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20+ Regras de etiqueta do passado que são completamente incompatíveis com os dias de hoje

Nos dias de hoje, as regras de etiqueta têm se tornado cada vez mais liberais e inclusivas, mas isso nem sempre foi assim: não muito tempo atrás, as mulheres não podiam parar para conversar na rua nem com as suas amigas. E oferecer uma coxa de frango a uma dama era considerado uma forma de insultá-la. Claro, a etiqueta acompanha a sociedade e se desenvolve junto com ela desde os tempos antigos, e o que para nós pode parecer algo inaceitável ou até esquisito, antigamente era simplesmente o normal da realidade cotidiana. Regras de etiqueta do passado são o tema deste post.

Nós, do Incrível.club, acreditamos que as regras de etiqueta devem apenas lapidar as boas maneiras de uma pessoa e não limitá-las, como acontecia antigamente. Confira!

Antiguidade Clássica

  • Os gregos antigos definiam um padrão ideal para o olhar: ele deveria ser firme e direcionado para a frente. Para os helenos, apenas pessoas loucas ou bastante desesperadas reviravam os olhos, e quem estreitasse o olhar era considerado um traidor.

  • Na Grécia antiga, e posteriormente em Roma, era normal em um banquete que os convidados comessem deitados de lado e jogassem os restos de comida no chão. Essas reuniões eram chamadas de simpósio, e todo cidadão respeitável tinha a obrigação de atendê-las, pois tais eventos estavam intimamente relacionados a ideia da unidade política da sociedade local na época.

  • Nos simpósios, era considerado adequado e até uma demonstração de boas maneiras ter um bom desempenho no antigo jogo grego kottabos — uma espécie de drinking game da antiguidade. Ele era, antes de tudo, uma competição de precisão, na qual os participantes do simpósio, deitados em seus sofás, tentavam acertar o restante do conteúdo de suas taças de vinho em um recipiente de metal. A bebida não deveria derramar além do alvo e, ao acertá-lo, tinha de fazer um som característico.

  • Diferentemente dos gregos, que jogavam vinho, os romanos arremessavam dados. Aquele que obtivesse o melhor resultado tornava-se o condutor da festa e, de fato, passava a elaborar prendas e pequenos desafios para os convidados como uma forma de entretê-los.

Idade Média

  • Segundo uma das versões, a tradição de brindar começou na Idade Média: acreditava-se que o ato de bater uma taça contra a outra afugentava os demônios, os quais, na época, pensava-se que entravam no corpo das pessoas através da boca. E é por essa razão que as pessoas também começaram a tapar a boca enquanto bocejavam.

  • A tradição de levantar o chapéu como uma saudação também se iniciou na Idade Média. A diferença é que, naquela época, levantava-se o capacete da armadura — dessa forma o cavaleiro estava se expondo ao perigo voluntariamente, demonstrando assim que não tinha nenhuma má intenção.

  • Na Pérsia, os homens de mesma classe social cumprimentavam uns aos outros com um curto beijo na boca. E quando deveriam cumprimentar alguém de classe inferior, davam um beijo na bochecha.

  • Os talheres como os conhecemos hoje em dia começaram a aparecer no século XII. As colheres eram utilizadas apenas para comer doces. Os garfos, inicialmente, não eram muito bem vistos, pois eram considerados uma ferramenta do Diabo.

  • Na França medieval, as pessoas limpavam as mãos diretamente na toalha de mesa e bebiam sopa diretamente da tigela.

  • A tradição de lavar as mãos antes das refeições surgiu na Idade Média. Mas, nesse caso, devemos entender a frase no sentido literal: as pessoas lavavam as mãos sentadas à mesa usando água trazida por criados. No entanto, se sujassem as mãos de comida, as limpavam diretamente na roupa.

  • Nenhum homem poderia tocar na rainha espanhola a não ser o seu esposo — o rei. Essa regra quase custou a vida da esposa de Carlos II, Maria Luísa. Um dia, quando ela montou em um cavalo, o animal levantou as patas da frente fazendo com que a monarca caísse e ficasse com uma das pernas presa no estribo, sendo então arrastada pelo animal em fuga. A rainha foi salva por dois nobres, que imediatamente fugiram temendo por suas vidas. No fim, um amigo em comum intercedeu à Coroa pelo perdão dos salvadores de sua esposa, que acabaram sendo perdoados.

Inglaterra da Era Vitoriana

Durante a Era Vitoriana, a exposição do corpo era severamente reprimida. Por isso, as pessoas nadavam com a ajuda de carruagens especiais desenvolvidas ainda no século XVII. Completamente vestido, o indivíduo entrava nessa carruagem na praia, trocava de roupa dentro dela e então o veículo entrava no mar. Ao atingir o ponto desejado, ele virava de frente para a areia tapando a vista da praia, de modo que o banhista não pudesse ser visto por outros na margem enquanto aproveitava seu banho de mar.

  • Mulheres solteiras não podiam sair desacompanhadas. E se durante seu trajeto na rua encontrassem por acaso alguma amiga ou conhecida, também não podiam parar para trocar algumas palavras com ela. Nesses casos, era proibido até olhar para a pessoa conhecida.

  • Se uma mulher encontrasse um cavalheiro conhecido na rua e quisesse conversar com ele, ela deveria oferecer-lhe a mão. Depois disso, o homem tinha de esquecer seus negócios por um tempo e acompanhar a dama.

  • A mulher não deveria saber absolutamente nada sobre como os filhos eram concebidos até o seu casamento. Como resultado, algumas mulheres fugiam assustadas de seus maridos após a noite de núpcias.

  • A etiqueta vitoriana proibia as mulheres até de se despirem completamente na frente do marido. Durante a noite de núpcias, a esposa deveria vestir uma camisola especial que cobria maior parte do seu corpo.

  • Durante a gravidez, a mulher não deveria aparecer em público. E foi graças a etiqueta da Era Vitoriana que surgiu a expressão “estar esperando um filho” para indicar que uma mulher estava grávida.

  • As pernas das mulheres deveriam estar sempre cobertas. Independentemente de sua beleza ou silhueta — elas mantinham-se ocultas por debaixo das roupas. A temática das pernas era um tabu tão grande na época, que oferecer uma coxa de frango a uma dama era considerado uma ofensa grave.

  • As pessoas só poderiam guardar livros de autores de sexos diferentes na mesma prateleira se fossem casadas.

Rússia imperial

  • Na Rússia, o imperador Pedro I foi o primeiro monarca a prestar uma atenção especial à etiqueta. Através de um decreto, ele registrou as principais regras de conduta da época em um livro específico. Nele, por exemplo, estava escrito que os homens eram proibidos de atender a um casamento vestindo botas pontudas, pois elas poderiam acabar danificando o vestido das mulheres.

  • Na Rússia do século XVIII era completamente normal urinar em locais públicos. Enquanto os homens precisavam apenas encontrar um canto e se virar de costas para a rua, as mulheres se aproveitavam de seus vestidos longos para se “aliviar” em público sem que ninguém percebesse. Por exemplo, a imperatriz Catarina II recebia embaixadores usando uma espécie de jarro coletor de urina pessoal, o qual passava completamente despercebido debaixo de seu assento e da saia de seu vestido. De forma análoga, as damas nobres costumavam utilizar um dispositivo similar nos bailes — o bourdaloue, uma espécie de penico portátil feminino. Esse artefato acabava sendo indispensável para toda mulher na época, afinal, não havia banheiros públicos em São Petersburgo, capital do Império Russo, até o final do século XIX.

  • Um manual russo de etiqueta de 1886 não recomendava apagar velas na frente de outras pessoas.

  • Nele também estava escrito que “vestir as cores vermelho e verde ou rosa e amarelo ao mesmo tempo significa quebrar todas as regras do bom gosto”.

  • Era considerado extremamente indecente que uma mulher aparecesse na rua sem estar usando luvas, no entanto, também era proibido que ela as vestisse em público. E o mesmo valia para qualquer tentativa de ajustar as fitas do chapéu em público — todos os cuidados com a aparência deveriam ser privados e reservados ao lar.

  • Recomendava-se que as mulheres jovens se deitassem para dormir por volta de 1h da madrugada, e que lessem um romance francês antes de cair no sono, pois, ao adormecer, elas não deveriam pensar em nada triste, desagradável ou pesado — especialmente em assassinatos, pobreza, ratos, aranhas, assombrações, doenças terríveis ou incêndios.

  • Ter sonhos obscenos era considerado o auge da indecência para uma jovem dama. Se isso acontecesse, ela deveria acordar imediatamente.

Você acha que as regras de etiqueta são uma coisa do passado ou que elas ainda são muito importantes na sociedade moderna? Conte para a gente na seção de comentários.

Imagem de capa Hiart / Wikipedia
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