Incrível
Incrível

O que acontece se despejarmos toda a água da Terra no Sol

É possível “apagar” o Sol? Por exemplo... O que aconteceria se despejássemos todos os oceanos da Terra sobre ele — ou até mais água do que isso? Bem, vamos descobrir. O Universo é um lugar cheio de mistérios. Desde os tempos antigos, os cientistas têm discutido como o espaço funciona. Mas nenhum de nós jamais duvidou da existência de uma coisa — o Sol. Ah, o centro do nosso sistema solar. Ele é grande, brilhante e... imortal? Nah! Na realidade, não. O Sol é apenas uma estrela comum. Ele consiste em 75% de hidrogênio, um pouco de hélio e uma pitada de outros elementos pesados. A gravidade mantém tudo junto. Mas, em cerca de 5 bilhões de anos, o ciclo de vida do Sol chegará ao fim. O hidrogênio dentro dele vai acabar. Nossa estrela começará a crescer gradualmente. E você nem imagina quão ENORME ela ficará!

E então ela começará a engolir todos os planetas próximos. É quando nos arrependeremos de estar tão perto dela. Depois de engolir a todos nós, a estrela permanecerá uma “gigante vermelha” por mais um bilhão de anos. E então, mais cedo ou mais tarde, começará a encolher e desaparecer, transformando-se em uma anã branca. No final, nada restará a não ser uma nebulosa planetária brilhante e colorida. Mas não se assuste! Neste momento, o Sol está no meio de seu ciclo de vida. Ele nasceu há cerca de 4,5 bilhões de anos, e lhe resta mais ou menos a mesma quantidade de tempo ainda. Felizmente, nascemos no melhor e mais estável período da estrela. Em outras palavras, não há razão para se preocupar. Opa! Então vamos encontrar uma!

Que tal acelerar o ciclo de vida do Sol com a ajuda da... água? Vamos tentar coletar toda a água da Terra e despejá-la no Sol. Primeiro, vamos precisar de um balde. Não, este não. Vamos precisar de um balde muito, MUITO grande. Aquele que pode conter cerca de um bilhão, trezentos e sessenta milhões de quilômetros cúbicos de água! Isso será igual em tamanho à distância de Washington até Chicago. Ou, se pudermos encontrar apenas baldes comuns, deve haver cerca de 70 quintilhões deles aqui. É um número com 18 zeros! Ok, imagine que magicamente conseguimos tantos baldes. É hora de apagar o Sol! Molharemos a estrela com toda essa água e... Nada? Sério?! Oh, olha só pra isso — o Sol provavelmente ficou com pena de nós e produziu uma pequena explosão solar.

Acontece que TODA a água da Terra é na verdade apenas uma gotinha perto do Sol. As pessoas muitas vezes subestimam quão maior o Sol realmente é em relação ao nosso planeta. Na realidade, cabem mais de um milhão e trezentas mil Terras nele! Então, é isso. O Sol não vai se apagar e nem vai esfriar. Nem vai notar que fizemos algo. Mas não vamos desistir — a gente quer mesmo que o Sol apague por algum motivo! O que acontece se derramarmos “apenas o suficiente” de água sobre ele? E quanto é esse “suficiente”? Lembra dos nossos quintilhões de baldes? Bem, na verdade precisamos de cerca de 370 OCTILHÕES deles. Esse é um número com 27 zeros. É difícil até de imaginar, então digamos que é MUITA água. Agora vamos derramar tudo no Sol de novo! Uau, olha só esse vapor! Mas o Sol não se apagou novamente. Pelo contrário, ele disse “obrigado” e de repente ficou muito maior e mais brilhante! O que está acontecendo?

Acho que já deu pra perceber que o Sol não é uma fogueira. Dentro das fogueiras e das chamas de velas há combustão química. Quando despejamos água no fogo, a água absorve o calor da chama e o resfria a tal ponto, que ele não consegue mais manter a reação de queima. A água também bloqueia o acesso do fogo ao oxigênio. Ela basicamente interrompe o processo químico. Mas a “queima” do Sol não consiste na mesma reação. Mesmo que digamos que ele “queima”, isso não é totalmente verdade. O que acontece lá é algo chamado “fusão nuclear”, uma das reações mais violentas e malucas do Universo. Existem muitas camadas de hidrogênio entrando profundamente no Sol. Se você pegar quatro átomos de hidrogênio e juntá-los, ficará com um átomo de hélio. Quando falamos do Sol, o processo é um pouco mais complicado. Quando a nossa estrela tenta realizar essa fusão, os prótons positivos se repelem. É preciso MUITA força e energia para espremê-los de alguma forma.

Felizmente, existe uma força mágica no espaço. É a gravidade. O Sol ocupa 99,8% de toda a massa do sistema solar. Bem pesado, né? E toda essa massa é que mantém o Sol unido com a ajuda de uma força gravitacional incrível. Então, a gravidade pega quatrilhões desses pequenos átomos de hidrogênio e os junta a cada segundo de cada dia.

Quando eles colidem, liberam energia. Então, ao contrário do fogo, o Sol não precisa de oxigênio para viver. Ele precisa de hidrogênio! E todos nós sabemos a fórmula da água: H2O. Ela é composta de hidrogênio e oxigênio. A água é literalmente combustível para o Sol! É como tentar apagar um incêndio com gasolina! Ainda tem mais: a massa extra adicionada pela água tornará o Sol mais pesado. Agora, a gravidade diz: “Obrigada pela ajuda!”. E então ele começa a colidir os prótons uns com os outros ainda mais rápido. E graças a isso a síntese se acelera. Ótimo. Deixamos o Sol incrivelmente forte e agora ele nos engoliu. A nós e a outros planetas próximos. E, se continuarmos adicionando água, o Sol mais cedo ou mais tarde entrará em colapso sobre si mesmo. Ele explodirá suas camadas externas e se tornará um buraco negro. Incrível. Agora ele vai puxar para dentro absolutamente tudo ao seu redor. Que ótimo, hein?!

Mas vamos dar uns passos atrás, porque, claramente, nosso experimento com água foi um erro. Uma pequena explosão solar soa muito melhor.
OK, estamos de volta ao nosso sol calmo de sempre. Mas parece que esquecemos algo. Como está a nossa Terra agora, sem água? Bem, aparentemente a água era superimportante para a vida na Terra — quem diria? Agora há uma enorme quantidade de peixes imóveis e de outras criaturas marinhas espalhadas por onde os oceanos estavam. Pobrezinhos! Quanto às criaturas do fundo do mar, elas simplesmente não resistiram a uma mudança tão brusca de pressão. Algas e corais também secaram. Espera um minuto. As algas não eram responsáveis pela produção de 50 a 80% do oxigênio do mundo? Ops, é hora de colocar máscaras de oxigênio!

E como estão as coisas em terra firme? Quer dizer... agora tudo é só “terra” mesmo. Mas você entendeu. Uau, esse lugar tá pegando fogo! E eu quero dizer literalmente: se não há oceanos, então não há nuvens nem chuva. Agora há incêndios florestais por todos os lugares! Os pobres animais têm que escapar e deixar suas casas. E não tem como encontrar um novo lar, pois todas as plantas, é claro, vão secar rapidamente. Não haverá nenhum lugar para viver no planeta. A Terra parece um deserto gigante. Mas as pessoas vivem em desertos há milhares de anos, certo? Talvez elas saberão o que fazer... Será? Acho que não. Afinal, as pessoas no deserto também precisam ingerir líquidos. Há caos em todos os lugares, e os sobreviventes lutam pelas últimas gotas de água! (Se houver algum sobrevivente.) Na verdade, não importa o quanto eles lutem por recursos, seu destino está fadado.

O oceano absorve uma enorme quantidade de gás carbônico e de calor vindos do Sol. Ele também distribui esse calor por todo o planeta, tornando-o agradável. Mas, sem oceano, as temperaturas vão saltar rapidamente para cento e vinte e um graus celsius ou mais. Mesmo que a gente ignore as altas temperaturas, lá vem outro problema: agora não temos nuvens. E elas nos ajudavam também, não deixando passar a radiação solar. Portanto, também estamos sob o impacto direto dos raios solares. Nossa última esperança são os icebergs. Como tudo está terrivelmente quente, eles derreteram. E talvez eles sejam a última esperança para a humanidade. Mas aquela explosão solar legal definitivamente valeu a pena!

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