. São poucos que conseguem tirar uma foto somente da paisagem ou da atração, sem que haja pessoas nela.

  • Se você é daqueles que faz de tudo por uma boa foto, precisará fazer alguns sacrifícios. Nesse caso, do seu sono, pois normalmente esses lugares ficam mais vazios ao amanhecer ou bem tarde da noite. Mas é claro que durante uma viagem, dormir um pouco menos não é de todo mal, especialmente quando sabemos que a viagem é por tempo limitado, e já as fotos ficam para sempre.

9. Mictórios estão localizado nas ruas principais

Os visitantes da cidade passam por um choque cultural quando veem os mictórios de rua, que ficam localizados em locais bastante públicos e abertos, como por exemplo perto da Catedral de Notre Dame de Paris. Esses “banheiros públicos” são uma novidade na capital. Eles surgiram em 2018 por iniciativa das autoridades locais como parte de um projeto de cuidado ambiental. Tais mictórios não são exclusivos de Paris, eles existem também em outras cidades europeias, mas isso não significa que não ficaremos chocados ao ver um desses na rua, e ainda mais ver eles sendo usados. A grande questão agora é o porquê decidiram fazer estes mictórios tão minimalistas e abertos no meio da rua. A história da cidade já conheceu outras versões de banheiros de rua mais privadas e até bem-sucedidas.

10. Há muito lixo não coletado em Paris

Muitos turistas costumam dizer que Paris é uma cidade suja. Mesmo nas ruas principais, há grandes pilhas de lixo que ninguém parece estar com pressa de limpar.

  • Nossa recomendação é que você não preste atenção nas pilhas de lixo que não foram recolhidas no final da tarde pela cidade. Porém, se isso lhe causar bastante desconforto, escolha passear pela manhã. São nessas horas que a cidade é limpa e lavada todos os dias.

11. Insegurança

A cidade tem um grande número de imigrantes de diferentes nacionalidades. Alguns deles incomodam os turistas nas atrações principais, tentando vender todo tipo de bugigangas. E podem até ficar bastante chateados se você não estiver interessado em comprar. Esse tipo de interação pode ser desagradável, mas pelo menos não é perigosa. No entanto, há certas áreas que é melhor não frequentar se não conhecer bem a cidade, ou ainda, se não falar a língua local. As mais perigosas são consideradas as regiões perto das estações de trem no Norte e no Leste (décimo distrito), bem como a região suburbana Saint-Denis.

  • Se você andar somente nas rotas turísticas, então vai acabar vendo pessoas como você, turistas. É aconselhado, também, visitar as zonas (distritos) onde vive a nobreza francesa, como Tample (terceiro distrito), Hotel de Ville (quarto distrito), Luxemburgo (sexto distrito), Palais-Bourbon (sétimo distrito) e Passy (décimo sexto distrito).

Bônus: a Síndrome de Paris

Muitos viajantes concordam que Paris não é a cidade mais hospitaleira do mundo. Aqui, os turistas encontram, mais frequentemente do que em outras cidades, funcionários que te tratam com indiferença ou até com grosseria. É a partir disso que surgiu a Síndrome de Paris. Visitantes depositam altas expectativas na cidade e nos habitantes. Esse transtorno psicológico foi diagnosticado pela primeira vez em 1986 pelo psiquiatra japonês Hiroaki Otoi. Foi inicialmente atribuído aos turistas japoneses que visitavam a cidade e que não estavam preparados para enfrentar o choque cultural e, assim, tiveram suas expectativas arruinadas por franceses “desagradáveis” e “desrespeitosos”.

  • Apesar de tudo o que foi dito acima, não podemos esquecer que Paris é uma cidade extraordinária com uma história secular, arquitetura única e um charme mais do que especial. Mesmo que você não vá se apaixonar, ainda vale a pena visitar. Tente não prestar atenção nos detalhes pequenos. Lembre-se que você está em uma das mais belas cidades do mundo. “Só existem dois lugares no mundo onde podemos ser felizes: em casa e em Paris”, Ernest Hemingway.

E você já esteve em Paris? Se sim, qual a impressão que a cidade deixou em você?

Ilustradora Ekaterina Gapanovich exclusivo para Incrível.club