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Uma história sobre como mulheres fortes também precisam ser protegidas

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Muita gente acredita que os animais sabem muito sobre a personalidade de uma pessoa. E muito bichinhos já confirmaram essa teoria. Irina Podgurskaya é uma autora de histórias emocionantes e interessantes e escreveu sobre uma situação em que devemos confiar completamente na intuição dos nossos amigos de quatro patas.

Nós, do Incrível.club, amamos eternamente nossos animais de estimação e sugerimos que todos os leitores acreditem no faro desses amigos, mesmo que eles evidentemente não possam falar.

Meu amigo Sebastião sempre amou mulheres fortes e independentes.

— E daí se ela for independente? Pelo menos vai cuidar de mim e me proteger — ele adorava dizer.

E o que era mais interessante — ele conseguia identificar esse tipo de mulher em seu coração. Com uma só olhada já descobria aquelas que eram realmente fortes e as que só queriam aparentar.

— Não, é melhor ficar longe dessa mulher — afirmava Sebastião. — Veja, só de ela chegar perto, todas “as portas já se abrem” e quem já a conhece se benze. Só que tudo isso não passa de uma farsa para atrair a atenção dos homens. E assim que você cair em seu jogo, ela o prenderá imediatamente, como um buraco negro. Você não terá tempo nem para olhar em volta, pois do nada já terá uma casa, uma família e um monte de filhos. E o que antes parecia uma mulher forte amanhã estará sentada na cozinha tricotando meias e aguardando que você tome todas as decisões importantes sozinho. Não é isso que eu quero para minha vida... ter que eu mesmo que cuidar das coisas, isso, não...

Mulheres fortes, segundo meu amigo, são aquelas que não se destacam, não “comandam exércitos” e não levantam a voz. No entanto, a confiabilidade delas é de deixar qualquer cofre de banco com inveja. O principal — saber como chegar nesse tipo de mulher.

E Sebastião realmente sabia como se aproximar delas. Não, ele não abordava as mulheres fortes com um buquê de flores e segurando um cartão. Ele se aproximava cautelosamente pelos lados, e com uma voz tímida perguntava algo sobre qualquer bobagem. Vendo essa cena já ficava claro que se a mulher não o correspondesse e lhe desse carinho, ele simplesmente “morreria” por ali mesmo.

Mulheres fortes não abandonam os mais fracos. E logo, logo Sebastião se via em condições muito confortáveis — sentado com um cobertor em frente à TV. Ao seu lado, na mesa perto do sofá, havia uma xícara de chá quentinho com geleia de framboesa, como um atributo extremamente necessário para manter sua boa saúde. Essa era a vida que meu amigo desejava.

Se não fosse pelos gatos.

Sim, até mulheres fortes e independentes têm suas falhas. Sebastião acreditava que ele era a única falha que poderia ocorrer na vida delas, mas os gatos, como regra, lideravam esse ranking. Os animaizinhos sempre conseguiam ocupar tanto a casa como o coração das mulheres independentes em primeiro lugar. E defendiam seu espaço ferozmente...

— Estava tudo indo bem, sabe — meu amigo se queixou. — Ela me convidou para ir à sua casa. Até aí estava tudo perfeito. Mas assim que abriu a porta eu vi o gato sentado bem na soleira da porta... me fuzilando com seus olhos...

No ponto de vista de Sebastião, uma das últimas mulheres que esteve com ele apenas o dedicou pouco cuidados (na concepção dele) enquanto o gato, que certamente fazia companhia a ela há muito mais tempo, era o centro da atenção, tendo todos os seus desejos realizados e mimados. Obviamente, com o tempo, essa situação começou a incomodar meu amigo. E ele tentava lutar com o animalzinho, chegando até a tirar sua comida e a trancá-lo na despensa.

O gato, por sua vez, se vingava brutalmente: urinava nos sapatos dele e vomitava comida não digerida diretamente em suas roupas espalhadas pela casa... e então corria pelo quarto, fugindo e se esquivando daquele sujeito vingativo, rasgando o papel de parede e as cortinas pelo caminho. Reclamar do felino era simplesmente inútil: a mulher sempre ficava do seu lado.

— Ah, você deve ter olhado de um jeito agressivo para ele, — dizia aquela garota forte e independente, segurando seu gatinho nos braços — Tião tem um temperamento muito sensível, ele reage com muita raiva a qualquer energia negativa.

O Sebastião de quatro patas, que por um capricho do destino tinha o mesmo nome que meu amigo, apertou seus olhos verdes olhando descaradamente para ele e ronronou para sua mãe... naquele momento meu amigo cerrou os dentes de tanta raiva, fazendo planos mirabolantes de vingança.

Infelizmente meu amigo sempre perdia essa constante batalha por um lugar confortável ao lado da garota. Nada o ajudou: nem o laxante que colocou na tigela do gato, nem seu perfume intencionalmente derrubado.

Quando, na ausência de sua dona, aquele mesmo gato foi levado de carro para fora da cidade, parecia que tudo estaria resolvido. Mas, na manhã seguinte, o felino estava sentado no tapete em frente à porta da frente e miando duas vezes mais alto, para informar a todos que havia retornado. Meia hora depois, quem estava ocupando aquele mesmo lugar no tapete era o vingador fracassado com uma mala nas mãos, enquanto o gato recuperava seu lugar de direito no apartamento.

— Mulheres fortes e independentes são maravilhosas — suspirou Sebastião, virando outra dose — Mas apenas se as leis proibissem de ter gatos... se isso acontecesse, elas seriam perfeitas.

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