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11 Símbolos seсretos que ajudam a entender um dos quadros mais famosos de Salvador Dalí

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“O surrealismo sou eu”. A frase foi dita por ninguém menos que o pintor espanhol Salvador Dalí, um gênio e rebelde excêntrico que, com suas mais de 1,5 mil obras, mudou para sempre as artes plásticas. Um de seus trabalhos mais icônicos é “A Persistência da Memória”, um quadro de apenas 24×33 cm e que foi pintado em 1931, mas que continua causando admiração e gerando discussões até hoje.

Nós, do Incrível.club, decidimos mergulhar no mundo de surrealismo para revelar os sentidos secretos dessa obra-prima.

Com base em entrevistas da época e em cartas publicadas por Dalí, é possível concluir que o gênio espanhol produziu essa magnífica obra em uma ocasião em que foi acometido por dores de cabeça enquanto sua esposa, Gala, estava no cinema com os amigos. Sozinho, o pintor teria ido ao seu quarto, quando se deparou, ali, com um pedaço de queijo camembert se derretendo sob o sol.

A visão daquela imagem teria sido uma espécie de insight para o famoso relógio derretido que se destaca no quadro. Dalí teria até mesmo se esquecido das dores de cabeça e corrido para seu estúdio, de onde tinha uma vista magnífica de Port Ligat, a pequena vila na Catalunha onde vivia na época — e que até hoje possui um museu em sua homenagem. Então, voilà, os relógios foram sendo pintados. Dalí revelou, depois, quer teria levado somente duas horas para pintar aquela obra prima — tanto foi assim que, quando Gala retornou do cinema, o quadro já havia sido concluído.

Agora, vamos aos detalhes que você provavelmente não conhecia.

1. Relógio derretido. Esse símbolo representa o tempo não linear, em que o passado coexiste com o presente e o futuro (pode acontecer nos sonhos). Por causa dessa não linearidade, podemos identificar os três tempos na pintura: o relógio na árvore simboliza o passado; o derretido sobre a mesa, o presente; e o relógio sobre uma figura que dorme representa o futuro. A posição dos mostradores também tem seu significado especial, que mostraremos a seguir.

2. Objeto oval alaranjado. Essa figura também é um relógio. Mas ele não está deformado porque simboliza o tempo linear, em que o passado, o presente e o futuro não podem existir ao mesmo tempo. Não podemos controlar esse relógio. Dalí despreza esse tipo de tempo. Por isso, o relógio está virado para baixo e há formigas sobre ele.

3. Formigas. Os insetos quase cobrem o relógio. Eles são uma referência à putrefação e a morte nas obras de Dalí. Essa associação surgiu na infância, quando o pintor viu formigas sobre o corpo de um morcego morto. O pequeno Dalí ficou, então, muito impressionado. Os insetos na pintura representam, também, a noção de transitoriedade.

4. Mosca. Dalí chamava as moscas de “Fadas de Mediterrâneo”. Em “O Diário de um Gênio”, o mestre espanhol escreveu: “Elas foram inspiradas por filósofos gregos que passaram a vida sob o sol, cobertos de moscas”. Diferentemente das formigas, associadas à morte no imaginário do pintor, esses insetos simbolizam a musa de Dalí e a inspiração que o ajudou a criar essa fantástica obra.

5. Figura derretida. Se usarmos a imaginação podemos enxergar, nessa figura, a imagem de um homem dormindo. Ele possui um nariz grego, língua, pestanas é até uma sobrancelha. É o autorretrato de Dalí. O pintor acreditava que o sonho é a morte ou pelo menos a exclusão da realidade. Ou, ainda melhor, é a morte da realidade, que também ocorre durante os atos de amor. Autorretratos desse tipo são comuns nas obras de Dalí. Outro excelente exemplo é a pintura “O Grande Masturbador”.

6. Espelho. Simboliza a versatilidade e a inconstância. O espelho pode refletir a realidade bem como o mundo dos sonhos.

7. Árvore seca. A árvore de oliveira é o símbolo antigo de sabedoria. O pintor acreditava que o mundo moderno não possuía essa sabedoria justa. Por isso, a árvore está morta e o relógio (como já explicamos) simboliza o passado.

8. Paisagem deserta. Simboliza a melancolia e o vazio na alma do pintor.

9. Mar. Para Dalí o mar é o símbolo da eternidade, da imortalidade. Um lugar perfeito para viajar. O pintor espanhol acreditava que o mar, ao longo do tempo, não é objetivo e que sua existência está vinculada à mentalidade do viajante.

10. Montanhas. O Cabo de Creus simboliza as origens de Dalí, que nasceu em Figueres, próximo dessas rochas. A paisagem é fácil de reconhecer e se encontra em muitas obras do pintor. Dalí trata as memórias da infância com ternura e muitas vezes as reflete em suas pinturas.

11. Ovo. Um dos símbolos mais conhecidos das obras do gênio espanhol. Em “A Persistência de Memória” a pequena figura oval perto das montanhas é o símbolo das mudanças e do novo, que sempre chega de maneira inexorável. Essa imagem era usada pelos órficos, antigos místicos gregos. Segundo a mitologia, Fanet, a primeira divindade bissexual que criou as pessoas nasceu do Ovo Cósmico. As duas metades da casca formaram o céu e a terra, fato explicaria a existência desse detalhe na pintura.

Se juntarmos todos esses elementos, podemos concluir que a mensagem principal da obra é a de que o tempo é relativo, mas sempre “voa”, e que a memória é efêmera, mas estável. “A Persistência da Memória” possui diversas interpretações ligadas ao médico Sigmund Freud, tido por muitos como o pai da psicanálise. A obra é conhecida não oficialmente como “Relógios Moles”.

Dalí produziu essa obra-prima quando tinha apenas 27 anos. A pintura está exposta na coleção do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque desde 1934.

Vinte anos depois, Dalí produziu uma espécie de sequência da obra, batizada de “A Desintegração da Persistência da Memória”. Na pintura, mostrou o novo mundo da época, marcado pelo avanço tecnológico. A visão do pintor mudou de maneira drástica: os mostradores se dividem em moléculas e todo o espaço está inundado.

Você conhece o trabalho de Salvador Dalí? Gosta de procurar mensagens secretas em quadros, filmes e músicas? Conte para nós na seção de comentários!

Imagem de capa East News
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