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Neurocientistas explicam como o cérebro apaga antigos aprendizados para incorporar novos

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Por muitas décadas, diferentes neurocientistas e psicólogos tentaram explicar como funcionam os processos da memória cognitiva, por que nos esquecemos de determinadas coisas e como a nossa mente simplesmente não consegue incorporar mais conhecimento sem apagar os antigos. Um novo estudo, publicado na Cell Reports, mostrou que, a cada experiência que adquirimos, uma se perde.

Incrível.club pesquisou mais sobre esse estudo e apresenta o que os especialistas descobriram.

O estudo

Jacob Berry, pesquisador de Neurociência da Scripps Research, na Flórida, EUA, apresentou um novo estudo que pode responder às grandes questões relacionadas ao processo de fixação de novos conhecimentos e, ao mesmo tempo, explicar por que outros dados são excluídos para que isso aconteça. A pesquisa foi realizada com moscas. O objetivo era tentar descobrir como novas experiências são adquiridas após o esquecimento de outras, mais antigas.

Aprender e esquecer são processos conectados

O processo foi realizado com moscas e dividido em quatro partes. Para começar, os insetos foram estimulados a perceber um novo cheiro, com a ativação do neurotransmissor dopamina. Depois de perceber esse novo aroma, as moscas receberam um choque elétrico e, com isso, aprenderam que esse cheiro é prejudicial a elas. Segundo os pesquisadores, no momento em que o choque termina, o neurotransmissor responsável por fazê-las associar o aroma a uma sensação ruim (a do choque) é o mesmo que fará com que se esqueçam disso no futuro.

Berry percebeu que, para novos conhecimentos serem adquiridos e fixados, os antigos devem ser apagados. As moscas se esquecem do cheiro negativo porque existem outras lições que encobrem esse conceito. Assim, aprender e esquecer se sobrepõem em diferentes etapas cerebrais.

É inevitável apagar o que é antigo

O que Berry tenta provar é que os conhecimentos antigos e os novos estão mais ligados do que se pensava. É inevitável apagar o conhecimento antigo para permitir a fixação de conhecimentos recentes. Esse processo é conhecido como interferência retroativa.

Esquecer é um processo natural

Para que o cérebro continue funcionando adequadamente, as memórias recentes precisam substituir as do passado. Berry observa ser impossível, após uma longa vida de experiências, que a mente não apague nenhuma lembrança. Esquecer-se é um processo natural, pois evita a saturação de informações não relevantes. A mente pode diferir entre o que é emocionalmente válido para a pessoa e o que pode ser excluído.

Você se considera alguém com boa memória? Consegue se lembrar de histórias e situações antigas sem misturá-las com as recentes?

Imagem de capa The Vow / Screen Gems
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