15 Curiosidades sobre os Prêmios Nobel outorgados a mulheres ao longo da história

O empresário Alfred Nobel, conhecido pela invenção da dinamite, foi responsável por criar o prêmio que leva seu nome e que a Academia Real de Ciências da Suécia entrega anualmente desde 1901. Desde então, até a edição de 2019, um total de 53 mulheres (entre 866 homens) foram premiadas nas diferentes categorias: Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz (a última é a única eleita por um comitê norueguês).

Como uma homenagem ao seu esforço e dedicação, o Incrível.club reuniu fatos e curiosidades interessantes de algumas mulheres que brilharam em suas áreas e se tornaram vozes corajosas para um mundo melhor. Confira!

1. Uma das mentes mais brilhantes do século XX

Marie Curie e o Prêmio Nobel são praticamente sinônimos. A polonesa nacionalizada francesa foi a primeira mulher a obter essa distinção em 1903, devido a seus estudos sobre a radiação. Ela também é a única pessoa que conseguiu obter esse prêmio em mais de uma ocasião, já que em 1911 o ganhou em Química (o anterior foi em Física) por sua descoberta dos elementos rádio e polônio.

Entre as contribuições da cientista, que também foi a primeira mulher a se tornar professora da Universidade de Paris, destaca-se a construção de máquinas portáteis de raio-x que permitiram estudos radiológicos na frente de batalha durante a Primeira Guerra Mundial. Ele morreu aos 66 anos, devido a exposição à radiação durante seu trabalho.

2. Tal mãe, tal filha

Marie Curie e seu marido, Pierre Curie (também ganhador do Prêmio Nobel de Física em 1903) tiveram duas filhas: Irène e Ève Denise. A segunda foi uma escritora reconhecida, enquanto a primeira recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1935 por alcançar a síntese de novos elementos radioativos.

Estudou física e química na Universidade de Paris, foi funcionária do governo francês em pesquisa científica e trabalhou como assistente de sua mãe. Lá ela conheceu seu marido, Frédéric Joliot, com quem ganhou o Prêmio Nobel em conjunto. Seus estudos contribuíram para a construção de reatores para obter energia nuclear.

3. As duas representantes latinas

A chilena Gabriela Mistral recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1945, em reconhecimento à sua poesia, que “fez de seu nome um símbolo das aspirações idealistas de todo o mundo latino-americano”. Ela foi a primeira mulher da América Latina a alcançar a distinção e a segunda pessoa latino-americana depois do argentino Carlos Saavedra Lamas, que ganhou o Nobel da Paz em 1936.

A outra representante da região a conseguir tal prêmio foi a guatemalteca Rigoberta Menchú, premiada em 1992 por sua luta pelo respeito aos direitos dos povos indígenas. Ativista política e dos direitos humanos, ela foi uma mediadora no processo de paz entre o governo de seu país e os guerrilheiros.

4. A mais jovem da história

A mais jovem vencedora do Prêmio Nobel é Malala Yousafzai, que recebeu o Nobel da Paz em 2014 por sua luta pela educação das mulheres no mundo e principalmente em seu país de origem, o Paquistão. Antes, esse registro entre as mulheres era de Tawakkul Karman. A jornalista iemenita conseguiu em 2011, aos 32 anos, por sua defesa dos direitos políticos das mulheres.

A campanha de Malala teve uma agitação internacional em 2012, quando, sob um pseudônimo, ela começou a escrever um blog para a BBC britânica sobre sua vida sob a ocupação do Talibã. Três anos depois, ela foi atacada por esse grupo fundamentalista e, depois de se recuperar, tornou-se uma representante ativa das Nações Unidas e de outras organizações internacionais.

5. Presa, premiada e depois criticada

Um dos casos mais particulares entre os ganhadores do Nobel da Paz é o da ativista birmanesa Aung San Suu Kyi. Ela o recebeu em 1991 “pela luta não violenta pela democracia” em seu país, governado na época por uma junta militar. Havia outras duas pessoas que se distinguiram quando estavam presas: o pacifista alemão Carl von Ossietzky (1935) e o defensor de direitos humanos Liu Xiaobo (2010).

Mas o que torna essa situação peculiar é que Aung San Suu Kyi deixou de ser aplaudida e passou a ser criticada quando chegou ao poder na Birmânia, em 2016. Outros ganhadores do Nobel da Paz, organizações de direitos humanos e líderes políticos exigiram que ela se afastasse, acusando-a de inação frente ao êxodo em massa dos Rohinyá, uma minoria muçulmana.

6. Uma ganhadora do Nobel que trabalhou para Alfred Nobel

A segunda mulher a obter um Nobel e a primeira a consegui-lo pela paz foi a baronesa austríaca Bertha von Suttner, em 1905. Ela cresceu em um ambiente aristocrático que celebrava tradições militares, mas passou grande parte de sua vida criticando-o. Isso se refletiu em seu romance mais famoso, Abaixo às armas!, que se tornou um clássico do movimento pacifista internacional.

Os problemas econômicos de sua família e sua recusa em se casar com uma pessoa bem estabelecida apenas por sua fortuna a levaram a trabalhar. Em 1976, por duas semanas, ela foi secretária de Alfred Nobel, promotor do prêmio que leva seu sobrenome. Embora tenha sido por pouco tempo, ambos mantiveram uma amizade e continuaram trocando cartas por vários anos.

7. A ganhadora Nobel que foi declarada santa pela Igreja Católica

Seu nome era Agnes Gonxha Bojaxhiu, mas o mundo a conheceu como Madre Teresa de Calcutá. Seu trabalho humanitário na Índia, ajudando pessoas pobres, órfãs e doentes por mais de 45 anos, lhe rendeu vários prêmios internacionais, incluindo o Prêmio Nobel da Paz, concedido em 1979.

Após sua morte, que ocorreu em 1997, o papa João Paulo II a beatificou em 2003, um processo no qual a Igreja Católica certifica as virtudes que uma pessoa teve durante sua vida. Foi o passo anterior à sua canonização, aprovada pelo Papa Francisco, ato em que ela foi declarada santa.

8. As únicas ganhadoras na categoria Economia

Apenas duas mulheres obtiveram o Prêmio Nobel de Economia. A primeira foi a americana Elinor Ostrom, em 2009, por demonstrar o sucesso que podem ter os chamados bens comuns, aqueles controlados pelas comunidades ou pela sociedade. Ela derrubou a teoria tradicional que afirmava que esses tipos de bens requer a intervenção do Estado ou sua privatização para que sejam bem gerenciados.

A segunda a conseguir esse mesmo prêmio foi a francesa Esther Duflo, em 2019, por sua "abordagem experimental para aliviar a pobreza global". Conselheira do ex-presidente dos EUA, ela estudou o impacto que as políticas públicas têm sobre as famílias de baixa renda. Por exemplo, o aumento da vacinação de crianças foi resultado do incentivo em oferecer um pacote de lentilhas em troca.

9. De escrava sexual a Nobel da Paz

Nadia Murad Basee Taha tinha 19 anos quando foi sequestrada junto com várias jovens pelo Estado Islâmico na cidade onde morava em seu país natal, o Iraque. Ela foi escrava sexual por vários meses até conseguir escapar depois que seu sequestrador esqueceu de trancar a porta do lugar onde ela estava sendo mantida em cativeiro.

Já livre, ela se tornou uma voz central para denunciar os abusos cometidos contra sua minoria, chamada Yazidí, e o tráfico de seres humanos durante a guerra. Em 2018, o Comitê Norueguês reconheceu o feito e conferiu a ela o Prêmio Nobel da Paz “por seus esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma em guerras e conflitos armados”.

10. O ano com mais mulheres premiadas

Embora as mulheres continuem sendo minoria no que diz respeito ao reconhecimento do Prêmio Nobel, 2009 foi o ano em que elas receberam mais prêmios, ao todo 5. Além da renomada Elinor Ostrom em Economia, as bioquímicas Elizabeth Blackburn (australiana) e Carol Greider (americana) o levaram em Medicina por seu trabalho sobre o funcionamento dos cromossomos.

Por sua vez, a química Ada Yonath (israelense) foi premiada na categoria Química por seu estudo sobre partículas celulares chamadas ribossomos, e a romancista Herta Müller (nascida na Romênia e naturalizada alemã) obteve o prêmio em Literatura por sua capacidade de descrever “com a concentração da poesia e a franqueza da prosa, a paisagem dos despossuídos”.

11. Nobel da Paz, a categoria com mais vencedoras

Quase um terço dos prêmios Nobel conquistados por mulheres são da Paz. No total, elas receberam 17 dessas distinções ao longo da história. Os destaques incluem Jane Addams (pioneira do feminismo e trabalho social), Emily Greene Balch (figura central da Liga Internacional da Mulher pela Paz e a Liberdade), Betty Williams e Mairead Maguire (lideraram o processo que encerrou o conflito na Irlanda do Norte) e Alva Myrdal (diplomata que promoveu políticas de desarmamento).

Outras reconhecidas são Jody Williams (trabalhou na proibição das minas antipessoais), Shirin Ebadi (ativista dos direitos das mulheres e das crianças) e Wangari Maathai (contribuiu para a democracia em seu país natal, o Quênia). Em 2011, houve um evento sem precedentes e 3 mulheres foram premiadas juntas (foto acima): Ellen Johnson-Sirleaf (ex-presidente da Libéria, primeira mulher a ocupar esse cargo na África), Leymah Gbowee (chave na pacificação também da Libéria) e Tawakkul Karman (rosto da chamada Primavera Árabe no Iêmen).

12. Reconhecimentos diversos na Literatura

O último Prêmio Nobel de Literatura foi concedido à polonesa Olga Tokarczuk, em 2018. O primeiro chegou 109 anos antes, em 1909, e foi para a sueca Selma Lagerlöf. Entre elas, há uma lista de autoras importantes: Grazia Deledda, Sigrid Undset, Pearl Buck, a chilena Gabriela Mistral, Nelly Sachs, Nadine Gordimer, Toni Morrison, Wisława Szymborska e Elfriede Jelinek.

Uma das escritoras mais reconhecidas internacionalmente ao ser premiada foi Doris Lessing (foto acima), autora de O Caderno Dourado, entre outros romances. Também foram premiadas Herta Müller, Alice Munro e Svetlana Aleksiévich, autora do livro documentário Vozes de Chernobyl, que foi traduzido para várias línguas e se tornou uma das bases dos depoimentos da recente série da HBO.

13. Poucos prêmios e amplamente espaçados em Química

A família Curie contribuiu com 2 dos 5 prêmios Nobel de Química conquistados por mulheres. Marie conseguiu em 1911; sua filha Irène, em 1935, e o seguinte em 1964, graças ao trabalho da britânica Dorothy Crowfoot Hodgkin, que, através de técnicas de raios-X, conseguiu identificar a estrutura da vitamina B12, da penicilina e da insulina

Foi preciso esperar muito tempo para que a Academia Real Sueca de Ciências recompensasse uma mulher novamente. Foi em 2009, para a israelense Ada Yonath, premiada por seu estudo sobre partículas celulares chamadas ribossomos. O último foi entregue em 2018 e foi recebido pela americana Frances Arnold (foto acima) “pela evolução direcionada de enzimas”.

14. Todos os prêmios em Física foram compartilhados com homens

O reconhecimento das mulheres é menor nas ciências exatas. Como em química e em física há poucas cientistas premiadas com o Prêmio Nobel: apenas 3 e, em todos os casos, eram prêmios compartilhados com homens. Marie Curie o ganhou em 1903 junto com o marido, Pierre Curie, e Henri Becquerel.

Em 1963, Maria Goeppert-Mayer foi premiada (foto acima) por propor um novo modelo do envoltório do núcleo atômico, juntamente com os pesquisadores alemães J. Hans Jensen e Eugene Wigner. A canadense Donna Strickland conseguiu o Nobel em Física em 2018 por invenções inovadoras no campo da física do laser, que foi compartilhado com Gérard Mourou e Arthur Ashkin.

15. As contribuições no campo da medicina

Doze mulheres receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. A primeira foi Gerty Cori, em 1947, por descobrir a forma como o glicogênio (um derivado da glicose) se torna uma fonte de energia. Entre 1977 e 1988, Rosalyn Yalow foi reconhecida (pelo desenvolvimento do radioimunoensaio dos hormônios peptídicos), Barbara McClintock (estudou elementos genéticos móveis), Rita Levi-Montalcini (trabalhou sobre os fatores de crescimento) e Gertrude Elion (encontrou importantes princípios no tratamento medicamentoso).

Desde então, o prêmio foi entregue a Christiane Nüsslein-Volhard (observou o controle genético do desenvolvimento embrionário inicial), Linda Buck (por suas descobertas no sistema olfativo), Françoise Barré-Sinoussi (pioneira em avanços contra o HIV), as mencionadas Elizabeth Blackburn e Carol Greider, May-Britt Moser (descobriu células que constituem um sistema de posicionamento no cérebro) e Tu Youyou (responsável por uma nova terapia contra a malária).

Você acha que houve progresso no reconhecimento da contribuição das mulheres na ciência e na sociedade? Quem você indicaria para um Nobel e por quê? Sinta-se livre para compartilhar sua opinião conosco na seção de comentários.

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