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12 Histórias reais que podem ter inspirado os desenhos da Disney

Os desenhos da Disney nos encantam desde a nossa infância e, em muitos casos, continuam nos emocionando depois de adultos. Não é para menos, já que são histórias que despertam sentimentos e até mesmo identificação com alguma parte das nossas vidas.

Talvez o segredo para a qualidade dessas histórias seja justamente a inspiração nas histórias reais das pessoas. Sim, porque muitas das histórias contadas nos filmes, inclusive da Disney, são inspiradas na realidade ou encontram fatos que são muito parecidos com a ficção.

Então o Incrível.club reuniu aqui algumas histórias reais que inspiraram animações da Disney ou até mesmo são tão parecidas que é difícil acreditar que sejam apenas coincidências.

1. Pocahontas

A ameríndia Pocahontas realmente existiu e inspirou muitas histórias e lendas, inclusive a animação lançada pela Disney em 1995. Porém esse não era seu nome real, e sim um apelido de infância que se popularizou e significava “criança mimada”. Ela se chamava na verdade Matoaka e nasceu em 1596, filha do chefe Powhatan, que liderava diversas tribos do litoral que hoje abrange o estado da Virgínia, nos Estados Unidos.

Outro personagem da animação que realmente existiu foi o inglês John Smith, um colono que vivia na região. Capturado pelos ameríndios, ele foi salvo pela Matoaka que, com seus 10 anos de idade, convenceu o pai que fazer algum mal ao John atrairia a fúria dos outros colonos. Matoaka interveio mais duas vezes pelos colonos, trazendo mais paz entre os povos. Porém, nunca se apaixonou por John Smith, que já era um homem de meia-idade. Ela casou-se com outro homem branco, John Rolfe.

2. Mulan

Para o enredo da animação e do live-action da Mulan, a Disney buscou inspiração em histórias contadas na China desde o século IV ou V. A primeira vez que se ouviu falar da vida de Hua Mulan, seu nome verdadeiro, foi numa canção chamada A Balada de Mulan. Depois, as mesmas histórias continuaram sendo contadas através dos séculos em poemas, peças teatrais e livros.

Pelos relatos chineses, Hua Mulan lutou na guerra por 10 a 12 anos e chegou a ser promovida a general. Nesse meio tempo, se apaixonou por um oficial chamado Jin Yong. E ele também se sentiu atraído por ela, mas somente depois de descobrir que ela era, na verdade, uma mulher. Quando os conflitos terminaram, o imperador quis condecorar Hua Mulan, mas só queria um cavalo para voltar para a sua família.

3. Moana

Podemos afirmar que a Moana não existiu de verdade, mas isso não faz com que a história contada na animação seja totalmente inventada. Os criadores demoraram cinco anos para trazer a história dessa princesa do Pacífico Sul, pois se basearam a história real, nos costumes e mitologia do povo polinésio. Eles eram um povo desbravador que, milhares de anos atrás, usavam embarcações para navegar por distâncias de até 2.400 quilômetros.

O povo existiu, suas viagens pelo oceano existiram, o deus Maui também e até as galinhas fazem parte da história dos polinésios, já que não eram nativas das ilhas desbravadas e eles tinham de levar consigo. Mas e a Moana? Se você quiser alguém para se inspirar, sugerimos conhecer a história da Kala Tanaka, uma havaiana que usa as mesmas técnicas polinésias para navegar, ou seja, sem instrumentos modernos. Ela até usa a mão para calcular sua rota, assim como Moana.

4. Branca de Neve e Os Sete Anões

Muitas das histórias contadas nas animações Disney foram inspiradas nos contos dos irmãos Grimm. Eles, por sua vez, se inspiraram em outras histórias. No caso da Branca de Neve, os autores teriam se baseado na baronesa alemã Maria Sophia von Erthal, filha do príncipe Philipp Christoph com a baronesa Von Bettendorff. Quando sua mãe faleceu, o pai casou-se de novo, mas a madrasta não gostava muito dos enteados.

Você pode alegar, com razão, que histórias de madrastas chatas podem ser comuns e não justificam a inspiração. Mas espere só: o castelo em que vivia Maria Sophia ficava na cidade de Lohr, onde havia uma floresta perigosíssima, por ter muitos ladrões. Para completar, o castelo possuía um espelho de superfície perfeitamente lisa e uniforme, coisa que era muito difícil no século XVIII. O espelho está até hoje em exposição no ‎Museu Spessart no Castelo Lohr‎, onde Maria Sophia nasceu.

Outra inspiração possível é a da Margaretha von Waldeck, filha de um conde chamado Filipe, e que também tinha uma madrasta que a perseguia, já que Margaretha era muito bonita. Filipe possuía minas de cobre, onde trabalhavam várias crianças, o que poderia ser a inspiração para os sete anões. Suspeita-se que Margaretha morreu envenenada, mas a madrasta faleceu anos antes, por isso não foi culpada. A teoria mais aceita é que os Grimm misturaram as duas histórias para criar Branca de Neve.

5. A Bela e a Fera

Essa é mais uma história real que inspirou o conto original que, por sua vez, inspirou a Disney. Petrus Gonsalvus, ou Pedro González, era um espanhol nascido em 1537 com uma condição médica chamada hipertricose. Ou seja, seu corpo era coberto por pelos espessos, exceto pelas palmas das mãos e solas dos pés. Na época em que ele viveu, as pessoas eram muito supersticiosas e a medicina não era tão avançada, o que levou todos a acreditarem que ele era uma fera ou um lobisomem.

Porém, a despeito de todo o medo e preconceito, Pedro deu a volta por cima. Adotado com 10 anos de idade por Henrique II, Rei da França, ele aprendeu a ler e escrever, aprendeu outros idiomas e tudo o que um nobre deveria saber. A corte ficou admirada com a “transformação”, mas hoje sabemos que não aconteceu nada de mais. Ele era apenas um garoto com muitos pelos, nenhuma aberração.

Pedro casou-se com Catarina e teve sete filhos, dos quais quatro nasceram com hipertricose. Eles mudaram-se para Parma, na Itália, onde Pedro passou o restante da sua vida em segredo. Apesar de falar e agir como um nobre, as pessoas nunca o trataram como tal. Ele e seus filhos eram constantemente objeto de estudos e curiosidade das pessoas. O último registro da existência de Pedro foi na lista de presença do batizado do seu neto.

6. Peter Pan

Infelizmente, ao escrever o livro que inspirou a Disney, J.M. Barrie não conheceu nenhum garoto que voava e não queria crescer, ou que vivia numa terra de fantasia. No entanto, o autor se inspirou em uma família de cinco irmãos, a família Llewelyn Davies, ao se deparar com eles brincando nos Jardins de Kensington. Um deles se chamava Peter. Os pais dos garotos morreram anos depois, e Barrie passou a ser, informalmente, o guardião dos cinco, já que não tinha filhos.

O filme Em Busca da Terra do Nunca conta essa história de forma adaptada, com algumas alterações. Por exemplo, no filme, quando Barrie conhece os irmãos, eles são quatro e a mãe deles já é viúva. Na realidade, quando Barrie os conheceu eles eram apenas três e os pais eram vivos. Mesmo assim, vale a pena conhecer o filme, que tem Johnny Depp e Kate Winslet nos papéis principais.

7. Dumbo

E se te disséssemos que existiu mesmo um elefante que inspirou a criação do Dumbo? Ele se chamava Jumbo e, por favor não se decepcione, ele não voava. Capturado na África ainda filhote, foi levado à Londres em 1865 e fez muito sucesso, inclusive tendo como fãs os filhos da rainha Victoria. Mais tarde, ele foi vendido para um circo dos Estados Unidos e teve uma multidão de fãs se despedindo no porto, no dia de sua partida.

8. As Aventuras do Ursinho Puff

O Ursinho Pooh, o Christopher Robin e até os outros personagens da animação existiram de verdade e inspiraram o autor, Alan Alexander Milne, a criar as histórias que mais tarde foram adquiridas pela Disney. Christopher era, na verdade, Christopher Robin Milne, o filho do autor. Ele adorava visitar, no zoológico de Londres, um urso preto americano que tinha o nome de Winnipeg, ou pelo apelido carinhoso de Winnie. Outro animal favorito de Christopher era o Pooh, um cisne.

Christopher gostava tanto do Winnie que deu o mesmo nome ao seu urso de pelúcia. O brinquedo, junto aos outros de Christopher, serviu de inspiração para o autor criar os personagens do seu livro. Até mesmo a floresta Ashdown em que se passam as histórias é real, e fica a cerca de 50 quilômetros de Londres.

9. Mogli, O Menino Lobo

Mogli era um menino que foi adotado por lobos, aprendeu a se comunicar com eles e cresceu com os seus costumes. Essa é a história narrada pelo indiano Rudyard Kipling no livro de contos O Livro da Selva, de 1893. O autor nunca admitiu, mas sua história pode ter sido inspirada em Dina Sanichar, um garoto que foi encontrado nas florestas da Índia em 1872, vivendo com um bando de lobos, e que tinha costumes como roer ossos, andar de quatro e não vestir roupas. Seriam apenas coincidências?

10. Up: Altas Aventuras

Temos outra história real que guarda muitas coincidências com uma animação da Disney, no caso Up: Altas Aventuras. Edith Macefield, aos 85 anos, recusou uma oferta de 1 milhão de dólares pela sua casa, o que não impediu Barry Martin de construir seu empreendimento em volta dela. Barry visitava a senhora todos os dias, tentando fazê-la mudar de ideia, sem sucesso. Essa história toda aconteceu em 2006 e Edith faleceu em 2008, na sua casa, como era o seu desejo.

Na época da recusa, a velhinha se tornou uma espécie de heroína local, por defender a sua casa que já tinha mais de 100 anos. A Pixar faz questão de salientar que não se inspirou na história de Edith para sua animação, já que começaram a escrever o roteiro em 2004. Mesmo assim, em 2009, colocaram alguns balões sobre a casa, para promover seu filme. A casa ainda permanece no mesmo lugar, firme, e pertence atualmente a um investidor imobiliário, Greg Pinneo, que pagou cerca de 300 mil por ela.

11. O Corcunda de Notre-Dame

O desenho de 1996 foi inspirado no romance de Victor Hugo, escrito em 1831, e que conta a história fictícia de Quasímodo, um homem que cuidava dos sinos da catedral de Notre-Dame, em Paris. Até então, a maior conexão com a realidade é a retratação da vida na cidade durante o século XV, no reinado de Luis XI.

Mas aí vem uma virada. Em 2010, historiadores descobriram a existência de um homem que pode ter sido inspiração para Victor Hugo criar o personagem Quasímodo. Eles descobriram as memórias de um escultor que vivia na mesma época que o escritor, trabalhava na catedral Notre-Dame e tinha uma corcunda. O nome dele era Trajano e não gostava de se misturar com os outros escultores, apesar de ser muito amável. No entanto, não há evidências de que Victor e Trajano um dia se encontraram.

12. Luca

Para finalizar, o filme mais recente dessa lista, Luca, e uma história mais feliz. Os monstros marinhos não são reais, mas as peripécias de Luca e Alberto numa cidadezinha italiana dos anos 50 são totalmente baseadas em fatos. Mais especificamente, são baseadas na infância do diretor do filme, Enrico Casarosa, que também é ator e ilustrador.

Para criar Luca, Enrico se baseou na sua própria infância quando, aos 10 ou 11 anos, conheceu o seu melhor amigo, que também se chamava Alberto. Enrico passava as férias de verão longe dos pais em Gênova e ter alguém como Alberto o ajudou a se soltar e se tornar mais independente. “Eu era um pouco tímido, e ele estava sempre aprontando alguma”, o diretor relembra. “Era uma amizade perfeita!” Aliás, nós já contamos outras curiosidades e revelamos algumas referências escondidas sobre essa animação.

Algumas pessoas pensam que é preciso muita imaginação para criar uma boa história, mas, como pudemos ver, muitas delas estão bem na nossa frente o tempo todo. Que tal fazer um exercício e transformar uma das histórias da sua vida num conto de fadas?

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