Incrível
NovoPopular
Inspiração
Criatividade
Admiração

Professor dá uma tarefa de casa para seus alunos mostrando a importância dos avós

5--4
313

Nem todo mundo se sente tranquilo ao pensar na chegada da velhice. Para muitos, aspectos como a passagem dos anos, o aparecimento dos primeiros fios brancos ou a descoberta de uma simples ruga podem trazer à tona os medos e a insegurança de que envelhecer significa perder oportunidades.

Isso pode nos fazer esquecer aspectos belos da velhice, como a sabedoria adquirida e as experiências vividas. Tais aspectos podem ser aprendidos na infância, por meio da convivência com os avós, pessoas importantes que, às vezes, não são valorizadas como deveriam.

Esse foi um dos motivos que levaram o professor argentino Nicolás Tevez a envolver seus alunos do ensino fundamental em um projeto escolar especial, com o objetivo de justamente valorizar os avós. O Incrível.club vai contar como essa “simples” tarefa deixou muitos ensinamentos sobre a importância da família e dos idosos para os pequenos estudantes.

Projeto “Nibuelos”

“Todos os meus alunos têm avós bem idosos, então decidi indagar como se relacionavam com eles por meio de perguntas como: vocês se veem muito ou pouco? São pessoas que só cuidam de você quando seus pais precisam sair e fazer alguma coisa? Ou tem um vínculo com eles?”, disse Nicolás, ao explicar o ponto de partida que deu origem ao projeto escolar “Nibuelos, recuperando os dias”, um trabalho de pesquisa que buscava resgatar o vínculo de seus alunos de 6 anos de idade com seus parentes mais velhos, para que os pequenos aprendessem a valorizar a terceira idade.

No âmbito do projeto, os alunos executaram diferentes atividades, como assistir a filmes infantis que valorizavam o papel dos avós em outras culturas, além de analisar histórias para descobrir o valor atribuído à velhice nessas narrativas. Uma das atividades consistiu, por exemplo, em levar fotos para a sala de aula: “Fotografias de quando eram bebês e outras atuais, para que entendessem que a passagem do tempo é sinônimo de vida. Eles aprenderam que, com a idade, além das mudanças físicas, há um desenvolvimento intelectual”, afirmou Nicolás.

O amor da velhice pode ser semeado na infância

Nicolás analisou com as crianças a história da Branca de Neve, que tem como vilã uma rainha disposta a fazer qualquer coisa para voltar a ser jovem. “O fato de uma pessoa ser mais velha, não significa que não tenha vontade de fazer várias outras coisas e de aprender. Há um olhar cheio de preconceito em relação à velhice. Considera-se que os idosos já trabalharam e viveram suas vidas e, portanto, agora só lhes restam a passividade e a solidão”, explicou o professor. Para demonstrar que os avós não são figuras “passivas”, que cuidam das crianças quando os pais não podem fazê-lo, a escola convidou os alunos a realizar atividades que estimulassem o convívio com a terceira idade de forma ativa.

Nos dias dessas atividades, grupos de dança de aposentados frequentaram a sala de aula, para que as crianças conhecessem sua arte e respondessem às suas perguntas. Os alunos também entrevistaram idosos de um asilo diurno. As crianças até escreveram cartas para um senhor que tinha terminado o ensino fundamental na terceira idade, para mostrar reconhecimento e carinho. Esse pequeno gesto mostrou que os alunos tinham percebido o esforço dessas pessoas para continuar se superando e aprendendo coisas novas.

As crianças precisam olhar menos para as telas e ser mais ouvidas

“Nos tempos em que vivemos, de imediatismo e ansiedade, geralmente deixamos de lado as pessoas que valorizam outras coisas, como conversar e compartilhar. Penso que a contribuição das crianças para isso é fundamental. (...) Os pequenos são como esponjas: absorvem tudo e realmente querem aprender. É importante as crianças serem ouvidas e, muitas vezes, os avós são as pessoas ideais para isso. É possível encontrar novas formas de se relacionar”, disse Nicolás, que explicou também que, à medida que as crianças começaram a se envolver no projeto, perceberam que, apesar de passar um tempo com os avós, não aproveitavam bem esses momentos.

“Também percebemos que, em muitas ocasiões, os pais levavam os filhos às casas dos avós, mas eles não interagiam. Começamos a ver que podiam jogar cartas com eles, por exemplo, pois aos 6 anos de idade as crianças já estão aprendendo números. Isso as motivou. Por esse motivo, as crianças começaram a encontrar novas maneiras de se relacionar com os avós, pedindo que lessem histórias para elas e até telefonando quando não podiam visitá-los”, acrescentou.

Ótima aceitação dentro e fora da sala

Quando o projeto terminou, as crianças tinham aprendido não apenas a ver a beleza dos idosos, mas também a dividir seu tempo com os avós e a sentir vontade de fortalecer vínculos, de modo que até os pais ficaram muito gratos pelos resultados. Mas o que surpreendeu o professor e a escola foi que o interesse aumentou e atingiu pessoas fora da instituição. “O projeto continua me surpreendendo, por causa do impacto e da relevância social que significou ver 30 crianças de 6 anos se perguntarem qual seria o papel dos avós em suas vidas”, disse Nicolás.

Quais lembranças de infância você tem de seus avós? Gostaria que projetos como esse fossem implementados em mais escolas? Conte-nos na seção de comentários.

5--4
313