Um relato sincero de uma autora que esclarece por que ser controlador independe do gênero

Psicologia
há 5 anos
Um relato sincero de uma autora que esclarece por que ser controlador independe do gênero

Na minha humilde opinião, sou uma mulher querida e modesta que não gosta de conflitos. E se fosse homem, me casaria com uma pessoa como eu. Por quê? É que não sou propensa a brigas bobas. Não fico com raiva quando o meu parceiro suja a cozinha, traz um cachorro da rua para lavar em casa sem me perguntar ou deixa suas meias espalhadas pelo chão. Acredito que seja mais razoável pedir tranquilamente que ele organize a bagunça do que viver perdendo tempo e energia com escândalos. Na minha perspectiva, terminar um relacionamento tóxico é menos fatigante do que continuar com alguém que leva você ao desgaste emocional. O que me deixa perplexa é saber que muitos atribuem a suprema arte de complicar a vida apenas às mulheres. Mas a verdade é que essa habilidade não tem gênero e que existem vários homens que também são capazes de...

... controlar o tempo livre de sua mulher

Quando eu tinha cerca de 8 anos, uma parente minha se casou. Não sei quais eram suas expectativas, mas, depois de um tempo, um fato desagradável veio à tona. O marido revelou ser do tipo que tenta controlar o tempo livre de sua esposa.

Minha parente dava aulas em uma universidade e voltava cansada para casa, sem se preocupar muito com os afazeres domésticos. Ela jantava, depois assistia a filmes e lia revistas, deixando a faxina para os fins de semana. Depois de umas duas semanas do casamento, e de conhecer melhor a rotina dela, a paciência dele acabou e ele começou a aborrecê-la:

— Por que você está deitada? — ele a questionava, sem realmente entender por que a minha parente se dava ao luxo de passar seu tempo livre deitada confortavelmente no sofá com uma revista.

— Estou lendo! — ela respondia com uma voz indiferente.

— Minha mãe nunca se permitiu isso!

De repente, ficou claro que a mãe dele costumava se ocupar desde o amanhecer até tarde da noite. Ela se levantava mais cedo do que o resto da família para fazer o café da manhã, e ia para a cama mais tarde do que os outros, para limpar a casa. Era uma dona de casa que não parava nem por um segundo para cuidar de si mesma. Aos poucos, minha família começou a perceber que o marido controlava cada passo dela e não a deixava ficar parada. As constantes queixas e críticas que reinavam na casa estragavam o ânimo e prejudicavam a saúde mental deles. Eles se separaram quatro meses depois.

... controlar as despesas de sua mulher

Meu primeiro namorado era uma pessoa maravilhosa e horrível ao mesmo tempo. Ele era muito inteligente para sua idade, se formou com honras na escola e, depois, na universidade. Além disso, era um baita especialista em construção civil e, após ter antecipado um salto nos preços dos imóveis, investiu sua herança com sucesso no mercado imobiliário.

Contudo, meu ex-noivo não era o santinho que parecia ser. Ele costumava controlar as minhas despesas, que não tinham nada a ver com ele. Segundo ele, mesmo os gastos mais triviais, como uma manicure, um corte de cabelo ou um penteado, eram um desperdício de dinheiro.

Certa vez, depois que o valor da minha bolsa de estudos aumentou, fui na manicure e fiz um desenho nas unhas, que estava na moda. Não foi nada fora do comum — apenas algumas linhas ornamentais no esmalte rosa. Mas a reação do meu parceiro me deixou de queixo caído. O barulho produzido por aviões a jato ou o som da violenta erupção do Krakatoa em 1883 não são nada comparados ao berro do meu ex naquele dia. Furioso com o preço da manicure (nem foi tão caro), ele fez um escândalo, que durou aproximadamente 40 minutos, gritando que tínhamos visões de vida diferentes e que deveríamos seguir caminhos diferentes. Provavelmente foi isso que abalou o relacionamento e deu fim à nossa vida juntos. Quem não acha isso uma loucura que atire a primeira pedra.

... brigar por bobagens

Infelizmente, os estereótipos de gênero contribuem para uma imagem negativa das mulheres. Quando se fala de brigas por coisas banais, muitos imediatamente pensam em uma mulher gritando de forma ensurdecedora ao se deparar com a privada suja ou uma meia masculina sem par jogada no chão. Porém, a crença de que a culpa é sempre da mulher não passa de uma falácia. Um homem também pode ser exigente demais e propenso a procurar chifre em cabeça de cavalo.

E aí vem mais um exemplo. Eu conhecia um cara que tinha um suporte para deixar canecas penduradas. E quando a namorada dele lavava as canecas e as pendurava na ordem errada, ele fazia um escândalo. Um dia, ele até a levou para um psicólogo, tentando convencer o especialista de que a garota precisava de ajuda. Pelo que conheço do casal, ele brigava com ela por conta de toalhas penduradas do jeito “errado” ou de elásticos de cabelo deixados ao lado do telefone e não na gaveta. A desobediente garota também se recusava a acordar às 5h da madrugada aos domingos para meditar e tornar-se mais compreensiva, calma e equilibrada. Então, aqui está a minha pergunta para homens que chamam suas mulheres de rabugentas: que tal um colega de quarto assim?

Resumindo, ficar com raiva “do nada” não é problema de mulheres, nem de homens. Gerar brigas sem sentido, dar excessiva importância a pormenores e chorar as pitangas são traços de caráter. E eles não têm gênero.

Outra coisa é que há quem ache aceitável ignorar a opinião de sua parceira, tentando se livrar dela como se fosse uma mosca irritante. Ser namorada ou esposa não significa ser mãe de seu namorado ou cônjuge. O relacionamento deve se basear no cuidado mútuo. Mas isso já é um assunto para outro post...

Em sua opinião, qual é o comportamento mais inaceitável em um relacionamento amoroso?

Incrível.club publica este texto com a permissão da autora e blogueira Morena Morana.

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Concordo plenamente com o post, tudo que foi escrito não passam de verdades cruas mas que muitos preferem ignorar por causa do machismo que ainda existe em muitas culturas.
Obrigada por partilhar sua opinião tão sincera.

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