Conheça 10 povos cujas tradições e histórias estão envoltas em mistérios (e alguns ainda permanecem sem explicação)

Os hiperbóreos, as amazonas, os moradores de Atlântida — todos esses povos míticos empolgavam os contos e a imaginação das pessoas antigamente. No entanto, muitas vezes a realidade acaba sendo mais misteriosa do que a ficção, e os povos que, de fato, existem às vezes deixam enigmas que nem os cientistas conseguem desvendar. Por exemplo, como que um povo que ainda vive sob os costumes pagãos e ainda faz sacrifícios aos deuses antigos conseguiu manter suas tradições morando apenas a 600 km de Moscou?

Incrível.club tentou desvendar os mistérios dos 10 povos mais enigmáticos do mundo, e está pronto para compartilhar suas descobertas com você. Confira!

Yeniches

Esse povo nômade vive nos países da Europa Ocidental e Central, e são frequentemente confundidos com os Ciganos. De fato, os Yeniches mantêm um estilo de vida que lembra muito o cigano: eles viajam bastante (antigamente em carroças, hoje, normalmente, em trailers), e suas principais ocupações por muito tempo foram o comércio, a música e o trabalho com metais. Apesar disso, geneticamente, eles não têm nada em comum com os Ciganos.

Os cientistas ainda estão intrigados sobre o porquê desse povo europeu ter subitamente adotado um estilo de vida nômade. Há uma versão que conta que isso aconteceu no final do século XVIII. É possível que os Yeniches sejam descendentes de antigos grupos marginalizados da população dessas regiões europeias (principalmente dos territórios da atual Alemanha e Áustria). No entanto, os próprios representantes dessa etnia afirmam que são descendentes de uma antiga tribo celta — os Helvécios — que se estabeleceram nas regiões montanhosas da Suíça e lutaram contra a expansão do Império Romano.

Bascos

Os Bascos são considerados o povo mais misterioso da Europa. De fato, os cientistas discutem o mistério de sua origem até os dias de hoje. Existe uma versão que diz que esses habitantes nativos da Espanha são parentes dos georgianos. E alguns pesquisadores acreditam que a língua basca tem uma origem comum com as línguas caucasianas, mas a maioria dos cientistas discordam disso. Contudo, os habitantes da Península Ibérica e da Cordilheira do Cáucaso têm um ritual semelhante de enterro celestial — quando o corpo de um falecido é deixado em uma região elevada em vez de enterrado.

Estudos com o DNA dos Bascos mostraram que, na verdade, esse povo é parente de muitos outros povos europeus, tendo sido confirmada uma proximidade genética em particular com os celtas que habitavam antigamente a região da França e Irlanda. Apesar disso, o porquê de a língua basca — chamada de euskara — não se parecer com nenhuma outra no mundo ainda permanece um mistério.

Kalash

Esse povo intriga os pesquisadores e os amantes de mistérios pela sua aparência. Entre os paquistaneses de tom de pele e cabelos escuros, muitos kalash se distinguem pela pele e pelos cabelos claros. Isso deu origem à lenda de que os Kalash são descendentes de Alexandre, o Grande.

Alguns pesquisadores, por outro lado, acreditam que os Kalash são descendentes diretos do antigo povo ariano. No entanto, a maioria dos cientistas destaca que, primeiramente, entre os Kalash não há muitos indivíduos de olhos azuis e de cabelos loiros, e, em segundo lugar, o fenótipo característico desse povo é encontrado com frequência dentre os representantes de todas as etnias iranianas, as quais residem nos vales montanhosos locais em condições endogâmicas isoladas há milhares de anos com pouca influência genética externa. Entre eles, os Nuristanis, os Dárdicos, os Pamiris e os Burushos.

Mas o que realmente entusiasma os cientistas é a religião única dos Kalash. Mesmo tendo vivido por muitos séculos dentre povos de religião islâmica, a maioria dos Kalash nunca se converteu a essa fé, tendo mantido suas crenças pagãs. Em sua religião, o lugar mais sagrado é representado pelas montanhas e pastagens, onde moram os deuses e pasta o seu rebanho, que é formado por cabras selvagens.

Tuaregues

Os Tuaregues são um dos povos mais fascinantes da África. Enquanto seus representantes homens são obrigados a cobrir o rosto, as mulheres têm total liberdade de gênero. A propósito, são as garotas que aprendem a ler e a escrever, pois são elas que devem ser responsáveis por assegurar as tradições. Além disso, o parentesco e a herança são definidos a partir da linha materna. No geral, os Tuaregues são um matriarcado desde a Antiguidade, apesar de a maioria de seus representantes ser muçulmana de vertente sunita.

Nivkh

Os Nivkh e os Bascos têm uma particularidade em comum — ambos possuem línguas únicas, as quais não têm nenhum parentesco com outros idiomas. Apesar da coincidência, os Nivkh moram na extremidade oriental da Rússia — mais especificamente, no curso inferior do rio Amur e na Ilha Sakhalin. Em 2010, havia cerca de 4652 representantes desse povo vivendo no país.

Cientistas estipulam que os Nivkh são parentes distantes dos povos da Polinésia. No entanto, acerca de sua língua, existe uma teoria ainda mais interessante. Segundo os linguistas japoneses Kazuhiko Yamaguchi e Katsunobu Izutsu, a língua nivkhe corresponde a um estágio inicial do japonês moderno. Além disso, o linguista Sergey Nikolayev encontrou na fala desse povo do extremo leste da Rússia características em comum com os idiomas dos povos nativos da América do Norte.

Dogons

Os Dogons, literalmente, chocaram os cientistas com o seu profundo conhecimento sobre o espaço sideral. Esse povo vive no sudeste do Mali, no continente africano, e até o século XIX não tinha tido nenhum contato com os europeus. No entanto, em 1930 o pesquisador francês Marcel Griaule surpreendeu toda a comunidade científica ao mostrar que os Dogons tinham um conhecimento apurado de astronomia. Por exemplo, eles conheciam a estrela Sírius, assim como sabiam da existência das luas de Júpiter, dos anéis de Saturno e do Cruzeiro do Sul, o qual eles chamam de “Olhos do Mundo”.

Contudo, os cientistas que visitaram os Dogons posteriormente não confirmaram essa informação. O termo “sigi tolo”, que, segundo Griaule, estaria relacionado à Sírius, na verdade significa qualquer estrela do céu, incluindo Vênus e o próprio Sol. Provavelmente, o mito sobre Sírius não passa de uma consequência da influência cultural europeia sobre esse povo.

Mari

Karts — sacerdotes pagãos Mari (final do século XIX — início do século XX)

Os Maris são conhecidos como os últimos pagãos da Europa. Esse povo fino-úgrico vive principalmente na região do rio Volga e nos Montes Urais, e a maioria de seus representantes hoje em dia se considera ortodoxo russo. No entanto, ainda há um número considerável de indivíduos mari que são adeptos à sua religião tradicional. Eles praticam o politeísmo, realizam suas cerimônias religiosas em bosques e até fazem sacrifícios. Os cientistas ainda não conseguiram encontrar uma resposta para o porquê de um povo que mora no centro da parte europeia da Rússia ainda não ter se convertido completamente para uma das religiões mundiais, uma vez que estão em contato constante tanto com cristãos, como com islâmicos há séculos.

religião tradicional mari está baseada na crença nas forças da natureza, as quais devem ser honradas e respeitadas pelas pessoas. Osh Kugu Jumo — (que em tradução literal significa: “Grande Deus da Luz”) é o deus supremo e mais importante da crença Mari. E seu oposto — Keremet — é considerado um espírito maligno supremo. O culto aos deuses é realizado em bosques sagrados (a propósito, existem bosques diferentes para as divindades boas e para as malignas), e como oferenda são levadas panquecas e realizados rituais de sacrifício de animais.

Os Maris têm uma característica peculiar para a cerimônia de casamento — o uso de um chicote. Um padrinho, que também fica responsável por observar o cumprimento das tradições de casamento, o agita sobre sua cabeça durante uma dança, de forma a espantar todos os maus espíritos. No entanto, ele também pode usá-lo para ’incentivar’ todos aqueles que não cumprirem as tradições. Além disso, antes de os noivos saírem da casa dos pais, o padrinho chicoteia o caminho para limpá-lo, e no final da cerimônia acompanha os recém-casados até o leito matrimonial.

Pamiri

O povo que reside na região da cordilheira de Pamir acabou sendo dividido entre as fronteiras do Tajiquistão, Afeganistão, Paquistão e da China. Os Pamiri viveram cercados por povos turcos durante milhares de anos, no entanto, seu fenótipo se diferencia daqueles pela tonalidade mais clara da pele e, às vezes, pela ocorrência de olhos claros e cabelos loiros. Acontece que os Pamiri fazem parte da etnia Pamir-Fergana — o ramo mais oriental das etnias europeias.

Sámi

Os Sámi são um dos povos mais misteriosos da Europa Setentrional, com uma existência de pelo menos 7 mil anos. Ou seja, os Sámi (que também são conhecidos como Lapões) podem ser considerados como uma das etnias mais antigas do Planeta. E o isolamento — principalmente devido a razões geoclimáticas — possibilitou com que esse povo e suas tradições permanecessem praticamente intactos por esse longo período.

Os cientistas ainda debatem acerca da origem dos Sámi. Enquanto uns acreditam que esse povo tem suas origens nos povos do Centro, Sul e Sudeste Asiáticos, outros contestam que eles são, na verdade, descendentes de antigos povos europeus. A língua Sámi é classificada como fino-úgrica, embora existam mais de dez dialetos tão diferentes entre si, que é possível considerá-los como idiomas independentes.

Os Sámi acreditam que a Lapônia tem cinco estações climáticas em vez das quatro tradicionais: inverno, primavera, verão, outono e Kaamos — um período que se inicia na segunda metade de dezembro e vai até o fim de janeiro.

Magiares

Que mistérios poderia esconder um povo bastante conhecido e estudado, que vive na Europa Central? Inicialmente, o próprio fato de seus parentes mais próximos serem os povos siberianos Khanty e Mansi. Até a palavra “magyar” (como os magiares se autodenominam) está relacionada com a palavra “mansi”.

Ainda não está claro para os cientistas o porquê de uma parte dos antigos pastores nômades da Ásia Central ter migrado para o sul, no entanto, no primeiro milênio depois de Cristo os ancestrais dos magiares (também denominados de húngaros) migraram para a bacia do rio Kama, tendo posteriormente se mudado para as estepes do Mar Negro, onde ficaram sob o controle dos Cazares e Búlgaros. Em 896 d.C., sob a liderança de Arpades e Kurszán, os Magiares ocuparam a região romena da Transilvânia e posteriormente migraram, se estabelecendo, por fim, no território que se estende do oeste da Áustria até o sul da Eslováquia e Hungria.

Você conhece algum outro mistério ou curiosidade relacionado a esses e outros povos? Conte para a gente na seção de comentários.

Imagem de capa Math920 / Wikipedia
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