10+ Razões pelas quais a novela é uma paixão nacional

Se os americanos são mundialmente reconhecidos por suas superproduções de cinema, podemos dizer, então, que a telenovela é o formato audiovisual mais tradicional do Brasil. Há quase 70 anos, o popular gênero acompanha o público brasileiro diariamente. Com tantas décadas de experiência e muitas histórias para contar, as emissoras do país se especializaram no estilo e viraram uma verdadeira referência no assunto.

Acumulando índices de audiência e repercussão que surpreendem até hoje, a novela é uma legítima paixão nacional. E nós, do Incrível.club, reunimos alguns dos motivos que tornam essas tramas tão especiais para quem as assiste. Confira!

1. Hábito

Não importa a idade: você provavelmente já foi impactado por uma novela em algum momento da sua vida. Com capítulos exibidos diariamente nas principais redes de televisão do país, o gênero é indispensável no cotidiano de muitos brasileiros. Para criar essa rotina, emissoras como a TV Globo apostaram em uma programação bastante estruturada, que se consolidou ao longo dos anos.

Os folhetins são intercalados por noticiários em um período bem específico, à noite, quando a maioria das famílias já está em casa após um dia de trabalho ou estudo. A técnica utilizada pelos autores, de interromper o capítulo instantes antes de um acontecimento importante na trama, preservando o mistério até o episódio seguinte, ajudou a apoiar a estratégia dos canais. Curiosos, os espectadores se habituaram a sintonizar o aparelho sempre no mesmo horário, reunindo pais, filhos e avós no sofá para acompanhar o desenrolar da história.

2. Alcance

Presente em cerca de 97% dos lares do Brasil, o aparelho de televisão é a mídia mais popular e acessível do país. Além de estar nas casas, o equipamento também nos faz companhia em bares, restaurantes e salas de espera por aí. Com o avanço da tecnologia, o alcance das emissoras de TV se tornou ainda maior: agora é possível acompanhar a programação através de um celular, por exemplo, de qualquer lugar.

Não é difícil entender como o principal produto dos canais brasileiros, a teledramaturgia, é tão comentado nas mais diversas regiões. Do Oiapoque ao Chuí, certamente vai ter muita gente vendo novela.

3. Linguagem

O Brasil é um país de proporções continentais. E já que a audiência de TV atinge povos de diferentes regiões, idades e crenças, os autores de novela são diariamente desafiados a escrever pensando em um público bastante diverso. A tarefa dos roteiristas não é fácil: eles precisam ser capazes de conquistar os mais variados tipos de espectador, contando exatamente a mesma história para todos.

Seja narrando as aventuras do caipira Candinho (Sergio Guizé), de Êta Mundo Bom, ou revelando os dilemas da muçulmana Jade (Giovanna Antonelli), em O Clone, os novelistas constroem contos tipicamente brasileiros, que engajam a plateia do sofá e, acima de tudo, falam a nossa língua.

4. Realismo brasileiro

Ainda que séries e filmes internacionais sejam muito consumidos no Brasil, a novela é um dos poucos formatos ficcionais populares capazes de reproduzir com fidelidade os cenários e conflitos do nosso país. Se os grandes blockbusters de Hollywood costumam vender a imagem do estilo de vida americano, por aqui são as tramas da televisão que frequentemente ganham a identificação da plateia.

Folhetins de época que recriam a história nacional, ao modelo de Liberdade, Liberdade, ou romances atuais inspirados em fatos verdadeiros, como A Força do Querer, são fundamentais na construção da ideia de representatividade na TV. Para que o espectador se reconheça na tela, alguns autores apostam em personagens que vivem em regiões baseadas em localidades reais ou passam por situações bastante familiares ao público brasileiro.

5. Celebridades

Não podemos negar que a celebridade que está em alta no momento é geralmente protagonista de uma novela de sucesso. As emissoras constroem seus elencos para o estrelato e, posteriormente, tiram proveito da tal fama na divulgação de suas produções. É o caso, por exemplo, de Grazi Massafera. A loira, que começou a carreira como modelo, roubou a cena na nona edição do reality show Big Brother Brasil, chamando a atenção, inclusive, dos executivos da TV Globo.

Grazi passou por um intenso treinamento antes de se lançar no ofício de atriz e, hoje, é um dos principais nomes do cobiçado rol da rede carioca. Já Caio Castro conquistou uma vaga no canal após vencer um concurso para jovens atores no programa Caldeirão do Huck. Com a repercussão de seu primeiro personagem, em Malhação, o ator vem conseguindo emendar trabalhos consecutivos. Paolla Oliveira, que chegou a ser assistente de palco do game show Passa ou Repassa, também alcançou o prestígio depois de se destacar em Belíssima. De lá para cá, a moça não parou mais.

6. Hollywood brasileira

Os Estúdios Globo, principal polo de produção de conteúdo audiovisual do Brasil, são conhecidos como a “fábrica de sonhos”. O local, também considerado o maior complexo de filmagens de televisão da América Latina, é responsável pela realização de todas as obras dramatúrgicas da emissora carioca, abrigando objetos, figurinos e grandes cidades cenográficas.

Para fazer a magia ganhar vida nas telas, lugares que realmente existem são reconstruídos com riqueza de detalhes, garantindo realismo e fidelidade às cenas que vão ao ar. Na preparação das gravações da novela Amor de Mãe, por exemplo, a equipe técnica reproduziu de forma impressionante uma rua do Rio de Janeiro. Já na composição de Caminho das Índias, os cenaristas recriaram o Rio Ganges e parte de sua escadaria. Um trabalho dessa dimensão merece reconhecimento. É ou não é a nossa Hollywood brasileira?!

7. Personagens marcantes

Uma boa história é feita de bons personagens. E papéis marcantes também são essenciais na construção da relação entre o espectador e a novela. Figuras carismáticas, bem construídas e defendidas com talento por seus intérpretes entram e permanecem no imaginário do público durante anos.

Curiosamente, são os vilões das tramas que costumam conquistar um lugar especial no coração dos noveleiros. Nomes como Carminha (Adriana Esteves), de Avenida Brasil, Félix (Mateus Solano), de Amor à Vida, e Chayene (Cláudia Abreu), de Cheias de Charme, constituem apenas alguns dos “malvados favoritos” da telinha que se tornaram grandes ícones do gênero e da cultura popular brasileira.

8. Bordões

Frases repetidas à exaustão em novelas acabaram chegando para ficar no vocabulário dos brasileiros. O artifício verbal, frequente no formato, é mais uma técnica utilizada pelos novelistas para colocarem suas criações, literalmente, na boca do povo.

Em O Clone, por exemplo, a atriz Solange Couto eternizou o bordão “Não é brinquedo, não” na pele da inesquecível Dona Jura. A trama, um sucesso de audiência, ajudou a popularizar a frase em todo o país. Quem também perpetuou seu chavão na lembrança do público foi Márcia, personagem de Drica Moraes em Chocolate com Pimenta. A manicure, que vivia com o nariz empinado, fazia questão de registrar sua sofisticação por onde quer que fosse. O lema da moça, “Sou chique, bem”, virou uma verdadeira febre.

9. Cenas memoráveis

Novelas permanecem por meses no ar. Durante parte deles, os autores criam a expectativa de acontecimentos relevantes para a trama, que garantem a curiosidade — e a fidelidade — da plateia até o grande momento em que a cena é exibida. Os capítulos catárticos, sempre muito aguardados, geralmente atingem índices de audiência bastante expressivos e se eternizam na memória afetiva do espectador.

O público se envolveu tanto com a história de Camila, em Laços de Família, que a sequência em que a personagem raspa os cabelos, em um ato sensível de entrega da atriz Carolina Dieckmann, chegou a virar matéria no Fantástico. O país também parou para testemunhar Nina (Débora Falabella) colocar em prática seu plano de vingança contra Carminha (Adriana Esteves), em Avenida Brasil. E muita gente sofreu junto com Maria do Carmo (Susana de Vieira), de Senhora do Destino, quando a inesquecível vilã Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) correu por uma ponte carregando o neto da heroína nos braços, pouco antes de se atirar no mar.

10. Trilha sonora

Muitos hits conhecidos em todo o país só alcançaram o sucesso graças à repercussão conquistada por algumas novelas. Repletas de temas, as tramas viraram uma verdadeira vitrine para os artistas do ramo musical, que passaram a disputar uma vaga nas trilhas dos folhetins com a intenção de promover suas canções.

Certas faixas são tão ligadas às obras televisivas que rapidamente nos lembramos dos personagens quando escutamos seus acordes por aí. “Palpite”, de Vanessa Rangel, por exemplo, logo remete ao casal Nando (Eduardo Moscovis) e Milena (Carolina Ferraz), de Por Amor. E é só ouvir o “piri, piri, piradinha”, de Gabriel Valim, para que a imagem da divertida Valdirene (Tatá Werneck), de Amor à Vida, venha à cabeça.

11. Reprises

Se algum noveleiro guarda uma obra favorita no coração, mas acaba se esquecendo de sua história, não tem problema. A reapresentação de novelas queridas pelo Brasil se tornou uma tradição das emissoras do país, que fortalecem a memória afetiva do público e, frequentemente, conseguem repetir o sucesso das transmissões originais.

Nostálgicas, algumas tramas são tão amadas que aparecem com certa recorrência nas reexibições promovidas pelos canais. Entre as campeãs de reprises estão A Escrava Isaura, da Record, repetida em cinco ocasiões, Por Amor, da Globo, revista na telinha por quatro vezes, e O Cravo e a Rosa, também global, que deu as caras novamente na TV em três momentos diferentes.

Agora é a sua vez de participar: qual é a novela mais marcante na sua memória? Ou de qual personagem tem mais saudades ou gosta de se lembrar? Conte para a gente nos comentários!

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