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Uma história mostrando que tudo que acontece de ruim é para melhorar

O término de um relacionamento, expectativas frustradas e esperanças destruídas podem abalar qualquer um. Mas os anos passam, e as experiências vividas nos transformam e nos preparam para novos desafios do destino. Assim, o fim de um namoro vem acompanhado de um casamento forte com uma pessoa maravilhosa, a demissão em um lugar leva à decolagem na carreira em outro, e a dor e decepção nos dão forças para seguir em frente.

Incrível.club não deixou passar despercebida uma história sincera da psicólogablogueira Elena Pasternak, que prova que alguns momentos podem mudar a vida para melhor, mesmo quando perdemos o ânimo e parece que o nosso mundo acabou. Confira!

Nossa vida é como um mapa: mais cedo ou mais tarde chegamos a um ponto em que muda tudo, como em um videogame. Não importa o que seja — o tão cobiçado vestido, meias finalmente tricotadas, uma prova de habilitação, uma noite sem dormir, um desconhecido ou um segredo ouvido por acaso. Nesse momento, a pessoa passa por mudanças irreversíveis. E, diferentemente dos videogames, não tem como recomeçar a vida a partir do momento desejado.

Novembro. Saio do cartório com o meu ex-marido. Nós nos divorciamos há 12 minutos. Ele tenta me dizer alguma coisa, mas eu apenas me pergunto se consigo chegar ao trabalho a tempo ou é melhor voltar para casa. De repente, volto à realidade e percebo o que ele quer dizer. Meu ex pede que eu lhe devolva a minha aliança e avisa que vai passar na nossa casa à noite para pegar o dinheiro, que eu guardava embrulhado em um lenço e escondido no sótão. Poupávamos para um carro ou uma casa de campo, não lembro mais. Não consigo tirar o anel preso no dedo, como se eu estivesse em uma tragicomédia. Giro a aliança com mais força, mesmo que sinta muita dor. De repente, ela sai, quica no chão várias vezes e para ao lado dos tênis do meu ex. Ele a pega e a coloca no bolso. E eu viro às costas.

À noite, como prometido, ele vem com sua mãe e sua irmã para dividir os bens. Tiramos tudo dos armários e guarda-roupas e até tenho de devolver a roupa de cama, que a minha sogra nos deu de presente, além de um lustre. Percebo que essa é provavelmente a cena mais embaraçosa da minha vida. Tento convencê-los a dividir os pertences pela metade, mas ouço que “filho dela ganhava mais dinheiro do que eu”. Obviamente, ninguém quer saber dos meus argumentos. Depois, o meu ex e eu passamos a contar o dinheiro na cozinha, enquanto a mãe dele guardava as coisas em grandes malas na sala de estar. Ele me estende a última cédula de 100 dólares, evitando olhar nos meus olhos, e dá uma piscada. Posso estar enganada, mas ele também parecia estar constrangido.

Eles vão embora, e eu me sento em frente a um monte de notas espalhadas e penso no que fazer agora. Estou no meio da reforma do apartamento, com uma dívida pelas obras já feitas e um empréstimo imobiliário ainda não pago. Além disso, tenho problemas sérios no trabalho e estou prestes a ser demitida. Eu me sento no chão e começo a montar pilhas de dinheiro. Faço vários amontoados pequenos e depois junto todos eles em um grande. Decido deixá-los assim.

Guardei esse dinheiro durante os três anos de casamento, sem comprar nada para mim. Tenho apenas algumas blusas, um blusão e um lindo terninho cor de vinho, que mandei fazer sob medida com uma costureira quando ainda estava na universidade. Eu o vesti para uma festa de trabalho na véspera de Ano-Novo e para o casamento de uma minha amiga. Até o meu pai, que não entende nada de moda, me perguntou uma vez: “Você não tem mais nada para vestir?”

Faço um chá, entro debaixo do cobertor que trouxe do quarto para a sala de estar, pego um caderno e faço uma lista de tarefas para amanhã de manhã:
1) Arrumar o cabelo.
2) Comprar roupas novas.
3) Encontrar uma maneira de me ver de outro ângulo.

Tenho duas amigas: Maria e Daniele. No dia seguinte, a Maria me levou ao cabeleireiro, e a Daniele me convidou para ir junto com ela a uma conferência na Espanha. Enquanto ela estiver traduzindo os relatórios dos engenheiros à tarde, eu ia tomar sol ao lado da piscina, e à noite iríamos explorar a ilha de Maiorca. Uhul! Ainda há pouca gente que vai para a Espanha, e os poucos que viajam deixam muitos com inveja porque parecem ser muito ricos. Enfim, conseguimos fazer os documentos necessários surpreendentemente rápido, e depois de alguns dias eu fui demitida. Mas já havia entrado em um caminho sem volta: dei uma renovada no meu cabelo e comprei alguns vestidos baratos, mas estilosos.

Finalmente chegamos à ilha, repleta de luzes, música, bares e danças. Inúmeras liquidações e descontos estão estampados nas vitrines, prometendo me deixar mais feliz. Em um dos becos, encontro uma pequena loja de roupas e, a julgar pelos modelos de carros parados na entrada, é um estabelecimento caríssimo. Na vitrine vejo um vestido que nunca iria conseguir comprar. Parece um vestido da Brigitte Bardot ou Sophia Loren — aberto, ajustado na cintura e com uma saia volumosa de tafetá. Não é uma roupa casual, por isso não posso usá-la no dia a dia ou no escritório com uma jaqueta por cima. Além disso, não tenho dinheiro nem emprego e ainda preciso pagar um empréstimo imobiliário e uma dívida pela reforma do apartamento.

Porém, nos próximos dias, aonde quer que eu vá, passei por essa vitrine. “Olhe para esta jaqueta versátil cor de mostarda. E esta saia? Posso vesti-la para um piquenique ou para sair com as minhas amigas. E estas calças e a blusa branca são ótimas para usar no escritório. O que resta é encontrar um emprego”, não paro de me convencer a deixar de lado a ideia de comprar aquele vestido brilhante, como se fosse um grande bolo entre pequenas balas de chocolate, encontrado debaixo da árvore de Natal. Mas ele parece absolutamente inútil. Eu poderia colocá-lo apenas se pretendesse fugir de casa com meu namorado, andar de conversível à noite, ultrapassando o limite de velocidade e deixando o vento levar o meu chapéu, voar de jatinho particular ou se tivesse uma queda por um “caras maus”.

Não consigo resistir, então passo na loja, compro o vestido e recebo sapatilhas douradas e uma pulseira de presente. Agora quero ir para o hotel, comer um sanduíche, esperar a minha amiga voltar e reclamar do dinheiro desperdiçado para ela. No entanto, o universo decide que a minha noite vai passar como se eu estivesse em um filme. No meio do caminho, me deparo com a Daniele e seus colegas, que nos convidam para um restaurante com vista para o oceano. Ali, conheço um irlandês ou um escocês, não tenho certeza da nacionalidade dele. Nós nos beijamos como loucos, passamos a noite no iate, e de repente eu dou de cara com o meu reflexo no vidro. E ele é lindo.

Saímos na noite seguinte. Eu me despedi da ilha sem uma gota de arrependimento. Usar todo o dinheiro que eu guardei durante todos esses anos valeu a pena. Percebi que posso ser ousada e abrir todas as portas. Também posso me dar ao luxo de fazer muitas coisas, amar quem eu quiser, me sentir à vontade para vestir roupas luxuosas e não ter medo de querer mais do que posso abraçar no momento. Na mesma noite, a Daniele me ajudou a escrever o meu currículo. Posteriormente, escrevi esta história no meu blog, e o editor de uma revista de moda se ofereceu para publicá-la. Nos cinco anos seguintes trabalhei com ele — não por dinheiro, mas por interesse.

Voltamos para casa, e assim que saímos do aeroporto, meu celular toca. Atendo a ligação que determina o meu futuro: sou chamada para uma entrevista. Após três semanas, fui para outra cidade e comecei um estágio.

Passaram-se mais alguns anos, conheci o meu futuro marido, me formei na faculdade de Psicologia, viajei pelo mundo, comprei dezenas de vestidos, e a minha vida se transformou completamente. Mas nunca vou me esquecer dos meus 25 anos, quando estava parada na frente daquela loja em Maiorca, contando quantos quilos de arroz daria para comprar com o dinheiro que sobrasse da compra do vestido. Estou muito feliz por ter entrado por aquela porta.

Acho que isso era tudo que queria contar para vocês hoje. Um abraço para todos.

Você já passou por momentos de má sorte que pareciam que nunca iriam acabar? O que te motivou a seguir em frente? Conte nos comentários.

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