Incrível

Comer sem culpa é essencial para uma alimentação mais saudável, diz pesquisa

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Comer é uma das melhores coisas da vida. Mas, convenhamos, nossas escolhas podem nem sempre ser as mais saudáveis. E é pensando assim, buscando um prazer gustativo e ao mesmo tempo se culpando pela escolha “errada” de alimentação, que nosso psicológico acaba sendo colocado contra a parede.

Incrível.club trouxe hoje uma pesquisa de mestrado da Faculdade de Saúde Pública que concluiu que compreender o prazer na alimentação de uma forma mais tranquila pode sim levar a uma alimentação mais saudável. Acompanhe!

O objetivo da pesquisa

A pesquisa não focava na perda de peso como um objetivo primário. Pois, não partia do pressuposto de que uma pessoa obesa é uma pessoa doente que se alimenta de maneira errada.
O foco em si era no “prazer”. Era desfazer a ideia de que esse sentimento esteja sempre atrelado às coisas que não deveríamos estar desejando comer. É uma intervenção para alterar a visão do que é bom ou ruim. Para fazer com que as pessoas reflitam e pensem ao invés de aceitar uma verdade imposta.

Como foi realizada

Sem usar dietas que restringem a alimentação, um grupo de mulheres obesas se voluntariaram para refletir sobre seus sinais internos, como vontade de comer e fome. Assim, foram desenvolvendo uma autonomia onde elas decidiam se consumiriam ou não um determinado alimento.
A análise também avaliou como essas mulheres lidam com seus desejos. Se elas comiam o que queriam, visto que o prazer está diretamente ligado a esta satisfação.

De início era comum que elas dissessem que se sentiam fora de controle quando se doavam ao prazer de satisfazer seus desejos. Outras diziam que tentavam substituir suas escolhas por algo mais saudável. Assim, elas acabavam consumindo muito além do necessário.
Depois da intervenção foi identificado um empoderamento nessas mulheres, onde elas decidiam se satisfariam ou não as suas vontades.

O resultado

No fim das contas, a reflexão sobre a razão da vontade de comer algo e a decisão do indivíduo de ceder ou não ao prazer se mostrou mais eficiente do que a simples proibição. Muitas das mulheres relataram que a vontade de comer algo podia ser associada ao emocional e que o desejo nem sempre é a comida em si, mas a resolução de um conflito interno.

A pesquisadora responsável, Fernanda Sabatini, diz que “hoje, existe um comer muito racionalizado para o fisiológico, como se o ser humano fosse só um corpo biológico, e não somos. Estamos inseridos em um contexto social e cultural onde a comida tem múltiplos significados, sendo um meio de construção e afirmação de identidade. Ela é responsável por nos inserir em um grupo social e essa sensação de pertencimento gera prazer. Você pode sentir prazer porque comeu uma comida que o remeteu a sua vó. Isso é saudável, porque isso é natural do ser humano”.

Exemplificando seu ponto, ela trouxe à tona um estudo da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, que dizia que pessoas que se sentiam culpadas em comer um bolo de chocolate tinham mais dificuldade em manter seu peso do que as pessoas que relacionavam o doce a uma celebração.

E, por fim, um recado

A obesidade é sim um problema a ser tratado, e daí nasce a ideia de que todo corpo gordo precisa ser tratado. Mas nem todo corpo gordo é obeso. O importante é que você seja feliz. É necessário não só sentir o prazer em comer o que lhe convém, mas em descobrir que você pode sim sentir esse prazer.

Conte para gente nos comentários se você já faz parte desse grupo que não tem vergonha de ser feliz. Se ainda não é, tá esperando o quê?

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