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Nossa família faz muito mais diferença do que imaginamos quando estamos ficando velhos, diz pesquisa

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A terceira idade é uma parte da vida que muitas vezes é considerada solitária. Os familiares mais jovens estão seguindo suas vidas na correria do dia a dia e, muitas vezes, acabam relegando pais e avós à solidão do lar.

Mas é importante ter em mente que a participação efetiva da família pode fazer uma enorme diferença na vida dos idosos. Isso é o que demonstra uma pesquisa realizada para uma tese de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). O Incrível.club mostra os resultados dessa pesquisa e como é importante estar próximo de seus pais ou avós para mantê-los lúcidos e saudáveis. Confira!

Como surgiu a ideia da pesquisa

A pesquisadora Ana Carolina Albiero Leandro da Rocha, autora do estudo, conta que teve a ideia de iniciar o trabalho enquanto coletava dados de pacientes acima dos 60 anos para seu projeto de mestrado (anterior, portanto, ao doutorado). Ela avaliava até que ponto a “espiritualidade” contribuía para a saúde dessas pessoas no processo de aceitação da idade e das doenças que muitas vezes acompanham essa fase da vida.

Ana Carolina percebeu, que para a grande maioria dos idosos, a família se mostrava a coisa mais importante. Então, resolveu que esse seria o foco de sua tese de doutorado: avaliar a importância dos familiares no processo de envelhecimento.

Coletando dados e definindo terminologias

Foram feitas perguntas aos pesquisados e a parentes. As questões se referiam a aspectos como dados socioeconômicos, qualidade de vida e formas de enfrentar as adversidades. Também foi desenvolvido um genograma familiar de cada idoso — uma espécie de árvore genealógica que avalia as relações entre os membros da família.

Parte importante do estudo é o conceito de “espiritualidade”, adotado. E, mesmo que possa estar associado à religiosidade, é importante ressaltar que não se trata da mesma coisa. Nessa pesquisa a espiritualidade se refere a algo que traz sentido à vida de maneira individual — podendo ou não estar associado a práticas e crenças religiosas.

Resultados

Depois de analisar o conteúdo, os resultados foram dispostos em duas categorias temáticas:

  • A primeira é a das mudanças individuais, familiares e de senescência (velhice).
  • A segunda é a do equilíbrio entre família, espiritualidade e resiliência.

Na primeira categoria, a das mudanças individuais, houve uma separação em mudanças cognitivasmudanças físicas. A questão, aqui, era avaliar se os idosos demonstravam dificuldades em relação à memória e se necessitavam de ajuda e/ou supervisão de familiares para atividades diárias, como ir às compras ou pagar as contas, por exemplo. Também entraram na avaliação, aspectos como perda de força física, falta de energia e dores, entre outros problemas que também demandam cuidados por parte dos familiares.

Já as mudanças familiares foram caracterizadas por possíveis dependências e pelas condições financeiras. Foi nos relatos dos familiares que a dependência se mostrou mais presente como um fator negativo, pois há uma maior percepção da mudança com o aumento gradual da demanda por cuidados. O fato de esses familiares estarem conscientes dessas necessidades ajudava, de certa forma, a lidar com as dificuldades do cotidiano. Na parte de condição financeira, muitos dos idosos se sentiam mais realizados, tendo tudo o que queriam. Outros até assumiam papéis de provedores para filhos desempregados. Por outro lado, uma parcela significativa apresentava problemas de renda, tendo de contar com o apoio de familiares para despesas básicas.

Alguns dos entrevistados demonstraram facilidade em lidar com a idade. Eles disseram não sentir dificuldades em viver, apesar de terem ciência de que as coisas mudaram com o passar dos anos. Esses idosos, em geral, tendem a lidar com o envelhecimento de maneira natural e saudável.

A segunda categoria abordou os valores familiares que podiam potencializar a resiliência para enfrentar as dificuldades da idade. Ficou claro que a presença próxima de um familiar — geralmente, um filho ou outro parente mais presente — ajudava a lidar com o envelhecimento. Para alguns dos pesquisados, o mais importante, no contexto da família, é o espaço familiar em si, uma instituição que promove afeição e cuidado.

No quesito espiritualidade, item no qual os idosos definiam o que trazia sentido às suas vidas, a família e os amigos se mostraram fatores principais, assim como a religião em alguns dos casos. Alguns dos entrevistados não conseguiam responder às perguntas, alegando cansaço em relação à vida. Para esses idosos as consequências de suas patologias crônicas se mostravam mais impactantes do ponto de vista da perda de qualidade de vida, aumentando assim a necessidade de cuidados por parte de seus familiares.

No quesito resiliência, a felicidade e a percepção de saúde se mostraram extremamente importantes. Alguns pesquisados relataram sensações de paz e tranquilidade, fatores que constituiriam uma base para enfrentar as dificuldades. Já a percepção de que se mantinham saudáveis ajudava a promover o otimismo frente aos obstáculos.

Em resumo, a família hoje em dia se mostra primordial para a saúde e a qualidade de vida do idoso, em todos os sentidos. E, visto que a população brasileira está ficando mais velha, precisamos melhorar as condições de vida dos idosos. Para isso, é fundamental promover hábitos saudáveis como forma de reduzir a dependência dessas pessoas em relação a seus familiares.

Você tem algum idoso na família? Conte para nós na seção de comentários como são os cuidados e o convívio com essa pessoa.

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