Incrível

A jovem sueca que decidiu não ir à escola e foi indicada ao Nobel

Em agosto de 2018, uma estudante chamada Greta Thunberg fez um protesto em frente ao parlamento sueco, em Estocolmo. Ela decidiu não frequentar as aulas até as eleições gerais de 2018 na Suécia, depois de fortes ondas de calor no país. Greta pedia que o governo da Suécia reduzisse as emissões de carbono e seguisse o Acordo de Paris, cujo objetivo é conter o aquecimento global. A aluna ficou famosa imediatamente e a ela se juntaram milhares de alunos de 400 cidades dos Estados Unidos, da Europa e da Austrália. Recentemente, ela foi indicada ao Nobel da Paz.

Hoje, o Incrível.club traz a história de Greta, uma estudante que está mostrando que os jovens estão prontos para lutar pelo nosso Planeta e por um futuro melhor.

Há muito pouco tempo a crise ecológica parecia algo improvável. Contudo, em fevereiro de 2019 o Instituto de Políticas Públicas Britânico (IPPR) publicou um informe declarando que a humanidade entrou na ’época da catástrofe ecológica’. Durante os próximos anos, a maneira como lidamos com o meio ambiente irá causar uma grande desestabilização socioeconômica. Segundo previsões da ONU, dentro de 20 anos a temperatura média mundial irá subir 1,5 °C em comparação com o nível pré-industrial, o que pode causar secas, furacões e inundações com poder de devastação nunca vistos. Se o aumento for de 2 °C, as inundações e a falta de água e comida ameaçarão milhões de pessoas no mundo todo. Para que isso não aconteça, é necessário diminuir, até 2030, as emissões de carbono na atmosfera em pelo menos 45%. Contudo, embora o Acordo de Paris tenha sido assinado, os países não têm mostrado pressa em colocá-lo em prática.

“Greve escolar para proteger o clima”

Na sua palestra na série TED, Greta Thunberg contou que ouviu algo sobre o aquecimento global pela primeira vez aos oito anos. Durante alguns anos ela passou a estudar a respeito e percebeu como poucas pessoas falavam sobre um tema tão importante e que afeta todos nós. “Se a queima de combustíveis fósseis ameaça a nossa existência, porque continuamos vivendo assim?”.

Como protesto, Greta parou de consumir carne, parou de viajar de avião e passou a comprar apenas as roupas necessárias. Quando completou 15 anos, foi protestar diante do parlamento sueco com um cartaz que dizia ’Greve escolar para proteger o clima’. Sua mãe é uma cantora de ópera e seu pai é ator, e ambos a apoiaram desde o início. Mas ela não parou por aí. Segundo ela, essa é a única maneira de ser ouvida, já que ainda não tem o direito de votar.

Frequentemente, Greta participa em palestras e conferências sobre o clima. Ela mesma escreve os seus discursos e não tem medo ou vergonha das expressões que costuma usar. Segundo ela, “nós não estamos aqui para pedir aos líderes mundiais que pensem em nosso futuro. Eles sempre nos ignoraram e continuarão ignorando. Os políticos se comportam como crianças. Por isso, chegou o nosso tempo de assumir as responsabilidades que eles deveriam ter assumido há muito tempo (...) Os adultos dizem que são obrigados a dar esperança aos jovens. Mas eu não quero que eles tenham esperança. Quero que estejam em pânico”.

Greta responde aos ataques de críticos que dizem que essas greves são apenas vontade de faltar nas aulas da seguinte forma: “Por que estudar por um futuro que pode não existir?”

Após seus discursos, Greta se transformou em uma personalidade. Os alunos criaram um movimento mundial pelo clima chamado Fridays For Future (Sextas pelo Futuro). Eles pedem aos governos de seus países que reconheçam os problemas ecológicos como prioridades, reduzam as emissões de dióxido de carbono, diminuam o uso de petróleo e de carbono e reduzam a idade mínima permitida para votar para 16 anos.

Greta Thunberg incentiva os alunos a irem toda sexta feira aos prédios das prefeituras de suas cidades. Ela pede que eles tirem fotos e compartilhem nas redes sociais com as seguintes hashtags: #FridaysForFuture e #ClimateStrike.

Os protestos escolares se mostraram mais eficientes e chamaram mais atenção que as petições de organizações ecológicas. Greta não recebe apoio apenas de estudantes, mas de adultos, principalmente da chanceler alemã Angela Merkel, do primeiro ministro irlandês Leo Varadkar, dos prefeitos de Paris, Milão, Sidney, Austin, Filadélfia, Portland, Oslo, Barcelona e Montreal. O ator Leonardo DiCaprio, famoso por seus discursos relacionados com a proteção do meio ambiente, apoiou o protesto de 15 de março de 2019 ao escrever sobre ele no Twitter. Nesse dia, mais de 1,5 milhão de pessoas de 2.083 cidades em 125 países saíram nas ruas.

“Aos 11 anos fiquei deprimida, parei de falar e de comer e emagreci 10 kg. Fui diagnosticada com síndrome de Asperger, uma forma branda de autismo. Isso significa que falo apenas com quem eu considero extremamente necessário. Agora é um desses momentos. Quero que as pessoas se comportem como se o nosso lar estivesse em chamas. Porque a realidade é essa”, disse Greta.

Você já tinha lido a respeito desse movimento? E o seu filho, fala com você sobre o futuro e sobre o que podemos fazer para reverter a situação complicada em que o nosso Planeta se encontra?