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Como os homens mudaram nos últimos 100 anos (e por que podemos esquecer os cavalheiros)

Pesquisadores britânicos descobriram que, nos últimos 100 anos, os homens se tornaram 10 cm mais altos e também engordaram significativamente. Mas, ao mesmo tempo, enfraqueceram. A falta de atividade diminui a força muscular dos jovens, tornando-a 9 kg menor que a de seus pais na mesma idade. Agora ela se equipara à das mulheres modernas de 30 a 34 anos.

incrível.club decidiu descobrir como os homens de hoje diferem de seus pais e avós. E as mudanças internas foram ainda mais curiosas que as externas.

1. O homem não precisa mais sustentar a família sozinho

“Um homem de sucesso é aquele que ganha mais dinheiro do que sua esposa pode gastar. Uma mulher de sucesso é aquela que encontrar um homem assim”. Esta é uma citação da popular atriz Lana Turner, típica da década de 1950. Nos anos do pós-guerra, uma mulher americana seria discriminada se decidisse trabalhar em vez de ficar de olho na sua casa e filhos. Agora, a palavra “dona de casa” parece quase depreciativa: as mulheres muitas vezes ganham mais do que seus maridos.

Para as filmagens de um documentário, o jornalista sueco Peter Letmark tentou encontrar uma mulher que se dedicasse exclusivamente aos trabalhos da casa e às crianças, mas não conseguiu encontrá-la: as poucas que restavam não queriam que seu status fosse reconhecido.

Consequentemente, os homens modernos raramente desempenham o papel de únicos responsáveis por toda a família ou de único ganha-pão. As responsabilidades financeiras geralmente são compartilhadas entre os dois parceiros.

2. Pode pagar licença maternidade e não ter vergonha disso

As leis suecas estipulam que, se uma família deseja receber o pagamento integral da licença parental, deve compartilhá-la entre o casal. Nesse caso, cada cônjuge deve passar pelo menos 90 dias em licença do trabalho. Isso incentiva os homens a participarem da educação dos filhos e permite que as mulheres não desistam de um trabalho promissor.

Em muitos países, os pais são os únicos que tiram licença. Somente nos Estados Unidos, 2,2 milhões de homens foram os únicos a se afastar do trabalho em 2010. Estudos demonstraram que a maior comunicação com o pai tem efeito positivo nos filhos:

  • se o pai estiver envolvido ativamente no cuidado do bebê durante os primeiros 8 meses, a criança lidará melhor com o estresse nos anos escolares e mostrará mais empatia na vida adulta;

  • a comunicação regular do pai com o filho ou a filha ajuda a criança a evitar distúrbios de déficit de atenção e a estudar melhor na escola, além de ser um fator que diminui a probabilidade de que ela precise consultar um psicólogo;

  • Existe também uma suposição de que os meninos cujo pai estava envolvido na educação são menos narcisistas e agressivos, e as meninas, por sua vez, são menos passivas.
  • Em alguns países, porém, a adesão à licença-paternidade não é tão comum. Na Rússia, por exemplo, 39% dos homens estão prontos para tirar a licença no lugar da esposa, mas na prática apenas 2% o fazem. Além disso, os próprios russos, em regra, estão convencidos de que a mãe deve ficar com o bebê e raramente apoiam a ideia de um cuidador masculino.

3. Não precisa provar ser um “homem de verdade”

O conceito de “homem de verdade” está diretamente relacionado à ideia de honra. Foi a necessidade de manter a honra e a reputação que levaram os homens a fazer a coisa certa por séculos: respeitar uma mulher, proteger os fracos, ser firme e inabalável nas decisões. A honra tradicional foi baseada num código — um conjunto de regras que devem ser seguidas. Ao aderir a elas, uma pessoa recebia respeito em seu meio e, as violando, podia sempre desonrar seu nome.

O código de honra foi forjado em homens e meninos por organizações especiais: irmandades, ordens cavalheirescas e esquadrões de escoteiros ou de pioneiros. Hoje, essas sociedades quase desapareceram, e cada um, na extensão de sua educação, decide o que considera vergonhoso para si mesmo e o que é digno, formando assim um código pessoal de honra.

E o resultado é o seguinte:

  • Não precisamos esperar, dos homens, um tratamento cavalheiresco. Imagine uma situação: uma garota volta para casa acompanhada por um homem e alguém grita um comentário vulgar atrás dela no caminho. Tradicionalmente, entendendo a honra (você deve pagar pelo insulto), uma mulher nesses momentos espera que seu companheiro ensine uma lição ao ofensor. No entanto, para um homem moderno, o bem pessoal (dentes e ossos inteiros) pode ser mais valioso do que proteger uma mulher.

  • Quaisquer ações impróprias passam desapercebidas. Cavaleiros ou outros guerreiros não poderiam escapar do campo de batalha sem desonrar o nome. A maioria de nós agora vive em cidades e não sabe nada sobre nossos vizinhos. Você pode morar em uma casa por 10 anos sem suspeitar que o bonitão do apartamento no andar de cima é um abusador. E na Internet somos ainda mais sem rosto, então a condenação pública não é incomum.

  • Os limites da moralidade são confusos. A violação do código de honra ameaçava a pessoa que o infligisse e, portanto, ele era levado mais a sério do que as leis. Agora, vemos homens que largam suas esposas grávidas e não pagam pensão alimentícia e ainda assim não perdem o respeito dos amigos.

  • Os homens não têm motivos para realizar grandes feitos. As ações passarão despercebidas pela maioria, e as leis nem sempre estão do lado do herói: proteger uma mulher de um criminoso e exceder a legítima defesa pode facilmente levar à prisão.

Há uma opinião de que os filmes modernos se tornaram mais chatos (especialmente se você remover vários efeitos especiais deles) devido ao fato de que os personagens não precisam superar obstáculos. Eles não estão sobrecarregados com um código moral, tudo é permitido, apenas seguem o fluxo. Compare-os aos heróis anteriores que lutavam por justiça, defendiam os fracos ou foram forçados a vingar um parente ou amigo.

Mas o código de honra pessoal tem uma vantagem: permite não apenas avaliar uma pessoa por fora, mas apelar à sua consciência. Anteriormente, um homem traía calmamente sua esposa se fizesse isso despercebido, agora essas ações o transformam em um enganador e um hipócrita.

O americano Jerrod Martin foi preso pela polícia após voltar para uma casa em chamas para salvar seu cachorro. Ele foi acusado de colocar sua vida e a dos bombeiros em risco.

4. Pode esquecer do cavalheirismo e homens tradicionais

Os cavalheiros seguiam as regras e regulamentos estabelecidos pela sociedade. Mas as próprias regras estão irremediavelmente desatualizadas.

  • Não há mais necessidade de proteger a reputação feminina: as garotas comuns não se importam com ela, as famosas menos ainda. Se um homem, há um século, citasse os nomes de mulheres com quem ele se relacionava amorosamente, mas não era casado, elas poderiam ser vistas como imorais. Hoje, essas informações não incomodam ninguém.
  • Há uma discussão sobre a necessidade de dar lugar para a mulher abrir a porta à sua frente: algumas podem considerar essa atitude desigual.
  • Não é necessário tomar cuidado com o que se fala: palavrões não são mais um tabu. Eles podem até servir como um elogio, o principal é dizer com a entonação correta e na hora certa.

Talvez, de tudo o que foi anteriormente atribuído aos verdadeiros cavalheiros, apenas a capacidade de tratar as pessoas com igual respeito, independentemente de quem elas sejam, seja relevante: seja o garçom do fast food ou o presidente de uma multinacional famosa.

5. Não é preciso ser durão e severo

Até pouco tempo atrás, uma demonstração pública de afeto pelos homens não era bem-vista. Eles tinham que ser duros, severos. Os camponeses não sentiam muito carinho por sua esposa e filhos e podiam, se necessário, provar sua inocência com os punhos. A falta de direitos da mulher era impressionante: na Inglaterra, entre os séculos XVII e XIX, os maridos vendiam suas esposas no mercado, como um objeto.

Agora, a manifestação de emoções pelos homens não é considerada vergonhosa. Eles são pais cada vez mais amorosos e as relações entre os cônjuges são construídas em pé de igualdade.

Embora recentemente outra tendência tenha se desenhado: homens e adolescentes jovens estão se tornando mais racionais em seus relacionamentos. Eles avaliam suas emoções sobriamente, podem colocá-las à mostra, mas evitam apegos. E embora essa autossuficiência lhes permita evitar muitos problemas, eles provavelmente não serão capazes de experimentar sentimentos fortes na vida.

6. Por que você não deve se preocupar com as mudanças que ocorreram com os homens

Todos somos mais ou menos dependentes de estereótipos e, às vezes, pode parecer que “algo está errado” com os homens. Mas, de fato, não há razão para se preocupar.

  • Os homens não precisam demonstrar sua valentia, a vida moderna não exige força significativa. Um especialista em TI que não pode levantar nada mais pesado do que um mouse ganha mais do que um carregador com músculos poderosos. Não há necessidade de duelar pela honra de uma bela dama: algumas garotas responderão ao ofensor à altura, ou até melhor e, em uma situação crítica ela pode chamar a polícia.

  • Algumas mulheres têm vergonha de seus maridos ficarem com as crianças e cuidarem da casa em vez de trabalhar. Mas se vocês se sentem bem juntos e você ganha o suficiente para sustentar uma família, por que isso deveria incomodá-la? E se seu marido não faz nada em casa e você está cansada dele, agora pode se divorciar.
  • Muitos homens não são tão corajosos quanto antes. Mas, graças ao fato de eles terem descoberto emoções em si mesmos, podem se tornar bons pais, participar do parto das parceiras, entender melhor suas esposas ou namoradas.

  • Os maridos não consideram mais o trabalho doméstico vergonhoso. Este é um tópico que causa discussão entre 43% dos cônjuges que trabalham fora (esse número é de 23% no caso de dinheiro). Os casais que concordaram em dividir os trabalhos de casa se divorciam duas vezes menos. Obviamente, nem sempre é fácil incluir os homens na limpeza ou na cozinha, por isso é preciso conversar e estabelecer as regras.

E você, quais qualidades valoriza nos homens? Como acha que os rapazes devem ser educados para que se tornem boas pessoas?