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A história de um professor, de uma remota vila africana, que foi reconhecido como o Melhor Professor do mundo

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Quando falamos da profissão de professor, a maioria das pessoas usa a palavra “vocação”. E se tratando da educação dos nossos filhos, todos queremos um educador que possa motivar e inspirar a criança, e que rompa todos os obstáculos na arte de educar.

A Fundação Varkey, fundo de caridade para educação fundada pelo empresário Sunny Varkey em 2015, cujo curador é o primeiro-ministro Mohammed bin Rashid Al Maktoum do Emirados Árabes Unidos, promove a premiação anual de Melhor Professor do mundo como resultado da competição Global Teacher Prize (Prêmio Mundial de Professor, em tradução livre).

Incrível.club buscou saber mais sobre quem foi o ganhador do prêmio de 1 milhão de dólares (aproximadamente 4 milhões de reais) em 2019 da competição que acumulou 10 mil inscrições de candidatos provenientes de 179 países.

O concurso reuniu finalistas da Índia, Austrália, Estados Unidos, Holanda, Brasil, Japão, Argentina, Quênia, Reino Unido e Geórgia.

Quem levou a melhor foi o professor de física e matemática e membro da ordem religiosa franciscana, Peter Tabichi. A cerimonia foi realizada em Dubai, e o nome do vencedor foi anunciado pelo ator Hugh Jackman.

Peter ensina em uma pequena vila africana, na qual a realidade dos habitantes é bastante precária. Surpreendentemente, seus alunos são conhecidos por suas vitórias em competições científicas internacionais, e esse fato atraiu principalmente a atenção dos juízes.

No entanto, a infraestrutura da escola é de baixa qualidade. Há apenas um professor para 58 alunos, um computador à disposição dos estudantes, e, para chegar às aulas, muitas crianças são obrigadas a percorrer longas distâncias. A maioria dos alunos de Tabichi é composta por crianças de famílias pobres, órfãs ou que perderam um dos pais. A escola tem um financiamento quase escasso, por isso, Peter dá 80% do seu salário para manutenção dos materias da escola — uniformes escolares, livros didáticos e manuais.

Há 7 anos, ele ensinava em uma escola particular e decidiu se tornar um monge franciscano, e por isso desistiu da profissão. Mas o código da Ordem Franciscana implica o ascetismo, ou seja, ajudar ao próximo. Portanto, ensinar em uma escola para crianças carentes se tornou um tipo de caridade, e Peter pôde continuar sendo um clérigo.

“Esta vitória não é um reconhecimento a mim, mas sim aos jovens desse grande continente. O Global Teacher Prize diz a eles que eles podem conquistar qualquer coisa”.

Peter diz que usa métodos diferentes para motivar os alunos, porque o segredo do sucesso é a autoconfiança. Todos podem encontrar uma vocação do seu gosto se se sentirem confiantes. Peter ensina as crianças a olhar para as coisas de ângulos diferentes. E é por isso que vários tipos de projetos são populares na escola, onde os alunos podem organizar de forma independente todo o processo e analisar o resultado.

O professor não divide esses projetos em “legais” e “não legais”: o principal é a fantasia e a tomada de decisão independente. “A criatividade é muito importante, especialmente em situações difíceis e em ambientes com recursos limitados”, diz Peter.

Existem clubes científicos e de criatividade na escola, e todos se expressam onde acharem melhor.

“Ver os meus alunos desenvolverem seus conhecimentos, suas habilidades e confiança é a minha maior alegria em ensinar. Quando eles se tornam funcionais, criativos e produtivos na sociedade, estou absolutamente satisfeito porque consegui me tornar um incentivo e uma peça fundamental que lhes permite abrir seu potencial da maneira mais empolgante possível”.

Peter também conseguiu abordar as questões de tolerância: criou o “Clube da Paz”, onde reuniu representantes de 7 tribos com pessoas de diferentes religiões, que frequentam a sua escola.

E o que respondeu o Melhor Professor do mundo sobre a questão que interessava a todos: como é que ele irá gastar o seu prêmio?

Em primeiríssimo lugar, com recursos tecnológicos, construção de laboratórios científicos e novos projetos que podem beneficiar as pessoas. Por exemplo, Peter quer ensinar aos alunos como cultivar culturas resistentes à seca, e esse projeto é vital para a África.

Curiosamente, o vencedor tem certas responsabilidades de acordo com os termos do fundo, e o prêmio de 1 milhão de dólares não é pago imediatamente.

Anualmente por 10 anos, o vencedor recebe 100 mil dólares (aproximadamente 400 mil reais), e deve permanecer na profissão por 5 anos e ser um embaixador global da The Varkey Foundation — para participar de eventos, se comunicar com a imprensa e passar por treinamento.

Admiramos do fundo do coração essas pessoas: suas histórias são uma ilustração nítida do que se chama “propósito de vida”. O que você acha do concurso e do seu vencedor? Comente!

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