Incrível

Pesquisa brasileira fala sobre a mudança no psicológico de quem vence o câncer

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Até hoje o câncer é uma doença de alto risco. Os métodos de tratamento cobram muito do corpo do paciente e, apesar dos avanços do tratamento, seus custos ainda são um empecilho. Ainda assim, existem aqueles que vencem essa batalha e tomam de volta suas vidas de cabeça erguida.

Nós, do Incrível.club, parabenizamos esses guerreiros e trazemos uma pesquisa sobre como eles procuram mudar a forma como viviam suas vidas antes da doença. Acompanhe!

Igor Bueno, o autor da dissertação, diz que quando sofremos experiências traumáticas relacionadas ao tratamento, há uma tendência a enxergarmos com novos olhos nossos papéis no mundo e a valorizarmos as partes da nossa vida que antes não tinham importância.

Esse estudo foi realizado na forma de uma série de entrevistas com pessoas que já haviam terminado seus tratamentos entre 2 a 7 anos atrás. Ele se baseou em análises qualitativas semiestruturadas do “eu” após o câncer.

Entendendo o que é o “eu”

O complexo do “eu”, também chamado de ego, é um termo utilizado pela Psicologia Analítica de Jung. Ele representa a consciência do indivíduo, abrangendo tudo que ele sabe de si mesmo. Seus defeitos, qualidades, sua personalidade e até mesmo a média do que é consciente e do que é inconsciente. Ele também organiza os pensamentos, as recordações, os sentimentos e filtra as experiências diárias entre as que vão ser vivenciadas pelo consciente e as que serão vivenciadas pelo inconsciente na forma de desejos, medos e sonhos.

Resultado

Sendo o “eu” algo que organiza o conceito do que somos, uma doença como o câncer tem a capacidade de desestabilizá-lo. Bueno explica que o “eu” é uma parte muito importante de nós que nos ajuda a lidar com as dificuldades da vida. E que, como o câncer é um risco muito grande à vida, o nosso “eu” acaba se desgastando. Assim, a identidade do enfermo se fragiliza e ele passa a questionar valores que antes já estavam definidos.

o autor da dissertação dá um exemplo usando o papel do trabalho, onde uma pessoa que antes vivia em função de sua profissão passa a dar mais valor à sua espiritualidade ou aos prazeres do corpo.

Também foi relatado que muitos dos participantes sofreram inversões de personalidade. Algo que é até comum, mas, por causa da doença, foi estimulado. Como uma pessoa que se acostumou a viver de maneira introvertida passando a ser mais extrovertida, e vice-versa.

Considerações finais

Bueno termina sua análise dizendo que, mesmo que os resultados fossem algo esperado era necessário que houvesse um estudo que os analisasse e confirmasse, pois muito é dito sobre cuidados preventivos e paliativos, mas quase nada é relatado sobre o psicológico de quem venceu essa doença.

É importante lembrar que as vítimas dessa doença precisam de suporte psicológico. A experiência é chocante demais e realmente abala o “eu” do indivíduo. Mesmo depois de anos do fim dos tratamentos ainda existem sintomas e sinais que sugerem a falta de reestruturação do “eu”.

Você conhece alguém que tenha vencido essa batalha? Compartilhe essa experiência com a gente aqui nos comentários.

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