O carro mais rápido do mundo quebra a barreira do som como um jato

Curiosidades
há 5 meses

Estamos no deserto de Black Rock, em Nevada. Aqui, o carro mais rápido do mundo está sendo testado. Aquele pequeno ponto ao longe é ele. Mas está se aproximando muito rápido e então passa em uma fração de segundo! E só depois de um tempo ouvimos seu barulho. Uau! Sim, este carro está se movendo a uma velocidade maior que a velocidade do som, então primeiro o vemos e só então o ouvimos se aproximando. Agora vamos para a garagem, dar uma olhada mais de perto neste milagre tecnológico.

Este é o Bloodhound LSR. Não é realmente um carro nem um foguete. Essa coisa foi construída apenas para quebrar o recorde de velocidade existente e para ser o primeiro carro a atingir 1.600 quilômetros por hora. Tem um corpo alongado, com comprimento de 12,8 metros de ponta a ponta. E sua largura é de dois metros e meio, portanto, seu tamanho é quase idêntico ao de um ônibus escolar. Só que o ônibus escolar não tem o detalhe mais importante — o motor a jato.

Na verdade, alguns motores a jato. O primeiro acelera o carro a cerca de 1.050 quilômetros por hora. Mas, então, para atingir uma velocidade ainda maior, o foguete híbrido se junta ao trabalho. Esses dois jatos consomem uma quantidade enorme de combustível a cada segundo, e para garantir seu abastecimento, existe... outro motor! O Jaguar V-8 supercharged foi usado para alimentar as bombas dos motores a jato. Mas os projetistas planejam substituí-lo por um motor elétrico no futuro.

A forma longa que se estreita para a frente do veículo se deve a problemas aerodinâmicos quando o carro se move nessa velocidade. O fato é que quanto mais rápido você se move, mais resistência o ar tem. Ao dirigir pela cidade na vida cotidiana, você não sente isso. Mas se esticar a mão para fora da janela quando estiver em uma rodovia, terá a sensação de que o ar ficou mais duro, como creme.

Portanto, ao projetar o veículo, os engenheiros usaram tecnologias aeroespaciais. Afinal, a aparência do Bloodhound LSR é realmente parecida com a do ônibus espacial. Outro detalhe que esse carro pegou emprestado dos aviões são as rodas. Para o teste de baixa velocidade, 4 pneus originais do caça English Electric Lightning foram usados. Mas para testes de alta velocidade na África do Sul em 2019, eles foram substituídos por rodas de liga forte, com 35 polegadas de largura. Cada uma delas pesa mais de 95 quilos!

Essas rodas devem ser capazes de suportar a velocidade de 10.000 rotações por minuto. Uma força incrível é aplicada às rodas nesta velocidade. Neste ponto, o pneu está passando por uma sobrecarga de 50.000 G. A cabine do Bloodhound LSR se assemelha à de um avião ou à de um carro de Fórmula 1. Tem o mesmo volante e dezenas de interruptores. Existem também várias telas para monitorar o desempenho dos sistemas do carro. Infelizmente, nada para conforto. O ar condicionado e o sistema de som tiveram que ser retirados para que o carro pesasse o menos possível.

Mas, apesar de todos os esforços, o carro ainda pesa cerca de 6 toneladas. Isso ocorre por causa dos motores a jato muito pesados e do tanque de combustível. Mas, se compararmos o Bloodhound com o ônibus escolar novamente, veremos que ele é quase duas vezes mais leve: 6 toneladas contra 11. Hoje em dia, os engenheiros estão apenas preparando este carro para uma corrida recorde, mas podemos simular este processo passo a passo. Então, voltamos ao Deserto de Black Rock.

Este é Andy Green. Ele é o piloto da Força Aérea Real Britânica e detém o atual recorde de velocidade. Ele também é a primeira pessoa a quebrar a barreira do som no solo. Em 15 de outubro de 1997, Andy assumiu o volante do ThrustSSC. É um veículo semelhante, com dois motores turbofan como os do caça americano Douglas F-4 Phantom. Eles tinham 110.000 cavalos de potência no total.

E eles consumiam quase 18 litros de combustível por segundo. Na época, Andy Green conseguia acelerar a 1.228 km/h em apenas 30 segundos. Quando o carro cruzou a barreira do som, fez um estrondo sônico. Mas desta vez sua meta é 1.600 km/h. Andy veste o traje e assume o lugar do piloto. Tem uma linha reta com várias dezenas de quilômetros de comprimento à sua frente. A equipe inicia a contagem regressiva, assim como ao lançar um foguete espacial. A pulsação de todos os engenheiros, dos designers e do piloto está agora no seu limite. A contagem regressiva chega ao fim... Ignição! O Bloodhound dá a largada!

Durante a aceleração, Andy Green experimenta uma sobrecarga semelhante à sentida pelos astronautas durante o lançamento de um foguete. Uma enorme nuvem de poeira sobe atrás do carro. O velocímetro simplesmente sai da escala! Em menos de meio minuto, o Bloodhound supera a barreira do som. Ouvimos um estrondo sônico ensurdecedor novamente. A temperatura dentro do motor neste momento atinge 3.000 °C. Isso é duas vezes mais alto que a temperatura dentro de um vulcão. As rodas estão girando a dez mil e duzentas rotações por minuto.

O piloto está mais concentrado do que nunca. Mais um segundo e o recorde de velocidade será quebrado. 1400... 1450... 1500... 1.550, 1.600 quilômetros por hora! Andy Green fez seu trabalho, mas é apenas metade do caminho. Ele agora está começando a frear. Ele está fechando as válvulas de aceleração. Isso bloqueia o fluxo de ar através do motor e o carro começa a sentir uma resistência aerodinâmica extremamente forte. Ao mesmo tempo, o piloto sente uma sobrecarga tão forte quanto ao executar loop em uma aeronave.

A velocidade foi reduzida para a velocidade do som e é hora do freio aerodinâmico. Com flaps e spoilers, o carro cria ainda mais resistência ao ar e a velocidade continua diminuindo. Quando a velocidade atinge 965 quilômetros por hora o paraquedas de frenagem é aberto. 643 quilômetros por hora. Neste ponto, um segundo paraquedas é liberado se a frenagem não for rápida o suficiente.

Quando a velocidade cai para 402 quilômetros por hora, é hora dos bons e velhos freios a disco. Ao frear, eles são tão aquecidos que ficam vermelhos como metal quente na forja. E aqui... A parada final! Andy Green estabelece um novo recorde mundial de velocidade em solo de 1.600 quilômetros por hora. A equipe tem pressa em parabenizá-lo. As emoções são avassaladoras. Anos de trabalho foram um sucesso. Ei, hora de tirar uma foto comemorativa com toda a equipe e o carro. Ah, perfeito!

E embora uma grande quantidade de dinheiro e tempo tenha sido investida neste projeto, ele não tem aplicação na vida cotidiana. O fato é que Bloodhound LSR não pode ser usado em estradas reais. Bom, em termos de tamanho, parece um ônibus, mas o motor... se o motorista decidir pisar no acelerador em um semáforo, o carro atrás dele se transformará em um churrasquinho. Além disso, fará um rugido como um avião a jato.

Não queremos transformar nossas estradas em pistas, certo? Embora nessa velocidade, você poderia ir de Nova York a Los Angeles em duas horas e meia. Em comparação, um avião faz a mesma viagem em cinco horas e meia. Bom, vamos dar uma olhada no recorde de velocidade que uma pessoa média pode estabelecer em um carro.

O recorde foi estabelecido em uma estrada fechada perto de Las Vegas. O motorista pisou fundo no pedal e não largou até atingir uma velocidade incrível de 453 quilômetros por hora. Esta é a metade da velocidade de cruzeiro de um avião de passageiros. Isso foi em uma estrada comum! E este carro é muito mais confortável do que o Bloodhound LSR. Tem ar condicionado, sistema de som e lugar para passageiro.

A empresa ainda não anunciou o preço deste monstro, mas será de pelo menos US$ 1,9 milhão. Bem, viagens em alta velocidade continuam sendo um benefício para os ricos. Mas o SSC Tuatara ainda não é o carro mais caro do mundo. Este título pertence ao Bugatti La Voiture Noire com um preço de US$ 18,6 milhões. Para efeito de comparação, o preço dos aviões privados que podem viajar entre continentes começa em US$ 3 milhões. Então, você poderia comprar seis aviões. Pois é.

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