Como lidar com pessoas mal-educadas no dia a dia (e como não ser essa pessoa)

Psicologia
há 4 anos

A boa educação, infelizmente, não está presente em todos os dias da nossa vida. Vemos por aí o tempo todo gente que fura fila, fala alto em qualquer lugar, tenta resolver tudo no grito, desrespeita os mais velhos, não sai do celular ou não ensina noções básicas de bons modos aos filhos.

Como lidar com algumas situações irritantes que acontecem no cotidiano? Ou como não ser a pessoa folgada que não presta atenção ao espaço dos outros e parece ter vindo ao mundo sozinha, sem noção de coletividade? Às vezes, agimos sem perceber e uma boa conversa ou um aviso delicado podem fazer toda a diferença para um convívio social mais harmonioso.

Incrível.club aponta algumas falhas comuns e mostra maneiras de cuidar do assunto. No bônus, conversamos com você sobre a importância de agradecer — sempre!

Furões de fila

Esta é uma situação clássica: no banco, no supermercado, no check-in do aeroporto ou na lotérica volta e meia aparece alguém “desavisadamente” e se coloca na frente das pessoas que estão ali esperando há um tempão. A regra deveria ser clara para todos: “esta é uma fila, não a fure”. Mas tem gente que parece ter vindo sozinha ao mundo.

E ainda tem aquele ser humano que chega na boca do caixa, bem na hora em que é a sua vez de ser atendido, e diz: “Só preciso de uma informação”. É a senha para descarregar toda a papelada, resolver seu problema e passar na frente de todos. De acordo com o psicólogo Fábio Iglesias, da Universidade de Brasília, que estudou o comportamento dos fura-filas, a “informaçãozinha” é a tática mais comum, seguida de outra modalidade: fingir distração enquanto olha o celular.

Como agir: “Furar fila é uma demonstração de falta de respeito com quem chegou antes. É aquele negócio de querer levar vantagem em tudo. Isso depende da consciência de cada um”, diz Fábio Iglesias, que também observou o comportamento de quem espera e diz que o brasileiro, de maneira geral, é complacente com os furões.

Porém, vale o aviso aos espertos: “Meu senhor, não sei se percebeu, mas esta é uma fila”. A escritora Danuza Leão, mestra em etiqueta, é mais radical, e dá sua opinião sobre os furões do check-in: “Provoque a revolta da fila toda. Sua indignação é justificada e você vai contar com a solidariedade do aeroporto inteiro”.

Passar na frente de idosos e de pessoas com dificuldade de locomoção

Aqui podemos acrescentar uma série de comportamentos, além de chegar com 49 itens à fila de atendimento prioritário do supermercado, sendo que não se é alguém que pode ser beneficiado pela lei de prioridades. Estacionar em vagas para deficientes é um dos mais comuns.

Como agir: caso presencie uma falta de respeito parecida, dirija-se delicadamente ao infrator: “Acredito que esta moça grávida tenha ser atendida na sua frente”. Ou: “Imagine se alguém que realmente precise desta vaga chegar agora”. Não custa lembrar que dar lugar às pessoas que precisam de atendimento prioritário é uma lei federal e que desrespeitá-la é infração.

Falar alto no celular (em qualquer lugar)

Outra cena comum: você espera sua vez no dentista e uma fulana, em voz altíssima, conta animadamente para a amiga a briga que teve com o chefe, o problema com a balconista, os planos de folia para o Carnaval, o presente que quer comprar para o namorado e vários outros detalhes pouco interessantes da sua vida pessoal. A não ser para ela mesma.

Como agir: Infelizmente, não há muito o que fazer, a não ser tentar lançar alguns olhares de desaprovação para a gralha — quem sabe ela se toca. Fones de ouvido e uma boa playlist podem ser a salvação na sua próxima ida ao dentista. Caso seja você quem tenha uma fofoca muito boa para contar, aguarde até estar em um lugar privado, onde possa falar e rir à vontade. Ou use um aplicativo de mensagens. Com o barulhinho de notificações mudo.

A etiqueta dos dispositivos

O celular é uma fonte inesgotável de situações mal-educadas. Por isso, é mais prático fazer uma lista de comportamentos que merecem (e devem) ser evitados:

  • Não ande teclando na rua, na escola, no mercado, na academia ou em qualquer outro lugar. Evite encontrões e acidentes.
  • Caso precise atender, fazer uma chamada urgente ou enviar um áudio em local público, seja breve e fale em voz baixa. Evite assuntos íntimos.
  • Viva-voz em lugares públicos, jamais. Mensagens de voz? Use os fones de ouvido para checá-las. Caso não os tenha à mão, celular na orelha no volume mais baixo possível.
  • Não ligue o celular em cinemas, peças de teatro, palestras. Chame a atenção delicadamente de quem o faz: “Desculpe incomodá-lo, mas você não ouviu o anúncio para desligar o celular antes do espetáculo?” Em shows de rock, funk, samba ou sertanejo, ficam liberadas as selfies.
  • Recebeu músicas, áudios, vídeos? Deixe-os para abrir quando ninguém possa ser incomodado.
  • Aqui voltamos à fila: quem nunca ficou esperando atrás de alguém que não sai do WhatsApp em vez de resolver logo sua compra no supermercado e fazer a fila andar? Não seja essa pessoa.
  • Se estiver na companhia de alguém, deixe o celular de lado e curta o momento. Nada mais chato do que tentar conversar com quem não sai do chat ou fica conferindo o que acontece nas redes. A maioria dos assuntos pode esperar um pouco. Caso tenha algo urgente para resolver, avise a quem está ao seu lado que o papo poderá ser interrompido e tente ser o mais breve possível.
  • Sabe o chato que abre o WhatsApp para mostrar todos os memes, gifs e figurinhas divertidas que recebeu (e que você já está careca de receber e de ver)? Também não seja esse alguém.
  • Se a pessoa do outro lado do WhatsApp não para de mandar mensagens enquanto você precisa se concentrar em outro assunto, diga educadamente que está terminando uma tarefa e que estará disponível em determinado período de tempo.
  • Se quiser postar uma foto em grupo, pergunte se todos os fotografados concordam. Pode ter alguém que esteja de cabelo ruim no dia ou simplesmente não goste de aparecer nas redes. Ou não quer aparecer na sua rede — vai saber.
  • Gosta de fotografar comida para arrasar no Instagram? Faça lindas imagens do seu prato. Nada mais irritante do que pedir que alguém não dê a primeira garfada até você encontrar a luz, o ângulo e o foco perfeitos para postar... a comida alheia!

Gente que não sabe ouvir (e adora gritar)

Há quem goste de fazer prevalecer sua opinião ou contar sua história (que sempre considera a mais interessante do planeta) em voz alta ou mesmo no grito. Esse tipo de pessoa geralmente não se interessa em ouvir a opinião alheia e aprender com os conceitos e experiências dos outros. Ela tem razão e está acabado.

Como lidar: a especialista americana em etiqueta Debby Maine ensina a mostrar simpatia e empatia com quem é rude. “Se alguém grita com outra pessoa ou com você em público, você pode mencionar que já teve dias ruins também, que entende perfeitamente como aquela pessoa se sente. Se for alguém essencialmente mal-educado, pode não se acalmar. Mas se aquele for um lapso momentâneo de educação, essa pessoa provavelmente vai se desculpar”, diz Debby.

Em casos extremos, Debby aconselha evitar quem é constantemente mal-educado. Caso faça parte do seu ambiente profissional, por exemplo, e seja impossível fugir dessa pessoa, a atitude correta é conversar muito calmamente sobre suas atitudes. Às vezes, ela é rude sem perceber, pode estar passando por uma fase de estresse. Se a conversa não der resultado, restrinja o convívio ao estritamente profissional.

Lembre-se: intimidação e assédio são assuntos para o departamento de recursos humanos. Agressão física, assunto de polícia.

Entre pessoas que não são íntimas, evite discussões sobre política, religião e futebol.

Crianças (nada) adoráveis em restaurantes e outros lugares onde a paz deveria ser preservada

Crianças são seres encantadores... até certo ponto. Quem nunca teve seu jantar incomodado pela algazarra de meninos e meninas correndo entre as mesas, espalhando comida pelo chão ou dando shows de birra em um restaurante?

A atitude de algumas empresas aéreas de indicar aos passageiros os lugares que serão ocupados por crianças já causou polêmica entre viajantes. Houve quem aprovasse a ideia, esperando por um voo tranquilo, longe de choros ou bagunça. Outros consideraram a medida discrimatória.

Como agir: Não há muito o que fazer quando a criança barulhenta não é seu filho. Mas há algumas atitudes possíveis por parte dos pais. Se o pequeno já tem idade para entender certas regras de convivência, pode-se conversar com ele antes de sair, explicando como deve se comportar e que certas brincadeiras podem perturbar outras pessoas. Tudo isso faz parte de como educar bem os filhotes para, por exemplo, não se tornarem furões de fila quando adultos, certo?

Em caso de ataques de birra ruidosos, leve a criança para fora do local, tente acalmá-la com alguma história, algum assunto que melhore seu humor. Volte quando ela estiver tranquilinha.

Outro cuidado é evitar lugares mais formais, como restaurantes clássicos, onde as pessoas queiram jantar e conversar com tranquilidade. A presença de crianças em certos ambientes é chata para elas mesmas, que se impacientam com facilidade, especialmente à noite, quando tudo o que preferem é tomar um leitinho, ver um desenho e cair no sono.

Procure lugares familiares onde haja espaço para elas. Há restaurantes com playground e equipes treinadas para animar os pequenos. E até mesmo locais pensados exclusivamente para o público infantil. Em voos, viagens de ônibus e outras situações confinantes, quando não se tem para onde fugir, é rezar para que tudo corra bem.

E lembre-se de mais uma máxima de Danuza Leão: “Se você não consegue controlar seu filho, algum estranho pode tentar”.

Bônus: Agradeça. Sempre!

A vida é corrida e às vezes nos esquecemos de pequenos gestos que fazem toda a diferença e melhoram o convívio entre os seres humanos. Quer ver como é simples?

  • Foi a uma festa e estava tudo ótimo — a comida, as pessoas, a música? Ligue no dia seguinte para quem fez o convite e elogie, elogie, elogie. Nada mais frustrante para o anfitrião do que não receber um carinho depois. Essa é mais uma dica da Danuza Leão.
  • Recebeu um convite e não pôde ir? É sempre de bom tom mandar uma mensagem ou dar um breve telefonema explicando o motivo da sua ausência.
  • Lembre-se da amiga ou do amigo que você adora e não vê faz tempo, porque que a vida atribulada os afastou. Mande uma mensagem para saber como ele ou ela está, chame para um café, ofereça um jantarzinho para colocar o papo em dia.
  • Tudo bem que a vida moderna é um emaranhado de mensagens e posts nas redes e nem sempre damos conta de tanta informação. Tente responder a todos, sem se deixar escravizar por essa obrigação, mas com leveza. (OK, com os geradores compulsivos de memes e mensagens de “bom dia” podemos relaxar um pouco mais na atenção.)
  • Dê lugar aos mais velhos, ajude quem tem dificuldade de atravessar uma rua ou de embarcar no transporte coletivo.
  • Obrigado, com licença, por favor. São palavrinhas mágicas.

O que achou das nossas dicas de comportamento? Costuma ver essas coisas acontecendo por aí ou às vezes comete algum deslize? Conte para nós nos comentários!

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