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8 Peculiaridades nas obras-primas da literatura mundial que poucos notaram

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Muitas pessoas tomam gosto pela leitura de obras-primas da literatura mundial, tais como Os Três Mosqueteiros, Alice no País das MaravilhasAnna Karenina. Ainda assim, muitos leitores de hoje têm dificuldades em entender romances de séculos passados. O comportamento dos personagens, suas visões, ações e os próprios acontecimentos podem levantar muitos questionamentos.

Mais uma vez, nós, do Incrível.club, reviramos alguns livros clássicos e tentamos esclarecer algumas dúvidas.

Por que Vrónski e Kariênin se chamam Aleksiei?

Não é segredo que Tolstói ficou descontente com os primeiros esboços do seu romance Anna Karenina. Na primeira versão, os personagens principais tinham outros nomes. No início, o escritor chamou Vrónski de Ivan Petrovich Balashov, depois de Udashev e de Gagin, e Kariênin foi chamado de Michail Michilovich Stavrovich. Mas por que Tolstói deu o mesmo nome para os dois amores de Anna mesmo sendo, à primeira vista, tão diferentes?

É exatamente porque eram diferentes apenas à primeira vista. Ambos não conheciam seu pai: Kariênin era órfão e Vrónski “jamais conhecera a vida em família. Sua mãe, na mocidade, fora uma fulgurante mulher mundana, que tivera, durante sua vida conjugal, e sobretudo depois, muitos casos de amor, sabidos por toda a sociedade. Vrónski quase não tinha lembrança do pai e fora criado no Corpo de Pajens”.

Os dois não tinham amigos íntimos: Kariênin “nem no ginásio, nem na universidade, nem mais tarde no serviço público, criou laços de amizade com quem quer que fosse”. Vrónski, embora fosse uma pessoa sociável, também não tinha amigos íntimos .

Os personagens, apesar da aparente estabilidade, tinham problemas no trabalho. Kariênin, mesmo sendo funcionário público importante, não conseguia promoção e não era tão respeitado pelos seus colegas como antes. Vrónski tinha certa reputação devido à qual “muitos começavam a pensar que ele não seria capaz de outra coisa a não ser um rapaz correto e bom”.

Talvez fosse por essas semelhanças, que o escritor lhes deu o mesmo nome. A própria Anna pensa: “Que destino estranho e terrível, haver dois Aleksiei, não é verdade?”

Por que o Gato de Cheshire de Alice no País das Maravilhas sorri?

Lewis Carroll escreveu Alice no País das Maravilhas para a filha do vice-chanceler da Universidade de Oxford. Os tradutores frequentemente indicam que é difícil traduzir o livro por ter muitas figuras de linguagem complexas escolhidas pelo autor: o livro está repleto de trocadilhos.

Por exemplo, o nome do Chapeleiro Maluco veio de um ditado popular da Inglaterra: “maluco por ser um chapeleiro”, referindo-se a uma pessoa mentalmente instável. Antigamente, o mercúrio era utilizado no processo de confecção de chapéus, e chapeleiros se comportavam de forma estranha por inalarem o elemento químico.

O nome do Gato de Cheshire também não veio do nada. Alice pergunta à Duquesa: “Por que seu gato sorri tanto?” E ela responde: “É um gato de Cheshire, apenas isso”. Diz a lenda que no condado de Cheshire produziam muito leite, por esse motivo os gatos daquela região eram felizes, bem alimentados e sorriam.

O comportamento estranho do protagonista de O Médico e o Monstro é parcialmente atribuído à moral vitoriana

Essa novela gótica, escrita pelo autor escocês Robert Louis Stevenson, foi encenada em diversos teatros de vários países. Naquela época, a novela era inovadora por apresentar elementos de ficção científica e pelo protagonista ser inspirado parcialmente em uma pessoa real. Mesmo assim, os leitores se perguntam: como o Dr. Jekyll decidiu fazer esse experimento perigoso e para que tomava regularmente a poção tornando-se Hyde?

Seu comportamento é parcialmente atribuído à moral vitoriana. A novela se passa na Inglaterra do século XIX. Naquela época, a dignidade era mais valorizada que a saúde e os sentimentos verdadeiros de um homem. O código moral rígido, imposto pela sociedade, fez com que muitas pessoas tivessem uma vida dupla. As proibições constantes revelaram os pecados e vícios do Dr. Jekyll, cuja essência foi liberada pela poção.

Por que a história de Macbeth contada por Shakespeare é tão diferente da real?

O protagonista da tragédia Macbeth, de William Shakespeare, é muito diferente da figura histórica. Na peça, Macbeth é um assassino e traidor que usurpou o trono. Na realidade, Macbeth foi uma figura histórica e, além disso, um herdeiro legítimo da coroa da Escócia.

Ao escrever sua tragédia, Shakespeare se inspirou no relato histórico das Crônicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda, também conhecidas como Crônicas de Holinshed, e da Historia Gentis Scotorum (História do povo escocês), de Hector Boece. Esse autor queria difamar Macbeth e reivindicar a pretensão da Casa de Stuart ao trono escocês. Portanto, o dramaturgo ajudou a propagar a história distorcida.

Por que Constance, de Os Três Mosqueteiros, é morena no início, e loira depois?

Constance, a amante do protagonista, no início aparece como “...uma mulher de 25 ou 26 anos, morena de olhos azuis...”, mas a Milady vê-a como “uma moça de cabelos louros e pele delicada”.

Os romances do Alexandre Dumas são sempre cheios de ação, desde as primeiras páginas os personagens ora participam de duelos, ora começam uma aventura. Às vezes, de tão envolvido na descrição das perigosas peripécias, o autor simplesmente esquecia de detalhes como a aparência dos seus personagens. Então, a mudança da cor de cabelo da amante do mosqueteiro é apenas um lapso do escritor.

No romance Crime e Castigo a chuva tem um significado

No seu romance, Dostoiévski não foca nossa atenção nas datas exatas. O leitor apenas sabe que os acontecimentos começam em julho. Mas o autor destaca o dia 20 desse mês, quando Raskólnikov está na casa de sua mãe e sua irmã para se despedir delas. O escritor descreve a chuva torrencial daquele dia, que tem um significado.

Segundo o calendário juliano, o dia 20 de julho era o feriado do profeta Elias. Como diz a lenda, exatamente nesse dia o santo passa na sua carruagem e “lança raios” nas pessoas que quebraram a Lei de Deus. E com isso o autor quer dizer que o protagonista vai pagar pelo que fez.

O que significa a frase “jogou seu boné através do moinho” em Anna Karenina?

O romance Anna Kariênina gera mais uma dúvida para o leitor: o que significa a frase da Princesa Betsy sobre o divórcio próximo de Anna: “Vocês não me disseram quando será o divórcio. Digamos, joguei meu boné através do moinho, mas outros colarinhos levantados vão tratá-los com frieza até que estejam casados”? (tradução literal do texto)

A frase “jogar o boné através do moinho” vem do francês e significa “agir de modo transgressor e não se importar”. Com isso a Princesa quis dizer que ela não estava julgando a escolha da Anna, pois “jogou seu boné através do moinho”, mas a sociedade não seria tão indulgente.

Além disso, Betsy diz a expressão “colarinhos levantados”. Ela se refere à alta sociedade, cujos membros usavam os colarinhos altos e levantados, de acordo com a moda europeia da época.

As traduções dessa fala da Princesa Betsy em duas edições diferentes do romance em português:

— Vocês não me disseram quando ficará pronto o divórcio. Convenhamos, eu mandei às favas as convenções sociais, mas outras pessoas, mais severas, vão tratá-los com frieza enquanto não estiverem casados. (Editora Brasileira: Companhia de Letras, Tradutor: Rubens Figueiredo)

— Mas não me disseram ainda para quando é o divórcio? Eu previno-os, lanço tudo para detrás das costas, mas outras não farão como eu e vão achar muitos pedantes que nem vos olharão... (Editora Portuguesa: Civilização, Tradutor: Vasco Valdez)

Por que o romance ...E o Vento Levou tem esse título?

Margaret Mitchell pensou em dar a esse romance famoso um outro título: As Cornetas Cantaram a Verdade ou Não Estão Nas Estrelas. E a primeira versão para o nome foi a última frase do romance: Afinal, Amanhã Será Outro Dia.

Acredita-se que o título “...E o Vento Levou” venha da terceira estrofe do poema de Ernest Dowson:

Esqueci muitas coisas, Cynara! Foram-se com o vento,
Rosas lançadas, rosas turbulentas com a multidão
Dançando, para tirar teus pálidos lírios perdidos do pensamento;
Mas eu estava desolado e doente de velha paixão,
Sim, o tempo todo, pois a dança foi longa:
A ti fui fiel, Cynara! Ao meu modo.

Scarlett O’Hara diz essa frase quando se pergunta se a fazenda Tara está salva ou se “o vento, que passou pela Geórgia, a levou”. Em um sentido geral, a frase ’e o vento levou’ representa a decadência do Sul dos Estados Unidos.

Você teve algumas dúvidas lendo os romances clássicos? Comente.

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