Ela sobreviveu a três desastres de navio

Curiosidades
há 7 meses

A água gelada aperta o peito, de forma que você não consegue respirar fundo. Pessoas gritam ao redor. É tarde da noite e aquele mar infinito se mistura com o céu negro estrelado. A sensação é de medo e frio.
O navio em que você está a bordo começa a afundar nas profundezas do oceano. Pessoas que sofreram naufrágios muitas vezes continuam com medo de água pelo resto da vida.
Mas a mulher cuja história você ouvirá não sobreviveu a um, e nem mesmo a dois, mas a três desastres de navios e continuou a trabalhar em cruzeiros como comissária de bordo. Conheça Violet Jessop, a Senhorita Inafundável!

Sua infância pode ser descrita em uma palavra: curta. A garota teve que amadurecer rapidamente para cuidar de seus irmãos. Violet era a mais velha de nove filhos.
A vida ficou ainda mais difícil quando ela ficou muito doente. Os médicos tinham certeza de que não sobreviveria, mas conseguiu. Ainda jovem, se mudou para a Inglaterra com sua mãe, cuidou de suas irmãs e frequentou um convento.

Sua mãe trabalhava como comissária de bordo no mar e, quando adoeceu, a jovem Violet seguiu seus passos. Mas por causa de sua juventude e beleza, ninguém quis contratá-la. Acreditava-se que ela iria distrair os passageiros e a tripulação.
Violet, porém, não desistiu e foi para uma das entrevistas com suas piores roupas e o cabelo desarrumado. Ela queria mostrar que estava pronta para trabalhar duro no navio, e assim o fez. A garota foi contratada.

Os primeiros dois anos transcorreram tranquilamente. Mas então uma série de fatos inacreditáveis começou a acontecer, ou desgraças, dependendo do ponto de vista.
Em 1910, Violet conseguiu um emprego no navio mais luxuoso da época, o Royal Mail Ship Olympic. Ele cruzou o Atlântico da Inglaterra para a América. Os engenheiros não focaram na velocidade da embarcação, mas sim no conforto dela.

A senhorita inafundável recebia apenas duas libras por mês, o equivalente a 200 libras hoje. O trabalho árduo no convés, de manhã até a noite, não a assustava. Ela amava o trabalho.
Também gostava de conversar com as pessoas e apreciava as belas vistas do Atlântico. Então, no dia 20 de setembro de 1911, ela estava trabalhando no convés como de costume. O mar estava calmo e o tempo excelente. Tudo parecia bem.

O navio seguia seu caminho pelo Estreito de Solent, que separa a Ilha de Wight do continente britânico. Nesse momento, o cruzador militar britânico Hawke surgiu à frente.
Ele deveria ter ultrapassado o Olympic, mas algo deu errado. Os navios foram direto um contra o outro. O capitão do Olympic tentou manobrar para evitar uma colisão, mas não conseguiu. A proa do Hawke foi projetada especificamente para chocar-se com outras embarcações.

E daquela vez colidiu com o Olympic. Bumm! O transatlântico estremeceu e as pessoas gritaram de medo e pânico. O navio tinha um enorme buraco a estibordo. Violet caiu com a força do impacto. Parecia que uma das maiores embarcações da época iria afundar, mas, felizmente, não foi o caso.
Os dois navios permaneceram flutuando e ninguém se feriu. Desta vez, a sorte estava ao lado de Violet, que não se assustou com o acidente. Ela não pensou duas vezes e continuou a trabalhar como comissária.

Em abril de 1912, conseguiu um emprego no melhor e inafundável navio da época, [Titanic], onde deveria servir os VIPs. Inicialmente, ela não queria trabalhar no Titanic, mas seus amigos a convenceram. E então, Violet embarcou no dia 10 de abril de 1912 e deixou o porto de Southampton, feliz ou infelizmente.
Os primeiros dias foram tranquilos, mas no quarto aconteceu um dos mais notórios desastres do mundo. A senhorita inafundável estava descansando em sua cabine, quase dormindo, quando sentiu o impacto. Naquele momento, foi chamada ao convés superior.

Quando o Titanic atingiu o iceberg, quase não houve pânico. Ninguém acreditava que aquele gigante pudesse realmente submergir. No momento em que o porão estava enchendo de água, todos estavam calmos nos conveses superiores.
Violet, junto com outros comissários, estava ali durante a evacuação para os botes salva-vidas. Mulheres e crianças foram retiradas primeiro.

Então, um dos oficiais ordenou que ela entrasse em um barco para mostrar às outras mulheres que era perfeitamente seguro. Quando entrou, as demais a seguiram e de repente alguém colocou um bebê enrolado nas suas mãos.
Sem pensar duas vezes, Violet abraçou a criança contra o peito para mantê-la aquecida enquanto o Titanic afundava.

Ela não largou a criança até que seu barco salva-vidas foi resgatado pelo Carpathia, um navio que veio prestar socorro. Já a bordo dele, uma mulher correu até ela. Sem dizer uma palavra, arrancou a criança das mãos de Violet.
Ela pensou que a mulher era a mãe do bebê, então nem tentou recuperá-lo. Estava congelada e estarrecida demais para pensar em como era estranho que aquela pessoa não tivesse dito “obrigada” para quem salvou seu bebê. Muitos anos depois, Violet seria lembrada dessa criança em circunstâncias incomuns.

Depois de sobreviver com sucesso a um dos mais terríveis naufrágios da história, ela continuou a trabalhar no mar, contrariando todas as probabilidades.
Em 1916, conseguiu um emprego como enfermeira no navio-hospital Britannic, irmão do Olympic e do Titanic, que navegava no Mar Egeu.

No dia 21 de novembro, a embarcação fez uma rota que já havia feito várias vezes. Mas naquele dia em particular, foi uma falta de sorte. O Britannic atingiu uma mina subaquática.
Violet conseguiu sobreviver ao terceiro naufrágio de sua vida. No entanto, o resgate não foi tão fácil quanto os dois anteriores.

Após a explosão, o enorme Britannic começou a afundar rapidamente. Levou menos de uma hora para submergir completamente. Violet não teve tempo de embarcar em um bote salva-vidas, então pulou na água fria.
E nadou até o bote mais próximo, no qual subiu. Mas o resgate se transformou em um novo perigo. As hélices do Britannic ainda estavam funcionando, girando na água e puxando o barco em sua direção.

Violet saltou bem a tempo de escapar das hélices. Mas seu desafio estava longe de terminar. Já na água, foi puxada para baixo da quilha do Britannic e bateu a cabeça.
A única coisa que a salvou de perder a consciência e provavelmente a vida foram seus cabelos grossos. No final, a mulher se afastou do motor e foi resgatada por outro barco.

Nos anos seguintes, Violet foi atormentada por dores de cabeça. Quando finalmente foi ao médico, ele disse que ela teve uma sorte incrível, pois no acidente do Britannic teve uma fratura no crânio.
Os três desastres pelos quais Violet passou não a fizeram parar. Ela continuou a trabalhar em cruzeiros até 1950. E viajou o mundo duas vezes no luxuoso Belgenland. Felizmente, a sequência de contratempos terminou e a mulher nunca mais naufragou.

Em 1950, ela se mudou para Great Ashfield, no Condado de Suffolk, nos EUA. No total, trabalhou no mar por quase quarenta e dois anos. Satisfeita com sua carreira, se estabeleceu em uma grande cabana construída no século XVI. Mas, um ano depois de se aposentar, recebeu um estranho telefonema.
Era tarde da noite. Violet estava dormindo quando o telefone tocou. Ela atendeu. Do outro lado, a voz de uma mulher, que não se apresentou e perguntou imediatamente: “Com licença, foi você quem salvou um bebê no Titanic?” Violet respondeu: “Sim”. “Era eu!”, disse a estranha.

Que riu e desligou. Violet contou a um amigo sobre essa ligação incomum. Ele presumiu que algumas crianças estavam de brincadeira.
Mas Violet nunca havia contado a ninguém sobre o bebê antes daquele telefonema. De acordo com os registros antigos, a única criança que estava no barco com Violet era um menino.
Mas esses mesmos registros também diziam que o menino foi salvo por outro passageiro. Ainda não se sabe quem era o bebê que Violet resgatou.
E assim, por sobreviver a três naufrágios diferentes em três navios diferentes, ela foi apropriadamente apelidada de Senhorita Inafundável.

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